O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada. Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples. Ou nós, ou o palhaço.
Mário Crespo
Nos liberi sumus; Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt... [Nós somos livres; nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram...]
sexta-feira, dezembro 18, 2009
segunda-feira, dezembro 14, 2009
O Espírito do Natal
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Nos países de raiz cristã fomos educados a celebrar o Natal como uma grande festa de memória milenar – a da vinda ao mundo do Messias, longamente esperado e desejado pela humanidade sofredora. E porque Jesus nasceu numa família pobre e num estábulo de acaso, porto de abrigo num mar de rejeição mercantil e egoísta, foi-nos ensinada a caridade em relação aos deserdados e a necessidade da Família como padrão social. Para nós outros, o Natal é a festa da família e o tempo de sermos bons. Chamou-se a esta conjugação festiva o espírito do Natal.
Parecia termos encontrado a fórmula da paz de espírito. Mas a inquietação subia em nós e as perguntas flagelavam a beatitude passiva em que nos puseram. Festa da família... Mas só da nossa? Porque não cabem na nossa mesa aqueles que Cristo garantiu serem nossos irmãos, os sem casa, os refugiados, os sem família directa, os desempregados, os que nos servem? Porque gastamos grandes somas em presentes para os nossos familiares e não nos sobra dinheiro para dar agasalhos e comida aos que nada têm? Decoramos as nossas ruas, casas, mesas, e nada fazemos pelos que não têm nada? Países novos-ricos exibem gigantescas árvores de Natal, caríssimas e de consumo energético avassalador, e nós não perguntamos porque é que esse dinheiro não é utilizado numa celebração de Natal alargada aos que caíram no poço da carência? Jesus procurava os pobres, comia com eles, conversava com eles, de irmão para irmão, cheio de amor. Que Natal é o nosso, em nome de Cristo, se tanto o esquecemos, se não seguimos a regra de vida que ele nos deixou em herança? Que espírito do Natal é o nosso? Que mundo é este, tão feio, que construímos ao arrepio do Bem?
Se vivemos no estrangeiro, em países de religiões várias e de sistemas políticos conciliatórios, porque nos calamos perante a invasão do “politicamente correcto”, essa que quase exige que não se pronunciem as palavras Natal, Jesus e Maria, não vão os muçulmanos, os judeus, os hindus e os budistas franzir o sobrolho? Não é nosso dever celebrar os nossos valores religiosos sem constrangimento nem medo, com o sereno orgulho de quem é legítimo herdeiro do Messias? Mas fazemo-lo com coerência ou damos o flanco da contradição aos que nos pretendem anular? E, por acréscimo, frequentamos as celebrações dos nossos amigos de outras religiões com alegria, compreensão e respeito? Sentamo-los à nossa mesa de Natal, não como irmãos desavindos, mas como irmãos que vão a Deus por outros caminhos?
Estas são algumas perguntas do meu espírito de Natal. Praza a Deus, leitor, que na noite santa as respostas desçam sobre a sua alma como um grande paz.
Santo Natal e muito feliz 2010!
segunda-feira, dezembro 07, 2009
A falta de carácter
por Ferreira Fernandes
Agora, é o carácter. Os enólogos verificam a cor de Sócrates, rodam o copo, soltam o aroma, levam um gole à boca e, é fatal, decretam: "Falta-lhe carácter." Ontem, foi também Marcelo Rebelo de Sousa a apreciar o Sócrates: "Um problema de fundo de carácter." Podia ter falado dos taninos e do aroma almiscarado e a framboesas, mas não, falou do carácter. Lembrei-me logo do vinho Les Bateaux. Isso por causa de uma história que eu cá sei do tal Sócrates. Foi contada por um director de jornal: Sócrates telefonou-lhe, pedindo anonimato, para lhe falar de um jantar em que estivera com o Presidente da República. Só essa inconfidência bastava para marcar o carácter de Sócrates. Mas há mais: o jantar não existiu, fora adiado. E, mais ainda, contou esse director de jornal - está bem, eu digo tudo: falo de Paulo Portas, então director de O Independente, que contou esta história num programa de televisão -, Portas, pois, contou que Sócrates, para fazer mais verosímil a sua história de jantar, até disse que sopa se comeu! Pode, assim, o leitor aquilatar o carácter de Sócrates... Mas aquele Les Bateaux veio a propósito de quê? Eu digo: é um syrah de Carcassone, o vinho apropriado para uma vichyssoise - mas isto é uma conversa para gente com classe e carácter. Como Marcelo.
Agora, é o carácter. Os enólogos verificam a cor de Sócrates, rodam o copo, soltam o aroma, levam um gole à boca e, é fatal, decretam: "Falta-lhe carácter." Ontem, foi também Marcelo Rebelo de Sousa a apreciar o Sócrates: "Um problema de fundo de carácter." Podia ter falado dos taninos e do aroma almiscarado e a framboesas, mas não, falou do carácter. Lembrei-me logo do vinho Les Bateaux. Isso por causa de uma história que eu cá sei do tal Sócrates. Foi contada por um director de jornal: Sócrates telefonou-lhe, pedindo anonimato, para lhe falar de um jantar em que estivera com o Presidente da República. Só essa inconfidência bastava para marcar o carácter de Sócrates. Mas há mais: o jantar não existiu, fora adiado. E, mais ainda, contou esse director de jornal - está bem, eu digo tudo: falo de Paulo Portas, então director de O Independente, que contou esta história num programa de televisão -, Portas, pois, contou que Sócrates, para fazer mais verosímil a sua história de jantar, até disse que sopa se comeu! Pode, assim, o leitor aquilatar o carácter de Sócrates... Mas aquele Les Bateaux veio a propósito de quê? Eu digo: é um syrah de Carcassone, o vinho apropriado para uma vichyssoise - mas isto é uma conversa para gente com classe e carácter. Como Marcelo.
terça-feira, dezembro 01, 2009
Mensagem do 1º Dezembro
Portugal atravessa uma grave crise económica com reflexos políticos e sociais preocupantes. A crise financeira e económica internacional não constitui justificação suficiente para o estado em que se encontra o País: torna-se evidente que, quando esta se desvanecer, a crise estrutural interna permanecerá.
