quinta-feira, novembro 27, 2008

A Rússia está a testar os RS-24, e quer o Alaska...



Esta fotografia foi tirada no dia 11 de Outubro de 2008, em San Servolo (Veneza), por ocasião da convenção internacional "Ambiente: Dagli allarmi Globali all'Allarme di Media”, presidida por Mikhail Gorbachev. Da esquerda para a direita: Professor Lees, presidente do Clube de Roma, Giulietto Chiesa, e Mikhail Gorbachev.

No Reino Unido há quem diga que ali se pode estar à beira da bancarrota. Se a situação é catastrófica, não é contudo ainda grave, como diziam os Habsburgos. Mas ao Reino Unido, ainda pode valer o Brasil, agora de excelentes relações com um Medvedev que, lá em casa, na Peninsula da Kamchatka, anda agora a testar os RS-24 ICBM.

É o que diz a Novosti, que acrescenta, noutra notícia, que a Rússia bem pode vir a ficar com o Alaska, quando os EUA entrarem em colapso, na próxima Primavera.




A previsão de um especialista russo nestes assuntos (da guerra da informação) diz que ficarão seis pedaços: a Costa do Pacífico, para os chineses; o Sul, com o Texas, para os hispanicos; a Costa do Atlântico para os anglo-saxónicos; o interior para os índios; e o Norte para a aliança franco-britânica do Canadá. A Rússia reclama o Alaska. Oxalá ainda estejamos cá para ver, na próxima Primavera. Isto mais parece ser uma brincadeira de mau-gosto, para importunar Obama. Para comprovarem que não estou a brincar, podem dar uma espreitadela no seguinte endereço:

http://en.rian.ru/world/20081124/118512713.html

E vem-nos à memória um velho princípio da estratégia: escolher cuidadosamente as batalhas a travar, tendo presente que o tempo joga sempre a favor dos que conseguem adicionar amigos e reduzir os inimigos.

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segunda-feira, novembro 24, 2008

Cavaco Silva e o BPN

Mário Crespo

Interpelado sobre o BPN Cavaco Silva respondeu que "nenhum Presidente da República comenta questões do foro judicial". A ser assim, é legítimo concluir-se que a situação de Dias Loureiro, seu Conselheiro de Estado, é também já do foro judicial. Não o sabíamos.

Tal não tinha sido ainda sugerido por ninguém. Fazendo fé naquilo que o supremo magistrado do País declara, ainda por cima invocando doutrina de comportamento presidencial (nenhum comenta questões que estejam em fórum de justiça), Portugal tem no Conselho de Estado um conselheiro da sua escolha pessoal cujo comportamento é questão "do foro judicial".

Se nenhum Presidente da República pode comentar a imensa trapalhada em que Dias Loureiro se envolveu, qualquer Presidente da República deve afastar do seu círculo próximo alguém cujo comportamento sugira que terá que ser analisado em foro judicial. Não se trata de punir Cavaco Silva pelos actos de antigos e actuais colaboradores. Trata-se apenas do dever que o Presidente assumiu constitucionalmente de defender as instituições democráticas do País.

O Conselho de Estado é uma delas. Um Conselheiro de Estado não pode ser desmentido na praça pública em questões de honorabilidade e continuar a ser Conselheiro de Estado. Se "nenhum Presidente da República pode comentar questões do foro judicial" nenhum Presidente da República pode ter um Conselheiro de Estado que se sugere que falta à verdade. Um País não pode ter um Presidente da República que se aconselha com quem sabia de irregularidades financeiras e não as contou, como diz um Vice Governador do Banco de Portugal, ou que as contou mas nada fez, continuando durante anos no grupo que as praticava como se nada soubesse.

Esta é uma carga de suspeição insuportável para a instituição Presidencial. O detido, Oliveira e Costa, foi um alto colaborador do Primeiro-ministro Cavaco Silva. Teve uma parceria íntima em negócios multimilionários com Dias Loureiro quando ambos deixaram a política activa. Dias Loureiro é um alto colaborador do Presidente da República. Foi um vigoroso apoiante das campanhas presidenciais de Cavaco Silva. Deve ter tido um contributo valioso. Bem relacionado como é, deve ter atraído contribuições de campanha igualmente valiosas. Se calhar sem ele Cavaco não teria ganho. E Cavaco queria muito ganhar.

Mostrou isso por duas vezes. Não há dúvidas que o Presidente lhe deve muito. Mas o seu dever para com a República tem que ser maior. Se acha que o que se passa com o BPN é do foro judicial, sendo Dias Loureiro uma das entidades cujo envolvimento tem que ser explicado e não foi, a República exige-lhe que se distancie dele até a dúvida ser aclarada no foro judicial que, informou-nos o PR, é onde pertence.

Um Conselheiro de Estado não pode estar a aguardar investigações judiciais sobre o seu comportamento e honorabilidade. A um Conselheiro de Estado não se aplicam presunções de inocência em ambientes de suspeição generalizada com depoimentos contraditórios de altos responsáveis do Estado no passado/presente a desmentirem-se em público sobre questões de pura e simples honestidade. Isto não é assunto remissível para o foro judicial. É do foro presidencial e o Presidente, por muito que lhe custe, tem que se pronunciar.

In Jornal de Notícias

Eis a resposta:

Comunicado da Presidência da República
A Presidência da República procede à divulgação do seguinte comunicado:

"Nos últimos dias, detectou a Presidência da República, face a contactos estabelecidos por jornalistas, tentativas de associar o nome do Presidente da República à situação do Banco Português de Negócios (BPN).

