quinta-feira, maio 13, 2010

Cumpra-se a História


CARTA DO CANADÁ
Fernanda Leitão

            Um amigo fez-me chegar a notícia de um grupo de tomarenses que, estando em Ponta Delgada para assistir às Festas do Senhor Santo Cristo, transmitiu à presidente da Câmara local o convite do seu homólogo de Tomar para participar das Festas dos Tabuleiros a realizar em Julho de 2011.  Fiquei  contente com este pequeno passo e já explico porquê: porque há muitos anos sonho com uma larga participação de açorianos, residentes na Região Autónoma e em vários países estrangeiros,  naquela que é, de quatro em quatro anos, a maior celebração em honra do Senhor Espírito Santo no continente.
            Logo se percebe donde me vem o sonho, se pensarmos que Tomar foi sede da Ordem de Cristo, chefiada pelo Infante Dom Henrique, e que foi daqui que houve dinheiro para as Descobertas.  Daqui saíram muitos homens para a grande aventura.  Homens que, garantidamente, levaram consigo o culto do Espírito Santo e o plantaram de raiz nos Açores e na Madeira.  Culto de transcendente importância, criado por São Francisco de Assis, a figura providencial que valeu à Igreja na Idade Média, tão maltratada ela andava por clérigos e leigos. Só o Amor podia fazer o milagre de uma redenção e, por isso, São Francisco de Assis apelou ao Espírito Santo.  Frades franciscanos levaram o culto para Portugal e em boas mãos o entregaram: nas da Rainha Santa Isabel.  O culto avançou pelo país, mas sedimentou sobretudo na região centro, sendo seus pontos altos Tomar e Alenquer.
            Entretanto, a semente lançada na Madeira e Açores dava abundante fruto.  Forte fruto que ainda está vigoroso depois destes séculos passados, não apenas nas ilhas, mas igualmente em comunidades açorianas do Canadá, Estados Unidos,  Brasil e Hawai.  Não há açoriano que se preze que, emigrado, não ponha em movimento o culto do Espírito Santo.  Em todos estes países há irmandades do Espírito Santo, algumas fortíssimas, com as suas bandas de música, as suas Coroas, os seus pendões, as suas festas de angariação de fundos no correr do ano que desaguam na festa maior pelo Pentecostes.  É corrente distribuírem-se centenas de pensões (pezas) e serem às largas centenas  as pessoas que acorrem às famosas sopas.
            No continente, o culto esmoreceu e em alguns lugares acabou. Mas ainda é forte em Tomar, em Alenquer, no Penedo (ao pé de Sintra) e em várias localidades do centro do país.  Penso que seria importante, para Portugal e a Igreja, que o Continente e as Ilhas se dessem um abraço espiritiano, 500 anos depois,  e o culto voltasse a alastrar por Portugal, nesta hora incerta.  Haverá um ou outro caso em que as festas são feiras de vaidades e os dinheiros arrecadados em bancos a não fazerem bem a ninguém, mas são casos pontuais e corrigíveis.  No nosso tempo precisamos de festas que, pela roda do ano, unam as pessoas na tarefa do fazer bem a quem foi atingido pela desgraça, festas que terão a força dada pelo Espírito Santo e a profunda alegria que vem do Amor.  Podemos ser mais pobres, nos tempos a vir, mas podemos manter a alegria pura de quem vai pelo caminho certo. 

1 comentário:

Nuno disse...

Obrigado pelo seu artigo.
Em Alenquer já começou esse abraço:
Açores e Alenquer, ambas Terras do Espírito Santo.

http://www.cm-alenquer.pt/News/newsdetail.aspx?news=dda4a33e-ee67-42bd-bb1b-8c73962e4c16