O País está doente e maltratado. Adivinham-se tempos difíceis: as instituições do Estado estão fragilizadas; o desemprego aumenta e a pobreza alastra; o sistema educativo tem sido contestado por alunos e professores ; a insegurança, a criminalidade organizada – violenta e económica – e a corrupção, multiplicam-se; o poder judicial está ameaçado por falta de meios materiais e por legislação absolutamente desajustada das realidades. Nunca é demais relembrar que, onde não há Justiça, não há Democracia.
São muitas as vozes autorizadas e insuspeitas – como as da Cáritas e da AMI – que têm vindo a alertar para a vergonha da pobreza estrutural que existe no nosso País – acima dos 40%. De facto, se não se agir agora, as gerações futuras não nos perdoarão!
É chegado o momento de olharmos para o nosso Portugal tão desaproveitado nos seus recursos materiais e sobretudo na capacidade das nossas gentes, particularmente no interior onde me desloquei em numerosas visitas a convite das Câmaras Municipais, tendo compartilhado as alegrias e preocupações de populações tantas vezes esquecidas.
Saibamos apoiar as organizações de voluntários que generosamente trabalham para resolver os problemas, desde as mais antigas, como as Santas Casas da Misericórdia, até às mais recente, leigas ou religiosas. Torna-se imperioso que o Estado colabore melhor com elas em vez de desperdiçar recursos e prejudicar o que temos e fazemos de bem. Temos de nos lembrar que tudo o que o Estado gasta é pago por nós ou será pago pelos nossos filhos…
Saibamos defender o equilíbrio do meio ambiente e da nossa paisagem humanizada, temas em que, desde sempre, me tenho empenhado e que necessitam do envolvimento de todos.
Saibamos lutar pela promoção da Lusofonia e solidariedade entre os países membros da CPLP, como uma causa de importância decisiva do nosso futuro comum. Quero saudar o Brasil, terra da minha Mãe, onde a acção determinada do Presidente Lula da Silva tem possibilitado o estreitar das relações especiais que sempre existiram com Portugal.
Com a União Europeia temos um válido projecto político e económico comum, mas falta-lhe uma “ alma “, porque, infelizmente, quem decidiu recusou-se a reconhecer a matriz cristã da nossa cultura…
Mas é na Comunidade Lusófona que encontramos “a nossa família”, e os laços de família são mais fortes do que os interesses económicos, são de natureza afectiva. Mas nunca esqueçamos que, se não forem devidamente cuidados, o mais certo é desaparecerem…
Saibamos preservar instituições fundamentais da Sociedade como a Família. Esta, como outras, está sujeita a um desgaste sem precedentes visando a sua dissolução.
Ela é, na verdade, a base da construção de uma sociedade fortalecida no espírito de entreajuda, respeito pela vida humana e formação responsável, valores que, só no seu seio, são susceptíveis de ser naturalmente assimilados. Só por esta via, sairá reforçada a liberdade de consciência que permitirá, a cada um e a todos, resistir, preservando-a das crescentes tentativas abusivas de ingerência externa que pretendem impor novos conceitos de “família”.
É na Família, e não pelo Estado, que já hoje – e como o futuro próximo se encarregará de demonstrar – se desenvolve incondicionalmente o verdadeiro espírito de solidariedade para com os seus membros mais necessitados, seja na doença ou na pobreza.
É na Família que se constroem os alicerces de educação, respeito e disciplina, tão necessários à organização social, relativamente aos quais o Estado só consegue desenvolver acções complementares e pontuais.
Tudo isto porque a vida social autêntica e equilibrada tem início na consciência individual que cada um vai formando no seu próprio ambiente familiar.
Chegou a hora de acordar as consciências e reunir vontades para levantar Portugal, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse.
O futuro de Portugal tem de ser encarado com esperança assente num projecto para o País tal como fez, há seis séculos e no auge de outra crise, o nosso maior herói, D. Nuno Álvares Pereira.
O Condestável Nun’ Alvares colocou convicta e corajosamente, num invulgar espírito de serviço, todo o seu talento, competência e generosidade na defesa da independência e da identidade nacional, cujo projecto foi transformado num ideal grandioso de Pátria e de Missão o qual, pouco tempo depois, permitiu abrir “ novos mundos ao Mundo”.
O seu exemplo de abnegação, coragem na luta pelas suas justas convicções e amor por Portugal, deverá ser fonte de inspiração para todos os Portugueses, como felizmente parecem comprovar as inúmeras manifestações civis e militares que, espontaneamente, têm surgido, de Norte a Sul, no País.
Vem a propósito recordar a importância que o Condestável atribuía à liderança, disciplina e motivação nas Forças Armadas, e particularmente na formação cívica de jovens militares, numa altura em que o Colégio Militar, a mais antiga Instituição Militar de Ensino da Europa é vítima de uma campanha de fins dissimulados. É bom realçar que, há mais de dois séculos, esta honrada e sólida Instituição tem formado gerações de jovens que vieram a prestar relevantes serviços à Pátria, quantas vezes com o preço da própria vida.
Numa época conturbada como a que se vive hoje em Portugal, prepara-se, com grande despesismo, a comemoração, em 2010, do centenário da República.
