terça-feira, dezembro 23, 2008

A lição Tailandesa

Por FERNANDA LEITÃO

Recentemente, o mundo foi surpreendido pela revolta generalizada do povo tailandês, esse povo educado e doce que serviu, entre outras obras de arte, de inspiração ao filme O REI E EU, mais tarde em versão teatral interpretada pelo inesquecível bailarino Nureyev, que deste meio se serviu para, em tournée mundial, se despedir do público antes de o pano descer sobre a sua própria vida. Num país de beleza e doçura, donde vinha essa revolta? Contra o quê e contra quem? O que se propunha?

E o mundo ficou boquiaberto: a revolta era contra a corrupção, contra o governo que permtiu e incentivou a corrupção. Exigia-se o derrube e julgamento do governo. O povo em massa cerrou fileiras em volta do seu rei e da sua democracia. Num mundo em que a corrupção se tornou moeda corrente e rotineira em tantos países, velhos e novos, já causa espanto que povos recusem viver na lama que leva à ditadura.

Mas foi o que aconteceu. Durante semanas, o povo esteve nas ruas a bater o pé à minoria corrupta, a sofrer a repressão dos que, para além da culpa, tinham o mando. Aguentou tudo sem desarmar nem desanimar. Quando chegou a sentença do tribunal, condenando sem apelo nem agravo os mentores da corrupção, a taça transbordou. O governo caíu. O partido do governo ficou na valeta da credibilidade. Passou-se a um período de transição rumo a eleições democráticas.

Feliz Tailândia, feliz terra em que o povo abomina a corrupção e faz um corpo só com o seu rei. Ali, a chefia do estado não é pretexto para, de tantos em tantos anos, se jogarem as pessoas umas contra as outras, se escolher um partidário para a cabeça do estado e depois se assistir ao espectáculo degradante de os partidos da oposição fazerem do escolhido o bode expiatório das suas frustrações, e o escolhido ficar entre a espada do seu partido e a parede da opinião pública.

sábado, dezembro 20, 2008

sexta-feira, dezembro 19, 2008

A ratoeira

Ambrose Evans-Pritchard

The Telegraph 18 Dec 2008

Federal Reserve is damned either way as it battles debt and deflation

We know what causes a recession to metastasize into a slump. Irving Fisher, the paramount US economist of the inter-war years, wrote the text in 1933: Debt-Deflation Theory of Great Depressions.

"Such a disaster is somewhat like the capsizing of a ship which, under ordinary conditions is always near stable equilibrium but which, after being tipped beyond a certain angle, has no longer this tendency to return to equilibrium, but a tendency to depart further from it," he said.

Today we call this "Gladwell's tipping point". Once it goes, you can't get back up. This is why the Federal Reserve has resorted to emergency measures that seem mad at first sight.

It has not only cut rates to near zero for the first time in US history, it is also conjuring $2 trillion of stimulus out of thin air. This is Quantitative Easing, or just plain 'QE' in our brave new world.

The key is the toxic mix of high debt and deflation. An economy can handle one at a time, but not both.

The reason why it "departs further" from equilibrium is more or less understood. The burden of debt increases as prices fall, creating self-feeding spiral. This is what Fisher called the "swelling dollar" effect. Real debt costs rose by 40pc from 1929 to early 1933 by his count. Debtors suffocated to death.

Brian Reading from Lombard Street Research has revived this neglected thesis and come up with some disturbing figures. US household debt is now $13.9 trillion, down just 1pc from its peak last year. Meanwhile household wealth has fallen 14pc as property crashes, a loss of $6.67 trillion. The debt-to-wealth ratio is rocketing.

Clearly the US is already in the grip of debt-deflation. "The obvious conclusion is that the Fed should print money to purchase private sector assets so as to drive up their price," he said.

Fed chief Ben Bernanke does not need prompting. He made his name as a Princeton professor studying the "credit channel" causes of depressions. Now fate has put him in charge of the channel.

Under his guidance, the Fed has this week pledged to "employ all available tools" to stave off deflation - and damn the torpedoes. It will purchase "large quantities of agency debt and mortgage-backed securities." It will evaluate "the potential benefits of purchasing longer-term Treasury securities," i.e, printing money to pay the Pentagon.

Put bluntly, the Fed is deliberately stoking inflation. At some point it will succeed. Then the risk flips quickly to spiralling inflation as the elastic snaps back. There will be a second point of danger.

By late 2009, if not before, the bond vigilantes may start to fret about the liquidity lake. They will worry that the Fed may have to start feeding its holdings of debt back onto the market. The Fed's balance sheet has already risen from $800bn in September to $2.2 trillion this month. It will be $3 trillion by early next year.

"The bond markets could go into free fall," said Marc Ostwald from Monument Securities.

"The Fed went into this all guns blazing just as the Neo-cons went into Iraq thinking it was a great idea to get rid of Saddam, without planning an exit strategy. As soon as we get the first uptick in inflation, the markets are going to turn and say this is what we feared would happen all along. Then what?" he said.

New Star's Simon Ward said all three measures of the US broad money supply are flashing recovery. M2 has risen at annual rate of 17pc over three months.

"It has all changed since the Fed began buying commercial paper in October. If the money supply is booming at 20pc in six months, inflation will become a concern. Given that public debt ratios are already on an explosive path, we risk a debt trap," he said.

For now, the bond markets are quiet. Futures contracts are pricing five years of deflation in the US. Yields on 10-year US Treasuries have halved since early November to 2.09pc, the lowest since the Fed's data began. Three-month dollar LIBOR has plummeted to 1.53pc.

It is the same pattern across the world. 10-year yields have fallen to 1.27pc in Japan, 3pc in Germany, 3.2pc in Britain, and 3.49pc in France.

The bond markets seem to be betting that emergency action by central banks will take a very long time to work, if it works at all. By cutting to zero, the Fed has come close to shutting down the US 'repo' market that plays a crucial role in providing liquidity. It has caused havoc to the $3.5 trillion money markets - as the Bank of Japan, burned by experienced, had warned. It has become even harder for banks to raise money. Some argue that extreme monetary policy is already doing more harm than good.

Mr Bernanke is known for his "helicopter speech" in November 2002, when he nonchalantly talked of the Fed's "printing press" and said it was the easiest thing in the world to "reverse deflation."

Less known is his joint-paper in 2004 - "Monetary Policy Alternatives at the zero-bound". By then doubts were creeping in. He admitted to "considerable uncertainty" as to whether extreme tools will actually work. Liquidity could fail to gain traction.

Put another way, the Fed is flying by the seat of its pants. It should never have let debt grow to such grotesque levels in the first place.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Pesadelos americanos

I.


Fonte: A New Era of International Cooperation for a Changed World: 2009, 2010, and Beyond, a Report by MGI-The Brookings Institution, November 2008.

II.
O comentador político da RIA Novosti, Dmitry Kosyrev, publicou hoje um artigo em que diz que poucas pessoas sabem o que é que Henry Kissinger estava a fazer no passado fim-de-semana em Moscovo. Aparentemente, Kosyrev não pertence aos que sabem, mas sabe o bastante para dizer que o "republicano" Kissinger pertence ao grupos dos magos da política externa da Casa Branca, seja qual for o presidente. Terá Kissinger ido apaziguar Dmitry Medvedev depois da sra. Clinton ter sido indicada por Obama para a secretaria de Estado? Afinal, não foi Bill Clinton quem criou a actual trapalhada entre a Rússia e os EUA? Será suficiente a mediação de Kissinger? Em Dezembro do ano que vem expira o acordo de redução de armas estratégicas (Strategic Arms Reduction Treaty - START I). E como é que, na próxima Primavera, se irão passar as coisas lá para as bandas do Cáucaso?

domingo, dezembro 14, 2008

Esperança apesar de tudo

CARTA DO CANADÁ
Fernanda Leitão

A sopa de grão com espinafres, quentinha, a saber a lar de família, saboreada por centena e meia de pessoas, na sua maioria idosas, sentadas ao longo de mesas decoradas com sóbrio gosto. Os pequenos papo-secos portugueses com manteiga a anularem dietas de quem carrega contenciosos com a tensão arterial trepadora. O perú recheado e um puré de batata a trazer recordações de juventude. A tarte de maçã com sorvete, à boa moda canadiana. O café, fraquinho, mas saboroso, a acompanhar aquele lado a lado sem formalismo de quem aprendeu, a milhares de quilómetros da Pátria, que somos, de facto, irmãos. Para o que der e vier, seja almoço de Natal, seja doença ou luto, pouca sorte ou alegria a celebrar.

Lá fora soprava um vento polar e arauto de neve a vir. Mas aquele salão da Saint Christopher House, no coração da comunidade portuguesa de Toronto, aquecia como um bom abraço. Instituição de solidariedade social que tem as suas portas abertas desde os anos 20 do século passado, prestando muitos e relevantes serviços a idosos e doentes, é um verdadeiro centro de dia para muitos portugueses que se viram na contingência de emigrar e, neste país imenso, muito trabalharam, lutaram e envelheceram. Ali tomou corpo o grupo Mulheres Portuguesas 55 + que, entre outras actividades meritórias, faz teatro mudo, que nem por sê-lo deixa de ser uma forte denúncia das injustiças, e até violências, a que os seniores podem estar sujeitos, quantas vezes no seio da própria família. Tanta força tem esse meio de comunicar que o grupo é frequentemente convidado a exibir-se nos centros comunitários das muitas etnias emigradas na cosmopolita Toronto. A Casa atingiu o seu ponto alto pela mão de duas senhoras portuguesas, a directora e a coordenadora, Odete Nascimento e Isabel Palmar, respectivamente vindas de Moçambique e de Benavente.

À medida que foram chegando os artistas que animaram a tarde, foi a curiosidade, a festa. E todos eles cumpriram galhardamente, incluindo uma antiga fadista que, na sua cadeira de rodas, aos 80 anos, empolgou a sala com a sua ainda forte voz a soltar as cantigas que foram cantadas por gerações. Comovente, pela beleza e espiritualidade de algumas canções, e sobretudo pela ternura com que abraçou e se deixou abraçar, enquanto cantava, o artista Belmonte, que pôs toda a sala a dançar, a cantar, a marcar com palmas o compasso.