Não podendo o Presidente da República tolerar a continuação de mentiras e insinuações visando pôr em causa o seu bom nome, esclarece-se o seguinte:

1. O Prof. Aníbal Cavaco Silva, no exercício da sua vida profissional, antes de desempenhar as actuais funções (nem posteriormente, como é óbvio):

a) nunca exerceu qualquer tipo de função no BPN ou em qualquer das suas empresas;
b) nunca recebeu qualquer remuneração do BPN ou de qualquer das suas empresas;
c) nunca comprou ou vendeu nada ao BPN ou a qualquer das suas empresas.

2. O Prof. Cavaco Silva e a sua Mulher:

a) nunca contraíram qualquer empréstimo junto do BPN;
b) não devem um único euro a qualquer banco, nacional ou estrangeiro, nem a qualquer outra entidade.

3. O Prof. Cavaco Silva e a sua Mulher têm, há muitos anos, a gestão das suas poupanças entregues a quatro bancos portugueses – incluindo o BPN, desde 2000 – conforme consta, discriminado em detalhe, na Declaração de Património e Rendimentos entregue no Tribunal Constitucional, a qual pode ser consultada.

As aplicações feitas pelos bancos gestores constam, detalhadamente, da referida Declaração de Património, entregue no Tribunal Constitucional – assim como o número de todas as contas bancárias do casal, excepto uma, aberta no Montepio Geral, por acolher apenas depósitos à ordem - a qual, repete-se, pode ser consultada.

As alienações de títulos efectuadas pelos bancos gestores constam, nos termos da lei, e como pode ser verificado, das declarações de IRS do Prof. Aníbal Cavaco Silva e de sua Mulher, preenchidas com base nas informações fornecidas anualmente pelos referidos bancos.

4. Ao tomar posse como Presidente da República, o Prof. Cavaco Silva e a sua Mulher deram instruções aos bancos gestores das suas poupanças para não voltarem a comprar ou vender quaisquer acções de empresas portuguesas, excepto no exercício de direitos de preferência.


Palácio de Belém, 23 de Novembro de 2008"

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Comentários?... Para quê!?

Tiveram sorte

CARTA DO CANADÁ
Fernanda Leitão


Em pouco mais de vinte anos, barões do PSD, quase todos passados pelos governos, envolveram-se em dois escândalos bancários de contornos sinistros.
Nos dias que correm, está a contas com a Justiça a equipa dirigente do BPN. Foi preso o seu homem forte, estrategicamente afastado do banco e divorciado da mulher com quem estava casado há 42 anos, para melhor garantir a posse dos bens adquiridos, enquanto um outro ex-governante apareceu a fazer a rábula do menino de coro em entrevistas várias. Ao mesmo tempo, no programa televisivo PRÓS E CONTRAS, apareceram homens que parecem dispostos a partir a loiça toda, o que, a ser verdade, vai levar mais gente às prisões. Temos folhetim garantido para uns meses.
Para já, já duas constações positivas: a Procuradoria Geral da República funcionou em pleno e o governo foi rápido a salvar os depositantes ao nacionalizar o banco.
Infelizmente, não foi o que aconteceu há vinte e tal anos quando faliu de forma fraudulenta a Caixa Económica Faialense. Largos milhares de depositantes, na sua maior parte residentes no estrangeiro, isto é, emigrantes, ficaram sem as suas economias. Houve casos em que ficaram reduzidos à miséria. Houve um suicídio e houve um emigrante que, no auge do desespero, matou o director de uma filial do banco na América do Norte, o que lhe valeu uns anos de prisão e viver depois uns anos na mais completa carência. O caso arrastou-se pelos tribunais, os emigrantes manifestaram-se em Lisboa e foram mandados espancar pelo governo social democrata da época, os emigrantes quiseram falar com a então secretária de estado das Comunidades e não foram recebidos, os ex-governantes envolvidos, de quem na emigração se dizia à boca cheia que tinham atravessado fronteiras, mais de uma vez, com malas cheias de dinheiro, foram absolvidos. A única prisão foi a do jornalista Aníbal Mendonça que, por denunciar a bandalheira, esteve mais de um ano nos calabouços da Penitenciária sem ser ouvido nem julgado. Só tarde e mal, depois de farta pancadaria na TV e em alguns jornais, acabou por ser julgado e preso, depois de ter tido tempo de sobra para pôr a salvo o que roubou, o chamado presidente daquela vergonha, um antigo açougueiro que, pelos vistos, bom compagnon de route foi para dois ex-ministros e um ex-presidente da RTP. Ficou de tudo isto a lembrança amarga de uma demissão imoral do governo e da justiça.
Tiveram sorte os depositantes do BPN e o povo em geral, esse que, com o suor do rosto, deposita as suas economias nos bancos. E que, por naturais razôes de moral básica, se acha no direito de ver respeitado o seu dinheiro. Ainda bem que, desta vez, foi assim. Para mim, que nunca tive a ver com partidos, tanto se me dá que o respeito venha do governante Zé ou do governante Manel, questão é que venha. E é isso que registo.
Dinheiro do povo é coisa séria. Uma das maiores nódoas do comunismo foi o facto de os comunistas espanhóis terem transferido o ouro depositado em bancos de Espanha para a União Soviética, e os dirigentes desta, com Estaline à cabeça, lhe terem chamado um figo. Os comunistas espanhóis perderam a guerra civil nessa hora, e para sempre, mas só tarde e mal o perceberam. Se é que perceberam, porque parecem duros de entendimento, a avaliar pelo que ouvimos aos cá de casa...