Tratarei desse tema em ocasião mais apropriada. Apenas saliento que a actual “terceira República“,de constituição Democrática , é bastante semelhante à Monarquia vigente em 1910. A diferença maior está na Chefia de Estado, de eleição periódica por sufrágio universal, na República, e de permanência vitalícia na Monarquia, salvo no caso dos Portugueses, democraticamente, num caso extremo, promoverem a substituição do Rei .
Eu não duvido que uma Chefia de Estado independente dos poderes políticos e económicos, livre de pressões, respeitadora das instituições e defensora do seu correcto funcionamento, alheia a querelas partidárias e a favoritismos, preocupada com o longo prazo e não com imediatismos influenciados por calendários eleitorais é o complemento fundamental que a Monarquia pode oferecer a um Estado moderno.
Não é por acaso que, as Democracias mais desenvolvidas e estáveis da União Europeia são Monarquias.
Em vários países do Norte da Europa ouvi destacados políticos afirmarem que “vivemos em República, mas o nosso Rei é o melhor defensor da nossa República”. Chegou o tempo de os portugueses pensarem com coragem e em consciência se, o que se entende por República, não seria melhor servida por um Rei?
Estou convicto que saberemos encontrar o nosso caminho, discernindo as nossas prioridades, e encontrando pacificamente, as melhores soluções para o verdadeiro progresso do País.
Apelo a todos, autoridades e políticos, autarcas eleitos, empresários, agricultores, profissionais do sector público ou privado, apelo aos que se vêm no desemprego, aos estudantes e reformados, apelo à Igreja e aos cultos confessionais, aos que emigram e imigram, que ponham as suas capacidades ao serviço de Portugal.
É tempo de solidariedade, é tempo de acção e de esperança num futuro melhor para as gerações dos nossos descendentes.
Servir Portugal, estar próximo dos portugueses, essa foi a Herança que recebi e que aqui uma vez mais assumo, e que, com a minha Mulher, também transmitirei aos nossos filhos!
Viva Portugal!
D. Duarte de Bragança
O País está doente e maltratado. Adivinham-se tempos difíceis: as instituições do Estado estão fragilizadas; o desemprego aumenta e a pobreza alastra; o sistema educativo tem sido contestado por alunos e professores ; a insegurança, a criminalidade organizada – violenta e económica – e a corrupção, multiplicam-se; o poder judicial está ameaçado por falta de meios materiais e por legislação absolutamente desajustada das realidades. Nunca é demais relembrar que, onde não há Justiça, não há Democracia.
São muitas as vozes autorizadas e insuspeitas – como as da Cáritas e da AMI – que têm vindo a alertar para a vergonha da pobreza estrutural que existe no nosso País – acima dos 40%. De facto, se não se agir agora, as gerações futuras não nos perdoarão!
É chegado o momento de olharmos para o nosso Portugal tão desaproveitado nos seus recursos materiais e sobretudo na capacidade das nossas gentes, particularmente no interior onde me desloquei em numerosas visitas a convite das Câmaras Municipais, tendo compartilhado as alegrias e preocupações de populações tantas vezes esquecidas.
Saibamos apoiar as organizações de voluntários que generosamente trabalham para resolver os problemas, desde as mais antigas, como as Santas Casas da Misericórdia, até às mais recente, leigas ou religiosas. Torna-se imperioso que o Estado colabore melhor com elas em vez de desperdiçar recursos e prejudicar o que temos e fazemos de bem. Temos de nos lembrar que tudo o que o Estado gasta é pago por nós ou será pago pelos nossos filhos…
Saibamos defender o equilíbrio do meio ambiente e da nossa paisagem humanizada, temas em que, desde sempre, me tenho empenhado e que necessitam do envolvimento de todos.
Saibamos lutar pela promoção da Lusofonia e solidariedade entre os países membros da CPLP, como uma causa de importância decisiva do nosso futuro comum. Quero saudar o Brasil, terra da minha Mãe, onde a acção determinada do Presidente Lula da Silva tem possibilitado o estreitar das relações especiais que sempre existiram com Portugal.
Com a União Europeia temos um válido projecto político e económico comum, mas falta-lhe uma “ alma “, porque, infelizmente, quem decidiu recusou-se a reconhecer a matriz cristã da nossa cultura…
Mas é na Comunidade Lusófona que encontramos “a nossa família”, e os laços de família são mais fortes do que os interesses económicos, são de natureza afectiva. Mas nunca esqueçamos que, se não forem devidamente cuidados, o mais certo é desaparecerem…
Saibamos preservar instituições fundamentais da Sociedade como a Família. Esta, como outras, está sujeita a um desgaste sem precedentes visando a sua dissolução.
Ela é, na verdade, a base da construção de uma sociedade fortalecida no espírito de entreajuda, respeito pela vida humana e formação responsável, valores que, só no seu seio, são susceptíveis de ser naturalmente assimilados. Só por esta via, sairá reforçada a liberdade de consciência que permitirá, a cada um e a todos, resistir, preservando-a das crescentes tentativas abusivas de ingerência externa que pretendem impor novos conceitos de “família”.
É na Família, e não pelo Estado, que já hoje – e como o futuro próximo se encarregará de demonstrar – se desenvolve incondicionalmente o verdadeiro espírito de solidariedade para com os seus membros mais necessitados, seja na doença ou na pobreza.
É na Família que se constroem os alicerces de educação, respeito e disciplina, tão necessários à organização social, relativamente aos quais o Estado só consegue desenvolver acções complementares e pontuais.
Tudo isto porque a vida social autêntica e equilibrada tem início na consciência individual que cada um vai formando no seu próprio ambiente familiar.
Chegou a hora de acordar as consciências e reunir vontades para levantar Portugal, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse.
O futuro de Portugal tem de ser encarado com esperança assente num projecto para o País tal como fez, há seis séculos e no auge de outra crise, o nosso maior herói, D. Nuno Álvares Pereira.