Por todas as razões que sabemos, pelos jornais e pelas contas que temos de fazer diariamente, este bem podia ser o Natal do Nosso Descontentamento. Mas não ali, na sala grande daquela Casa. Porque ali, todos aqueles rostos curtidos pelo tempo, todas aquelas cabeças embranquecidas pela vida, que já viram muitas recessões e muitas carências, e tudo ultrapassaram, todos detinham o segredo da resistência: o amor. É que só por amor se resiste a maus fados de Pátria que nos atiraram para longe, só por amor nos damos as mãos onde quer que estejamos, só por amor mantemos a esperança contra ventos e marés. Um amor que não se explica e mal se soletra, que nos foi legado por um carpinteiro pobre.

Tenha um Santo Natal, meu caro leitor. E acredite que vai vencer o ano que aí vem.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Página Oficial da Casa Real



Com o alto patrocínio dos Senhores Duques de Bragança abriu-se hoje, dia de Nossa Senhora da Conceição, um novo canal de comunicação com os portugueses do Continente, das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, e com as Comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

Com este espaço graficamente renovado, dotado com novas secções e conteúdos, pretende chegar-se mais perto de todos aqueles que partilham com Portugal uma herança histórica e cultural ou que nutrem por Portugal simpatia, admiração ou respeito. Ali se poderá conhecer e seguir a actividade da Casa Real Portuguesa e das Instituições a ela ligadas.

É um novo ciclo que se abre, um novo Serviço que se oferece. A visitar regularmente - Página Oficial da Casa Real Portuguesa


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quinta-feira, dezembro 04, 2008

Pedro Teotónio Pereira e a «pretalhada»



Através do espaço Caminhos da Memória tive conhecimento de um interesante documento histórico. Na sua apresentação, o editor escreveu o seguinte:

"Este texto insere-se num conjunto de cartas e documentos trocados entre Salazar e Pedro Teotónio Pereira. João Miguel Almeida concretizou a recolha de correspondência trocada entre estas duas figuras do regime de 1945 a 1968. Esta carta não se encontra datada mas foi certamente escrita em 31/10/1961 ou pouco depois."

Eis o texto da carta:

EMBAIXADA DE PORTUGAL

WASHINGTON

Senhor Presidente

Escrevo de corrida porque a mala vai partir.

Muito lhe agradeço o telegrama ontem recebido. O caso dos Metodistas precisa de séria consideração. Não podem ser postos em liberdade depois de todas estas semanas na cadeia e da tempestade que eu tenho aguentado aqui, sem a conclusão natural que só pode ser o julgamento. Temos de os libertar depois de bem provada a culpabilidade, até para a política futura a seguir com esta qualidade de «missionários».

A fita aqui, continua mas mais atenuada e com o Departamento de Estado guardando silêncio prudente.

Com a maior alegria mando a V. Excia o texto do discurso de Williams anteontem à noite em New York. Não o posso traduzir porque chegou agora mesmo o texto completo. Representa indiscutivelmente uma grande mudança. Deixou de falar em self-determination e só usa a expressão self-expression. Tudo indica que estamos em face dum princípio de evolução na sua vinda a público. E é bem significativo que seja o Williams a fazê-lo. Compare V. Excia os termos deste discurso com a conversa de há um mês!

Já deve ter sido transmitido pelas agências mas os resumos são sempre muito insuficientes. Este texto precisava de ser habilmente usado aí em Lisboa sem levar muito longe a nossa satisfação mas aparentando certa confiança num melhor entendimento.

Se não surgir um incidente, pode dizer-se que está estabelecida a ponte.

A pretalhada vai dizer que o Williams os está a atraiçoar.

Vou já prevenir o Franco Nogueira em N. York. Ele vem para aqui em 6 e começará as conversas em 7.

Tenho recebido uma nuvem de cartas de apoio ao meu artigo do United States News de todos os pontos da América.

Jantei anteontem com o Sr. Mikinski que manda cordiais saudações a V. Excia.

Fez excelente serviço aqui a declaração de Delgado acerca de Galvão. A parte relativa ao caso do Santa Maria foi especialmente construtiva.

Respeitosos cumprimentos
PedTheoPereira


(In João Miguel Almeida, António Oliveira Salazar - Pedro Teotónio Pereira. Correspondência Política (1945-1968), Lisboa, Instituto de História Contemporânea. Círculo de Leitores. Temas e Debates, 2008, p. 660.)


Esta carta é na verdade um documento muito interessante, revelando-nos que bastava a um membro da administração americana mudar um pouco a sua linguagem para que um agente diplomático do governo de Lisboa logo pensasse que se estava perante uma importante mudança de política.

A fraqueza estrutural da política externa do governo de Salazar está aqui bem patente. Pela carta se depreende que Teotónio Pereira está de braço dado com o seu Ministro, Franco Nogueira, numa política em que se confundiam os alhos com os bugalhos: os "alhos" eram a política americana de substituição das potências europeias na África Austral, longamente pensada e preparada, e em clara execução pelo menos desde a administração Eisenhower e a independência do Ghana (1957); os "bugalhos" eram as pequenas mudanças de linguagem dos americanos que, naquela conjuntura, não podiam deixar de ser interpretadas à luz dos recentes reveses sofridos em Lisboa e no norte de Angola, num momento em que tinham entre mãos uma nova crise em Berlim.

No segundo semestre de 1961, os americanos estavam com efeito a aliviar a pressão que tinham vindo a fazer sobre o governo de Salazar no sentido da "descolonização", mas havia elementos suficientes para se perceberem as razões dessa nova atitude. Em Abril de 1961, falhara o golpe (com patrocínio americano) do ministro da Defesa, Botelho Moniz, e, em 31 de Outubro (data provável desta carta), os americanos já sabiam que, com as tropas portuguesas a dominarem de novo o norte de Angola (Nambuangongo fora retomada à UPA em Agosto), só depois de ficar aberta a "frente" de Moçambique (e aí as coisas estavam muito atrasadas, com Eduardo Mondlane ainda em Nova Iorque) poderiam voltar a pensar no derrube do governo de Lisboa. Humberto Delgado, bem a salvo no Brasil depois do incidente do «Santa Maria», ficava a aguardar uma conjuntura mais propícia para a detonação. Não tinha Teotónio Pereira informação sobre o que se passava em África e no Brasil?

A "grande mudança" na política americana, assinalada por Teotónio Pereira, não era afinal nenhuma mudança de fundo, limitando-se Williams a substituir a palavra "autodeterminação" por "auto expressão". Se Teotónio Pereira fosse um diplomata atento, teria percebido as implicações militares da crise de Berlim, que estalara em Julho: os americanos poderiam vir a necessitar de utilizar os Açores para transportarem tropas e armas entre os EUA e a Europa. Em 30 de Agosto, com efeito, Kennedy ordenara a mobilização dos reservistas e de mais de 148 mil homens da Guarda Nacional. Naquela altura, bastava ler os jornais para se saber que tinha sido já iniciada a mobilização dos esquadrões de aviação de caça, reconhecimento, e transporte, que vêm a participar na operação "Stair Step".

Outro aspecto interessante desta carta está na linguagem que Teotónio Pereira utiliza a respeito dos nacionalistas negros. Uma linguagem de desprezo, e que afinal escondia um outro erro grave de avaliação. Para o caso, não tinha grande importância o que os dirigentes negros – a "pretalhada" como lhes chama Teotónio Pereira – pudessem dizer. Em 1961, os chamados "movimentos de libertação" estavam ainda sem outros recursos para além daqueles que lhes eram fornecidos por, entre outros, americanos, russos, e chineses; que importância tinha o que dissessem? Era no Conselho de Segurança da ONU que estavam os seus principais patrocinadores. A influência sobre os "movimentos de libertação", e os novos estados africanos, era porém objecto de acesa disputa entre as potências. Se o governo de Portugal pretendia ter alguma influência em África, não seria importante subtraí-los a esse domínio e dependência? Só em finais de 1972, quando estava já perdida a guerra na ONU, é que Spínola enceta contactos com Amílcar Cabral. Foi tarde demais, e de forma bem desajeitada, fazendo com que o nacionalista Cabral pagasse com a própria vida.

Teotónio Pereira escreve que "se não surgir um incidente, pode dizer-se que está estabelecida a ponte." Em finais de 1961, uma ponte ficou na verdade estabelecida entre os governos de Washington e de Lisboa, mas apenas porque os americanos precisavam de uma outra "ponte": a que permitia realizar, sem percalços de maior, o trânsito de aviões e tropas entre os EUA e Berlim Ocidental. Mais tarde, aquela ponte será ainda necessária para o Médio Oriente. Durante a "crise de Berlim", que vem a terminar no Verão de 1962, as bases na Terceira e em Santa Maria terão já intensa utilização: mais de 14 mil descolagens, atingindo-se uma média de cerca de 40 voos por dia. Não havia qualquer exagero quando no Pentágono se dizia então que "a perda dos Açores degradaria seriamente a capacidade de resposta, a prontidão e o controlo de importantes forças dos Estados Unidos".

A política americana para África e Portugal, essa, vai continuar sem alterações de fundo. Até 1964, não houve incidentes de maior e, depois do assassínio de Humberto Delgado, os americanos tiveram que esperar ainda pela morte de Salazar, para poderem começar de novo a pensar num golpe de Estado em Portugal. A geração política encarregada do "25 de Abril" só começa verdadeiramente a despontar em 1969. O apoio americano à UPA e à formação da FRELIMO, esse, vai ainda continuar por muitos anos; até ao fim, no caso da UPA; no caso da FRELIMO, talvez até bem perto do assassínio de Mondlane.

A publicação da correspondência entre Teotónio Pereira e Oliveira Salazar é na verdade um importante contributo para a compreensão da catástrofe que representou a 2ª República portuguesa. Ali existe pelo menos uma carta onde fica atestada a falta de visão e a arrogância de um dos mais destacados membros da sua classe política.


JMQ

(Comentário a carta publicada em Caminhos da Memória)

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terça-feira, dezembro 02, 2008

Fios cortados?

