Nos liberi sumus; Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt... [Nós somos livres; nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram...]
quarta-feira, junho 03, 2009
MPT - Partido da Terra: um partido boicotado pelas TVs
É escandalosa a maneira como os jornais e televisões escondem a campanha eleitoral do MPT, Movimento Partido da Terra, em aliança com o movimento Libertas, que conseguiu derrotar o tratado de Lisboa na Irlanda !
As liberdades políticas não podem existir só para o pensamento único europeu. A Internet é o último espaço de liberdade de pensamento, e por isso sugerimos a divulgação destas páginas.
O site de campanha do MPT é: http://www.mpt.pt
O site do Libertas é: http://www.libertas.eu
segunda-feira, junho 01, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
Nicolau na madrugada
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Uma noite destas a falta de sono levou-me a fazer zapping diante da TV, manobra cansativa, diga-se já, que são mais de 100 os canais de que dispomos aqui na cidade. Foi assim que encontrei Nicolau Breyner a ser entrevistado e ali fiquei a ouvi-lo.
Com que gosto o ouvi. Alem de ser um actor que francamente aprecio, conforta-me pensar que, tendo sido um comediante que pôs a rir milhões de portugueses, através do Parque Mayer e da TV, nunca sofreu a decadência de precisar de ser ordinário na esperança de ter graça ou de insultar gratuitamente a religião e os princípios do povo a que pertence por sofrer de indigência artística. É um talento puro e um senhor. Um alentejano de boa cepa e de bom berço.
Deu-me a saudade daqueles loucos anos de 1974 a 1976, com os militares revolucionários de trapinhos juntos com os comunistas a fazerem misérias que até envergonha contá-las, enquanto o verdadeiro Povo Unido fazia barreira àquela mascarada soviética. As figuras que eles fizeram! Quando me lembro de Barreirinhas Cunhal em cima de uma chaimite, no meio de um soldado e de um marinheiro, a sentir-se Lenine ressuscitado, ainda me rio e já lá vão tantos anos... Para o que lhe havia de dar! Em Lisboa, rapaziada de sangue na guelra, de todas as condições sociais, dava largas à boa piada. Quando o ministro Francisco Pereira de Moura, que vinha dos chamados progressistas católicos, fez um discurso desgraçado em que propunha que se chamasse fascista a toda a gente, mesmo aos empregados dos correios quando eles não atendiam logo, a actriz Maria Paula, que oferecia a sua bela voz ao Botequim , de Natália Correia, atirou aos ares uma paródia do Fado do 31 que, qual bicha de rabiar, se espalhou pela cidade: “Ai, olarilolela / Como este não há nenhum / Karl Marx e água benta / Resultado: 31”. E quando começaram as brigas entre o PC e o MRPP, a moda foi o malhão: “MRPP / Sejamos chineses / Que os moscovitas / São uns parasitas / Uns trastes burgueses”. O Otelo saíu em zarzuela: “donde vas taconero e ordinario...”. A coisa ia pela noite dentro e por vezes, aparecia um grupo salazarista a cantar o Hino da Mocidade Portugesa, que logo tinha resposta, e aquilo acabava numa bulha de músicas que a Rita Rolão Preto salvava com folclore da Beira Baixa. Pode julgar-se que era tudo paródia, mas não era. As cantigas de escárnio e mal dizer faziam mossa aos comunistas, que são pessoas sem sentido de humor e sem graça nenhuma.
Uma noite recebemos recado do Nicolau para irmos a um bar perto do Hotel Ritz, porque ele ia lá actuar para nós. O bar era enorme e encheu tão completamente que havia muita rapaziada sentada no chão. O Nicolau pôs-se num plano mais alto e começou a contar-nos a História de Portugal com tanta graça que ninguém parava de rir. A uma dada altura, vozeirou: “28 de Maio de 1926”. E apagaram-se as luzes todas por uns bons minutos. Tudo no escuro como bréu. Uns riam, outros mandavam bocas, todos estavam ansiosos por entenderem a charada. Foi então que se ouviu um estrondo, abriram-se as luzes e o Nicolau disse muito grave, com aquela cara deslavada: “Acabou a longa noite fascista”. Chorámos a rir com essa tirada e com as piadas ao PREC que se seguiram. Entre outras, o povo português tem a virtude de saber rir na cara da desgraça.
Com que pena ouvi o Nicolau dizer, naquela madrugada sem sono, da sua desilusão, do seu cepticismo, do seu repúdio pela partidocracia que se instalou para desgraça da nossa terra. É que não está sózinho, estão com ele milhões de portugueses, dentro e fora do país, profundamente tristes e revoltados com o que maus políticos, maus jornalistas, maus banqueiros e maus magistrados têm feito de mal à nossa Pátria.
Mas Nicolau Breyner não cruzou os braços e menos ainda os deixou caír. Ele ainda acredita que podemos livrar Portugal desta teia de aranha venenosa. E, mais uma vez, não está sózinho. Estamos todos com ele.
por Fernanda Leitão
Uma noite destas a falta de sono levou-me a fazer zapping diante da TV, manobra cansativa, diga-se já, que são mais de 100 os canais de que dispomos aqui na cidade. Foi assim que encontrei Nicolau Breyner a ser entrevistado e ali fiquei a ouvi-lo.
Com que gosto o ouvi. Alem de ser um actor que francamente aprecio, conforta-me pensar que, tendo sido um comediante que pôs a rir milhões de portugueses, através do Parque Mayer e da TV, nunca sofreu a decadência de precisar de ser ordinário na esperança de ter graça ou de insultar gratuitamente a religião e os princípios do povo a que pertence por sofrer de indigência artística. É um talento puro e um senhor. Um alentejano de boa cepa e de bom berço.
Deu-me a saudade daqueles loucos anos de 1974 a 1976, com os militares revolucionários de trapinhos juntos com os comunistas a fazerem misérias que até envergonha contá-las, enquanto o verdadeiro Povo Unido fazia barreira àquela mascarada soviética. As figuras que eles fizeram! Quando me lembro de Barreirinhas Cunhal em cima de uma chaimite, no meio de um soldado e de um marinheiro, a sentir-se Lenine ressuscitado, ainda me rio e já lá vão tantos anos... Para o que lhe havia de dar! Em Lisboa, rapaziada de sangue na guelra, de todas as condições sociais, dava largas à boa piada. Quando o ministro Francisco Pereira de Moura, que vinha dos chamados progressistas católicos, fez um discurso desgraçado em que propunha que se chamasse fascista a toda a gente, mesmo aos empregados dos correios quando eles não atendiam logo, a actriz Maria Paula, que oferecia a sua bela voz ao Botequim , de Natália Correia, atirou aos ares uma paródia do Fado do 31 que, qual bicha de rabiar, se espalhou pela cidade: “Ai, olarilolela / Como este não há nenhum / Karl Marx e água benta / Resultado: 31”. E quando começaram as brigas entre o PC e o MRPP, a moda foi o malhão: “MRPP / Sejamos chineses / Que os moscovitas / São uns parasitas / Uns trastes burgueses”. O Otelo saíu em zarzuela: “donde vas taconero e ordinario...”. A coisa ia pela noite dentro e por vezes, aparecia um grupo salazarista a cantar o Hino da Mocidade Portugesa, que logo tinha resposta, e aquilo acabava numa bulha de músicas que a Rita Rolão Preto salvava com folclore da Beira Baixa. Pode julgar-se que era tudo paródia, mas não era. As cantigas de escárnio e mal dizer faziam mossa aos comunistas, que são pessoas sem sentido de humor e sem graça nenhuma.
Uma noite recebemos recado do Nicolau para irmos a um bar perto do Hotel Ritz, porque ele ia lá actuar para nós. O bar era enorme e encheu tão completamente que havia muita rapaziada sentada no chão. O Nicolau pôs-se num plano mais alto e começou a contar-nos a História de Portugal com tanta graça que ninguém parava de rir. A uma dada altura, vozeirou: “28 de Maio de 1926”. E apagaram-se as luzes todas por uns bons minutos. Tudo no escuro como bréu. Uns riam, outros mandavam bocas, todos estavam ansiosos por entenderem a charada. Foi então que se ouviu um estrondo, abriram-se as luzes e o Nicolau disse muito grave, com aquela cara deslavada: “Acabou a longa noite fascista”. Chorámos a rir com essa tirada e com as piadas ao PREC que se seguiram. Entre outras, o povo português tem a virtude de saber rir na cara da desgraça.
Com que pena ouvi o Nicolau dizer, naquela madrugada sem sono, da sua desilusão, do seu cepticismo, do seu repúdio pela partidocracia que se instalou para desgraça da nossa terra. É que não está sózinho, estão com ele milhões de portugueses, dentro e fora do país, profundamente tristes e revoltados com o que maus políticos, maus jornalistas, maus banqueiros e maus magistrados têm feito de mal à nossa Pátria.
Mas Nicolau Breyner não cruzou os braços e menos ainda os deixou caír. Ele ainda acredita que podemos livrar Portugal desta teia de aranha venenosa. E, mais uma vez, não está sózinho. Estamos todos com ele.
terça-feira, maio 12, 2009
Corrupção e Justiça
por Fernanda Leitão
Não adianta disfarçar: estamos todos muito mal dispostos com o rebentar do abcesso da corrupção no nosso país e naquele bloco de interesses a que se convencionou chamar Civilização Ocidental.
É que, não há muitos anos ainda, a corrupção era, para nós, um fenómeno deplorável que existia em África, na América Latina e em alguma Ásia. Não era connosco, não podia ser connosco, porque nós tínhamos uns pecadilhos, uns desviozitos. De facto, não há maior cego do que aquele que não quer ver, porque a corrupção não cresceu de repente, não se tornou um furacão do dia para a noite.