O Condestável Nun’ Alvares colocou convicta e corajosamente, num invulgar espírito de serviço, todo o seu talento, competência e generosidade na defesa da independência e da identidade nacional, cujo projecto foi transformado num ideal grandioso de Pátria e de Missão o qual, pouco tempo depois, permitiu abrir “ novos mundos ao Mundo”.
O seu exemplo de abnegação, coragem na luta pelas suas justas convicções e amor por Portugal, deverá ser fonte de inspiração para todos os Portugueses, como felizmente parecem comprovar as inúmeras manifestações civis e militares que, espontaneamente, têm surgido, de Norte a Sul, no País.
Vem a propósito recordar a importância que o Condestável atribuía à liderança, disciplina e motivação nas Forças Armadas, e particularmente na formação cívica de jovens militares, numa altura em que o Colégio Militar, a mais antiga Instituição Militar de Ensino da Europa é vítima de uma campanha de fins dissimulados. É bom realçar que, há mais de dois séculos, esta honrada e sólida Instituição tem formado gerações de jovens que vieram a prestar relevantes serviços à Pátria, quantas vezes com o preço da própria vida.
Numa época conturbada como a que se vive hoje em Portugal, prepara-se, com grande despesismo, a comemoração, em 2010, do centenário da República.
Tratarei desse tema em ocasião mais apropriada. Apenas saliento que a actual “terceira República“,de constituição Democrática , é bastante semelhante à Monarquia vigente em 1910. A diferença maior está na Chefia de Estado, de eleição periódica por sufrágio universal, na República, e de permanência vitalícia na Monarquia, salvo no caso dos Portugueses, democraticamente, num caso extremo, promoverem a substituição do Rei .
Eu não duvido que uma Chefia de Estado independente dos poderes políticos e económicos, livre de pressões, respeitadora das instituições e defensora do seu correcto funcionamento, alheia a querelas partidárias e a favoritismos, preocupada com o longo prazo e não com imediatismos influenciados por calendários eleitorais é o complemento fundamental que a Monarquia pode oferecer a um Estado moderno.
Não é por acaso que, as Democracias mais desenvolvidas e estáveis da União Europeia são Monarquias.
Em vários países do Norte da Europa ouvi destacados políticos afirmarem que “vivemos em República, mas o nosso Rei é o melhor defensor da nossa República”. Chegou o tempo de os portugueses pensarem com coragem e em consciência se, o que se entende por República, não seria melhor servida por um Rei?
Estou convicto que saberemos encontrar o nosso caminho, discernindo as nossas prioridades, e encontrando pacificamente, as melhores soluções para o verdadeiro progresso do País.
Apelo a todos, autoridades e políticos, autarcas eleitos, empresários, agricultores, profissionais do sector público ou privado, apelo aos que se vêm no desemprego, aos estudantes e reformados, apelo à Igreja e aos cultos confessionais, aos que emigram e imigram, que ponham as suas capacidades ao serviço de Portugal.
É tempo de solidariedade, é tempo de acção e de esperança num futuro melhor para as gerações dos nossos descendentes.
Servir Portugal, estar próximo dos portugueses, essa foi a Herança que recebi e que aqui uma vez mais assumo, e que, com a minha Mulher, também transmitirei aos nossos filhos!
Viva Portugal!
D. Duarte de Bragança
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terça-feira, dezembro 01, 2009
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sexta-feira, novembro 27, 2009
A Chefia do Estado
CARTA DO CANADÁ
Posso ver que algumas pessoas mal disfarçam a perplexidade quando sabem que sou monárquica. E têm razão porque, aparentemente, não faz sentido. Sou plebeia, modesta de linhagem, e ainda por cima sem ambição de títulos ou de importância social. Claro está, não nasci monárquica. Por esta ordem nasci: portuguesa, angolana, cristã. Democrata e monárquica, sou-o por escolha. Escolha solitária, sofrida e sem volta, para o bem e para o mal.
A opção pela Monarquia impôs-se-me no final dos anos 70, na angústia mortal do que se estava a passar no nosso país e, muito especialmente, a partir do Palácio de Belém. Li bastante sobre o assunto, falei com quem achei que devia falar, e cheguei à conclusão que, para mim, a chefia do estado é de uma transcendência que não pode sofrer o perigo do enfeudamento partidário. Tem de estar acima de tudo isso. Mas também reiterei a convicção de que os governos devem ser eleitos livremente pelo povo, devem ser escolhidos segundo a conjuntura, e por isso não me afligem nada governos de esquerda. Os governos passam mas Portugal, garantido por uma chefia exemplar e isenta, esse é para ficar. Tem de ficar. Aqui chegada, foi pela mão de dois homens impolutos que eu aderi ao movimento monárquico: José Pequito Rebelo e Mário Saraiva. E continuei em passo certo, alheia a partidos e a lobbies.
Hoje, quase no final do ano 2009, dou comigo e pensar que, se não tivesse optado pelo que optei nos anos 70, o faria agora sem hesitação. Por absoluta culpa do Presidente da República. Eu não sei quem é o Sr Fernando Lima nem estou interessada em saber, porque me chega, e sobra, a história mal contada, ridícula e até pouco inteligente daquilo que ficou conhecido pela “inventona das escutas”. História em que o actual PR ficou muito mal na fotografia. O mais elementar bom senso e respeito pelo eleitorado aconselhava o afastamento total do Sr. Lima. E eis que o PR acaba de promover o seu conselheiro, um e outro da mesma grelha partidária. É feio. Como já tinha sido muito feio o apoio do chefe do estado a um dos implicados no escândalo do BPN, certamente por grande coincidência do mesmo lado partidário. A idade tem o grande inconveniente da memória. Tudo isto me fez lembrar um outro grande escândalo financeiro, o da Caixa Económica Faialense, era o Prof. Cavaco Silva primeiro ministro. Largas centenas de emigrantes foram roubados, em França e no Canadá, houve mesmo um suicídio e o assassinato do representante em Toronto dessa unidade bancária. Julgou-se, ingenuamente, que o governo teria de assumir responsabilidades e o governo lavou as mãos. Só teve uma atitude clara e enérgica graças, vejam a ironia do destino, a Dias Loureiro: mandou carregar e espancar os emigrantes que se foram manifestar em Lisboa. O que esteve certo, se nos lembrarmos que os três grandes responsáveis por essa fraude eram três barões do PSD. Nessa altura pensei que Cavaco Silva era visceralmente militante.