Na imprensa portuguesa comentou-se ontem muito a nomeação de Hillary Clinton como Secretária de Estado de Barack Obama. Com tais comentários, e como é costume, a imprensa perdeu-se no acessório, esquecendo o essencial: a América está em guerra, e Robert Gates, Secretário da Defesa de George W. Bush, vai continuar no cargo. Como conselheiro de segurança nacional de Obama, será nomeado um militar recém-reformado: o general James Jones, ex-comandante do 32º Corpo dos Marines (1999-2003) e ex-Chefe do Comando dos EUA na Europa (2003-2006). James Jones, além de ter sido recentemente cooptado pela Chevron, é actualmente o presidente do Conselho do Atlântico em Washington, mas teve um papel importante na activação do Comando Africano dos EUA, uma activação que foi afinal uma das principais razões pela qual foi escolhido Obama para a presidência (como aqui foi já por diversas vezes salientado). As "novas" prioridades nacionais de política externa e de segurança dos EUA, foram assim anunciadas:
- Terminar com a guerra no Iraque (dentro de 16 meses);
- Fortalecer a luta no Afeganistão;
- Lutar contra o extremismo;
- Lidar com as alterações climáticas globais;
- Restaurar a liderança da América no plano internacional.

A menos que os EUA pretendam, aludindo às alterações climáticas, vir a mudar as datas em que ocorrem o periélio e o afélio do planeta Terra, tudo fica como dantes, quartel-general em Abrantes.




Mas passou também quase despercebida uma outra notícia, com alguma relação com a anterior: no Canadá, toda a oposição está agora reunida em torno de um pacto para derrubar o governo "conservador" de Stephen Harper.

Apesar do partido "conservador" de Harper ter vencido as eleições de Outubro, não conseguiu obter a maioria dos deputados na Câmara dos Comuns. Sob a chefia de Stéphane Dion, os "liberais" conseguiram obter o pior resultado desde a Confederação de 1867; foi o quanto bastou para conseguir reunir toda a oposição em torno de uma “coligação progressista” (de “liberais” e “socialistas”), com o indispensável voto favorável dos “nacionalistas” / "separatistas" do Quebec. Se a governadora-geral do Canadá, Michaëlle Jean, aceitar este pacto e, sem a realização de novas eleições, empossar o pretendido governo de coligação, criará uma situação deveras original: nos próximos 18 meses a Federação do Canadá estará nas mãos dos "separatistas" do Quebec... Com 77 deputados "liberais" e 37 "neo-democratas" (o nome local dos "socialistas") a apoiar a "coligação progressista", serão necessários os votos dos 49 deputados "separatistas" do Quebec para bater os 143 deputados dos "conservadores". Então, sim, será caso para dizer que deverão estar a caminho grandes mudanças na geopolítica global. - Será que os russos e os chineses começaram já a cortar os fios que sustêm o dólar americano?

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segunda-feira, dezembro 01, 2008

Mensagem do 1º de Dezembro: «O rei é livre e nós somos livres»

Mensagem de S.A.R. Dom Duarte de Bragança, de 1 de Dezembro de 2008


Portugueses:

No 1º de Dezembro de 1640, os nossos antepassados devolveram Portugal aos Portugueses. Souberam responder à crise do seu tempo, lutando pela nossa independência. Hoje, olhamos para o nosso país, e vemos que se acentua a dependência externa e a obediência a directivas quantas vezes alheias à nossa própria vontade.

Anunciam-se dias difíceis. Parece evidente que 2009 será pior que os já duros anos recentes, particularmente para os mais desfavorecidos. É nos momentos de provação que se testa a alma de um povo. Para enfrentar a crise e manter a coesão social devemos invocar os valores espirituais da nossa cultura e vivermos em coerência com a nossa identidade e tradição. O reforço dos laços familiares, o sentido de comunidade e de povo são atitudes urgentes e decisivas em alturas como esta.

Enfrentámos muitos problemas terríveis ao longo da nossa História, que o nosso ânimo conseguiu ultrapassar. E daqui apelo aos instintos de iniciativa e solidariedade, de generosidade e de engenho.

É preciso ampliar a visão, ensaiar ousadia, e confiar a nós mesmos a garantia de desenvolvimento sustentado.

Vivemos uma ocasião propícia para rever as nossas prioridades. Devemos aprender a viver melhor consumindo menos, poupando os recursos limitados do nosso planeta. Para isso é importante apoiar a acção pedagógica de cientistas e organizações ambientalistas. Somos o país europeu com a menor percentagem de filiados nestes movimentos, que mereciam mais representação parlamentar.

A hora é de investir no povo português. As grandes opções para o nosso desenvolvimento têm agora uma oportunidade única para alterarem o rumo. Em vez de se deixar bloquear por falta de critérios técnicos ou por pressões de interesses, o Estado, o sector privado e as associações devem dar as mãos para ultrapassarmos as dificuldades. Queremos medidas mais justas e mais equitativas, e não apenas declarações que chegam tantas vezes tarde demais…

Como disse, a hora é de investir no povo português. É o que têm feito as famílias portuguesas que, com muito sacrifício, apostam na educação dos seus filhos. A qualificação dos jovens é indispensável e os movimentos de professores e de pais clamam por melhor Escola, em programas de ensino adequados, e pela dignificação e respeito pela missão dos professores.

A hora é de investir na terra portuguesa. É o que têm feito os agricultores que se recusam a abandonar a terra, contrariando as directivas desencontradas e a concorrência desleal por parte de outros países onde são muito mais apoiados. Portugal não precisa apenas de uma política de comércio livre; precisa sobretudo de uma política de comércio inteligente e justo.

Os nossos agricultores sabem produzir. Falta que saibam melhor associar-se e cooperar para distribuir os seus produtos directamente aos consumidores. Nos últimos dez anos perdemos 180 mil hectares de boas terras agrícolas comprometendo gravemente a nossa capacidade de produção de alimentos, acentuando a nossa vulnerabilidade. Ainda recentemente experimentamos os perigos que daí podem advir.

A hora é de investir no território português apoiando empresas inovadoras que recorram a energias alternativas.

Simultaneamente devemos combater os desperdícios energéticos e dar prioridade a transportes ferroviários e marítimos, como alternativas competitivas. A capacidade de auto-sustentação no plano energético é cada vez mais necessária. Por exemplo, modernizando as barragens hidroeléctricas já existentes, aumentaríamos a produção de energia em 20%.

O Estado deve promover e praticar uma política de gestão rigorosa dos seus recursos de modo a promover a nossa competitividade; deve ter um orçamento equilibrado para poder baixar os impostos de modo selectivo.

O Estado deve desistir das obras faraónicas, aumentar a produtividade da função pública, encorajar os investimentos privados que produzam riqueza, preferindo sempre bens e serviços produzidos em Portugal. Por exemplo, o facto dos fundos da Segurança Social não serem investidos exclusivamente em empresas portuguesas, contribui para a descapitalização nacional e para o desemprego.

Apelo aos partidos políticos para que não se deixem tornar em meros mecanismos de conquista do poder; que se lembrem que têm um papel decisivo nos debates sobre as doutrinas e as práticas políticas. Mas para isso, devem ser uma escola da cidadania, dialogando com as organizações não governamentais.

Este sentimento geral de que a democracia deve ser melhorada entre nós, levou-me a apoiar o recém-criado Instituto da Democracia Portuguesa, que tem já desenvolvido múltiplas e úteis actividades em várias regiões do país, em colaboração com diversas organizações e com as autarquias locais.

Em 1975 recuperámos as liberdades de expressão e de participação política que já existiam antes da revolução de 1910. Mas cada vez mais ouço especialistas e pessoas de bom senso a dizer: Portugal atrasou-se no séc. XX porque prescindiu do poder moderador do seu Rei, ao contrário de Espanha, Inglaterra e Bélgica, e outros países europeus, que prosseguiram na vanguarda do desenvolvimento.

Tenho percorrido o país de lés a lés. Sou sempre cordialmente acolhido pelos autarcas e pelas populações às quais agradeço o carinho que me dispensam. Nessas ocasiões, apercebo-me da grandeza do nosso património cultural, erudito e popular. Basta apreciar as nossas tradições culturais para me dar conta de como se formou a gente portuguesa, nas várias regiões em que se expressa a alma nacional. É este “produto interno bruto” que mantém em alta a bolsa de valores humanos em que nós devemos investir.

Quero aqui lembrar as numerosas homenagens a D. Carlos promovidas por várias Câmaras Municipais, com destaque para a ocasião em que o Chefe do Estado inaugurou a magnífica estátua erigida em Cascais.

Durante todo este ano tiveram lugar inúmeros eventos de carácter cultural em homenagem ao Rei e ao Príncipe Dom Luís Filipe, organizados pela Comissão D. Carlos 100 Anos, integrada na Fundação D. Manuel II. Salientou-se o congresso “Os Mares da Lusofonia” que reuniu representantes de todos os países que falam português. Pelo interesse suscitado, foi lançado o desafio de a realizar cada dois anos, em países diferentes.

Continuei este ano a colaborar com vários dos países nossos irmãos, especialmente a Guiné-Bissau, Angola e Timor, mediante programas de desenvolvimento rural e protecção ambiental.

Aproveito para saudar o Primeiro Ministro Xanana Gusmão, actualmente de visita a Portugal, como líder que soube conduzir o heróico Povo timorense na luta pela liberdade e agora o serve com seriedade e competência no caminho do progresso material e espiritual.

Saúdo o alargamento da CPLP esperando que em breve, Marrocos, o Senegal, as Ilhas Maurícias, a Guiné Equatorial e os nossos irmãos galegos possam fazer parte dessa comunidade. A Galiza procura afirmar a sua identidade cultural através da sua “fala”, que está na origem do português moderno.

Tive a alegria de levar a minha Família ao país de minha Mãe, trineta do primeiro Imperador, Dom Pedro, para participar nas celebrações dos 200 anos da transferência do Governo e do Rei para o Brasil. Finalmente foi feita justiça ao tão caluniado D. João VI!

A crescente importância económica e política do Brasil no Mundo é um motivo de orgulho e de oportunidade histórica para Portugal. Felicito os nossos governantes por a saberem aproveitar.

Deixo para o fim a instituição militar que, desde a fundação de Portugal tem estado intimamente ligada ao nosso percurso colectivo. Hoje, defendendo Portugal “lá fora”, tem contribuído de forma impar para o prestígio e afirmação nacionais e para a paz e a segurança da população portuguesa e das regiões em que tem operado.

A canonização, em 2009, de D. Nuno Álvares Pereira, patrono das Forças Armadas, será uma providencial ocasião para aprendermos com os seus exemplos de valentia e caridade, inteligência militar e política, e defesa intransigente da nossa liberdade e independência. Saibamos aproveitar essa oportunidade!