sábado, novembro 08, 2008

Dois registos de uma eleição

CARTA DO CANADÁ

por Fernanda Leitão

Digo já que me refiro às eleições presidenciais norte-americanas, para que o meu generoso leitor não perca demasiado tempo. E aqui vão os dois registos principais que elas me sugeriram.
Primeiro registo - a questão racial. Tenho de relatar um episódio vivido na infância para que melhor se entenda o que senti na noite de 4 de Novembro. Eu tinha oito anos, ou pouco mais, e vivia em Luanda, cidade então de uma pacatez provinciana, onde se jantava muito cedo e, por não haver televisão, as pessoas se deitavam com as galinhas. Num começo de noite, um dos criados da casa pediu a minha mãe licença para ir ver um primo à Cadeia da Reclusão, onde estava a caminho de São Tomé para cumprir o “contrato”. Minha mãe autorizou e, de imediato, deu ao rapaz um cobertor, alguma roupa, sal, café e fósforos. Eu pedi para ir com o criado e, estranhamente, tive licença para o fazer. Só muitos anos depois percebi porquê e soube o que era isso do contrato para São Tomé que levava os negros de Angola à cadeia. Chegados à prisão, fomos encaminhados para as traseiras, já na areia da praia, e ali encontrámos um rapaz sentado no chão, com dois cipaios armados ao lado. As suas costas estavam cortadas a cavalo-marinho e sangravam. Os dois rapazes falaram em quimbundo e quando regressámos a casa, o meu criado chorava sem constrangimento. Estas imagens ficaram para sempre coladas à minha memória e com tal intensidade que, confesso, determinaram muito da minha maneira de estar na vida. Quando, muitos anos depois, eu soube que os negros a trabalhar por conta de outrém tinham de pagar “imposto de cabeça”, isto é, o direito de existirem, e que isso era averbado numa caderneta, assinada pela entidade patronal, à falta de cujo pagamento seriam presos e deportados para São Tomé, onde chegavam a ficar muitos anos, e até a morrer por lá, na maior miséria, nas roças do café, quando soube isso, senti vergonha, essa que, no dizer de Franz Fanon, “é já em si um sentimento revolucionário”. O meu desamor pelos totalitarismos, de direita ou de esquerda, estava de pedra e cal dentro de mim, porque, sendo cegos e maus, tanto podem escravizar negros, como calcar a pés a liberdade de povos inteiros ou, como aconteceu há dois mil anos, crucificar o Filho de Deus por se julgarem senhores da verdade.
Quando, em 1958, minha mãe me pediu para eu passar à máquina uns “papéis”, que mais não eram do que panfletos contra a ditadura, por ocasião da candidatura do general Humberto Delgado à presidência da República, compreendi, finalmente, porque me tinha ela autorizado, tão prontamente, a ir ver o que vi à Cadeia da Relação de Luanda.
Posto isto, não surpreenderei ninguém dizendo que, na noite das últimas eleições americanas, me comovi profundamente com aquelas multidões de negros chorando, cantando, dançando. Tinham sido precisos 150 anos de chicote, de maus tratos, de exploração, de desprezo, de segregação, que ainda durava há 50 anos, para que pudessem apoiar sem medo um homem da sua raça. Lembrei-ne naquela hora da cena relatada acima e também das lágrimas abundantes que, adolescente, chorei a ler A CABANA DOPAI TOMÁS. Nada do que se passa com os mal amados africanos e seus descendentes, me é indiferente. Ali, naquela hora, cumpriu-se o destino. Todos os impérios acabam.
Segundo registo – campanha milionária. Tal como disse o Prof. José Adelino Maltez lá de Timor, onde agora vive, também eu achei que “a festa foi bonita, pá!”. Bem apessoado, bem falante, desembaraçado, com aquele toque de arrogância que os americanos adoram, inteligente e com boa preparação académica, Barak Hussein Obama é um formidável comunicador. E teve ao seu serviço uma campanha desenhada ao pormenor, para a qual angariou 600 milhões de dólares. Quando alguns, entre eles John McCain, fizeram públicos reparos a essa soma afrontosa em tempos de tão grande crise que o povo americano vive, Obama explicou vagamente que a comunidade negra, toda ela, tinha dado 15 ou 20 dólares por cabeça. Nisto eu acredito, mas temos de reconhecer que não era assim que se chegava aos 600 milhões de dólares. Sabe-se que grandes empresas e empresários lhe deram muito dinheiro. E, o que é interessante, Wall Street entrou com 22 milhões de dólares, depois de ter recusado financiar Hillary Clinton. Ora, como todos temos lido e visto, os dedos acusadores da América e do Mundo têm apontado Wall Street como o alçapão onde se engendrou a crise financeira americana que se espalhou pelo mundo com crashes de bolsa, falências de bancos e indústrias, o que está originar uma taxa de desemprego nunca vista e um sofrimento inenarrável à humanidade.
Obama prometeu muito aos americanos, criou uma expectativa exagerada a seu respeito. E tem pela frente tarefas de meter medo, dentro e fora do território americano. Não duvido que tenha inteligência e vontade para resolver esses problemas, mas duvido que o possa fazer. Ao aceitar milhões para a sua campanha milionária, e arrasante, ficou nas mãos de quem pagou.
Se não cumprir o que eles querem, fica metido num grande sarilho. Mas se fizer a vontade aos pagantes e seus lobbies, tem de enfrentar multidões de pessoas decepcionadas e, o que é pior, de cabeça perdida.
Não sou eu apenas que penso assim. No país em que vivo, muitos o têm dito nas televisões e jornais. Tenho pena que seja assim, mas não estou surpreendida. Este é o jogo republicano, este é o drama das eleições presidenciais republicanas. Não unem, dividem.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Russia, Itália e Polónia

November 5 (RIA Novosti) - The placement of short-range tactical missiles near Poland would be the best response to U.S. missile plans for Europe, a Russian military analyst said on Wednesday.