Tenho pena de não me ter enganado. Portugal não merece militantes partidários na chefia do estado.
Posso ver que algumas pessoas mal disfarçam a perplexidade quando sabem que sou monárquica. E têm razão porque, aparentemente, não faz sentido. Sou plebeia, modesta de linhagem, e ainda por cima sem ambição de títulos ou de importância social. Claro está, não nasci monárquica. Por esta ordem nasci: portuguesa, angolana, cristã. Democrata e monárquica, sou-o por escolha. Escolha solitária, sofrida e sem volta, para o bem e para o mal.
A opção pela Monarquia impôs-se-me no final dos anos 70, na angústia mortal do que se estava a passar no nosso país e, muito especialmente, a partir do Palácio de Belém. Li bastante sobre o assunto, falei com quem achei que devia falar, e cheguei à conclusão que, para mim, a chefia do estado é de uma transcendência que não pode sofrer o perigo do enfeudamento partidário. Tem de estar acima de tudo isso. Mas também reiterei a convicção de que os governos devem ser eleitos livremente pelo povo, devem ser escolhidos segundo a conjuntura, e por isso não me afligem nada governos de esquerda. Os governos passam mas Portugal, garantido por uma chefia exemplar e isenta, esse é para ficar. Tem de ficar. Aqui chegada, foi pela mão de dois homens impolutos que eu aderi ao movimento monárquico: José Pequito Rebelo e Mário Saraiva. E continuei em passo certo, alheia a partidos e a lobbies.
Hoje, quase no final do ano 2009, dou comigo e pensar que, se não tivesse optado pelo que optei nos anos 70, o faria agora sem hesitação. Por absoluta culpa do Presidente da República. Eu não sei quem é o Sr Fernando Lima nem estou interessada em saber, porque me chega, e sobra, a história mal contada, ridícula e até pouco inteligente daquilo que ficou conhecido pela “inventona das escutas”. História em que o actual PR ficou muito mal na fotografia. O mais elementar bom senso e respeito pelo eleitorado aconselhava o afastamento total do Sr. Lima. E eis que o PR acaba de promover o seu conselheiro, um e outro da mesma grelha partidária. É feio. Como já tinha sido muito feio o apoio do chefe do estado a um dos implicados no escândalo do BPN, certamente por grande coincidência do mesmo lado partidário. A idade tem o grande inconveniente da memória. Tudo isto me fez lembrar um outro grande escândalo financeiro, o da Caixa Económica Faialense, era o Prof. Cavaco Silva primeiro ministro. Largas centenas de emigrantes foram roubados, em França e no Canadá, houve mesmo um suicídio e o assassinato do representante em Toronto dessa unidade bancária. Julgou-se, ingenuamente, que o governo teria de assumir responsabilidades e o governo lavou as mãos. Só teve uma atitude clara e enérgica graças, vejam a ironia do destino, a Dias Loureiro: mandou carregar e espancar os emigrantes que se foram manifestar em Lisboa. O que esteve certo, se nos lembrarmos que os três grandes responsáveis por essa fraude eram três barões do PSD. Nessa altura pensei que Cavaco Silva era visceralmente militante.
Tenho pena de não me ter enganado. Portugal não merece militantes partidários na chefia do estado.
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José Manuel Quintas
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sexta-feira, novembro 27, 2009
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quinta-feira, novembro 26, 2009
Crime organizado
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José Manuel Quintas
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sexta-feira, novembro 20, 2009
sábado, novembro 14, 2009
sexta-feira, novembro 13, 2009
Um regime a apodrecer
O pior do “caso” Face Oculta é a falta de novidade. É tudo mais uma vez. Mais uma vez, vemos essa fábrica de suspeitas ironicamente chamada “justiça” servir para os nossos políticos se entreterem num teatrinho inconclusivo de justiceiros e de vítimas – papéis que desempenham à vez.
Mais uma vez, constatamos como cada “caso” põe em causa todo o sistema, com a guerra entre magistrados e a proposta de mais leis no Parlamento.
Mais uma vez, o fio da meada remete para o nosso Estado “tentacular”, cuja omnipresença e venalidade são o melhor atalho para quem quer dominar e enriquecer.
Mais uma vez –e a questão é: até quando? A chamada “corrupção” começa a ser sinal de um mal maior: o apodrecimento do regime. Todos os regimes, por mais perfeitos, têm prazos de validade, porque o mundo, as ideias e as pessoas mudam, deixando as instituições para trás.
O nosso actual regime, se estivesse à venda num supermercado, já estaria na secção dos produtos com grande desconto. Até quando durará a nossa paciência? Até quando vamos suportar um regime que deixou de cumprir os mínimos (condenar culpados e absolver inocentes), e onde um Estado cada vez mais pesado parece funcionar como instrumento de controle da sociedade por grupos de políticos e negociantes?
Sem o seguro de vida europeu que a nossa classe política comprou em 1986, já estaríamos a viver noutra era.
Rui Ramos, Historiador, in Correio da Manhã
Mais uma vez, constatamos como cada “caso” põe em causa todo o sistema, com a guerra entre magistrados e a proposta de mais leis no Parlamento.
