Mostrar mensagens com a etiqueta Santa Sé. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Santa Sé. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, janeiro 13, 2009

Intervenção da Santa Sé na ONU sobre o conflito de Gaza

Dom Tomasi expressa a condenação de «toda violência» por parte da Igreja

GENEBRA, segunda-feira, 12 de janeiro de 2009 (ZENIT.org <http://www.zenit.org/> ).-

Oferecemos a seguir a intervenção de Dom Silvano Tomasi, Observador Permanente ante a ONU, na sexta-feira passada, 9 de janeiro, na Sessão Especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU sobre a situação dos Territórios Palestinos Ocupados e da Faixa de Gaza.

* * *

Senhor presidente:

A Delegação da Santa Sé quer expressar sua solidariedade ao povo de Gaza, que está morrendo e sofrendo pelo assalto militar em curso por parte das Forças Israelenses de Defesa, como ao povo de Sderot, Ashkelon e outras cidades israelenses que estão vivendo sob o terror constante de ataques com mísseis lançados por militantes palestinos desde a faixa de Gaza, e que causaram vítimas e feriram muitas pessoas.

Os patriarcas e os líderes das igrejas de Jerusalém estabeleceram no domingo passado um dia de oração, para que se ponha fim ao conflito em Gaza e que se restabeleçam a paz e a justiça na Terra Santa. Estão convencidos de que a continuação do derramamento de sangue e da violência não conduzirá à paz e à justiça, mas alimentará mais o ódio e a hostilidade e, portanto, um contínuo confronto entre os dois povos. Estes líderes religiosos fazem um convite a ambas as partes para que recobrem o sentido e cessem os atos de violência, que só trarão a destruição e a tragédia. Instam, ao contrário, a trabalhar para resolver suas diferenças por meios pacíficos e não violentos.

O Santo Padre Bento XVI sublinhou no domingo passado que a negativa do diálogo entre as partes levou a indizíveis sofrimentos a população de Gaza, vítima do ódio e da guerra.

Senhor presidente, é evidente que as partes não são capazes de sair deste círculo vicioso de violência sem a ajuda da comunidade internacional, que deve cumprir suas responsabilidades, intervindo ativamente para deter o derramamento de sangue, para facilitar o acesso de assistência humanitária de emergência e colocar fim a toda forma de confronto. Ao mesmo tempo, a comunidade internacional deve continuar participando na eliminação das causas profundas do conflito, que só pode ser resolvido no marco de uma solução duradoura do conflito palestino-israelense, sobre a base das resoluções internacionais aprovadas ao longo dos anos.

Quero concluir com as palavras que o Papa Bento XVI pronunciou ontem, durante a reunião anual com os diplomatas acreditados na Santa Sé: «Mais ma vez quero reiterar que as opções militares não são a solução e que a violência, venha de onde vier e seja qual for a forma que adotar, deve ser firmemente condenada. Quero expressar minha esperança de que, com o decisivo compromisso da comunidade internacional, restabeleça-se a trégua na faixa de Gaza, condição indispensável para o restabelecimento de algumas condições de vida aceitáveis para a população, e que as negociações de paz se reiniciem, com a rejeição do ódio, dos atos de provocação e do uso das armas».

Obrigado, senhor presidente.

[Traduzido por Zenit]

sábado, novembro 29, 2008

Uma advertência da Santa Sé

Crise: catástrofe se for administrada somente por países ricos

Advertência da Santa Sé na conferência de Doha

NOVA IORQUE, Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008 (ZENIT.org).- A Santa Sé advertiu que a crise financeira se converterá em uma catástrofe se for administrada unicamente pelos países ricos. O aviso foi lançado pelo arcebispo Celestino Migliore, observador permanente na sede da ONU em Nova York, um dia antes do início da Conferência promovida pela Assembléia Geral das Nações Unidas em Doha, Qatar.

Até 2 de dezembro, chefes de Estado, de governo e a reunião das principais instituições e agências de desenvolvimento farão um balanço de iniciativas e projetos orientados à cooperação internacional.

Após a reunião do G-20 de Washington, que buscou soluções a médio prazo para a crise dos mercados financeiros, o Fundo Monetário Internacional falou da possibilidade de uma nova catástrofe financeira.

«Já há tempos nos encontramos em meio a uma crise financeira que poderá converter-se em catástrofe se não evitarmos seus efeitos sobre outras crises: a econômica, a alimentar, e a energética», explicou Dom Migliore aos microfones da Rádio Vaticano.

«Parece que é necessário um regresso decidido do setor público aos mercados financeiros; é necessário aumentar a coordenação e a união na busca de soluções; é necessário recuperar algumas dimensões básicas das finanças, ou seja, a primazia do trabalho sobre o capital, das relações humanas sobre as meras transações financeiras, da ética sobre o critério da eficácia», considera Migliore.

Ao mesmo tempo, o prelado pede que se evite o processo «financiamento da economia para adotar critérios mais coerentes com a pessoa humana, que dirige e se beneficia da atividade financeira», afirma Migliore.

Por isso, conclui, o problema é ético.

«E havia muitas regras e códigos éticos antes da crise; o problema é que se dava uma grande impunidade para quem não os respeitava – declara. É também uma questão de liderança, de autoridade moral dos governantes em todos os níveis, que têm a responsabilidade primária de proteger os cidadãos, sobretudo os trabalhadores, as pessoas normais que não têm a possibilidade de acompanhar a complicada engenharia financeira e que têm de ser defendidas dos enganos e dos abusos dos entendidos...»

* * *