November 6 (RIA Novosti) - Russia's Oboronprom Corporation and Italy's AgustaWestland signed on Thursday an agreement to set up a joint venture to assemble AW139 helicopters in Russia.

Dmitry Medvedev no dia da eleição de Obama

MOSCOW, November 5 (RIA Novosti) - Russian President Dmitry Medvedev delivered his first state of the nation address to both houses of parliament on Wednesday.
(...)

The Russian president said in his address:

- Georgia's military offensive on South Ossetia was a consequence of policies unilaterally followed by the U.S. administration
- Russia will not give up its role in the Caucasus
- pledged that the implementation of the country's strategic programs will continue on schedule
- Russia will deploy short-range Iskander missiles in its exclave of Kaliningrad next to Poland in response to U.S. missile plans for Europe
- Russia has cancelled plans to take three missile regiments out of service in the central part of the country, in response to the U.S. missile shield plans for Europe
- Russia will use electronic warfare to counteract the U.S. missile shield
...
- the ongoing global economic crisis is no reason to nationalize domestic industries and banks
- Russia has sent its proposals on reforming the global economic system to the G20 nations
- Russia should adopt legislation on establishing the country as a global financial center by the end of the year
- Russia will continue its efforts to settle the post-Soviet conflicts over Nagorny Karabakh and Transdnestr
...
- urged a switch to the ruble in payments for gas and oil supplies
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terça-feira, novembro 04, 2008

A importância da melanina

Dentro de poucas horas será decerto anunciado que Obama será o próximo presidente dos Estados Unidos da América.

Quem lê habitualmente este espaço, sabe que por diversas vezes foi aqui referida a muito provável eleição de Obama. A sua escolha pela oligarquia financeira começou a tornar-se-nos plausível no Verão de 2007, quando se tornou conhecida a intenção americana de acelerar a instalação do seu comando militar africano. A circunstância de, nessa altura, a influente revista Foreign Affairs ter aberto a apresentação dos "presidenciáveis" com Obama, não nos passou naturalmente despercebida. Acresce que a América tem estado em guerra e o presidente é o comandante-chefe de umas tropas cada vez mais afro-americanas, em especial entre os combatentes expedicionários.

Depois de haver claros sinais de que a oligarquia tinha escolhido o seu candidato presidencial, é claro que sempre podiam surgir imprevistos, como um assassinato, um acidente, ou uma doença súbita. Tal não aconteceu, porém, e com os dólares a cairem copiosamente no regaço de Obama, e a grande imprensa de serviço a cumprir o seu papel, chegámos ao dia de hoje, sem margem para dúvida acerca de quem será o próximo presidente. Com os americanos ainda a dirigirem-se para as urnas, uma vez mais se destaca a CNN na propaganda, com Christiane Amanpour a celebrar já a vitória, dizendo, com grande exuberância, que esta eleição mudará o mundo.

Não é certo que Obama queira ou possa mudar o mundo. Obama irá decerto limitar-se a fazer o que os outros presidentes sempre fizeram: dirá o melhor que souber os discursos que lhe mandarem dizer.

Nos dois últimos séculos, tem sido absolutamente indiferente a personalidade dos presidentes americanos. Quem sempre tem mandado na América é a referida oligarquia. Ontem escolheu Bush, tal como hoje escolhe Obama. Dispondo dos dois partidos políticos do seu sistema político (o partido republicano e o partido democrático), tem sido verdadeiramente de somenos a pessoa que sobe ao palco para o desempenho presidencial. Em regra, seja na América, seja em Portugal, não são os presidentes quem manda nas sociedades de accionistas que dominam os partidos políticos. Mas é sempre preciso encontrar alguém que vista a pele de uma mudança, de uma "esperança", sob pena de falência do sistema oligarquico.

Com a eleição de Obama, os oligarcas americanos, aqueles que tantos dólares gastaram para o fazer eleger, esperam manter o domínio sobre as forças armadas e vencer a presente guerra pelo domínio da Eurásia; com o Cáucaso, o Médio Oriente e o Northern Tier em ebulição, não se podem dar ao luxo de perder o controlo sobre o continente africano, o seu último reduto de segurança estratégica.

Eis porque, desta vez, na escolha de Obama se foi um pouco além do sempre necessário bom desempenho em palco. A circunstância de Obama memorizar e reproduzir sem grandes falhas discursos de várias páginas, ajudou, mas não foi determinante. O critério da escolha esteve precisamente na cor da sua pele. A pigmentação da pele do presidente americano adquire hoje importância política e geopolítica. E este é um facto que pode na verdade vir a marcar a entrada do mundo num novo ciclo histórico. A pigmentação da pele do presidente americano é bem um elemento capaz de libertar dinâmicas que, tarde ou cedo, acabarão por condicionar a história do mundo.