Mais uma vez, o fio da meada remete para o nosso Estado “tentacular”, cuja omnipresença e venalidade são o melhor atalho para quem quer dominar e enriquecer.
Mais uma vez –e a questão é: até quando? A chamada “corrupção” começa a ser sinal de um mal maior: o apodrecimento do regime. Todos os regimes, por mais perfeitos, têm prazos de validade, porque o mundo, as ideias e as pessoas mudam, deixando as instituições para trás.
O nosso actual regime, se estivesse à venda num supermercado, já estaria na secção dos produtos com grande desconto. Até quando durará a nossa paciência? Até quando vamos suportar um regime que deixou de cumprir os mínimos (condenar culpados e absolver inocentes), e onde um Estado cada vez mais pesado parece funcionar como instrumento de controle da sociedade por grupos de políticos e negociantes?
Sem o seguro de vida europeu que a nossa classe política comprou em 1986, já estaríamos a viver noutra era.
Rui Ramos, Historiador, in Correio da Manhã
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sexta-feira, novembro 13, 2009
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Centenário
A cabeça do polvo
por Mário Crespo
O sistema judicial português enfrenta o imenso desafio de não deixar que o Face Oculta se torne numa segunda Casa Pia. Até aqui o processo tem tido um avanço modelar. Não houve interferências políticas. Lopes da Mota não veio de Bruxelas discutir com os seus pares metodologias de arquivamento e, no que foi uma excelente janela de oportunidade de afirmação de independência, não havia sequer Ministro da Justiça na altura em que o País soube da enormidade do que se estava a passar no mundo da sucata. Mas, há ainda um perturbante sinal de identidade com a Casa Pia. É que o único detido, até aqui, é o equivalente ao Manuel Godinho, o sucateiro, no mundo da alta finança política não pode ser muito mais do que Carlos Silvino foi no mundo da pedofilia. Ambos serviram amos exigentes, impiedosos e conhecedores que tentaram, e tentam, manter a face oculta. É preciso ter em mente que as empresas públicas são organizações complexas. Foram concebidas para ser complicadas. Com os tempos foram-se tornando cada vez mais sinuosas. Nas EPs, as tecno-estruturas, que Kenneth Galbraith identificou e descreveu como o cancro das grandes organizações, ocupam tudo e têm-se multiplicado, imunes a qualquer conceito de racionalidade democrática, num universo onde não conta o bom senso ou a lógica de produtividade. Parecem ter um único fim: servirem-se a si próprias. Realmente já não são fiscalizáveis. Nas zonas onde era possível algum controlo foram-se inventando compartimentos labirínticos para o neutralizar, com centros de custos onde se lançam verbas no pretexto teórico de elaborar contabilidades analíticas, mas cujo efeito prático é tornar impenetráveis os circuitos por onde se esvai o dinheiro público. Há sempre mais um campo a preencher em formulários reinventados constantemente onde as rubricas de gente que de facto é inimputável são necessárias para manter os monstros a funcionar. Sem controlo eficaz, nas empresas públicas é possível roubar tudo. Uma resma de papel A4, uma caneta BIC, um milhão de Euros, uma auto-estrada ou uma ponte. Tudo isto já foi feito. Por isso mais de metade do produto do trabalho dos portugueses está a fugir por esse mundo soturno que muito poucos dominam. Por causa disso, grande parte do património nacional é já propriedade dos conglomerados político-financeiros que hoje controlam o País. Por tudo isto é inconcebível que tenha sido o cérebro do polvo que durante anos esteve infiltrado nas maiores empresas do Estado. Ele nunca teria conhecimentos técnicos para o conseguir ser. Houve quem o mandasse fazer o que fez. Godinho saberá subornar com de sacos de cimento um Guarda-republicano corrupto ou disfarçar com lixo fedorento resíduos ferrosos roubados (pags 8241 e 8244 do despacho judicial). Saberá roubar fio de cobre e carris de caminho de ferro. Mas Godinho não é mais do que um executor empenhado e bem pago de uma quadrilha de altos executivos, conhecedores do sistema e das suas vulnerabilidades, que mandou nele. É preciso ir aos responsáveis pelas empresas públicas e aos ministérios que as tutelam. Nas finanças públicas Manuel Godinho não é mais do que um Bibi da sucata. Se se deixar instalar a ideia de que ele é o centro de toda a culpa e que morto este bicho está morta esta peçonha, as faces continuarão ocultas. E a verdade também.