Há quantos anos sabíamos todos de histórias feias passadas empresas, certos ministérios, algumas instituições, incluindo a banca? O que aconteceu à maior parte dos prevaricadores? Foram absolvidos por má investigação e consequente falta de provas, assim como por má legislação. Com o passar dos anos, tomou raízes a impunidade e o descaramento. Trinta e cinco anos de facilitismo, de deixa andar, de vista grossa, deram neste lodo de país e de mundo.
A corrupção tem a ver com o ser humano. O corpo corrompe-se quando a vida o abandona. O carácter corrompe-se quando os valores morais abandonam a alma. E foi o que aconteceu: Deus passou a ter o nome de Dinheiro, Valor passou a chamar-se Astúcia, Progresso de Todos dá agora pelo nome de Ganância de Alguns, Trabalho foi substituído por Golpada .
Esta nódoa alastrou em todas as sociedades do mundo ocidental, acompanhada de violência, crime, desemprego, pobreza.
Aqui chegados, se hoje queremos distinguir um país do Primero Mundo de um outro do Terceiro Mundo, só temos de apurar em qual deles a Justiça funciona com rapidez, com legislação inteligente e adequada, com isenção e firmeza, de fácil acesso a todos sem excepção. Porque, havendo corrupção em toda a parte, a esperança só tem lugar onde houver Justiça digna desse nome.
Estas são as duas tremendas batalhas que Portugal enfrenta: Justiça e Educação.
Não adianta disfarçar: estamos todos muito mal dispostos com o rebentar do abcesso da corrupção no nosso país e naquele bloco de interesses a que se convencionou chamar Civilização Ocidental.
É que, não há muitos anos ainda, a corrupção era, para nós, um fenómeno deplorável que existia em África, na América Latina e em alguma Ásia. Não era connosco, não podia ser connosco, porque nós tínhamos uns pecadilhos, uns desviozitos. De facto, não há maior cego do que aquele que não quer ver, porque a corrupção não cresceu de repente, não se tornou um furacão do dia para a noite.
Há quantos anos sabíamos todos de histórias feias passadas empresas, certos ministérios, algumas instituições, incluindo a banca? O que aconteceu à maior parte dos prevaricadores? Foram absolvidos por má investigação e consequente falta de provas, assim como por má legislação. Com o passar dos anos, tomou raízes a impunidade e o descaramento. Trinta e cinco anos de facilitismo, de deixa andar, de vista grossa, deram neste lodo de país e de mundo.
A corrupção tem a ver com o ser humano. O corpo corrompe-se quando a vida o abandona. O carácter corrompe-se quando os valores morais abandonam a alma. E foi o que aconteceu: Deus passou a ter o nome de Dinheiro, Valor passou a chamar-se Astúcia, Progresso de Todos dá agora pelo nome de Ganância de Alguns, Trabalho foi substituído por Golpada .
Esta nódoa alastrou em todas as sociedades do mundo ocidental, acompanhada de violência, crime, desemprego, pobreza.
Aqui chegados, se hoje queremos distinguir um país do Primero Mundo de um outro do Terceiro Mundo, só temos de apurar em qual deles a Justiça funciona com rapidez, com legislação inteligente e adequada, com isenção e firmeza, de fácil acesso a todos sem excepção. Porque, havendo corrupção em toda a parte, a esperança só tem lugar onde houver Justiça digna desse nome.
Estas são as duas tremendas batalhas que Portugal enfrenta: Justiça e Educação.
sábado, maio 09, 2009
sábado, abril 25, 2009
João Mattos e Silva é o novo Presidente da Real Associacão de Lisboa
«um apelo aos monárquicos para que não temam dar a cara e lutem, nas estruturas da Causa Real e neste caso particular da Real Associação de Lisboa, ou informalmente por outros meios, pela Instituição Real, conscientes de que é essencial para Portugal e para a sua modernidade. Nenhum regime é eterno e os cem anos que a Republica vai comemorar, gastando milhões de euros dos nossos impostos, é perecível e quase nada quando comparada com os oitocentos anos de Monarquia. Se todos os que são monárquicos convictos a combaterem, democraticamente mas com firmeza, e se pela sua palavra e pela sua acção, trouxerem “mais cinco”!»
(22 de Abril de 2009)
João Mattos e Silva é o novo Presidente da Direcção da Real Associação de Lisboa.
Eleito no passado dia 18 de Abril, promete um novo rumo para a maior Real Associação de Portugal.
Iniciou a sua militância política aos dezassete anos na Causa Monárquica, em 1961, onde foi presidente da Comissão de Juventude, vogal da Junta Distrital de Lisboa e membro da Comissão Doutrinária, presidida por Henrique Barrilaro Ruas. Coordenou no semanário monárquico o Debate a “Página de Juventude”. Foi um dos subscritores, a convite de Henrique Barrilaro Ruas, do manifesto “Renovação Portuguesa”, em 1969. Em 1987 foi candidato independente a deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu pelo PPM, presidido então por Gonçalo Ribeiro Telles. Entre 1992 e 1995 foi presidente da Mesa da Assembleia - Geral da Real Associação de Lisboa. Em 1993 foi eleito como primeiro Presidente da Causa Real – Federação das Reais Associações. É membro do Conselho Monárquico, órgão da Causa Real.
Uma Entrevista
- Foi, no passado dia 18 de Abril, eleito Presidente da Real Associação de Lisboa. Que análise faz à História recente da Real Associação de Lisboa?
A Real Associação de Lisboa passou por um período conturbado, fruto de desinteligências entre a direcção cessante, que resultou na total inactividade durante um ano. O que foi mau. Ultrapassada essa fase, pela qual muitas vezes passam as associações, em que amores próprios e vaidades se sobrepõem ao objectivo para que foram criadas, julgo que a minha direcção está suficientemente legitimada pela Assembleia – Geral, que nela votou expressivamente, para poder virar a página.
- Enquanto Presidente da Direcção da Real Associação de Lisboa, quais são os seus objectivos para este mandato que agora inicia?
Em primeiro lugar, arrumar a casa e em segundo lugar, mas em simultâneo, desenvolver uma série de acções que constam do programa que apresentámos, tendentes a alargar o âmbito de actuação junto dos monárquicos dos concelhos que compõem o Distrito de Lisboa, com relevo para formação e informação e para, usando todos os meios disponíveis de comunicação, marcar presença, tomando posições sobre todos os assuntos de interesse para os portugueses que vivem neste espaço geográfico, desde os políticos aos do ambiente ou aos de defesa do património.
- Ao nível da Causa Real, acredita que, como muitos monárquicos, que é tempo da criação de uma nova dinâmica, passando naturalmente por melhorar os meios para aproximação aos Portugueses?
Claro que acredito. E esse passo está em vias de ser dado.
- Que análise faz ao trabalho dos Voluntários da Causa, nomeadamente no que toca à expansão do Ideal Monárquico na Blogosfera, em Sítios da Internet e Fóruns?
Penso que a blogosfera é um espaço de informação e de diálogo muito importante que, não podendo ser desprezado, pelo contrário, tem de ser valorizado. São cada vez mais as pessoas que navegam na Net e frequentam sítios e Blogues em procura de informação, de esclarecimento ou de pura diversão e que podem ser sensibilizados pelos conteúdos. Por isso o trabalho que os monárquicos, a título individual ou em grupos mais restritos, têm vindo a fazer é importantíssimo e altamente louvável. Há que apoiá-los e criar sinergias, não só entre eles – o que já sucede – como com as estruturas do movimento monárquico.
(...)
- Foi lançado há dias o livro “Aqui D´El-Rei”, do qual é um dos autores. O que é que se tem que fazer mais para que, efectivamente a “divulgação seja a chave da restauração” ?
O livro é uma colectânea de textos publicados na comunicação social, escrita e virtual, ao longo de nove anos, ininterruptamente. Foi publicado em livro porque um editor, por sinal monárquico, os descobriu a navegar na Net e por eles se interessou. É um contributo para divulgar a posição de monárquicos que, fazendo crónicas ao sabor dos acontecimentos, também fazem a divulgação da doutrina. A divulgação da posição dos monárquicos é, mesmo, a chave da restauração, como diz. Só chegando a cada vez mais portugueses poderemos criar um movimento da sociedade no sentido de “forçar” os políticos republicanos acantonados nos seus poderes a rever a Constituição que impede a escolha do regime.
- Estamos a passos largos a chegar ao Centenário da Republica. Que resposta deve a Causa Real e as Reais Associações, já para não falar também dos Voluntários, como o PDR, para mostrar que a chama monárquica continua ainda bem viva e que deve ser vista pelos Portugueses como uma esperança, tendo em consideração a crise que estamos a passar a todos os níveis?
Acho o movimento monárquico irá dar uma prova de que está vivo e actuante, cada vez mais actuante, e que não se conforma com o regime mesmo que ele faça cem anos. A contribuição de todos é fundamental. Agora tenhamos em atenção que a Monarquia não é uma panaceia para todos os males do País, podendo sem dúvida contribuir mais fortemente, pela superioridade da Instituição Real, para criar um ambiente de coesão nacional que potencie a sua resolução por quem tem que o fazer: os governos e as forças políticas e sociais.
- Acredita que algum dia a esquerda parlamentar irá aceitar alterar a alínea b) do artigo 288.º da Constituição, que nos impõe, a “forma republicana de governo”?
Acho que não será toda, porque a mais radical sabe que só navega bem e consegue fazer-se ouvir, num clima conflitual que a república facilita. Mas creio que o ciclo geracional, que tem gerido o PS, eivado de preconceitos e herdeiro dos “valores” da I República, está a chegar ao fim e que entre as gerações mais novas, sobretudo, há já muitos militantes que são monárquicos e não vêem nenhuma incompatibilidade entre o socialismo e a social – democracia e a forma monárquica de regime. Os mais novos forçarão os mais velhos a perceber que até para o PS, a Monarquia é mais favorável.