Apesar da 2ª República Portuguesa ter importado da Europa o erro colonialista que levou à sua expulsão de África, na Nação Portuguesa permanece ainda forte um ideal e uma prática multiracial, cultivada durante séculos. Eis porque os portugueses, ao menos em termos de melanina, estão bem apetrechados para enfrentar os desafios que aí vêm.

Monges no Mosteiro de Alcobaça?

A IGREJA, UNÂNIME, DIZ QUE SIM

Pediram-me, como velho amigo que sou dos monges de Cister, a minha opinião sobre o Movimento, surgido há pouco, que defende a ideia do regresso destes monges ao Mosteiro de Alcobaça.
Respondo o seguinte : Pouco sei e pouco posso dizer deste Movimento, cuja existência só agora me foi revelada, mas que merece, obviamente, pelos seus objectivos, toda a minha simpatia. Não conheço a maioria das pessoas que o encabeçam. Encontrei-me, uma ou duas vezes, com o Dr. Paulo Bernardino, uma pessoa de invulgar inteligência e grandes preocupações sociais. Do Prof. Dr. Mendo Castro Henriques, que foi meu brilhante aluno na Faculdade de Letras de Lisboa, há mais tempo ainda, guardo as melhores recordações. As outras pessoas, nunca as encontrei.
Em Setembro de 2007, numa « Carta aberta » dirigida ao Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, publicada no jornal O Alcoa, também eu expus a mesma ideia e as razões pelas quais o regresso dos monges se me afigurava, de facto, necessário e, até, urgente. Nessa « Carta aberta » dei ainda algumas indicações para, na minha modesta opinião, se conseguir essa finalidade mais rapidamente.
Pelo que li, o Movimento defende, grosso modo, a mesma estratégia. Só posso, pois, estar feliz por ver que a ideia do regresso dos monges tem caminhado fundo nalguns espíritos mais sensíveis a certas realidades de ordem espiritual.

A IGREJA APOIA O PROJECTO

Posso acrescentar que a hierarquia da Igreja apoia inequivocamente o projecto.
Em carta que me dirigiu recentemente, em nome do Sr. Cardeal Patriarca, D. Anacleto de Oliveira, bispo auxiliar de Lisboa encarregado da Região do Oeste, escrevia o seguinte :

« Antes de mais, sinto-me no dever de agradecer a V. Ex.a o persistente empenho com que está a lutar por uma causa a que a Igreja Diocesana de Lisboa de modo algum pode ficar alheia. Todos os seus responsáveis estão sumamente interessados no regresso dos Cistercienses a Alcobaça. Nos tempos e “ ventos ” que correm e que V. Ex.a tão bem refere, a sua presença poderá ser um purificador sopro do Espírito, para uma desejada e necessária renovação da Igreja entre nós e, por ela, da nossa sociedade. Bem haja, pois, pelo que tem escrito. Sem “ teimosos ” dificilmente se vence uma causa. »

E D. Anacleto acrescentava :

« Vou, entretanto, sabendo que não está só. Para além dos responsáveis da Igreja, ao nível diocesano e local, outras pessoas, directa ou indirectamente ligadas a Alcobaça, se manifestaram interessadas em apoiar aquilo a que já me atreveria a apelidar de campanha. Se ainda o não é, convém que o seja. »

É muito importante este apoio dos responsáveis da Igreja. Não somente é importante como é indispensável e condiciona tudo o resto.
A hierarquia da Igreja está, pois, perfeitamente consciente de que Portugal católico não se reduz a Fátima, e que, na luta tremenda que trava contra as forças da descristianização e do ateísmo, importa reforçar e revitalizar quanto antes os pontos de apoio tradicionais. Entre estes pontos de apoio tradicionais, Alcobaça é um dos mais importantes, talvez o maior, um dos mais emblemáticos em todo o caso, e um dos mais carregados de simbolismo e de história devido à qualidade dos seus fundadores e dos grandes homens que nele viveram.

MARAVILHA DA FÉ CATÓLICA

Alcobaça, antes de ser uma maravilha da arte que atrai visitantes e peregrinos do mundo inteiro, é uma maravilha da Fé católica.
As patranhas sórdidas (« templo da gula », « indivíduos boçais », etc.) espalhadas por patifes, e que criaram raízes nalguns sectores menos instruídos da sociedade, para justificar, primeiro, a extinção do Mosteiro e a expulsão dos seus monges, e, depois, a sua profanação, nunca conseguirão destruir esta realidade.
De resto, estas calúnias são um bom indício do atraso cultural, do provincianismo e, até, do fanatismo de quem as profere.
Que interesse têm certos indivíduos, evidentemente conluiados entre si, em denegrir e ridicularizar tudo o que há de mais belo, de mais nobre, de mais sagrado na história de Portugal ?
Qual é o gozo ? Onde é que isto os leva ?
Um dia, Unamuno chamou aos portugueses « um povo de suicidas ».
Será que tinha razão ?
Em todo o caso, D. Afonso Henriques e São Bernardo não fundaram Alcobaça para servir de cartaz publicitário ou de estendal comercial a marcas de cerveja ou de móveis, ou de carros, ou a promotores imobiliários.
Não fundaram Alcobaça para, no claustro e no refeitório, se passearem cavalos ou, à porta da igreja, se exibirem charlatães.
Não fundaram Alcobaça para, dentro da igreja, se venderem garrafas de álcool ou, como se viu, não há muito, na ala sul, cuecas e soutiens…
Também não fundaram Alcobaça para ser transformado em hotel de luxo (ou de charme — daí, provavelmente, as cuecas e soutiens…) para ricaços, com discotecas, piscinas e dependências especializadas. O luxo ! A farra ! A bambocha ! As mil e uma noites ! Este sonho desvairado de novos ricos, de pequenos burgueses desmiolados, estonteados pelo poder sem limite e pelo dinheiro sem controle, esquecidos do papel singular de Portugal no Mundo e do lugar único de Alcobaça na Cristandade…
Uma última palavra : estou intimamente convicto que São Bernardo não abandonou Alcobaça e que o dia se aproxima — e disso é sinal claro o surgimento deste Movimento — em que o seu Mosteiro voltará a ser o que sempre foi até 1834 : uma « oficina das boas obras », uma « escola do serviço do Senhor », um lugar santo onde o Deus de Amor será de novo louvado, adorado, glorificado sobre todas as coisas, para bem de todos nós e dos que depois de nós vierem.
Por isso, com os responsáveis da Igreja, encorajo todos os Alcobacenses fiéis à sua Fé e a uma ideia superior de Portugal a congregarem-se em torno daquele Movimento e a darem-lhe o seu abnegado e indefectível apoio.
Até ao regresso dos monges.
E também depois !