O sistema judicial português enfrenta o imenso desafio de não deixar que o Face Oculta se torne numa segunda Casa Pia. Até aqui o processo tem tido um avanço modelar. Não houve interferências políticas. Lopes da Mota não veio de Bruxelas discutir com os seus pares metodologias de arquivamento e, no que foi uma excelente janela de oportunidade de afirmação de independência, não havia sequer Ministro da Justiça na altura em que o País soube da enormidade do que se estava a passar no mundo da sucata. Mas, há ainda um perturbante sinal de identidade com a Casa Pia. É que o único detido, até aqui, é o equivalente ao Manuel Godinho, o sucateiro, no mundo da alta finança política não pode ser muito mais do que Carlos Silvino foi no mundo da pedofilia. Ambos serviram amos exigentes, impiedosos e conhecedores que tentaram, e tentam, manter a face oculta. É preciso ter em mente que as empresas públicas são organizações complexas. Foram concebidas para ser complicadas. Com os tempos foram-se tornando cada vez mais sinuosas. Nas EPs, as tecno-estruturas, que Kenneth Galbraith identificou e descreveu como o cancro das grandes organizações, ocupam tudo e têm-se multiplicado, imunes a qualquer conceito de racionalidade democrática, num universo onde não conta o bom senso ou a lógica de produtividade. Parecem ter um único fim: servirem-se a si próprias. Realmente já não são fiscalizáveis. Nas zonas onde era possível algum controlo foram-se inventando compartimentos labirínticos para o neutralizar, com centros de custos onde se lançam verbas no pretexto teórico de elaborar contabilidades analíticas, mas cujo efeito prático é tornar impenetráveis os circuitos por onde se esvai o dinheiro público. Há sempre mais um campo a preencher em formulários reinventados constantemente onde as rubricas de gente que de facto é inimputável são necessárias para manter os monstros a funcionar. Sem controlo eficaz, nas empresas públicas é possível roubar tudo. Uma resma de papel A4, uma caneta BIC, um milhão de Euros, uma auto-estrada ou uma ponte. Tudo isto já foi feito. Por isso mais de metade do produto do trabalho dos portugueses está a fugir por esse mundo soturno que muito poucos dominam. Por causa disso, grande parte do património nacional é já propriedade dos conglomerados político-financeiros que hoje controlam o País. Por tudo isto é inconcebível que tenha sido o cérebro do polvo que durante anos esteve infiltrado nas maiores empresas do Estado. Ele nunca teria conhecimentos técnicos para o conseguir ser. Houve quem o mandasse fazer o que fez. Godinho saberá subornar com de sacos de cimento um Guarda-republicano corrupto ou disfarçar com lixo fedorento resíduos ferrosos roubados (pags 8241 e 8244 do despacho judicial). Saberá roubar fio de cobre e carris de caminho de ferro. Mas Godinho não é mais do que um executor empenhado e bem pago de uma quadrilha de altos executivos, conhecedores do sistema e das suas vulnerabilidades, que mandou nele. É preciso ir aos responsáveis pelas empresas públicas e aos ministérios que as tutelam. Nas finanças públicas Manuel Godinho não é mais do que um Bibi da sucata. Se se deixar instalar a ideia de que ele é o centro de toda a culpa e que morto este bicho está morta esta peçonha, as faces continuarão ocultas. E a verdade também.
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José Manuel Quintas
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sexta-feira, novembro 13, 2009
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Centenário
sábado, outubro 31, 2009
De que se orgulham os republicanos?
Por José Andrade
Uma comemoração pública só tem sentido, quando enaltece um acto ou uma época, que orgulha e honra uma população.
Olhando para o acto da Revolução de 1910 e para os cem anos da República, pergunto…de que se honram e orgulham os republicanos?
A génese da República foi o Regicídio, o assassínio frio e ignóbil, do Rei D. Carlos I e de seu filho primogénito o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe.
A prática do assassínio político que permitiu a sua instituição, consolidou-se como uma prática republicana, que esteve sempre presente quando foi necessário eliminar os políticos mais carismáticos e populares, ou seja, aqueles que poderiam originar verdadeiras mudanças.
Sidónio Pais foi a primeira vítima. O seu assassinato marca definitivamente a 1ª República e condiciona radicalmente a sua evolução.
A 2ª República, repete a prática com o assassinato de Humberto Delgado.
A 3ª República mantém a prática com Camarate e a morte de Sá Carneiro, que a propaganda republicana, rapidamente quis fazer acreditar que se tratou de um acidente.
As datas das mortes destes líderes populares, destes agentes da mudança ansiada, não irão ser recordadas durante as comemorações do centenário, porque não são dignificantes para o regime, apesar de representarem uma prática de actuação que foi uma constante e de serem momentos determinantes da história dos últimos cem anos.
Mas que outros factos se passaram, que possam honrar e estimular o orgulho dos portugueses?
Não será certamente, o abate em Praça Pública dos opositores ao regime durante a 1ª Republica, nem a sua instabilidade política, que originou a miséria da população.
Tão pouco a nossa participação na 1ª Guerra Mundial, em que os soldados portugueses foram carne para canhão ou sujeitos a tarefas, que os outros aliados não queriam executar.
Também não deve ser das prisões do Tarrafal, de Peniche ou de Caxias, onde a 2ª República encerrava os mais destemidos opositores.
Talvez seja da neutralidade que nos livrou de participar na 2ª Guerra Mundial, mas que teve consequências dramáticas no nosso isolamento económico e originou toda uma enorme onda de emigração.
Mas não creio, que seja pela inglória Guerra Colonial, pela entrega das Províncias, pela destruição do Império.
Não é certamente motivo de orgulho para qualquer português a “descolonização exemplar”, que levou ao abandono de muitas centenas de milhares de portugueses e do seu património, que originou guerras civis em Angola, Moçambique, Guiné e Timor.
Tentará a propaganda republicana encontrar nos últimos anos uma razão que orgulhe os portugueses.
As comemorações do centenário da República só têm como finalidade serem uma tentativa desesperada de salvação da agonia que sofre a 3ª República.
O sonho de liberdade e de democracia que o 25 de Abril transmitiu aos portugueses, está hoje desfeito por uma oligarquia partidária, que se apoderou do regime e que o bloqueou ao ponto de mais de 70% do eleitorado português, já não se rever neste regime.
A corrupção e a suspeição a todos os níveis da sociedade portuguesa, desde a política ao desporto, são um sinal inequívoco desta agonia.
O Estado democrático de direito, não passa de uma mentira da propaganda, porque a Justiça não funciona, porque há privilégios dos políticos perante a Lei, porque o Estado persegue as empresas e os cidadãos numa ânsia de receita pública e não paga as suas dívidas como pessoa de bem.
Um regime que obriga, que pressiona, que exige, de todos nós, mas que é incapaz de dar resposta adequada, às mais elementares necessidades como a saúde e a educação.