- Em 2011, chegaremos ao centenário do falecimento da Rainha Dona Maria Pia. Fala-se que está para breve (ou não) a sua transladação para Portugal. Acha que a Republica tem medo desta transladação, tendo em consideração que se pode tratar de uma Cerimónia de Estado, que implique a participação das Forças Armadas, tal como aconteceu com Dom Manuel II e a Rainha Dona Amélia?
Acho que o regime tem vindo a protelar a transladação dos restos mortais da Rainha Dona Maria Pia porque tem receio de dar um sinal errado ao Pais, a pouco tempo do centenário da República. Em 2011, já passou esse período e não vejo porque não o fará, tendo sido afirmado pelos principais dirigentes actuais que considerava esse acto como desejável e possível, com dignidade, mas eventualmente sem tanto realce como o dos Rei Dom Manuel e Dona Amélia. Salazar achava que a II República estava de pedra e cal, por força do carácter autoritário do regime que inventou. A III República sabe, que mesmo com truques constitucionais, em democracia “ o povo é quem mais ordena”.
- Que futuro deseja para Portugal? A Monarquia é a única solução e esperança para os Portugueses?
Que Portugal ganhe confiança em si próprio, que saiba olhar para a sua História e orgulhando-se do que fizeram os nossos antepassados, saiba que pode ir mais longe, e de que perceba que, adaptando Camões, “ um fraco regime faz fraca a forte gente”. Portugal só terá sucesso com a Instituição Real.
- Deseja acrescentar algo?
Sim. Fazer um apelo aos monárquicos para que não temam dar a cara e lutem, nas estruturas da Causa Real e neste caso particular da Real Associação de Lisboa, ou informalmente por outros meios, pela Instituição Real, conscientes de que é essencial para Portugal e para a sua modernidade. Nenhum regime é eterno e os cem anos que a Republica vai comemorar, gastando milhões de euros dos nossos impostos, é perecível e quase nada quando comparada com os oitocentos anos de Monarquia. Se todos os que são monárquicos convictos a combaterem, democraticamente mas com firmeza, e se pela sua palavra e pela sua acção, trouxerem “mais cinco”!
fonte:
http://fdrojornal.wordpress.com/2009/04/20/pdr-entrevista-joao-mattos-e-silva-novo-presidente-da-direccao-da-real-associacao-de-lisboa/
(22 de Abril de 2009)
João Mattos e Silva é o novo Presidente da Direcção da Real Associação de Lisboa.
Eleito no passado dia 18 de Abril, promete um novo rumo para a maior Real Associação de Portugal.
Iniciou a sua militância política aos dezassete anos na Causa Monárquica, em 1961, onde foi presidente da Comissão de Juventude, vogal da Junta Distrital de Lisboa e membro da Comissão Doutrinária, presidida por Henrique Barrilaro Ruas. Coordenou no semanário monárquico o Debate a “Página de Juventude”. Foi um dos subscritores, a convite de Henrique Barrilaro Ruas, do manifesto “Renovação Portuguesa”, em 1969. Em 1987 foi candidato independente a deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu pelo PPM, presidido então por Gonçalo Ribeiro Telles. Entre 1992 e 1995 foi presidente da Mesa da Assembleia - Geral da Real Associação de Lisboa. Em 1993 foi eleito como primeiro Presidente da Causa Real – Federação das Reais Associações. É membro do Conselho Monárquico, órgão da Causa Real.
Uma Entrevista
- Foi, no passado dia 18 de Abril, eleito Presidente da Real Associação de Lisboa. Que análise faz à História recente da Real Associação de Lisboa?
A Real Associação de Lisboa passou por um período conturbado, fruto de desinteligências entre a direcção cessante, que resultou na total inactividade durante um ano. O que foi mau. Ultrapassada essa fase, pela qual muitas vezes passam as associações, em que amores próprios e vaidades se sobrepõem ao objectivo para que foram criadas, julgo que a minha direcção está suficientemente legitimada pela Assembleia – Geral, que nela votou expressivamente, para poder virar a página.
- Enquanto Presidente da Direcção da Real Associação de Lisboa, quais são os seus objectivos para este mandato que agora inicia?
Em primeiro lugar, arrumar a casa e em segundo lugar, mas em simultâneo, desenvolver uma série de acções que constam do programa que apresentámos, tendentes a alargar o âmbito de actuação junto dos monárquicos dos concelhos que compõem o Distrito de Lisboa, com relevo para formação e informação e para, usando todos os meios disponíveis de comunicação, marcar presença, tomando posições sobre todos os assuntos de interesse para os portugueses que vivem neste espaço geográfico, desde os políticos aos do ambiente ou aos de defesa do património.
- Ao nível da Causa Real, acredita que, como muitos monárquicos, que é tempo da criação de uma nova dinâmica, passando naturalmente por melhorar os meios para aproximação aos Portugueses?
Claro que acredito. E esse passo está em vias de ser dado.
- Que análise faz ao trabalho dos Voluntários da Causa, nomeadamente no que toca à expansão do Ideal Monárquico na Blogosfera, em Sítios da Internet e Fóruns?
Penso que a blogosfera é um espaço de informação e de diálogo muito importante que, não podendo ser desprezado, pelo contrário, tem de ser valorizado. São cada vez mais as pessoas que navegam na Net e frequentam sítios e Blogues em procura de informação, de esclarecimento ou de pura diversão e que podem ser sensibilizados pelos conteúdos. Por isso o trabalho que os monárquicos, a título individual ou em grupos mais restritos, têm vindo a fazer é importantíssimo e altamente louvável. Há que apoiá-los e criar sinergias, não só entre eles – o que já sucede – como com as estruturas do movimento monárquico.
(...)
- Foi lançado há dias o livro “Aqui D´El-Rei”, do qual é um dos autores. O que é que se tem que fazer mais para que, efectivamente a “divulgação seja a chave da restauração” ?
O livro é uma colectânea de textos publicados na comunicação social, escrita e virtual, ao longo de nove anos, ininterruptamente. Foi publicado em livro porque um editor, por sinal monárquico, os descobriu a navegar na Net e por eles se interessou. É um contributo para divulgar a posição de monárquicos que, fazendo crónicas ao sabor dos acontecimentos, também fazem a divulgação da doutrina. A divulgação da posição dos monárquicos é, mesmo, a chave da restauração, como diz. Só chegando a cada vez mais portugueses poderemos criar um movimento da sociedade no sentido de “forçar” os políticos republicanos acantonados nos seus poderes a rever a Constituição que impede a escolha do regime.
- Estamos a passos largos a chegar ao Centenário da Republica. Que resposta deve a Causa Real e as Reais Associações, já para não falar também dos Voluntários, como o PDR, para mostrar que a chama monárquica continua ainda bem viva e que deve ser vista pelos Portugueses como uma esperança, tendo em consideração a crise que estamos a passar a todos os níveis?
Acho o movimento monárquico irá dar uma prova de que está vivo e actuante, cada vez mais actuante, e que não se conforma com o regime mesmo que ele faça cem anos. A contribuição de todos é fundamental. Agora tenhamos em atenção que a Monarquia não é uma panaceia para todos os males do País, podendo sem dúvida contribuir mais fortemente, pela superioridade da Instituição Real, para criar um ambiente de coesão nacional que potencie a sua resolução por quem tem que o fazer: os governos e as forças políticas e sociais.
- Acredita que algum dia a esquerda parlamentar irá aceitar alterar a alínea b) do artigo 288.º da Constituição, que nos impõe, a “forma republicana de governo”?
Acho que não será toda, porque a mais radical sabe que só navega bem e consegue fazer-se ouvir, num clima conflitual que a república facilita. Mas creio que o ciclo geracional, que tem gerido o PS, eivado de preconceitos e herdeiro dos “valores” da I República, está a chegar ao fim e que entre as gerações mais novas, sobretudo, há já muitos militantes que são monárquicos e não vêem nenhuma incompatibilidade entre o socialismo e a social – democracia e a forma monárquica de regime. Os mais novos forçarão os mais velhos a perceber que até para o PS, a Monarquia é mais favorável.
- Em 2011, chegaremos ao centenário do falecimento da Rainha Dona Maria Pia. Fala-se que está para breve (ou não) a sua transladação para Portugal. Acha que a Republica tem medo desta transladação, tendo em consideração que se pode tratar de uma Cerimónia de Estado, que implique a participação das Forças Armadas, tal como aconteceu com Dom Manuel II e a Rainha Dona Amélia?
Acho que o regime tem vindo a protelar a transladação dos restos mortais da Rainha Dona Maria Pia porque tem receio de dar um sinal errado ao Pais, a pouco tempo do centenário da República. Em 2011, já passou esse período e não vejo porque não o fará, tendo sido afirmado pelos principais dirigentes actuais que considerava esse acto como desejável e possível, com dignidade, mas eventualmente sem tanto realce como o dos Rei Dom Manuel e Dona Amélia. Salazar achava que a II República estava de pedra e cal, por força do carácter autoritário do regime que inventou. A III República sabe, que mesmo com truques constitucionais, em democracia “ o povo é quem mais ordena”.
- Que futuro deseja para Portugal? A Monarquia é a única solução e esperança para os Portugueses?
Que Portugal ganhe confiança em si próprio, que saiba olhar para a sua História e orgulhando-se do que fizeram os nossos antepassados, saiba que pode ir mais longe, e de que perceba que, adaptando Camões, “ um fraco regime faz fraca a forte gente”. Portugal só terá sucesso com a Instituição Real.
- Deseja acrescentar algo?