Do fundo da história vem uma certeza que os monges de Alcobaça redigiram numa das mais belas frases da monarquia portuguesa: “O rei é livre e nós somos livres!”.

Neste convento do Beato, situado na Lisboa Oriental onde se começou a conspirar para o 1º de Dezembro, deixai-me hoje proclamar: “Eu sou livre e vós sois livres!”. “Eu sou livre” e “Vós sois livres” porque ser monárquico é também defender Portugal acima de todos os interesses. Juntos poderemos renovar a democracia portuguesa pela Instituição Real que só poderá vigorar por vontade do povo, com o povo e enquanto o povo o entender.

A minha Mulher, eu, e os nossos filhos Afonso, Maria Francisca e Dinis, a isso nos comprometemos porque Portugal pode, Portugal deve, e Portugal quer continuar democrático e independente!

Todos os que pensarem que o sonho dos fundadores e dos restauradores ainda está vivo, venham ter connosco; e se alguém questionar este crescente sentir do poder do povo, a resposta é hoje, como o foi no primeiro 1º de Dezembro: “O rei é livre e nós somos livres!”


Convento do Beato, 30 de Dezembro de 2008

Fonte: www.lusitana.org

sábado, novembro 29, 2008

Uma advertência da Santa Sé

Crise: catástrofe se for administrada somente por países ricos

Advertência da Santa Sé na conferência de Doha

NOVA IORQUE, Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008 (ZENIT.org).- A Santa Sé advertiu que a crise financeira se converterá em uma catástrofe se for administrada unicamente pelos países ricos. O aviso foi lançado pelo arcebispo Celestino Migliore, observador permanente na sede da ONU em Nova York, um dia antes do início da Conferência promovida pela Assembléia Geral das Nações Unidas em Doha, Qatar.

Até 2 de dezembro, chefes de Estado, de governo e a reunião das principais instituições e agências de desenvolvimento farão um balanço de iniciativas e projetos orientados à cooperação internacional.

Após a reunião do G-20 de Washington, que buscou soluções a médio prazo para a crise dos mercados financeiros, o Fundo Monetário Internacional falou da possibilidade de uma nova catástrofe financeira.

«Já há tempos nos encontramos em meio a uma crise financeira que poderá converter-se em catástrofe se não evitarmos seus efeitos sobre outras crises: a econômica, a alimentar, e a energética», explicou Dom Migliore aos microfones da Rádio Vaticano.

«Parece que é necessário um regresso decidido do setor público aos mercados financeiros; é necessário aumentar a coordenação e a união na busca de soluções; é necessário recuperar algumas dimensões básicas das finanças, ou seja, a primazia do trabalho sobre o capital, das relações humanas sobre as meras transações financeiras, da ética sobre o critério da eficácia», considera Migliore.

Ao mesmo tempo, o prelado pede que se evite o processo «financiamento da economia para adotar critérios mais coerentes com a pessoa humana, que dirige e se beneficia da atividade financeira», afirma Migliore.

Por isso, conclui, o problema é ético.

«E havia muitas regras e códigos éticos antes da crise; o problema é que se dava uma grande impunidade para quem não os respeitava – declara. É também uma questão de liderança, de autoridade moral dos governantes em todos os níveis, que têm a responsabilidade primária de proteger os cidadãos, sobretudo os trabalhadores, as pessoas normais que não têm a possibilidade de acompanhar a complicada engenharia financeira e que têm de ser defendidas dos enganos e dos abusos dos entendidos...»

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sexta-feira, novembro 28, 2008

Viva o 1.º de Dezembro!

Hoje, com os AMIGOS DE OLIVENÇA, queremos lembrar e reencontar o 1º Dezembro que se aproxima:

Viva o 1.º de Dezembro!


No próximo 1.º de Dezembro comemoram-se 368 anos da Restauração da Independência.
Logo em 5 de Dezembro de 1640, Olivença, assim que lhe chegaram notícias da revolta, repudiou o domínio filipino e fez jus à divisa que lhe fora outorgada pelos Reis de Portugal: NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA!

Ocupada militarmente em 1801, desde então sob administração espanhola e forçadamente separada das demais terras portuguesas, Olivença constitui alerta eloquente para todos aqueles que querem um Portugal verdadeiramente livre e independente.

Lembrando a NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA, e apelando à participação cívica de todos na defesa da sua portugalidade, o Grupo dos Amigos de Olivença participará como habitualmente nas comemorações públicas do Dia da Restauração.

Convidam-se todos os associados e apoiantes a integrarem a Comitiva do Grupo dos Amigos de Olivença que se concentrará, no dia 1.º de Dezembro, às 15:30 horas, frente à Casa do Alentejo, dali saindo para comparecer nas cerimónias oficiais que terão lugar às 16:00 horas, na Praça dos Restauradores, em Lisboa.



Para Lembrar e Reencontrar Olivença!



Lx., 23-11-2008.

(Comunicado da Direcção do Grupo de Amigos de Olivença)

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quinta-feira, novembro 27, 2008

A Rússia está a testar os RS-24, e quer o Alaska...



Esta fotografia foi tirada no dia 11 de Outubro de 2008, em San Servolo (Veneza), por ocasião da convenção internacional "Ambiente: Dagli allarmi Globali all'Allarme di Media”, presidida por Mikhail Gorbachev. Da esquerda para a direita: Professor Lees, presidente do Clube de Roma, Giulietto Chiesa, e Mikhail Gorbachev.

No Reino Unido há quem diga que ali se pode estar à beira da bancarrota. Se a situação é catastrófica, não é contudo ainda grave, como diziam os Habsburgos. Mas ao Reino Unido, ainda pode valer o Brasil, agora de excelentes relações com um Medvedev que, lá em casa, na Peninsula da Kamchatka, anda agora a testar os RS-24 ICBM.

É o que diz a Novosti, que acrescenta, noutra notícia, que a Rússia bem pode vir a ficar com o Alaska, quando os EUA entrarem em colapso, na próxima Primavera.




A previsão de um especialista russo nestes assuntos (da guerra da informação) diz que ficarão seis pedaços: a Costa do Pacífico, para os chineses; o Sul, com o Texas, para os hispanicos; a Costa do Atlântico para os anglo-saxónicos; o interior para os índios; e o Norte para a aliança franco-britânica do Canadá. A Rússia reclama o Alaska. Oxalá ainda estejamos cá para ver, na próxima Primavera. Isto mais parece ser uma brincadeira de mau-gosto, para importunar Obama. Para comprovarem que não estou a brincar, podem dar uma espreitadela no seguinte endereço:

http://en.rian.ru/world/20081124/118512713.html

E vem-nos à memória um velho princípio da estratégia: escolher cuidadosamente as batalhas a travar, tendo presente que o tempo joga sempre a favor dos que conseguem adicionar amigos e reduzir os inimigos.

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segunda-feira, novembro 24, 2008

Cavaco Silva e o BPN

Mário Crespo

Interpelado sobre o BPN Cavaco Silva respondeu que "nenhum Presidente da República comenta questões do foro judicial". A ser assim, é legítimo concluir-se que a situação de Dias Loureiro, seu Conselheiro de Estado, é também já do foro judicial. Não o sabíamos.

Tal não tinha sido ainda sugerido por ninguém. Fazendo fé naquilo que o supremo magistrado do País declara, ainda por cima invocando doutrina de comportamento presidencial (nenhum comenta questões que estejam em fórum de justiça), Portugal tem no Conselho de Estado um conselheiro da sua escolha pessoal cujo comportamento é questão "do foro judicial".

Se nenhum Presidente da República pode comentar a imensa trapalhada em que Dias Loureiro se envolveu, qualquer Presidente da República deve afastar do seu círculo próximo alguém cujo comportamento sugira que terá que ser analisado em foro judicial. Não se trata de punir Cavaco Silva pelos actos de antigos e actuais colaboradores. Trata-se apenas do dever que o Presidente assumiu constitucionalmente de defender as instituições democráticas do País.

O Conselho de Estado é uma delas. Um Conselheiro de Estado não pode ser desmentido na praça pública em questões de honorabilidade e continuar a ser Conselheiro de Estado. Se "nenhum Presidente da República pode comentar questões do foro judicial" nenhum Presidente da República pode ter um Conselheiro de Estado que se sugere que falta à verdade. Um País não pode ter um Presidente da República que se aconselha com quem sabia de irregularidades financeiras e não as contou, como diz um Vice Governador do Banco de Portugal, ou que as contou mas nada fez, continuando durante anos no grupo que as praticava como se nada soubesse.

Esta é uma carga de suspeição insuportável para a instituição Presidencial. O detido, Oliveira e Costa, foi um alto colaborador do Primeiro-ministro Cavaco Silva. Teve uma parceria íntima em negócios multimilionários com Dias Loureiro quando ambos deixaram a política activa. Dias Loureiro é um alto colaborador do Presidente da República. Foi um vigoroso apoiante das campanhas presidenciais de Cavaco Silva. Deve ter tido um contributo valioso. Bem relacionado como é, deve ter atraído contribuições de campanha igualmente valiosas. Se calhar sem ele Cavaco não teria ganho. E Cavaco queria muito ganhar.

Mostrou isso por duas vezes. Não há dúvidas que o Presidente lhe deve muito. Mas o seu dever para com a República tem que ser maior. Se acha que o que se passa com o BPN é do foro judicial, sendo Dias Loureiro uma das entidades cujo envolvimento tem que ser explicado e não foi, a República exige-lhe que se distancie dele até a dúvida ser aclarada no foro judicial que, informou-nos o PR, é onde pertence.

Um Conselheiro de Estado não pode estar a aguardar investigações judiciais sobre o seu comportamento e honorabilidade. A um Conselheiro de Estado não se aplicam presunções de inocência em ambientes de suspeição generalizada com depoimentos contraditórios de altos responsáveis do Estado no passado/presente a desmentirem-se em público sobre questões de pura e simples honestidade. Isto não é assunto remissível para o foro judicial. É do foro presidencial e o Presidente, por muito que lhe custe, tem que se pronunciar.

In Jornal de Notícias

Eis a resposta:

Comunicado da Presidência da República
A Presidência da República procede à divulgação do seguinte comunicado:

"Nos últimos dias, detectou a Presidência da República, face a contactos estabelecidos por jornalistas, tentativas de associar o nome do Presidente da República à situação do Banco Português de Negócios (BPN).