Este Estado Republicano que assume o privilégio de todos termos para com ele uma obrigação permanente, que se arroga em substituto da função educadora das famílias, mas que não respeita, nem acarinha os portugueses nos momentos de crise, acentuando a sua frieza de atitudes e a mentira, na sua tentativa de auto justificação formal.
As comemorações do centenário da República não poderão ser nada que possa enaltecer ou fomentar o nosso orgulho como portugueses, simplesmente actos formais.
O orgulho é essencial para a preservação e progresso de qualquer Nação, a República não tem, nem motivos nem capacidade, para estimular os portugueses.
A própria personalidade do actual Chefe de Estado, é representativa da agonia da republicana. Sem cultura e carisma suficiente para o cargo, ele nem sequer sabe sorrir … um tecnocrata que considera todos os portugueses como um número, que integra uma complicada equação Keinesiana, que na sua presunção só ele sabe resolver.
Só com um novo e forte estímulo, será possível fazer ressuscitar o orgulho português.
Uma comemoração pública só tem sentido, quando enaltece um acto ou uma época, que orgulha e honra uma população.
Olhando para o acto da Revolução de 1910 e para os cem anos da República, pergunto…de que se honram e orgulham os republicanos?
A génese da República foi o Regicídio, o assassínio frio e ignóbil, do Rei D. Carlos I e de seu filho primogénito o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe.
A prática do assassínio político que permitiu a sua instituição, consolidou-se como uma prática republicana, que esteve sempre presente quando foi necessário eliminar os políticos mais carismáticos e populares, ou seja, aqueles que poderiam originar verdadeiras mudanças.
Sidónio Pais foi a primeira vítima. O seu assassinato marca definitivamente a 1ª República e condiciona radicalmente a sua evolução.
A 2ª República, repete a prática com o assassinato de Humberto Delgado.
A 3ª República mantém a prática com Camarate e a morte de Sá Carneiro, que a propaganda republicana, rapidamente quis fazer acreditar que se tratou de um acidente.
As datas das mortes destes líderes populares, destes agentes da mudança ansiada, não irão ser recordadas durante as comemorações do centenário, porque não são dignificantes para o regime, apesar de representarem uma prática de actuação que foi uma constante e de serem momentos determinantes da história dos últimos cem anos.
Mas que outros factos se passaram, que possam honrar e estimular o orgulho dos portugueses?
Não será certamente, o abate em Praça Pública dos opositores ao regime durante a 1ª Republica, nem a sua instabilidade política, que originou a miséria da população.
Tão pouco a nossa participação na 1ª Guerra Mundial, em que os soldados portugueses foram carne para canhão ou sujeitos a tarefas, que os outros aliados não queriam executar.
Também não deve ser das prisões do Tarrafal, de Peniche ou de Caxias, onde a 2ª República encerrava os mais destemidos opositores.
Talvez seja da neutralidade que nos livrou de participar na 2ª Guerra Mundial, mas que teve consequências dramáticas no nosso isolamento económico e originou toda uma enorme onda de emigração.
Mas não creio, que seja pela inglória Guerra Colonial, pela entrega das Províncias, pela destruição do Império.
Não é certamente motivo de orgulho para qualquer português a “descolonização exemplar”, que levou ao abandono de muitas centenas de milhares de portugueses e do seu património, que originou guerras civis em Angola, Moçambique, Guiné e Timor.
Tentará a propaganda republicana encontrar nos últimos anos uma razão que orgulhe os portugueses.
As comemorações do centenário da República só têm como finalidade serem uma tentativa desesperada de salvação da agonia que sofre a 3ª República.
O sonho de liberdade e de democracia que o 25 de Abril transmitiu aos portugueses, está hoje desfeito por uma oligarquia partidária, que se apoderou do regime e que o bloqueou ao ponto de mais de 70% do eleitorado português, já não se rever neste regime.
A corrupção e a suspeição a todos os níveis da sociedade portuguesa, desde a política ao desporto, são um sinal inequívoco desta agonia.
O Estado democrático de direito, não passa de uma mentira da propaganda, porque a Justiça não funciona, porque há privilégios dos políticos perante a Lei, porque o Estado persegue as empresas e os cidadãos numa ânsia de receita pública e não paga as suas dívidas como pessoa de bem.
Um regime que obriga, que pressiona, que exige, de todos nós, mas que é incapaz de dar resposta adequada, às mais elementares necessidades como a saúde e a educação.
Este Estado Republicano que assume o privilégio de todos termos para com ele uma obrigação permanente, que se arroga em substituto da função educadora das famílias, mas que não respeita, nem acarinha os portugueses nos momentos de crise, acentuando a sua frieza de atitudes e a mentira, na sua tentativa de auto justificação formal.
As comemorações do centenário da República não poderão ser nada que possa enaltecer ou fomentar o nosso orgulho como portugueses, simplesmente actos formais.
O orgulho é essencial para a preservação e progresso de qualquer Nação, a República não tem, nem motivos nem capacidade, para estimular os portugueses.
A própria personalidade do actual Chefe de Estado, é representativa da agonia da republicana. Sem cultura e carisma suficiente para o cargo, ele nem sequer sabe sorrir … um tecnocrata que considera todos os portugueses como um número, que integra uma complicada equação Keinesiana, que na sua presunção só ele sabe resolver.
Só com um novo e forte estímulo, será possível fazer ressuscitar o orgulho português.
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sábado, outubro 31, 2009
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Centenário
1ª República: A crise portuguesa e a reacção dos Homens Livres (Dezembro de 1923)
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José Manuel Quintas
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sábado, outubro 31, 2009
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Integralismo Lusitano,
Seara Nova
sexta-feira, outubro 30, 2009
quinta-feira, outubro 29, 2009
Meio milhão de euros para os amigos
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José Manuel Quintas
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quinta-feira, outubro 29, 2009
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Henrique Cayatte
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