Sim. Fazer um apelo aos monárquicos para que não temam dar a cara e lutem, nas estruturas da Causa Real e neste caso particular da Real Associação de Lisboa, ou informalmente por outros meios, pela Instituição Real, conscientes de que é essencial para Portugal e para a sua modernidade. Nenhum regime é eterno e os cem anos que a Republica vai comemorar, gastando milhões de euros dos nossos impostos, é perecível e quase nada quando comparada com os oitocentos anos de Monarquia. Se todos os que são monárquicos convictos a combaterem, democraticamente mas com firmeza, e se pela sua palavra e pela sua acção, trouxerem “mais cinco”!
fonte:
http://fdrojornal.wordpress.com/2009/04/20/pdr-entrevista-joao-mattos-e-silva-novo-presidente-da-direccao-da-real-associacao-de-lisboa/
quinta-feira, abril 23, 2009
Fernanda Leitão em «O TEMPLÁRIO»



Ao ver esta coluna da Fernanda Leitão no seu antigo jornal, não resisti e perguntei-lhe: "Quando é que voltou a publicar no jornal?"
O e-mail de resposta chegou-me poucos minutos depois, e dizia assim:
"O Templário, depois de muitos altos e baixos após a minha saída para o Canadá, achou finalmente bom porto na dupla Isabel Miliciano-José Gaio, que o compraram e remodelaram. Jovens, inteligentes, esforçados e honestos, fizeram do Templário um jornal próspero e profissional. Têm sido de uma grande gentileza comigo, não me conhecendo pessoalmente, e eu publiquei de novo ali, a convite deles, há talvez dois anos. A partir daí, mando de vez em quando uma prosa. Parece assim uma Visita da Velha Senhora...
"O primeiro número do Templário, sob a minha direcção, foi em 1 de Maio de 1975. Respeitei a tiragem que o Jornal tinha: 2 mil exemplares. Em Julho estávamos a fazer 60 mil exemplares. E, por vezes, lá para Lisboa e Cascais faziam-se fotocópias dele. Quando o jornal publicou a entrevista que a Orianna Falaci fez ao Cunhal, devidamente autorizada pela jornalista italiana, não tivemos mãos a medir. Enfim, fez-se o que se pôde.
"Para se rir, vou-lhe dizer como é que o Templário começou a ser vendido em Lisboa, nas bancas do ardina Zé, em frente ao Café Nicola, no Rossio.
"O Zé e eu eramos da mesma idade e tínhamos assentado praça no mesmo ano: eu, na France Presse, a municiar os jornais de prosa internacional; ele, a vender os jornais. Com o passar dos anos, ficámos amigos. Quando saíu da máquina o primeiro número do Templário sob a minha responsabilidade, virei-me para o saudoso Carlos Pina, saneado do Diário de Notícias, e sugeri que fôssemos a Lisboa, cada um com o seu pacote de jornais, para tomar o pulso. Metemo-nos no comboio e desaguámos no Rossio. E disse eu para o meu amigo ardina:
"- Oh Zé, comprei um jornal para dar umas cacetadas porque não ando a gostar nada do que vejo por aí. Posso deixar os jornais na tua banca ou tens medo?
- Medo, eu, patroa?! Morra quem se negue. Deixe ficar os jornais à confiança.
E pronto, o Carlos Pina (que a morte tão cedo levou) e eu, rodámos para o jantar e para os mentideros onde paravam as estrelas da revolução, porque ali é que se sabiam novidades, gaffes, fiascos e tratantadas. Os mentideros mais na moda, nesse ano, eram o Botequim, da Natália Correia, e o Procópio, da Alice Pinto Coelho. Para não variar, deitei-me tarde. E quem é que estava à minha porta que nem uma sentinela? O Zé Ardina. Quis saber a que devia a visita.
- Oh patroazinha, pela sua saúde arranje-me mais 500 jornais que o pessoal está a contar com isso.
Expliquei-lhe que não tinha mais nenhum jornal em Lisboa, mas acertámos o negócio: vinham mil todas as semanas para a banca dele. Abalou radiante. E era com uma satisfação imensa, de amigo, e de patriota, que ele todas as semanas vendia o jornal. A primeira vez que fui a Portugal depois de vir para o Canadá, fui ver o Zé ao Rossio. Abraçou-se a mim e chorámos os dois.
Aqui tem estes farrapos de memória."
Muito obrigada, minha querida Fernanda.
Fãs de beato Nuno Álvares partem para o Vaticano

por RITA CARVALHO
Seis amigos, dos 18 aos 26, entre eles o jovem capelão da Universidade Católica, de Lisboa partiram ontem para o Vaticano, onde vão assistir à canonização de Nuno Álvares Pereira, no domingo.
"É um exemplo de vida, daquilo que todos nós ansiamos ser: um santo", disse ao DN, Duarte Jesus, 18 anos, estudante de gestão. Já o capelão Hugo Santos acrescentou que não queria perder a oportunidade, visto que "a última canonização de um português foi em Outubro de 1976, a Santa Beatriz da Silva" . O amigo Marcos Martins, licenciado em Filosofia de 26 anos, explica, por seu lado, o que o leva ao Vaticano é a coragem de vida demonstrada por Nuno Álvares Pereira: "Vamos pela canonização de mais um santo português e pelo exemplo de vida que ele nos deu. Largou tudo e dedicou-se à religião".
Mas Carlos Baptista, que ontem estava no aeroporto da Portela com os cinco amigos para apanhar o voo de Lisboa para Roma, admite que também gosta da festa; " O convívio é outro motivo", diz este açoriano de 22 anos e estudante de gestão em Lisboa.
Estes seis amigos são dos primeiros a partir para Roma, onde segundo se espera que cheguem mais de mil portugueses nos próximos dias para canonização do português, presidida pelo Papa.
Além dos bispos, políticos, militares da comitiva oficial (ver caixa) vão também escuteiros ou simples católicos, que não querem perder a cerimónia. Aliás, o evento levou algumas agências a organizar programas específicos.
É o caso da agência Profissional Team, que conta levar a Roma mais de 50 pessoas. Umas já seguiram, outras, que partem da paróquia da Encarnação de Lisboa, deverão fazê-lo amanhã de madrugada.
O programa inclui além da cerimónia de canonização, uma visita guiada à cidade, nomeadamente à basílica de São Paulo, onde haverá uma celebração presidida pelo cardeal Patriarca de Lisboa. Meia centena de peregrinos irão também a Roma com a agência "O Peregrino". Aqui, uma viagem de três dias, com direito a estadia no Hotel Michelangelo, rondará os 780 euros.
Com a agência Quinto Império viajará D. Duarte Nuno de Bragança e mais algumas pessoas ligadas à causa monárquica portuguesa. "Somos uma agência que organiza viagens históricas e culturais, por isso vamos levar a Roma cerca de 50 pessoas", disse ao DN Otto Czernin, responsável da empresa.
D. Duarte de Bragança - descendente de D. Nuno Álvares Pereira - deverá viajar para o Vaticano na sexta-feira e será uma das figuras de destaque na cerimónia de canonização.
Muitos outros peregrinos viajarão na peregrinação organizada pela Ordem do Carmo, à qual pertenceu o beato Nuno no fim da vida. Esta peregrinação é organizada em conjunto com o patriarcado de Lisboa. Com saídas da capital e do Porto, as viagens são diversificadas: de três ou cinco dias, ou ainda com mais de uma semana e direito a um circuito italiano. A viagem mais cara, de oito dias, ronda os 1500 euros.
Mais de duas centenas de escuteiros católicos irão também marcar presença em Roma.
Para isso, o Corpo Nacional de Escutas, do qual Nuno Álvares Pereira é o patrono nacional, decidiu fretar um avião para o efeito. "Vão de Braga, Barcelos, Guimarães, Beja, Lisboa, etc. E vão pessoas desde os seis aos 70 anos", afirmou ao DN Olga Cunha, a responsável que que está a organizar a delegação escutista a Roma.
DN, hoje
quarta-feira, abril 22, 2009
Trinta e cinco anos depois

CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
O último ano do regime anterior a 1974 foi um sufoco de boatos, prisões, sinais contraditórios, panfletos que corriam a granel garantindo uma revolução, intensa agitação nos sindicatos, os primeiros sinais da vindicta que lá vinha. Grande parte da culpa era da censura, pontificada por militares, mas não foi dispicienda a campanha de ódio cego movida pela direita salazarista contra a direita marcelista. Nessa altura, por razões óbvias, a esquerda e a direita oposicionista ainda não adivinhavam as profundas fracturas que iriam sofrer nos anos a vir. Havia em tudo um cenário de fim de festa. Era perturbador e excitante.
Finalmente, os tanques da revolta chegaram a Lisboa. Soube-o pelo telefonema de um jornalista era madrugada. Liguei o rádio, as marchas militares eram apelativas e, quanto a mim estranhamente, pedia-se que o povo não saísse à rua. Saí imediatamente, a juntar-me a colegas que, como eu, suspiravam pela queda do regime há muitos anos. Aparecia gente de todos os lados, ninguém segurava o povo. Rapidamente fui informada que se tratava de um golpe militar e que, se corresse tudo bem, os dirigentes políticos exilados entrariam no país dentro de poucos dias.