Não podendo o Presidente da República tolerar a continuação de mentiras e insinuações visando pôr em causa o seu bom nome, esclarece-se o seguinte:

1. O Prof. Aníbal Cavaco Silva, no exercício da sua vida profissional, antes de desempenhar as actuais funções (nem posteriormente, como é óbvio):

a) nunca exerceu qualquer tipo de função no BPN ou em qualquer das suas empresas;
b) nunca recebeu qualquer remuneração do BPN ou de qualquer das suas empresas;
c) nunca comprou ou vendeu nada ao BPN ou a qualquer das suas empresas.

2. O Prof. Cavaco Silva e a sua Mulher:

a) nunca contraíram qualquer empréstimo junto do BPN;
b) não devem um único euro a qualquer banco, nacional ou estrangeiro, nem a qualquer outra entidade.

3. O Prof. Cavaco Silva e a sua Mulher têm, há muitos anos, a gestão das suas poupanças entregues a quatro bancos portugueses – incluindo o BPN, desde 2000 – conforme consta, discriminado em detalhe, na Declaração de Património e Rendimentos entregue no Tribunal Constitucional, a qual pode ser consultada.

As aplicações feitas pelos bancos gestores constam, detalhadamente, da referida Declaração de Património, entregue no Tribunal Constitucional – assim como o número de todas as contas bancárias do casal, excepto uma, aberta no Montepio Geral, por acolher apenas depósitos à ordem - a qual, repete-se, pode ser consultada.

As alienações de títulos efectuadas pelos bancos gestores constam, nos termos da lei, e como pode ser verificado, das declarações de IRS do Prof. Aníbal Cavaco Silva e de sua Mulher, preenchidas com base nas informações fornecidas anualmente pelos referidos bancos.

4. Ao tomar posse como Presidente da República, o Prof. Cavaco Silva e a sua Mulher deram instruções aos bancos gestores das suas poupanças para não voltarem a comprar ou vender quaisquer acções de empresas portuguesas, excepto no exercício de direitos de preferência.


Palácio de Belém, 23 de Novembro de 2008"

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Comentários?... Para quê!?

Tiveram sorte

CARTA DO CANADÁ
Fernanda Leitão


Em pouco mais de vinte anos, barões do PSD, quase todos passados pelos governos, envolveram-se em dois escândalos bancários de contornos sinistros.
Nos dias que correm, está a contas com a Justiça a equipa dirigente do BPN. Foi preso o seu homem forte, estrategicamente afastado do banco e divorciado da mulher com quem estava casado há 42 anos, para melhor garantir a posse dos bens adquiridos, enquanto um outro ex-governante apareceu a fazer a rábula do menino de coro em entrevistas várias. Ao mesmo tempo, no programa televisivo PRÓS E CONTRAS, apareceram homens que parecem dispostos a partir a loiça toda, o que, a ser verdade, vai levar mais gente às prisões. Temos folhetim garantido para uns meses.
Para já, já duas constações positivas: a Procuradoria Geral da República funcionou em pleno e o governo foi rápido a salvar os depositantes ao nacionalizar o banco.
Infelizmente, não foi o que aconteceu há vinte e tal anos quando faliu de forma fraudulenta a Caixa Económica Faialense. Largos milhares de depositantes, na sua maior parte residentes no estrangeiro, isto é, emigrantes, ficaram sem as suas economias. Houve casos em que ficaram reduzidos à miséria. Houve um suicídio e houve um emigrante que, no auge do desespero, matou o director de uma filial do banco na América do Norte, o que lhe valeu uns anos de prisão e viver depois uns anos na mais completa carência. O caso arrastou-se pelos tribunais, os emigrantes manifestaram-se em Lisboa e foram mandados espancar pelo governo social democrata da época, os emigrantes quiseram falar com a então secretária de estado das Comunidades e não foram recebidos, os ex-governantes envolvidos, de quem na emigração se dizia à boca cheia que tinham atravessado fronteiras, mais de uma vez, com malas cheias de dinheiro, foram absolvidos. A única prisão foi a do jornalista Aníbal Mendonça que, por denunciar a bandalheira, esteve mais de um ano nos calabouços da Penitenciária sem ser ouvido nem julgado. Só tarde e mal, depois de farta pancadaria na TV e em alguns jornais, acabou por ser julgado e preso, depois de ter tido tempo de sobra para pôr a salvo o que roubou, o chamado presidente daquela vergonha, um antigo açougueiro que, pelos vistos, bom compagnon de route foi para dois ex-ministros e um ex-presidente da RTP. Ficou de tudo isto a lembrança amarga de uma demissão imoral do governo e da justiça.
Tiveram sorte os depositantes do BPN e o povo em geral, esse que, com o suor do rosto, deposita as suas economias nos bancos. E que, por naturais razôes de moral básica, se acha no direito de ver respeitado o seu dinheiro. Ainda bem que, desta vez, foi assim. Para mim, que nunca tive a ver com partidos, tanto se me dá que o respeito venha do governante Zé ou do governante Manel, questão é que venha. E é isso que registo.
Dinheiro do povo é coisa séria. Uma das maiores nódoas do comunismo foi o facto de os comunistas espanhóis terem transferido o ouro depositado em bancos de Espanha para a União Soviética, e os dirigentes desta, com Estaline à cabeça, lhe terem chamado um figo. Os comunistas espanhóis perderam a guerra civil nessa hora, e para sempre, mas só tarde e mal o perceberam. Se é que perceberam, porque parecem duros de entendimento, a avaliar pelo que ouvimos aos cá de casa...

sábado, novembro 08, 2008

Dois registos de uma eleição

CARTA DO CANADÁ

por Fernanda Leitão

Digo já que me refiro às eleições presidenciais norte-americanas, para que o meu generoso leitor não perca demasiado tempo. E aqui vão os dois registos principais que elas me sugeriram.
Primeiro registo - a questão racial. Tenho de relatar um episódio vivido na infância para que melhor se entenda o que senti na noite de 4 de Novembro. Eu tinha oito anos, ou pouco mais, e vivia em Luanda, cidade então de uma pacatez provinciana, onde se jantava muito cedo e, por não haver televisão, as pessoas se deitavam com as galinhas. Num começo de noite, um dos criados da casa pediu a minha mãe licença para ir ver um primo à Cadeia da Reclusão, onde estava a caminho de São Tomé para cumprir o “contrato”. Minha mãe autorizou e, de imediato, deu ao rapaz um cobertor, alguma roupa, sal, café e fósforos. Eu pedi para ir com o criado e, estranhamente, tive licença para o fazer. Só muitos anos depois percebi porquê e soube o que era isso do contrato para São Tomé que levava os negros de Angola à cadeia. Chegados à prisão, fomos encaminhados para as traseiras, já na areia da praia, e ali encontrámos um rapaz sentado no chão, com dois cipaios armados ao lado. As suas costas estavam cortadas a cavalo-marinho e sangravam. Os dois rapazes falaram em quimbundo e quando regressámos a casa, o meu criado chorava sem constrangimento. Estas imagens ficaram para sempre coladas à minha memória e com tal intensidade que, confesso, determinaram muito da minha maneira de estar na vida. Quando, muitos anos depois, eu soube que os negros a trabalhar por conta de outrém tinham de pagar “imposto de cabeça”, isto é, o direito de existirem, e que isso era averbado numa caderneta, assinada pela entidade patronal, à falta de cujo pagamento seriam presos e deportados para São Tomé, onde chegavam a ficar muitos anos, e até a morrer por lá, na maior miséria, nas roças do café, quando soube isso, senti vergonha, essa que, no dizer de Franz Fanon, “é já em si um sentimento revolucionário”. O meu desamor pelos totalitarismos, de direita ou de esquerda, estava de pedra e cal dentro de mim, porque, sendo cegos e maus, tanto podem escravizar negros, como calcar a pés a liberdade de povos inteiros ou, como aconteceu há dois mil anos, crucificar o Filho de Deus por se julgarem senhores da verdade.
Quando, em 1958, minha mãe me pediu para eu passar à máquina uns “papéis”, que mais não eram do que panfletos contra a ditadura, por ocasião da candidatura do general Humberto Delgado à presidência da República, compreendi, finalmente, porque me tinha ela autorizado, tão prontamente, a ir ver o que vi à Cadeia da Relação de Luanda.
Posto isto, não surpreenderei ninguém dizendo que, na noite das últimas eleições americanas, me comovi profundamente com aquelas multidões de negros chorando, cantando, dançando. Tinham sido precisos 150 anos de chicote, de maus tratos, de exploração, de desprezo, de segregação, que ainda durava há 50 anos, para que pudessem apoiar sem medo um homem da sua raça. Lembrei-ne naquela hora da cena relatada acima e também das lágrimas abundantes que, adolescente, chorei a ler A CABANA DOPAI TOMÁS. Nada do que se passa com os mal amados africanos e seus descendentes, me é indiferente. Ali, naquela hora, cumpriu-se o destino. Todos os impérios acabam.
Segundo registo – campanha milionária. Tal como disse o Prof. José Adelino Maltez lá de Timor, onde agora vive, também eu achei que “a festa foi bonita, pá!”. Bem apessoado, bem falante, desembaraçado, com aquele toque de arrogância que os americanos adoram, inteligente e com boa preparação académica, Barak Hussein Obama é um formidável comunicador. E teve ao seu serviço uma campanha desenhada ao pormenor, para a qual angariou 600 milhões de dólares. Quando alguns, entre eles John McCain, fizeram públicos reparos a essa soma afrontosa em tempos de tão grande crise que o povo americano vive, Obama explicou vagamente que a comunidade negra, toda ela, tinha dado 15 ou 20 dólares por cabeça. Nisto eu acredito, mas temos de reconhecer que não era assim que se chegava aos 600 milhões de dólares. Sabe-se que grandes empresas e empresários lhe deram muito dinheiro. E, o que é interessante, Wall Street entrou com 22 milhões de dólares, depois de ter recusado financiar Hillary Clinton. Ora, como todos temos lido e visto, os dedos acusadores da América e do Mundo têm apontado Wall Street como o alçapão onde se engendrou a crise financeira americana que se espalhou pelo mundo com crashes de bolsa, falências de bancos e indústrias, o que está originar uma taxa de desemprego nunca vista e um sofrimento inenarrável à humanidade.
Obama prometeu muito aos americanos, criou uma expectativa exagerada a seu respeito. E tem pela frente tarefas de meter medo, dentro e fora do território americano. Não duvido que tenha inteligência e vontade para resolver esses problemas, mas duvido que o possa fazer. Ao aceitar milhões para a sua campanha milionária, e arrasante, ficou nas mãos de quem pagou.
Se não cumprir o que eles querem, fica metido num grande sarilho. Mas se fizer a vontade aos pagantes e seus lobbies, tem de enfrentar multidões de pessoas decepcionadas e, o que é pior, de cabeça perdida.
Não sou eu apenas que penso assim. No país em que vivo, muitos o têm dito nas televisões e jornais. Tenho pena que seja assim, mas não estou surpreendida. Este é o jogo republicano, este é o drama das eleições presidenciais republicanas. Não unem, dividem.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Russia, Itália e Polónia

November 5 (RIA Novosti) - The placement of short-range tactical missiles near Poland would be the best response to U.S. missile plans for Europe, a Russian military analyst said on Wednesday.