Prof. Dr. Gérard Leroux

Antigo Professor Assistente da Faculdade de Letras de Lisboa

quarta-feira, outubro 08, 2008

Casamento da Rússia com a Alemanha?

Este ano, o FMI não incluiu a Rússia e a Alemanha no quadro (aqui reproduzido) das suas previsões para 2009. Para o FMI, estarão os dois já a viver em união de facto? Numa união com consequências de todo imprevisíveis?


Milhares de cristãos perseguidos na Índia

Na Índia, a violência contra os cristãos voltou a explodir este Verão, tendo já um saldo aterrador: 60 mortos, 18 mil feridos, 178 Igrejas e mais de 4600 casas destruídas, incluindo escolas e centros sociais. Cerca de 50 mil cristãos terão já abandonados as suas comunidades, procurando refugio em campos protegidos ou nas florestas.

Os fanáticos hindus repetem na Índia as acusações que outros fanáticos anti-cristãos têm lançado noutros locais e períodos históricos: os cristãos estariam a realizar conversões forçadas entre os pobres.

No caso da Índia, o efeito da pregação cristã é devastador para o sistema social e religioso hindu. Ao pregarem a igualdade entre os homens, os cristãos põem em causa a estrutura social piramidal das castas, fundamento das hierarquias sociais hindus.



http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/207048?eng=y


quinta-feira, outubro 02, 2008

Pequim



A imprensa está hoje saturada com prognósticos económicos e financeiros muito pessimistas. François Fillon, primeiro-ministro francês, detém já o record ao dizer que o mundo enfrenta a pior crise financeira desde o crash de 1929. Em lugar de destaque na BBC londrina, o dr. Roubini -“Dr. Doom”, como é conhecido em Nova Iorque - não desarma, continuando a profetizar para amanhã "o fim do império americano".

Deve ser atribuída credibilidade a estes profetas da desgraça? Os números disponíveis indicam que os Estados Unidos e os grandes da Zona Euro poderão estar a entrar em recessão. Mas será a próxima recessão equivalente à depressão dos anos 30?

Nos anos 30, a recessão precedeu as falências dos bancos. Estamos em situação inversa, com a economia mundial a crescer perto dos 4%. Hoje, é uma certa classe política quem está a lançar o pessimismo e quem está a estatizar o mercado. Até agora, apenas foi permitida uma falência, no que mais parece ter sido a criação de um bode expiatório. Hoje, é o estado americano quem decide quem deve ou não deve sobreviver.

Verificados os dados disponíveis, é possível começar a falar-se de recessão em alguns países do ocidente, mas por enquanto numa recessão menos grave do que a dos anos 80. Uma pergunta se impõe: porque é que os Paulson e os Fillon estão a semear tanto alarmismo? Com que objectivo se tem estado a orquestrar o que bem pode vir a transformar-se numa catástrofe financeira e numa verdadeira recessão, se não mesmo numa depressão?

A Rússia está a ser penalizada e dentro do império americano os dados parecem claros: estamos a assistir à maior transferência de dinheiro e de poder da sua história. Não tem essa transferência de poder outras implicações externas? Uma outra pergunta, inquietante, não pode deixar de se colocar: como é que vão reagir os países da Organização de Cooperação de Xangai?

Morgan Stanley - um dos gatos que mais tem estado a engordar com a actual "crise financeira" em Wall Street - não esconde a sua ansiedade .

Outra incógnita está na União Europeia, com o Euro a ser colocado à beira do abismo.

Em Washington, creio que os olhos estão postos em Xangai e, sobretudo, em Pequim. Da resposta de Pequim ao problema de Wall Street pode vir a depender a dimensão do desastre financeiro e económico nos Estados Unidos e, por extensão, na Europa. Até onde irão cair os grandes da União Europeia? Até quando se manterá o Euro?

Nos tempos mais próximos, iremos decerto assistir ao desdobrar do "plano Roubini", a começar por uma concertada descida geral das taxas de juros. Afinal, não foi Roubini quem "previu" tudo isto em Fevereiro passado?  