Gostava de ter vivido aquela jornada com total confiança e absoluta alegria, mas não foi assim. Desagradou-me ver a revolta encabeçada pelos militares, que já tinham feito o 28 de Maio, que tinham sido a guarda pretoriana do regime, contando-se pelos dedos os que tiveram a coragem de erguer a voz contra a ditadura. Não tinha a menor confiança nos dois líderes históricos que viriam do exílio - Mário Soares, pelo PS, e Álvaro Cunhal pelo PC - , velhos compagnons de route que, pouco tempo antes, tinham assinado um pacto em Paris. Na febre daqueles dias apercebi-me que o golpe militar tinha tido motivações corporativas, e não augurei nada de bom. A confusão e o desatino eram completos. Nunca mais esqueci que, ao assaltar os serviços da censura, Manuel Serra, conhecido nos meios do reviralho pelo Manecas das Intentas, achou inteligente e corajoso inutilizar para a História os arquivos daquela sinistra casa ao deitá-los pela janela sobre a populaça que, na Rua da Misericórdia, rasgava os papéis e os pisava. Era o começo da delapidação do património de todos nós. Milhares de pessoas, muitas delas competentes e honestas, foram saneadas com uma selvajaria que só a inveja e o ódio podem explicar, e que era acirrado pela esquerda radical. Com a democracia na boca e serradura na cabeça, deitaram ao lixo um Império de 500 anos, sem honrarem Portugal e sem acautelaram as vidas dos povos das colónias e dos que lá viviam. Armados em Lenines de trazer por casa, destruíram todo o tecido agrícola do sul do país e grande parte do tecido industrial. Impantes, encheram as prisões através dum militar que passava mandados de captura em branco, ele que foi da Legião Portuguesa e choramingou ao pegar nas borlas do caixão de Salazar, um farsante. Muitos dos tropas de baixa patente que abandonaram quartéis e vergonha, nos últimos dias da presença portuguesa em África, vendiam haxixe descaradamente e até o cultivavam nas suas aldeias. Muitos outros, de alta patente, faziam farras em restaurantes de luxo, pagas pelos dinheiros públicos, e sacrificavam motoristas, em noites inteiras e frias, enquanto eles se divertiam em bares da moda. Bastantes, singraram em negócios. Apenas Salgueiro Maia, o militar que comandou a coluna que veio de Santarém e cercou o Quartel do Carmo, se manteve afastado da ganância e da política. Foi um puro. No lado civil, reinava a ambiguidade, que quase desorientou o povo, do relacionamento do PS com o PC, só interrompido por Salgado Zenha, em 1975, com grande entusiasmo geral do país, levando Mário Soares por arrastamento, enquanto Cunhal babava de ódio e mandava “partir os dentes à reacção”. Como se reagir à maldade e à estupidez não fosse um dever elementar!
Estava dado o mote para o que viria a acontecer nos anos que se seguiram.
E nem se hesitou em tirar do caminho Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, homens sérios e dispostos a não deixar confundir Democracia com bandalheira. Aos solavancos, entre lutas partidárias que fedem a milhares de quilómetros e dinheiros de Bruxelas, o regime tem vindo a dar uma no cravo e outra na ferradura. Algum progresso houve, mais aparente do que real, pois ninguém curou de alicerçar fosse o que fosse - como se pode verificar com os efeitos da crise económico-financeira mundial. O papel de embrulho é bonito e vistoso, mas o que lá está dentro é bem menos agradável.
Apesar de tudo, ainda há alguma liberdade. Mas, trinta e cinco anos depois da chamada Revolução dos Cravos, o balanço não é animador. Uma árvore conhece-se pelos frutos que dá. A árvore do 25 de Abril tem ramos mortos, alguns em vias disso, algumas raízes podres, muitos frutos sorvados. Manda o amor a Portugal, e o amor à Liberdade, que o povo pode essa árvore para que ela seja forte e dê frutos bons.
terça-feira, abril 21, 2009
Amar a humanidade, desprezar o próximo
por João César das Neves
Rousseau, profeta inspirador da cultura moderna. A sua lista de trafulhices, indignidades e oportunismos é infinda
Acaba de sair a edição portuguesa de um dos livros mais reveladores do nosso tempo. Publicado em 1988, Intellectuals, de Paul Johnson, não perdeu relevância e dramatismo nos 20 anos que o separam da sua tradução (Intelectuais, Guerra & Paz, Lisboa, 2009).
A obra consta apenas de doze pequenas biografias, mas a breve colecção inclui algumas das principais figuras dos últimos 200 anos e alguns dos maiores safados, crápulas e bandidos que se pode imaginar. Notável é que as personagens são as mesmas em ambos os casos. Johnson mostra à evidência como os intelectuais que inspiraram o mundo contemporâneo foram terríveis patifes na sua vida privada.
A lista é impressionante. Jean-Jacques Rousseau, Karl Marx, Bertrand Russell e Jean-Paul Sartre, entre outros, aparecem culpados dos comportamentos mais infames, enganando mulheres, desprezando filhos, aldrabando amigos, roubando, seduzindo, manipulando tudo e todos. O elemento comum é um paroxismo de egoísmo e arrogância. Estes onze homens e uma mulher vivem totalmente autocentrados, usando escandalosa e vergonhosamente os outros para proveito próprio.
Qual a relevância destas informações e mexeriquices? Todos sabemos que os génios costumam ser exóticos e inconvenientes, e todos os desculpamos pela sua grandeza. É razoável perdoar-lhes os pecadilhos pelas maravilhas que fazem. Que importa a vida pessoal de Mozart ou Edison, de Newton ou Rembrant ao lado da herança majestosa que deixaram? Mesmo entre os nomes referidos, a análise económica de Marx ou os teoremas de Russell não sofrem pelo mau carácter dos seus autores. Será Johnson um oportunista, denegrindo grandes nomes com acusações mesquinhas?
O que o autor capta nestes doze casos é algo muito diferente. Estas pessoas não foram escolhidas pelas realizações científicas ou artísticas, mesmo quando as tiveram, mas pela influência intelectual. Foi como inspiradores morais, oráculos políticos, reformadores sociais que estes nomes pontificaram, e ainda pontificam, acima dos demais. Num tempo sem fé, Tolstoi, Shelley, Ibsen ou Brecht, além dos já referidos, foram venerados como sumo sacerdotes de um mundo mais elevado e perfeito, luminárias do homem novo. Os outros, Hemingway, Edmund Wilson, Victor Gollancz e Lilliam Hellman marcaram a moda e arbitraram o gosto na sua geração, enquanto todos se enredavam numa degradação ética e humana quase repelente. Ou eram incoerentes com as suas ideias ou estas escondiam horrores inconfessáveis. Em qualquer dos casos tais observações biográficas são muito relevantes para a interpretação da obra.
A razão profunda da contradição é, ela mesma, decisiva. Todos estes pensadores colocaram uma ideia abstracta acima da vida real daqueles que os rodeavam. A sua teoria, o seu génio, eram superiores a parentes, amigos, honestidade, honradez, decoro, simples decência. Esta é a origem do crime. E da obra. Em todos os relatos surge sucessivamente um mesmo tema: o amor à humanidade. É notável como todos estes grandes autores estão apaixonados pelo género humano. Mas o ideal abstracto acompanha um profundo desprezo pelas pessoas concretas que os rodeiam. Amam a humanidade e abominam a gente.
Um caso exemplar é Rousseau, profeta inspirador da cultura moderna. A listade trafulhices, indignidades e oportunismos da personagem é infinda. Mas um caso é bem simbólico. Entre muitos temas, o filósofo francês debruçou-se em vários das suas obras sobre a importância decisiva da educação das crianças, apresentando visões inovadoras, sobretudo no tratado Émile, ou De l'éducation (1762), considerado um dos grandes textos primitivos sobre o tema. Vale a pena saber que ele abandonou na miséria os filhos que teve das suas múltiplas amantes, nunca assumindo a responsabilidade por qualquer deles.
Vivemos num tempo que colocou ideais acima das pessoas. Aliás, aqueles que desprezam as críticas deste livro pela admiração da obra dos visados são eles mesmos vítimas do mesmo vício intelectual: a terrível tentação de amar uma ideia mais que o próximo.
no DN
Rousseau, profeta inspirador da cultura moderna. A sua lista de trafulhices, indignidades e oportunismos é infinda
Acaba de sair a edição portuguesa de um dos livros mais reveladores do nosso tempo. Publicado em 1988, Intellectuals, de Paul Johnson, não perdeu relevância e dramatismo nos 20 anos que o separam da sua tradução (Intelectuais, Guerra & Paz, Lisboa, 2009).
A obra consta apenas de doze pequenas biografias, mas a breve colecção inclui algumas das principais figuras dos últimos 200 anos e alguns dos maiores safados, crápulas e bandidos que se pode imaginar. Notável é que as personagens são as mesmas em ambos os casos. Johnson mostra à evidência como os intelectuais que inspiraram o mundo contemporâneo foram terríveis patifes na sua vida privada.
A lista é impressionante. Jean-Jacques Rousseau, Karl Marx, Bertrand Russell e Jean-Paul Sartre, entre outros, aparecem culpados dos comportamentos mais infames, enganando mulheres, desprezando filhos, aldrabando amigos, roubando, seduzindo, manipulando tudo e todos. O elemento comum é um paroxismo de egoísmo e arrogância. Estes onze homens e uma mulher vivem totalmente autocentrados, usando escandalosa e vergonhosamente os outros para proveito próprio.
Qual a relevância destas informações e mexeriquices? Todos sabemos que os génios costumam ser exóticos e inconvenientes, e todos os desculpamos pela sua grandeza. É razoável perdoar-lhes os pecadilhos pelas maravilhas que fazem. Que importa a vida pessoal de Mozart ou Edison, de Newton ou Rembrant ao lado da herança majestosa que deixaram? Mesmo entre os nomes referidos, a análise económica de Marx ou os teoremas de Russell não sofrem pelo mau carácter dos seus autores. Será Johnson um oportunista, denegrindo grandes nomes com acusações mesquinhas?
O que o autor capta nestes doze casos é algo muito diferente. Estas pessoas não foram escolhidas pelas realizações científicas ou artísticas, mesmo quando as tiveram, mas pela influência intelectual. Foi como inspiradores morais, oráculos políticos, reformadores sociais que estes nomes pontificaram, e ainda pontificam, acima dos demais. Num tempo sem fé, Tolstoi, Shelley, Ibsen ou Brecht, além dos já referidos, foram venerados como sumo sacerdotes de um mundo mais elevado e perfeito, luminárias do homem novo. Os outros, Hemingway, Edmund Wilson, Victor Gollancz e Lilliam Hellman marcaram a moda e arbitraram o gosto na sua geração, enquanto todos se enredavam numa degradação ética e humana quase repelente. Ou eram incoerentes com as suas ideias ou estas escondiam horrores inconfessáveis. Em qualquer dos casos tais observações biográficas são muito relevantes para a interpretação da obra.