November 6 (RIA Novosti) - Russia's Oboronprom Corporation and Italy's AgustaWestland signed on Thursday an agreement to set up a joint venture to assemble AW139 helicopters in Russia.

Dmitry Medvedev no dia da eleição de Obama

MOSCOW, November 5 (RIA Novosti) - Russian President Dmitry Medvedev delivered his first state of the nation address to both houses of parliament on Wednesday.
(...)

The Russian president said in his address:

- Georgia's military offensive on South Ossetia was a consequence of policies unilaterally followed by the U.S. administration
- Russia will not give up its role in the Caucasus
- pledged that the implementation of the country's strategic programs will continue on schedule
- Russia will deploy short-range Iskander missiles in its exclave of Kaliningrad next to Poland in response to U.S. missile plans for Europe
- Russia has cancelled plans to take three missile regiments out of service in the central part of the country, in response to the U.S. missile shield plans for Europe
- Russia will use electronic warfare to counteract the U.S. missile shield
...
- the ongoing global economic crisis is no reason to nationalize domestic industries and banks
- Russia has sent its proposals on reforming the global economic system to the G20 nations
- Russia should adopt legislation on establishing the country as a global financial center by the end of the year
- Russia will continue its efforts to settle the post-Soviet conflicts over Nagorny Karabakh and Transdnestr
...
- urged a switch to the ruble in payments for gas and oil supplies
...

terça-feira, novembro 04, 2008

A importância da melanina

Dentro de poucas horas será decerto anunciado que Obama será o próximo presidente dos Estados Unidos da América.

Quem lê habitualmente este espaço, sabe que por diversas vezes foi aqui referida a muito provável eleição de Obama. A sua escolha pela oligarquia financeira começou a tornar-se-nos plausível no Verão de 2007, quando se tornou conhecida a intenção americana de acelerar a instalação do seu comando militar africano. A circunstância de, nessa altura, a influente revista Foreign Affairs ter aberto a apresentação dos "presidenciáveis" com Obama, não nos passou naturalmente despercebida. Acresce que a América tem estado em guerra e o presidente é o comandante-chefe de umas tropas cada vez mais afro-americanas, em especial entre os combatentes expedicionários.

Depois de haver claros sinais de que a oligarquia tinha escolhido o seu candidato presidencial, é claro que sempre podiam surgir imprevistos, como um assassinato, um acidente, ou uma doença súbita. Tal não aconteceu, porém, e com os dólares a cairem copiosamente no regaço de Obama, e a grande imprensa de serviço a cumprir o seu papel, chegámos ao dia de hoje, sem margem para dúvida acerca de quem será o próximo presidente. Com os americanos ainda a dirigirem-se para as urnas, uma vez mais se destaca a CNN na propaganda, com Christiane Amanpour a celebrar já a vitória, dizendo, com grande exuberância, que esta eleição mudará o mundo.

Não é certo que Obama queira ou possa mudar o mundo. Obama irá decerto limitar-se a fazer o que os outros presidentes sempre fizeram: dirá o melhor que souber os discursos que lhe mandarem dizer.

Nos dois últimos séculos, tem sido absolutamente indiferente a personalidade dos presidentes americanos. Quem sempre tem mandado na América é a referida oligarquia. Ontem escolheu Bush, tal como hoje escolhe Obama. Dispondo dos dois partidos políticos do seu sistema político (o partido republicano e o partido democrático), tem sido verdadeiramente de somenos a pessoa que sobe ao palco para o desempenho presidencial. Em regra, seja na América, seja em Portugal, não são os presidentes quem manda nas sociedades de accionistas que dominam os partidos políticos. Mas é sempre preciso encontrar alguém que vista a pele de uma mudança, de uma "esperança", sob pena de falência do sistema oligarquico.

Com a eleição de Obama, os oligarcas americanos, aqueles que tantos dólares gastaram para o fazer eleger, esperam manter o domínio sobre as forças armadas e vencer a presente guerra pelo domínio da Eurásia; com o Cáucaso, o Médio Oriente e o Northern Tier em ebulição, não se podem dar ao luxo de perder o controlo sobre o continente africano, o seu último reduto de segurança estratégica.

Eis porque, desta vez, na escolha de Obama se foi um pouco além do sempre necessário bom desempenho em palco. A circunstância de Obama memorizar e reproduzir sem grandes falhas discursos de várias páginas, ajudou, mas não foi determinante. O critério da escolha esteve precisamente na cor da sua pele. A pigmentação da pele do presidente americano adquire hoje importância política e geopolítica. E este é um facto que pode na verdade vir a marcar a entrada do mundo num novo ciclo histórico. A pigmentação da pele do presidente americano é bem um elemento capaz de libertar dinâmicas que, tarde ou cedo, acabarão por condicionar a história do mundo.

Apesar da 2ª República Portuguesa ter importado da Europa o erro colonialista que levou à sua expulsão de África, na Nação Portuguesa permanece ainda forte um ideal e uma prática multiracial, cultivada durante séculos. Eis porque os portugueses, ao menos em termos de melanina, estão bem apetrechados para enfrentar os desafios que aí vêm.

Monges no Mosteiro de Alcobaça?

A IGREJA, UNÂNIME, DIZ QUE SIM

Pediram-me, como velho amigo que sou dos monges de Cister, a minha opinião sobre o Movimento, surgido há pouco, que defende a ideia do regresso destes monges ao Mosteiro de Alcobaça.
Respondo o seguinte : Pouco sei e pouco posso dizer deste Movimento, cuja existência só agora me foi revelada, mas que merece, obviamente, pelos seus objectivos, toda a minha simpatia. Não conheço a maioria das pessoas que o encabeçam. Encontrei-me, uma ou duas vezes, com o Dr. Paulo Bernardino, uma pessoa de invulgar inteligência e grandes preocupações sociais. Do Prof. Dr. Mendo Castro Henriques, que foi meu brilhante aluno na Faculdade de Letras de Lisboa, há mais tempo ainda, guardo as melhores recordações. As outras pessoas, nunca as encontrei.
Em Setembro de 2007, numa « Carta aberta » dirigida ao Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, publicada no jornal O Alcoa, também eu expus a mesma ideia e as razões pelas quais o regresso dos monges se me afigurava, de facto, necessário e, até, urgente. Nessa « Carta aberta » dei ainda algumas indicações para, na minha modesta opinião, se conseguir essa finalidade mais rapidamente.
Pelo que li, o Movimento defende, grosso modo, a mesma estratégia. Só posso, pois, estar feliz por ver que a ideia do regresso dos monges tem caminhado fundo nalguns espíritos mais sensíveis a certas realidades de ordem espiritual.

A IGREJA APOIA O PROJECTO

Posso acrescentar que a hierarquia da Igreja apoia inequivocamente o projecto.
Em carta que me dirigiu recentemente, em nome do Sr. Cardeal Patriarca, D. Anacleto de Oliveira, bispo auxiliar de Lisboa encarregado da Região do Oeste, escrevia o seguinte :

« Antes de mais, sinto-me no dever de agradecer a V. Ex.a o persistente empenho com que está a lutar por uma causa a que a Igreja Diocesana de Lisboa de modo algum pode ficar alheia. Todos os seus responsáveis estão sumamente interessados no regresso dos Cistercienses a Alcobaça. Nos tempos e “ ventos ” que correm e que V. Ex.a tão bem refere, a sua presença poderá ser um purificador sopro do Espírito, para uma desejada e necessária renovação da Igreja entre nós e, por ela, da nossa sociedade. Bem haja, pois, pelo que tem escrito. Sem “ teimosos ” dificilmente se vence uma causa. »

E D. Anacleto acrescentava :

« Vou, entretanto, sabendo que não está só. Para além dos responsáveis da Igreja, ao nível diocesano e local, outras pessoas, directa ou indirectamente ligadas a Alcobaça, se manifestaram interessadas em apoiar aquilo a que já me atreveria a apelidar de campanha. Se ainda o não é, convém que o seja. »

É muito importante este apoio dos responsáveis da Igreja. Não somente é importante como é indispensável e condiciona tudo o resto.
A hierarquia da Igreja está, pois, perfeitamente consciente de que Portugal católico não se reduz a Fátima, e que, na luta tremenda que trava contra as forças da descristianização e do ateísmo, importa reforçar e revitalizar quanto antes os pontos de apoio tradicionais. Entre estes pontos de apoio tradicionais, Alcobaça é um dos mais importantes, talvez o maior, um dos mais emblemáticos em todo o caso, e um dos mais carregados de simbolismo e de história devido à qualidade dos seus fundadores e dos grandes homens que nele viveram.