Lá mais para diante, quando a "equipa Obama" tiver garantida a posse na Casa Branca, o tema da crise financeira vai decerto desaparecer dos noticiários... se Pequim o permitir.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Os Rumores e a (In)utilidade da História

Surgem rumores de que está em curso uma guerra financeira entre americanos e russos.
Face ao mais recente comportamento dos actuais dirigentes políticos alemães, seria caso para perguntar se a Alemanha se vai colocar uma vez mais ao lado Rússia; se não estará em execução uma espécie de novo "pacto germânico-soviético"?

Enquanto chegam más notícias da China - the key issue - Don Drummond faz as seguintes previsões em tempo de incerteza:

FORECASTING IN UNCERTAIN TIMES

September 25, 2008

The global financial system has suffered a severe and virtually unprecedented blow in recent weeks, leading to the failure, bail-out or acquisition of a number of large and venerable institutions. Events have taken the U.S. economy and indeed the world economy to that proverbial “fork in the road”. Very recent market events highlight the extreme uncertainty among investors as to which path will be taken. Markets around the world crashed following the September 13-14th weekend of financial horror that saw Lehman Brothers file for bankruptcy and Merrill Lynch sold to Bank of America. The massive U.S. government support package for AIG didn’t go far in lifting the gloom. Clearly the market assessment was that economies would go down a path to ruin. But then rumours of still bolder U.S. government action to come led to massive rallies September 18th and 19th. Markets were voting with their money that the path forward would lead to a much brighter place. It is in this environment of extreme uncertainty that we are updating our economic forecast. It is with some comfort that we note that as shocking as recent financial events have been, their general nature has hardly been surprising given the economic and financial imbalances that had developed in the first half of the decade. None of the events in recent weeks have altered the core beliefs that have shaped our economic outlook over the past two years:

  • U.S. housing prices would fall until a large number of households conclude housing is a bargain
  • Housing price declines would cause stress to household and financial institution balance sheets
  • Credit would be tight and remain expensive despite rate cuts of central banks
  • U.S. consumption would weaken with a short lag after housing prices started to fall
  • The notion that the economies of the rest of the world would completely “de-couple” from the U.S. economy was bogus and the global economy would experience a material slowing
  • Slackening world growth along with some supply responses would bring commodity prices down, at least temporarily
  • Lower commodity prices and building slack would cap inflation pressures in most countries and prove that the sudden and shrill concerns over inflation were unfounded

The basic storyline flowing from these beliefs has recently been falling into place. So, we will retain our fundamental economic assumptions. The question is then under these assumptions, what path are the world’s economies most likely to follow? Over the next twelve months, we believe home prices will have bottomed, the cost of funds to financial institutions will have fallen, the worst in institutional failures will be in the rear view mirror, and the process of recapitalizing the financial system will be well underway. However, don’t expect a return to the status quo; at least as we had come to understand that condition prior to the summer of 2007. In all probability, the cost of financing will remain higher than the inappropriately low levels that prevailed earlier in the decade. In addition, while the balance sheets of financial firms will be much improved, they will likely also be far less leveraged than in the past, which means less availability of credit. Under these assumptions, the financial constraints on the real economy will gradually abate, but a convincing and sustainable recovery in consumption and investment won’t necessarily materialize until 2010.

The bottom line is that the path forward for economies from this “fork in the road” will look much like the one we have described in previous forecasts. Economies will, however, be slightly weaker. And the fact that economies have never quite been in this place before makes the degree of uncertainty over any point forecast much higher than normal.

History a poor guide to the future

Economists often look to past experience as a guide, but history is of limited use this time around. There have been financial calamities in the past, but nothing that quite mirrors the current financial crisis in scale and scope.

Some draw parallels between the current situation and the Great Depression. However, making this comparison is a stretch. First, the onset of the Great Depression owed to a tightening of monetary policy. The Fed raised rates in 1928 to stem what they deemed excessive speculation fuelling a stock market bubble. In contrast, over the past year the Fed has unquestionably pursued a loosening in financial conditions to inject liquidity into financial markets. Second, the Fed of the early 1930s abdicated its lender-of-last-resort responsibility, allowing widespread failure of banks and undermining confidence in the system. Bernanke’s Fed has lent aggressively and introduced new facilities to better target lending (see Box 1). Third, at the onset of the contraction in the Great Depression, the Fed failed to maintain price stability, inducing deflation. It later reaped what it sowed: policies of low nominal interest rates faced the “zero-bound” problem while deflationary expectations kept real interest rates high. Today, the Fed explicitly has price stability as a cornerstone of its mandate and the inflation outlook rightly factors in any rate decision. Central banks around the world have learned from the mistakes of the Great Depression, which is why we’re seeing more aggressive and coordinated efforts around the world to ensure the global financial system has access to sufficient funds to weather the crisis.

There are some disturbing similarities between today and the Japanese experience of a bursting real estate bubble in 1989 that left carnage in the Japanese financial system for much of the next decade. But again, guidance from this period is very limited. The Bank of Japan (BoJ) committed a similar policy error to that seen during the Great Depression. Due to concerns about re-inflating asset bubbles, the BoJ hiked rates 200 basis points after the stock market peaked and didn’t embark on an easing cycle until 18 months after asset prices were in decline. The central bank tried to play catch-up, pushing rates from 6% down to zero, but this rate adjustment came too late to restore market confidence. Initiatives were also not in place to promote a quick and necessary restructuring of the financial system. It wasn’t until 1998 that the government announced the Obuchi Plan to provide the equivalent of US$500 billion in public funds for loan losses, bank recapitalization and depositor protection.