A razão profunda da contradição é, ela mesma, decisiva. Todos estes pensadores colocaram uma ideia abstracta acima da vida real daqueles que os rodeavam. A sua teoria, o seu génio, eram superiores a parentes, amigos, honestidade, honradez, decoro, simples decência. Esta é a origem do crime. E da obra. Em todos os relatos surge sucessivamente um mesmo tema: o amor à humanidade. É notável como todos estes grandes autores estão apaixonados pelo género humano. Mas o ideal abstracto acompanha um profundo desprezo pelas pessoas concretas que os rodeiam. Amam a humanidade e abominam a gente.
Um caso exemplar é Rousseau, profeta inspirador da cultura moderna. A listade trafulhices, indignidades e oportunismos da personagem é infinda. Mas um caso é bem simbólico. Entre muitos temas, o filósofo francês debruçou-se em vários das suas obras sobre a importância decisiva da educação das crianças, apresentando visões inovadoras, sobretudo no tratado Émile, ou De l'éducation (1762), considerado um dos grandes textos primitivos sobre o tema. Vale a pena saber que ele abandonou na miséria os filhos que teve das suas múltiplas amantes, nunca assumindo a responsabilidade por qualquer deles.
Vivemos num tempo que colocou ideais acima das pessoas. Aliás, aqueles que desprezam as críticas deste livro pela admiração da obra dos visados são eles mesmos vítimas do mesmo vício intelectual: a terrível tentação de amar uma ideia mais que o próximo.
no DN
quarta-feira, abril 01, 2009
segunda-feira, março 23, 2009
Olhar em frente
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Alguns comentadores políticos disseram da visita oficial do presidente José Eduardo Santos a Lisboa que Portugal se pôs “de cócoras” diante de Angola e que o novo país se propunha colonizar Portugal através de massivos investimentos. Quanto a mim, é uma reacção que vai beber (ainda) a um preconceito de suposta superioridade.
Nenhum angolano, e eu sou angolana e sei do que falo, nenhum português, e eu tenho a nacionalidade portuguesa e sei do que falo, vai esquecer o tormento de uma guerra colonial, que atrasou e comprometeu a evolução de Angola e de Portugal para um regime democrático, antes abriu a porta a uma revolução militar, em Portugal, e a uma guerra civil em Angola, ficando pelo meio uma “descolonização exemplar”, como lhe chamou o medíocre político que a engendrou, ao tempo com o beneplácito do Partido Comunista, velho compagnon de route com quem assinou um tratado em Paris. Só depois do mal feito é que o Partido Socialista cortou o cordão umbilical, graças á coragem de Salgado Zenha, tendo por pretexto o mundo dos sindicatos.
Nenhum angolano ou português vai esquecer os mortos dessas guerras, os exilados, os presos, os injustiçados, as dezenas de milhar de portugueses que atravessaram as fronteiras a salto para não irem à guerra, as centenas de milhar de negros e brancos que fugiram da guerra civil que se seguiu à independência. Nenhum angolano ou português vai esquecer quanta incompetência, egoísmo, vaidade, arrogância, corrupção e ganância, dum lado e do outro, travaram o progresso de Angola e de Portugal porque mais se olhou ao jogo proporcionado por interesses estranhos do que às necessidades dos seus povos. Ninguém tem as mãos limpas e a consciência leve nesta tragédia.
Não, ninguém esquecerá, porque ninguém quer ver estes crimes repetidos. Mas ninguém saudável de inteligência e de espírito vive do passado. A hora, para Portugal e Angola, é de olhar em frente, é de se comportarem como dois adultos, como gente de bem e de juízo, dando-se as mãos na reconstrução de Angola, que se quer país livre e de riqueza bem repartida, e a regeneração do regime vigente em Portugal, que se quer país bem administrado e livre das vergonhas que tem vindo a sofrer. Portugal, que abandonou Angola (e as outras colónias todas) à sua sorte, por funesta decisão de políticos a soldo de interesses internacionais, deve tomar como exemplo a Igreja Católica, essa que, apesar de todas as perseguições e martírios, ficou no terreno, a pé firme, lado a lado com as populações sofredoras. Portugal tem de retomar as suas responsabilidades de solidariedade, não de colonizador para colonizado, não de patrão para mainato, como parecem sugerir os comentadores apontados, mas como o melhor amigo do povo angolano. É obrigação, e interesse, de Portugal dar uma contribuição, forte e decisiva, para uma Angola forte, grande, justa. Prouvera a Deus que o pudesse fazer em todos os lugares que abandonou de forma irresponsável.
A hora é de acção, em ambos os países, e não de chicana partidária.
por Fernanda Leitão
Alguns comentadores políticos disseram da visita oficial do presidente José Eduardo Santos a Lisboa que Portugal se pôs “de cócoras” diante de Angola e que o novo país se propunha colonizar Portugal através de massivos investimentos. Quanto a mim, é uma reacção que vai beber (ainda) a um preconceito de suposta superioridade.
Nenhum angolano, e eu sou angolana e sei do que falo, nenhum português, e eu tenho a nacionalidade portuguesa e sei do que falo, vai esquecer o tormento de uma guerra colonial, que atrasou e comprometeu a evolução de Angola e de Portugal para um regime democrático, antes abriu a porta a uma revolução militar, em Portugal, e a uma guerra civil em Angola, ficando pelo meio uma “descolonização exemplar”, como lhe chamou o medíocre político que a engendrou, ao tempo com o beneplácito do Partido Comunista, velho compagnon de route com quem assinou um tratado em Paris. Só depois do mal feito é que o Partido Socialista cortou o cordão umbilical, graças á coragem de Salgado Zenha, tendo por pretexto o mundo dos sindicatos.
Nenhum angolano ou português vai esquecer os mortos dessas guerras, os exilados, os presos, os injustiçados, as dezenas de milhar de portugueses que atravessaram as fronteiras a salto para não irem à guerra, as centenas de milhar de negros e brancos que fugiram da guerra civil que se seguiu à independência. Nenhum angolano ou português vai esquecer quanta incompetência, egoísmo, vaidade, arrogância, corrupção e ganância, dum lado e do outro, travaram o progresso de Angola e de Portugal porque mais se olhou ao jogo proporcionado por interesses estranhos do que às necessidades dos seus povos. Ninguém tem as mãos limpas e a consciência leve nesta tragédia.
Não, ninguém esquecerá, porque ninguém quer ver estes crimes repetidos. Mas ninguém saudável de inteligência e de espírito vive do passado. A hora, para Portugal e Angola, é de olhar em frente, é de se comportarem como dois adultos, como gente de bem e de juízo, dando-se as mãos na reconstrução de Angola, que se quer país livre e de riqueza bem repartida, e a regeneração do regime vigente em Portugal, que se quer país bem administrado e livre das vergonhas que tem vindo a sofrer. Portugal, que abandonou Angola (e as outras colónias todas) à sua sorte, por funesta decisão de políticos a soldo de interesses internacionais, deve tomar como exemplo a Igreja Católica, essa que, apesar de todas as perseguições e martírios, ficou no terreno, a pé firme, lado a lado com as populações sofredoras. Portugal tem de retomar as suas responsabilidades de solidariedade, não de colonizador para colonizado, não de patrão para mainato, como parecem sugerir os comentadores apontados, mas como o melhor amigo do povo angolano. É obrigação, e interesse, de Portugal dar uma contribuição, forte e decisiva, para uma Angola forte, grande, justa. Prouvera a Deus que o pudesse fazer em todos os lugares que abandonou de forma irresponsável.
A hora é de acção, em ambos os países, e não de chicana partidária.
quinta-feira, março 19, 2009
Se a Espanha quer Gibraltar, quando tenciona devolver Olivença?
Daniel Hanan
E se tivesse sido ao contrário? E se a Espanha tivesse tomado um pedaço de território de alguém, forçado a nação derrotada a cedê-lo num tratado subsequente, e o mantivesse ligado a si? Comportar-se-ia Madrid como quer que a Grã-Bretanha se comporte em relação a Gibraltar? Ni pensarlo!
Como é que eu posso estar tão certo disso? Exactamente porque existe um caso assim. Em 1801, a França e a Espanha, então aliadas, exigiram que Portugal abandonasse a sua amizade tradicional com a Inglaterra e fechasse os seus portos aos navios britânicos. Os portugueses recusaram firmemente, na sequência do que Bonaparte e os seus confederados espanhóis marcharam sobre o pequeno reino. Portugal foi vencido, e, pelo Tratado de Badajoz, obrigado a abandonar a cidade de Olivença, na margem esquerda do Guadiana.
Quando Bonaparte foi finalmente vencido, as Potências europeias reuniram-se no Congresso de Viena de Áustria para estabelecer um mapa lógico das fronteiras europeias. O Tratado daí saído exigiu um regresso à fronteira hispano-portuguesa (ou, se se preferir, Luso-espanhola) anterior a 1801. A Espanha, após alguma hesitação, finalmente assinou o mesmo em 1817. Mas nada fez para devolver Olivença. Pelo contrário, trabalhou arduamente para extirpar a cultura portuguesa na região, primeiro proibindo o ensino do Português, depois banindo abertamente o uso da língua.
Portugal nunca deixou de reclamar Olivença, apesar de não se ter movimentado para forçar esse resultado (ameaçou hipoteticamente com a ideia de ocupar a cidade durante a Guerra Civil de Espanha, mas finalmente recuou). Embora os mapas portugueses continuem a mostrar uma fronteira por marcar em Olivença, a disputa não tem sido colocada na ordem do dia no contexto das excelentes relações entre Lisboa e Madrid.