MARAVILHA DA FÉ CATÓLICA

Alcobaça, antes de ser uma maravilha da arte que atrai visitantes e peregrinos do mundo inteiro, é uma maravilha da Fé católica.
As patranhas sórdidas (« templo da gula », « indivíduos boçais », etc.) espalhadas por patifes, e que criaram raízes nalguns sectores menos instruídos da sociedade, para justificar, primeiro, a extinção do Mosteiro e a expulsão dos seus monges, e, depois, a sua profanação, nunca conseguirão destruir esta realidade.
De resto, estas calúnias são um bom indício do atraso cultural, do provincianismo e, até, do fanatismo de quem as profere.
Que interesse têm certos indivíduos, evidentemente conluiados entre si, em denegrir e ridicularizar tudo o que há de mais belo, de mais nobre, de mais sagrado na história de Portugal ?
Qual é o gozo ? Onde é que isto os leva ?
Um dia, Unamuno chamou aos portugueses « um povo de suicidas ».
Será que tinha razão ?
Em todo o caso, D. Afonso Henriques e São Bernardo não fundaram Alcobaça para servir de cartaz publicitário ou de estendal comercial a marcas de cerveja ou de móveis, ou de carros, ou a promotores imobiliários.
Não fundaram Alcobaça para, no claustro e no refeitório, se passearem cavalos ou, à porta da igreja, se exibirem charlatães.
Não fundaram Alcobaça para, dentro da igreja, se venderem garrafas de álcool ou, como se viu, não há muito, na ala sul, cuecas e soutiens…
Também não fundaram Alcobaça para ser transformado em hotel de luxo (ou de charme — daí, provavelmente, as cuecas e soutiens…) para ricaços, com discotecas, piscinas e dependências especializadas. O luxo ! A farra ! A bambocha ! As mil e uma noites ! Este sonho desvairado de novos ricos, de pequenos burgueses desmiolados, estonteados pelo poder sem limite e pelo dinheiro sem controle, esquecidos do papel singular de Portugal no Mundo e do lugar único de Alcobaça na Cristandade…
Uma última palavra : estou intimamente convicto que São Bernardo não abandonou Alcobaça e que o dia se aproxima — e disso é sinal claro o surgimento deste Movimento — em que o seu Mosteiro voltará a ser o que sempre foi até 1834 : uma « oficina das boas obras », uma « escola do serviço do Senhor », um lugar santo onde o Deus de Amor será de novo louvado, adorado, glorificado sobre todas as coisas, para bem de todos nós e dos que depois de nós vierem.
Por isso, com os responsáveis da Igreja, encorajo todos os Alcobacenses fiéis à sua Fé e a uma ideia superior de Portugal a congregarem-se em torno daquele Movimento e a darem-lhe o seu abnegado e indefectível apoio.
Até ao regresso dos monges.
E também depois !


Prof. Dr. Gérard Leroux

Antigo Professor Assistente da Faculdade de Letras de Lisboa

quarta-feira, outubro 08, 2008

Casamento da Rússia com a Alemanha?

Este ano, o FMI não incluiu a Rússia e a Alemanha no quadro (aqui reproduzido) das suas previsões para 2009. Para o FMI, estarão os dois já a viver em união de facto? Numa união com consequências de todo imprevisíveis?


Milhares de cristãos perseguidos na Índia

Na Índia, a violência contra os cristãos voltou a explodir este Verão, tendo já um saldo aterrador: 60 mortos, 18 mil feridos, 178 Igrejas e mais de 4600 casas destruídas, incluindo escolas e centros sociais. Cerca de 50 mil cristãos terão já abandonados as suas comunidades, procurando refugio em campos protegidos ou nas florestas.

Os fanáticos hindus repetem na Índia as acusações que outros fanáticos anti-cristãos têm lançado noutros locais e períodos históricos: os cristãos estariam a realizar conversões forçadas entre os pobres.

No caso da Índia, o efeito da pregação cristã é devastador para o sistema social e religioso hindu. Ao pregarem a igualdade entre os homens, os cristãos põem em causa a estrutura social piramidal das castas, fundamento das hierarquias sociais hindus.



http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/207048?eng=y


quinta-feira, outubro 02, 2008

Pequim



A imprensa está hoje saturada com prognósticos económicos e financeiros muito pessimistas. François Fillon, primeiro-ministro francês, detém já o record ao dizer que o mundo enfrenta a pior crise financeira desde o crash de 1929. Em lugar de destaque na BBC londrina, o dr. Roubini -“Dr. Doom”, como é conhecido em Nova Iorque - não desarma, continuando a profetizar para amanhã "o fim do império americano".

Deve ser atribuída credibilidade a estes profetas da desgraça? Os números disponíveis indicam que os Estados Unidos e os grandes da Zona Euro poderão estar a entrar em recessão. Mas será a próxima recessão equivalente à depressão dos anos 30?

Nos anos 30, a recessão precedeu as falências dos bancos. Estamos em situação inversa, com a economia mundial a crescer perto dos 4%. Hoje, é uma certa classe política quem está a lançar o pessimismo e quem está a estatizar o mercado. Até agora, apenas foi permitida uma falência, no que mais parece ter sido a criação de um bode expiatório. Hoje, é o estado americano quem decide quem deve ou não deve sobreviver.

Verificados os dados disponíveis, é possível começar a falar-se de recessão em alguns países do ocidente, mas por enquanto numa recessão menos grave do que a dos anos 80. Uma pergunta se impõe: porque é que os Paulson e os Fillon estão a semear tanto alarmismo? Com que objectivo se tem estado a orquestrar o que bem pode vir a transformar-se numa catástrofe financeira e numa verdadeira recessão, se não mesmo numa depressão?

A Rússia está a ser penalizada e dentro do império americano os dados parecem claros: estamos a assistir à maior transferência de dinheiro e de poder da sua história. Não tem essa transferência de poder outras implicações externas? Uma outra pergunta, inquietante, não pode deixar de se colocar: como é que vão reagir os países da Organização de Cooperação de Xangai?

Morgan Stanley - um dos gatos que mais tem estado a engordar com a actual "crise financeira" em Wall Street - não esconde a sua ansiedade .

Outra incógnita está na União Europeia, com o Euro a ser colocado à beira do abismo.

Em Washington, creio que os olhos estão postos em Xangai e, sobretudo, em Pequim. Da resposta de Pequim ao problema de Wall Street pode vir a depender a dimensão do desastre financeiro e económico nos Estados Unidos e, por extensão, na Europa. Até onde irão cair os grandes da União Europeia? Até quando se manterá o Euro?

Nos tempos mais próximos, iremos decerto assistir ao desdobrar do "plano Roubini", a começar por uma concertada descida geral das taxas de juros. Afinal, não foi Roubini quem "previu" tudo isto em Fevereiro passado?  

Lá mais para diante, quando a "equipa Obama" tiver garantida a posse na Casa Branca, o tema da crise financeira vai decerto desaparecer dos noticiários... se Pequim o permitir.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Os Rumores e a (In)utilidade da História

Surgem rumores de que está em curso uma guerra financeira entre americanos e russos.
Face ao mais recente comportamento dos actuais dirigentes políticos alemães, seria caso para perguntar se a Alemanha se vai colocar uma vez mais ao lado Rússia; se não estará em execução uma espécie de novo "pacto germânico-soviético"?

Enquanto chegam más notícias da China - the key issue - Don Drummond faz as seguintes previsões em tempo de incerteza:

FORECASTING IN UNCERTAIN TIMES

September 25, 2008

The global financial system has suffered a severe and virtually unprecedented blow in recent weeks, leading to the failure, bail-out or acquisition of a number of large and venerable institutions. Events have taken the U.S. economy and indeed the world economy to that proverbial “fork in the road”. Very recent market events highlight the extreme uncertainty among investors as to which path will be taken. Markets around the world crashed following the September 13-14th weekend of financial horror that saw Lehman Brothers file for bankruptcy and Merrill Lynch sold to Bank of America. The massive U.S. government support package for AIG didn’t go far in lifting the gloom. Clearly the market assessment was that economies would go down a path to ruin. But then rumours of still bolder U.S. government action to come led to massive rallies September 18th and 19th. Markets were voting with their money that the path forward would lead to a much brighter place. It is in this environment of extreme uncertainty that we are updating our economic forecast. It is with some comfort that we note that as shocking as recent financial events have been, their general nature has hardly been surprising given the economic and financial imbalances that had developed in the first half of the decade. None of the events in recent weeks have altered the core beliefs that have shaped our economic outlook over the past two years:

  • U.S. housing prices would fall until a large number of households conclude housing is a bargain
  • Housing price declines would cause stress to household and financial institution balance sheets
  • Credit would be tight and remain expensive despite rate cuts of central banks
  • U.S. consumption would weaken with a short lag after housing prices started to fall
  • The notion that the economies of the rest of the world would completely “de-couple” from the U.S. economy was bogus and the global economy would experience a material slowing
  • Slackening world growth along with some supply responses would bring commodity prices down, at least temporarily
  • Lower commodity prices and building slack would cap inflation pressures in most countries and prove that the sudden and shrill concerns over inflation were unfounded

The basic storyline flowing from these beliefs has recently been falling into place. So, we will retain our fundamental economic assumptions. The question is then under these assumptions, what path are the world’s economies most likely to follow? Over the next twelve months, we believe home prices will have bottomed, the cost of funds to financial institutions will have fallen, the worst in institutional failures will be in the rear view mirror, and the process of recapitalizing the financial system will be well underway. However, don’t expect a return to the status quo; at least as we had come to understand that condition prior to the summer of 2007. In all probability, the cost of financing will remain higher than the inappropriately low levels that prevailed earlier in the decade. In addition, while the balance sheets of financial firms will be much improved, they will likely also be far less leveraged than in the past, which means less availability of credit. Under these assumptions, the financial constraints on the real economy will gradually abate, but a convincing and sustainable recovery in consumption and investment won’t necessarily materialize until 2010.

The bottom line is that the path forward for economies from this “fork in the road” will look much like the one we have described in previous forecasts. Economies will, however, be slightly weaker. And the fact that economies have never quite been in this place before makes the degree of uncertainty over any point forecast much higher than normal.

History a poor guide to the future

Economists often look to past experience as a guide, but history is of limited use this time around. There have been financial calamities in the past, but nothing that quite mirrors the current financial crisis in scale and scope.

Some draw parallels between the current situation and the Great Depression. However, making this comparison is a stretch. First, the onset of the Great Depression owed to a tightening of monetary policy. The Fed raised rates in 1928 to stem what they deemed excessive speculation fuelling a stock market bubble. In contrast, over the past year the Fed has unquestionably pursued a loosening in financial conditions to inject liquidity into financial markets. Second, the Fed of the early 1930s abdicated its lender-of-last-resort responsibility, allowing widespread failure of banks and undermining confidence in the system. Bernanke’s Fed has lent aggressively and introduced new facilities to better target lending (see Box 1). Third, at the onset of the contraction in the Great Depression, the Fed failed to maintain price stability, inducing deflation. It later reaped what it sowed: policies of low nominal interest rates faced the “zero-bound” problem while deflationary expectations kept real interest rates high. Today, the Fed explicitly has price stability as a cornerstone of its mandate and the inflation outlook rightly factors in any rate decision. Central banks around the world have learned from the mistakes of the Great Depression, which is why we’re seeing more aggressive and coordinated efforts around the world to ensure the global financial system has access to sufficient funds to weather the crisis.