Agora vamos analisar os paralelismos com Gibraltar. Gibraltar foi cedida à Grã-Bretanha pelo Tratado de Utrecht (1713), tal como Olivença foi cedida à Espanha pelo Tratado de Badajoz (1801). Em ambos os casos, o país derrotado pode reclamar com razões que assinou debaixo de coacção, mas é isto que acontece sempre em acordos de paz.
A Espanha protesta que algumas das disposições do Tratado de Utrecht foram violadas; que a Grã-Bretanha expandiu a fronteira para além do que fora estipulado primitivamente; que implementou uma legislação de auto-determinação local em Gibraltar que abertamente é incompatível com a jurisdição britânica especificada pelo Tratado; e (ainda que este aspecto seja raramente citado) que fracassou por não conseguir evitar a instalação de Judeus e Muçulmanos no Rochedo. Com quanta muito mais força pode Portugal argumentar que o Tratado de Badajoz foi derrogado. Foi anulado em 1807 quando, em violação do que nele se estipulava, as tropas francesas e
espanholas marcharam por Portugal adentro na Guerra Peninsular. Alguns anos mais tarde, foi ultrapassado pelo Tratado de Viena.
Certamente, a Espanha pode razoavelmente objectar que, apesar dos pequenos detalhes legais, a população de Olivença é leal à Coroa Espanhola. Ainda que o problema nunca tenha passado pelo teste de um referendo, parece com certeza que a maioria dos residentes se sente feliz como está. A língua portuguesa quase morreu excepto entre os mais velhos. A cidade (Olivenza em espanhol) é a sede de um dos mais importantes festivais tauromáquicos da época, atrai castas e matadores muito para além dos sonhos de qualquer pueblo de tamanho similar. A lei portuguesa significaria o fim da tourada de estilo espanhol e um regresso à obscuridade provinciana.
Tenho a certeza que os meus leitores entendem aonde tudo isto vai levar. Este "blog" sempre fez da causa da auto-determinação a sua própria causa. A reclamação do direito a Olivença (e a Ceuta e Melilla), por parte de Espanha, assenta no argumento rudimentar de que as populações lá residentes querem ser espanholas. Mas o mesmo princípio certamente se aplica a Gibraltar, cujos habitantes, em 2002, votaram (17 900 votos contra 187!!!) no sentido de permanecer
debaixo de soberania britânica.
A Grã-Bretanha, a propósito, tem todo o direito de estabelecer conexões entre os dois litígios. A única razão por que os portugueses perderam Olivença foi porque honraram os termos da sua aliança connosco. Eles são os nossos mais antigos e confiáveis aliados, tendo lutado ao nosso lado durante 700 anos - mais recentemente, com custos terríveis, quando entraram na Primeira Guerra Mundial por causa da nossa segurança. O nosso Tratado de aliança e amizade de 1810 explicitamente compromete a Grã-Bretamha no sentido de trabalhar para a devolução de Olivença a Portugal.
A minha verdadeira intenção, todavia, é a de defender que estes problemas não devem prejudicar as boas relações entre os litigantes rivais. Enquanto Portugal não mostra intenção de renunciar à sua reclamação formal em relação a Olivença, aceita que, enquanto as populações locais quiserem permanecer espanholas, não há forma de colocar o tema na ordem do dia. Não será muito de esperar que a Espanha tome um atitude semelhante vis-a-vis Gibraltar.
Uma vez que este texto certamente atrairá alguns comentários algo excêntricos de espanhóis, devo clarificar previamente, para que fique registado, que não é provável que estes encontrem facilmente um hispanófilo mais convicto de que eu. Eu gosto de tudo o que respeita ao vosso país: o seu povo, as suas festas, a sua cozinha, a sua música, a sua literatura, a sua fiesta nacional. Amanhã à noite, encontrar-me-ão no Sadler´s Wells, elevado até um lugar mais nobre e mais sublime pela voz de Estrlla Morente.
Acreditem em mim, señores, nada tenho de pessoal contra vós: o problema é que não podem pretender ter uma coisa e o seu contrário.
(trad. C. Luna)
In The Telegraph
IF SPAIN WANTS GIBRALTAR, WHEN IS IT PLANNING TO GIVE UP OLIVENÇA?
Daniel Hannan
13-Mar-2009
What if it had been the other way around? What if Spain had helped itself
to a slice of someone else's territory, forced the defeated nation to cede
it in a subsequent treaty, and hung on to it? Would Madrid behave as it
wants Britain to behave over Gibraltar? ¡Ni pensarlo!
How can I be so sure? Because there is precisely such a case. In 1801,
France and Spain, then allies, demanded that Portugal abandon her ancient
friendship with England and close her ports to British ships. The
Portuguese staunchly refused, whereupon Bonaparte and his Spanish
confederates marched on the little kingdom. Portugal was overrun and, by
the Treaty of Badajoz, forced to give up the town of Olivença, on the left
bank of the Guadiana.
When Boney was eventually defeated, the European powers met at the Congress
of Vienna to produce a comprehensive settlement of Europe's borders. The
ensuing treaty urged a return to the pre-1801 Hispano-Portuguese (or, if
you prefer, Luso-Spanish) frontier. Spain, after some hesitation,
eventually signed up in 1817. But it made no move to return Olivença. On
the contrary, it worked vigorously to extirpate Portuguese culture in the
province, first prohibiting teaching in Portuguese, then banning the
language outright.
Portugal has never dropped its claim to Olivença, though it has made no
move to force the issue (it toyed with the idea of snatching the town
during the Spanish Civil War, but eventually backed off). Although
Portuguese maps continue to show an undemarcated frontier at Olivença, the
dispute has not been allowed to stand in the way of excellent relations
between Lisbon and Madrid.
Now let's consider the parallels with Gib. Gibraltar was ceded to Great
Britain by the Treaty of Utrecht (1713), just as Olivença was ceded to
Spain by the Treaty of Badajoz (1801). In both cases, the defeated power
might reasonably claim that it signed under duress, but this is what
happens in all peace settlements.
Spain complains that some of the provisions of the Treaty of Utrecht have
been violated: that Britain has extended the frontier beyond that
originally laid down; that it has bestowed a measure of self-government on
Gibraltar incompatible with the outright British jurisdiction specified by
the Treaty; and (although this point is rarely pressed) that it has failed
to prevent Jewish and Muslim settlement on the Rock. With how much more
force, though, might Portugal argue that the Treaty of Badajoz has been
abrogated. It was annulled in 1807 when, in violation of its terms, French
and Spanish troops marched on Portugal in the Peninsular War. A few years
later, it was superseded by the Treaty of Vienna.
Of course, the Spanish might reasonably retort that, whatever the legal
niceties, the population of Olivença is loyal to the Spanish Crown. While
the issue has never been tested in a referendum, it certainly seems that
most residents are happy as they are. The Portuguese language has all but
died out except among the very elderly. The town (Olivenza in Spanish)
hosts one of the most important bullfighting ferias of the season,
attracting breeds and matadors beyond the dreams of any similarly sized
pueblo. Portuguese rule would mean an end to Spanish-style bullfighting,
and a return to provincial obscurity.
I'm sure you can see where this is going. This blog has always made the
cause of national self-determination its own cause. Spain's claim to
Olivença (and Ceuta and Melilla) rests on the knock-down argument that the
people living there want to be Spanish. But the same principle surely
applies to Gibraltar, whose inhabitants, in 2002, voted by 17,900 to 187 to
remain under British sovereignty.
Britain, by the way, has every right to link the two issues. The only
reason the Portuguese lost Olivença is that they were honouring the terms
of their league with us. They are our oldest and most reliable allies,
having fought alongside us for 700 years - most recently, and at terrible
cost, when they joined the First World War for our sake. Our 1810 treaty of
alliance and friendship explicitly commits Britain to work for the
restoration of Olivença to Portugal.
My real point, though, is that these issues ought not to prejudice good
relations between the rival claimants. While Portugal has no intention of
renouncing its formal claim to Olivença, it accepts that, as long as the
people there want to remain Spanish, there is no point in pushing the
issue. It is surely not too much to expect Spain to take a similar line
vis-à-vis Gibraltar.
Since this post is likely to attract some crotchety comments from
Spaniards, I ought to place on the record that you're not likely to find a
more convinced Hispanophile than me. I like everything about your country:
its people, its festivals, its cuisine, its music, its literature, its
fiesta nacional. Tomorrow night, you will find me in Sadler's Wells,
transported to a nobler and more sublime place by the voice of Estrella
Morente. Believe me, señores, it's nothing personal: it's just that you
can't have it both ways.
E se tivesse sido ao contrário? E se a Espanha tivesse tomado um pedaço de território de alguém, forçado a nação derrotada a cedê-lo num tratado subsequente, e o mantivesse ligado a si? Comportar-se-ia Madrid como quer que a Grã-Bretanha se comporte em relação a Gibraltar? Ni pensarlo!
Como é que eu posso estar tão certo disso? Exactamente porque existe um caso assim. Em 1801, a França e a Espanha, então aliadas, exigiram que Portugal abandonasse a sua amizade tradicional com a Inglaterra e fechasse os seus portos aos navios britânicos. Os portugueses recusaram firmemente, na sequência do que Bonaparte e os seus confederados espanhóis marcharam sobre o pequeno reino. Portugal foi vencido, e, pelo Tratado de Badajoz, obrigado a abandonar a cidade de Olivença, na margem esquerda do Guadiana.
Quando Bonaparte foi finalmente vencido, as Potências europeias reuniram-se no Congresso de Viena de Áustria para estabelecer um mapa lógico das fronteiras europeias. O Tratado daí saído exigiu um regresso à fronteira hispano-portuguesa (ou, se se preferir, Luso-espanhola) anterior a 1801. A Espanha, após alguma hesitação, finalmente assinou o mesmo em 1817. Mas nada fez para devolver Olivença. Pelo contrário, trabalhou arduamente para extirpar a cultura portuguesa na região, primeiro proibindo o ensino do Português, depois banindo abertamente o uso da língua.
Portugal nunca deixou de reclamar Olivença, apesar de não se ter movimentado para forçar esse resultado (ameaçou hipoteticamente com a ideia de ocupar a cidade durante a Guerra Civil de Espanha, mas finalmente recuou). Embora os mapas portugueses continuem a mostrar uma fronteira por marcar em Olivença, a disputa não tem sido colocada na ordem do dia no contexto das excelentes relações entre Lisboa e Madrid.
Agora vamos analisar os paralelismos com Gibraltar. Gibraltar foi cedida à Grã-Bretanha pelo Tratado de Utrecht (1713), tal como Olivença foi cedida à Espanha pelo Tratado de Badajoz (1801). Em ambos os casos, o país derrotado pode reclamar com razões que assinou debaixo de coacção, mas é isto que acontece sempre em acordos de paz.
A Espanha protesta que algumas das disposições do Tratado de Utrecht foram violadas; que a Grã-Bretanha expandiu a fronteira para além do que fora estipulado primitivamente; que implementou uma legislação de auto-determinação local em Gibraltar que abertamente é incompatível com a jurisdição britânica especificada pelo Tratado; e (ainda que este aspecto seja raramente citado) que fracassou por não conseguir evitar a instalação de Judeus e Muçulmanos no Rochedo. Com quanta muito mais força pode Portugal argumentar que o Tratado de Badajoz foi derrogado. Foi anulado em 1807 quando, em violação do que nele se estipulava, as tropas francesas e
espanholas marcharam por Portugal adentro na Guerra Peninsular. Alguns anos mais tarde, foi ultrapassado pelo Tratado de Viena.
Certamente, a Espanha pode razoavelmente objectar que, apesar dos pequenos detalhes legais, a população de Olivença é leal à Coroa Espanhola. Ainda que o problema nunca tenha passado pelo teste de um referendo, parece com certeza que a maioria dos residentes se sente feliz como está. A língua portuguesa quase morreu excepto entre os mais velhos. A cidade (Olivenza em espanhol) é a sede de um dos mais importantes festivais tauromáquicos da época, atrai castas e matadores muito para além dos sonhos de qualquer pueblo de tamanho similar. A lei portuguesa significaria o fim da tourada de estilo espanhol e um regresso à obscuridade provinciana.
Tenho a certeza que os meus leitores entendem aonde tudo isto vai levar. Este "blog" sempre fez da causa da auto-determinação a sua própria causa. A reclamação do direito a Olivença (e a Ceuta e Melilla), por parte de Espanha, assenta no argumento rudimentar de que as populações lá residentes querem ser espanholas. Mas o mesmo princípio certamente se aplica a Gibraltar, cujos habitantes, em 2002, votaram (17 900 votos contra 187!!!) no sentido de permanecer
debaixo de soberania britânica.
A Grã-Bretanha, a propósito, tem todo o direito de estabelecer conexões entre os dois litígios. A única razão por que os portugueses perderam Olivença foi porque honraram os termos da sua aliança connosco. Eles são os nossos mais antigos e confiáveis aliados, tendo lutado ao nosso lado durante 700 anos - mais recentemente, com custos terríveis, quando entraram na Primeira Guerra Mundial por causa da nossa segurança. O nosso Tratado de aliança e amizade de 1810 explicitamente compromete a Grã-Bretamha no sentido de trabalhar para a devolução de Olivença a Portugal.
A minha verdadeira intenção, todavia, é a de defender que estes problemas não devem prejudicar as boas relações entre os litigantes rivais. Enquanto Portugal não mostra intenção de renunciar à sua reclamação formal em relação a Olivença, aceita que, enquanto as populações locais quiserem permanecer espanholas, não há forma de colocar o tema na ordem do dia. Não será muito de esperar que a Espanha tome um atitude semelhante vis-a-vis Gibraltar.
Uma vez que este texto certamente atrairá alguns comentários algo excêntricos de espanhóis, devo clarificar previamente, para que fique registado, que não é provável que estes encontrem facilmente um hispanófilo mais convicto de que eu. Eu gosto de tudo o que respeita ao vosso país: o seu povo, as suas festas, a sua cozinha, a sua música, a sua literatura, a sua fiesta nacional. Amanhã à noite, encontrar-me-ão no Sadler´s Wells, elevado até um lugar mais nobre e mais sublime pela voz de Estrlla Morente.
Acreditem em mim, señores, nada tenho de pessoal contra vós: o problema é que não podem pretender ter uma coisa e o seu contrário.
(trad. C. Luna)
In The Telegraph
IF SPAIN WANTS GIBRALTAR, WHEN IS IT PLANNING TO GIVE UP OLIVENÇA?
Daniel Hannan
13-Mar-2009
What if it had been the other way around? What if Spain had helped itself
to a slice of someone else's territory, forced the defeated nation to cede
it in a subsequent treaty, and hung on to it? Would Madrid behave as it
wants Britain to behave over Gibraltar? ¡Ni pensarlo!
How can I be so sure? Because there is precisely such a case. In 1801,
France and Spain, then allies, demanded that Portugal abandon her ancient
friendship with England and close her ports to British ships. The
Portuguese staunchly refused, whereupon Bonaparte and his Spanish
confederates marched on the little kingdom. Portugal was overrun and, by
the Treaty of Badajoz, forced to give up the town of Olivença, on the left
bank of the Guadiana.
When Boney was eventually defeated, the European powers met at the Congress
of Vienna to produce a comprehensive settlement of Europe's borders. The
ensuing treaty urged a return to the pre-1801 Hispano-Portuguese (or, if
you prefer, Luso-Spanish) frontier. Spain, after some hesitation,
eventually signed up in 1817. But it made no move to return Olivença. On
the contrary, it worked vigorously to extirpate Portuguese culture in the
province, first prohibiting teaching in Portuguese, then banning the
language outright.
Portugal has never dropped its claim to Olivença, though it has made no
move to force the issue (it toyed with the idea of snatching the town
during the Spanish Civil War, but eventually backed off). Although
Portuguese maps continue to show an undemarcated frontier at Olivença, the
dispute has not been allowed to stand in the way of excellent relations
between Lisbon and Madrid.
Now let's consider the parallels with Gib. Gibraltar was ceded to Great
Britain by the Treaty of Utrecht (1713), just as Olivença was ceded to
Spain by the Treaty of Badajoz (1801). In both cases, the defeated power
might reasonably claim that it signed under duress, but this is what
happens in all peace settlements.
Spain complains that some of the provisions of the Treaty of Utrecht have
been violated: that Britain has extended the frontier beyond that
originally laid down; that it has bestowed a measure of self-government on
Gibraltar incompatible with the outright British jurisdiction specified by
the Treaty; and (although this point is rarely pressed) that it has failed
to prevent Jewish and Muslim settlement on the Rock. With how much more
force, though, might Portugal argue that the Treaty of Badajoz has been
abrogated. It was annulled in 1807 when, in violation of its terms, French
and Spanish troops marched on Portugal in the Peninsular War. A few years
later, it was superseded by the Treaty of Vienna.
Of course, the Spanish might reasonably retort that, whatever the legal
niceties, the population of Olivença is loyal to the Spanish Crown. While
the issue has never been tested in a referendum, it certainly seems that
most residents are happy as they are. The Portuguese language has all but
died out except among the very elderly. The town (Olivenza in Spanish)
hosts one of the most important bullfighting ferias of the season,
attracting breeds and matadors beyond the dreams of any similarly sized
pueblo. Portuguese rule would mean an end to Spanish-style bullfighting,
and a return to provincial obscurity.
I'm sure you can see where this is going. This blog has always made the
cause of national self-determination its own cause. Spain's claim to
Olivença (and Ceuta and Melilla) rests on the knock-down argument that the
people living there want to be Spanish. But the same principle surely
applies to Gibraltar, whose inhabitants, in 2002, voted by 17,900 to 187 to
remain under British sovereignty.
Britain, by the way, has every right to link the two issues. The only
reason the Portuguese lost Olivença is that they were honouring the terms
of their league with us. They are our oldest and most reliable allies,
having fought alongside us for 700 years - most recently, and at terrible
cost, when they joined the First World War for our sake. Our 1810 treaty of
alliance and friendship explicitly commits Britain to work for the
restoration of Olivença to Portugal.
My real point, though, is that these issues ought not to prejudice good
relations between the rival claimants. While Portugal has no intention of
renouncing its formal claim to Olivença, it accepts that, as long as the
people there want to remain Spanish, there is no point in pushing the
issue. It is surely not too much to expect Spain to take a similar line
vis-à-vis Gibraltar.
Since this post is likely to attract some crotchety comments from
Spaniards, I ought to place on the record that you're not likely to find a
more convinced Hispanophile than me. I like everything about your country:
its people, its festivals, its cuisine, its music, its literature, its
fiesta nacional. Tomorrow night, you will find me in Sadler's Wells,
transported to a nobler and more sublime place by the voice of Estrella
Morente. Believe me, señores, it's nothing personal: it's just that you
can't have it both ways.
terça-feira, março 17, 2009
Entrevista a Dom Duarte de Bragança
Em destaque, nesta entrevista, a chamada de atenção de Dom Duarte para uma necessária renovação da participação cívica dos portugueses que ponha fim ao actual monopólio da representação por intermédio de partidos ideológicos.


Publicada por
José Manuel Quintas
à(s)
terça-feira, março 17, 2009
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