There are some disturbing similarities between today and the Japanese experience of a bursting real estate bubble in 1989 that left carnage in the Japanese financial system for much of the next decade. But again, guidance from this period is very limited. The Bank of Japan (BoJ) committed a similar policy error to that seen during the Great Depression. Due to concerns about re-inflating asset bubbles, the BoJ hiked rates 200 basis points after the stock market peaked and didn’t embark on an easing cycle until 18 months after asset prices were in decline. The central bank tried to play catch-up, pushing rates from 6% down to zero, but this rate adjustment came too late to restore market confidence. Initiatives were also not in place to promote a quick and necessary restructuring of the financial system. It wasn’t until 1998 that the government announced the Obuchi Plan to provide the equivalent of US$500 billion in public funds for loan losses, bank recapitalization and depositor protection.

The U.S. Savings and Loan Crisis (S&L) of the 1980s may be the most similar to the current situation. But, it was much smaller in scale, in part because it did not have the international reach of today’s financial crisis. During the S&L crisis, the government established a Resolution Trust Corporation (RTC) at just over $400 billion. The purpose was to purchase the bad debts of financial institutions and over time sell them back into the market as financial conditions improved. The RTC was able to sell over 95% of the assets they had initially seized with a recovery rate of over 85%. That left the taxpayer ultimately footing a bill of $124 billion, while corporations absorbed $29 billion in losses. The current financial crisis is carrying a bigger price tag. Corporate write-downs and losses have already mounted to over $500 billion, with about half of that being borne by non-American firms.

The U.S. government recently announced an S&L-style fund being dubbed TARP (Troubled Asset Relief Program), which, according to the most recent discussions, will make $700 billion available to purchase residential and commercial mortgage related assets or any other corporate assets deemed necessary to restore financial market operations. When adjusted for inflation, the RTC and TARP funds are similar in size, however, not when one considers the corporate losses that have already occurred in the current cycle in addition to other government initiatives such as placing Freddie Mac and Fannie Mae into conservatorship. The total public and private tally will greatly exceed that of the S&L crisis. While this may seem daunting, at this stage in the cycle, it is more important to head off a more painful deep and extended economic downturn by enacting measures that can quickly restore market confidence and financial market operations in order to prevent a complete freezing up of credit supply.

Go big or Go home

Two key lessons came out of these past experiences that the Fed and other global central bankers have learned well. Firstly, procrastination in easing monetary policy and pumping in liquidity is costly to the real economy. A lengthy period of financial institution failures and dysfunctional credit markets that chokes off credit availability ensures consumers and businesses pay the ultimate price. Secondly, liquidity injections by the central bank and government must be sufficiently larger than the underlying problem. Partial solutions generally just lead to that money being wasted, as market participants find loopholes and oversights. The problem of frozen or dysfunctional credit markets is not cured.

The Federal Reserve has taken aggressive action this time around to avoid the mistakes of the past. Box 1 highlights the liquidity measures put in place since the collapse of the first major U.S. financial institution – Bear Stearns – in mid-March. We believe the Fed is on the right track; however it is important to recognize that TARP and other measures will not act as a magic wand that will make the problems go away instantly.

U.S. will not return to business as usual

The RTC during the S&L crisis remained in existence for six years (until 1995). Although TARP will buy assets for only two years, that doesn’t mean it won’t be around for longer than that. The two years is just the acquisition phase. It may take a long time to dispose of the assets, as was the case in the post S&L phase.

In addition, even with the recent liquidity measures and a restoration in market confidence, it will not be business as usual in credit supply. Once again using the S&L episode as guidance, credit growth continued to slow dramatically two years after the RTC was in place and the economy still tipped into recession. We believe similar events will unfold in the current cycle, the TARP will take considerable time to have its full effect, and the U.S. economy will struggle to gain traction over the next year.

The increasingly bold action of the U.S. government and the central banks around the world has likely capped a lot of the downside risks. But the root problems haven’t gone away. The bad debt is being shifted from private institutions to public balance sheets and it will be easier to handle there. But, capital will still be in short supply for financial institutions and their cost of funds should come down but remain relatively high. Credit will still be tight and somewhat expensive. Further asset devaluation will arise as U.S. housing prices fall further. In order to pay for recent measures, the U.S. Treasury will have to issue a lot more debt in the short-term and that should push up yields.

The general shape of our September 2008 forecast is similar although marginally more pessimistic than that in June. The projection for U.S. real GDP in 2009 has been lowered only marginally by 0.1 percentage points to 1.1%. In 2010, U.S. economic growth finally starts to recover, but only back to 3.2%, as opposed to the traditional 4-5% pops in growth that follow extended periods of economic weakness.

We’re all in this together

Much of the above has focused on the U.S. economy, but the financial turmoil is in fact a global event and the weakness in the U.S. is being transmitted abroad. In recognition of this, global economic growth for next year has been reduced by 0.3 percentage points to 2.9% in 2009, which implies a mild world recession, but the tide turns in 2010 with a recovery to 4.2%. The downgrade in 2009 reflects the fact that several economies are already in or on the brink of recession – U.K., Spain, Ireland, Italy, Japan, U.S., Germany, and France. We have argued for more than a year that speculation of a global ‘decoupling’ from the U.S. recession would be disappointed. This has now occurred and it has led to the commodity price correction for which we were calling.

All of these developments have profound implications for the Canadian economy. Three-quarters of Canadian international trade is with the U.S. And two of Canada’s largest export markets — forestry products and autos — are the most vulnerable to housing and consumption weakness south of the border. Almost a third of Canadian corporate funding comes from the U.S. market so credit tightness there has a direct impact here. The cost to Canadian financial institutions to raise funds has also soared, just not to the full extent as for U.S. banks. Lower commodity prices will reverse much of the extraordinary income gains of recent years, particularly in Western Canada. And if the cross-border effects were not enough, there are some domestic headwinds. Notably, while not crashing American style, Canadian real estate has come off the boil. It is almost inconceivable that painful adjustments in our manufacturing sector have been completed. In all, these factors lead us to a profile for the Canadian economy that resembles the American. Essentially, more sideways movement on output with only a shallow recovery in late 2009. Our forecast for Canadian real GDP growth was edged down to 0.7% (from 1.0%) for 2008, while the 2009 forecast is 1.2%. In 2010, a meaningful economic recovery finally takes hold with 2.7% growth.

Conclusion

We have been on the pessimistic side of the “consensus” of publicly available forecasts for some time. Perhaps a key distinguishing feature was our focus on credit conditions and the probability that they would remain tight. Neither the recent failure of large financial institutions nor the increasingly bold actions of Governments and central banks have caused us to fundamentally change our views. Recent financial events confirm the coming weakness in U.S. domestic demand. The reaction of policy authorities provides assurance that financial markets will not free fall, but it does not give an instantaneous or significant lift to economies being dragged down by the battered balance sheets of financial institutions, households and increasingly, governments. On balance, our September 2008 forecasts are similar in shape but slightly weaker on growth prospects than our previous outlook of June.

Since credit conditions are front and centre in determining our outlook, recent events do widen the range of uncertainty around a point forecast. Confidence and financial stability could be restored sooner than we imagine, leading to an earlier and sharper recovery. However, just as likely in our view is that the financial sector woes and the interaction with the economy will prove more intractable than we have assumed. In other words, the risks to the forecast are balanced. Like us, users of forecasts will have to pay extraordinary attention to economic and policy developments to determine what course will be taken through these unchartered waters. Scenarios must be considered. We will shortly publish thoughts on these. But for now, key elements of our storyline are falling in place and our base case is sticking rather closely to the views we presented in June.

Don Drummond


HIGHLIGHTS

• Over the next 12 months, home prices will have
bottomed, the cost of funds to financial institutions
will have fallen, the worst in institutional
failures will be in the rear view mirror, and the
process of recapitalizing the financial system
will be well underway ...
• ...but don’t expect a return to the status quo.
• Relative to the past decade, the cost of financing
will remain higher and less credit will be
available.
• A convincing and sustainable recovery in consumption
and investment won’t materialize in
the U.S. until 2010.
• The world economy will be in a mild recession
in 2009 before bouncing back in 2010.

terça-feira, setembro 23, 2008

The new global oligarchic system


We are witnessing the greatest transfer of wealth in world history. 

One name emerged: Henry Paulson, the United States Secretary of the Treasury. Paulson is fifth in the presidential line of succession but with absolute powers, including judicial immunity. He gave himself another power when he urged swift action on a plan to buy illiquid mortgage-linked securities and avoid severe spill over effects on the financial markets: the power to take hostages. Section 8 of the
Paulson proposal reads: "Decisions by the Secretary pursuant to the authority of this Act are non-reviewable and committed to agency discretion, and may not be reviewed by any court of law or any administrative agency.


The blackmail is in place and Paulson is not alone. There are some other names to register:



All people listed above are Alumni of Goldman Sachs.


David Brooks ("The Establishment Lives!", The New York Times), had a glimpse of what comes next:


"
Paulson rescue plan is one chapter. But there will be others. Over the next few years, the U.S. will have to climb out from under mountainous piles of debt. Many predict a long, gray recession. The country will not turn to free-market supply-siders. Nor will it turn to left-wing populists. It will turn to the safe heads from the investment banks. For Republicans, people like Paulson. For Democrats, the guiding lights will be those establishment figures who advised Barack Obama last week — including Volcker, Robert Rubin and Warren Buffett.

(...)

If you wanted to devise a name for this (...), you might pick the phrase economist Arnold Kling has used: Progressive Corporatism. We’re not entering a phase in which government stands back and lets the chips fall. We’re not entering an era when the government pounds the powerful on behalf of the people. We’re entering an era of the educated establishment, in which government acts to create a stable — and often oligarchic — framework for capitalist endeavor."



This is also a good time to remember their old plan:

"We shall have World Government, whether or not we like it. The only question is whether World Government will be achieved by conquest or consent."

Quote by: 
James Paul Warburg (1896-1969), son of Paul Moritz Warburg, nephew of Felix Warburg and of Jacob Schiff, both of Kuhn, Loeb & Co. which poured millions into the Russian Revolution through James' brother Max, banker to the German government, Chairman of the CFR. Source: while speaking before the United States Senate, February 17, 1950.