The U.S. Savings and Loan Crisis (S&L) of the 1980s may be the most similar to the current situation. But, it was much smaller in scale, in part because it did not have the international reach of today’s financial crisis. During the S&L crisis, the government established a Resolution Trust Corporation (RTC) at just over $400 billion. The purpose was to purchase the bad debts of financial institutions and over time sell them back into the market as financial conditions improved. The RTC was able to sell over 95% of the assets they had initially seized with a recovery rate of over 85%. That left the taxpayer ultimately footing a bill of $124 billion, while corporations absorbed $29 billion in losses. The current financial crisis is carrying a bigger price tag. Corporate write-downs and losses have already mounted to over $500 billion, with about half of that being borne by non-American firms.

The U.S. government recently announced an S&L-style fund being dubbed TARP (Troubled Asset Relief Program), which, according to the most recent discussions, will make $700 billion available to purchase residential and commercial mortgage related assets or any other corporate assets deemed necessary to restore financial market operations. When adjusted for inflation, the RTC and TARP funds are similar in size, however, not when one considers the corporate losses that have already occurred in the current cycle in addition to other government initiatives such as placing Freddie Mac and Fannie Mae into conservatorship. The total public and private tally will greatly exceed that of the S&L crisis. While this may seem daunting, at this stage in the cycle, it is more important to head off a more painful deep and extended economic downturn by enacting measures that can quickly restore market confidence and financial market operations in order to prevent a complete freezing up of credit supply.

Go big or Go home

Two key lessons came out of these past experiences that the Fed and other global central bankers have learned well. Firstly, procrastination in easing monetary policy and pumping in liquidity is costly to the real economy. A lengthy period of financial institution failures and dysfunctional credit markets that chokes off credit availability ensures consumers and businesses pay the ultimate price. Secondly, liquidity injections by the central bank and government must be sufficiently larger than the underlying problem. Partial solutions generally just lead to that money being wasted, as market participants find loopholes and oversights. The problem of frozen or dysfunctional credit markets is not cured.

The Federal Reserve has taken aggressive action this time around to avoid the mistakes of the past. Box 1 highlights the liquidity measures put in place since the collapse of the first major U.S. financial institution – Bear Stearns – in mid-March. We believe the Fed is on the right track; however it is important to recognize that TARP and other measures will not act as a magic wand that will make the problems go away instantly.

U.S. will not return to business as usual

The RTC during the S&L crisis remained in existence for six years (until 1995). Although TARP will buy assets for only two years, that doesn’t mean it won’t be around for longer than that. The two years is just the acquisition phase. It may take a long time to dispose of the assets, as was the case in the post S&L phase.

In addition, even with the recent liquidity measures and a restoration in market confidence, it will not be business as usual in credit supply. Once again using the S&L episode as guidance, credit growth continued to slow dramatically two years after the RTC was in place and the economy still tipped into recession. We believe similar events will unfold in the current cycle, the TARP will take considerable time to have its full effect, and the U.S. economy will struggle to gain traction over the next year.

The increasingly bold action of the U.S. government and the central banks around the world has likely capped a lot of the downside risks. But the root problems haven’t gone away. The bad debt is being shifted from private institutions to public balance sheets and it will be easier to handle there. But, capital will still be in short supply for financial institutions and their cost of funds should come down but remain relatively high. Credit will still be tight and somewhat expensive. Further asset devaluation will arise as U.S. housing prices fall further. In order to pay for recent measures, the U.S. Treasury will have to issue a lot more debt in the short-term and that should push up yields.

The general shape of our September 2008 forecast is similar although marginally more pessimistic than that in June. The projection for U.S. real GDP in 2009 has been lowered only marginally by 0.1 percentage points to 1.1%. In 2010, U.S. economic growth finally starts to recover, but only back to 3.2%, as opposed to the traditional 4-5% pops in growth that follow extended periods of economic weakness.

We’re all in this together

Much of the above has focused on the U.S. economy, but the financial turmoil is in fact a global event and the weakness in the U.S. is being transmitted abroad. In recognition of this, global economic growth for next year has been reduced by 0.3 percentage points to 2.9% in 2009, which implies a mild world recession, but the tide turns in 2010 with a recovery to 4.2%. The downgrade in 2009 reflects the fact that several economies are already in or on the brink of recession – U.K., Spain, Ireland, Italy, Japan, U.S., Germany, and France. We have argued for more than a year that speculation of a global ‘decoupling’ from the U.S. recession would be disappointed. This has now occurred and it has led to the commodity price correction for which we were calling.

All of these developments have profound implications for the Canadian economy. Three-quarters of Canadian international trade is with the U.S. And two of Canada’s largest export markets — forestry products and autos — are the most vulnerable to housing and consumption weakness south of the border. Almost a third of Canadian corporate funding comes from the U.S. market so credit tightness there has a direct impact here. The cost to Canadian financial institutions to raise funds has also soared, just not to the full extent as for U.S. banks. Lower commodity prices will reverse much of the extraordinary income gains of recent years, particularly in Western Canada. And if the cross-border effects were not enough, there are some domestic headwinds. Notably, while not crashing American style, Canadian real estate has come off the boil. It is almost inconceivable that painful adjustments in our manufacturing sector have been completed. In all, these factors lead us to a profile for the Canadian economy that resembles the American. Essentially, more sideways movement on output with only a shallow recovery in late 2009. Our forecast for Canadian real GDP growth was edged down to 0.7% (from 1.0%) for 2008, while the 2009 forecast is 1.2%. In 2010, a meaningful economic recovery finally takes hold with 2.7% growth.

Conclusion

We have been on the pessimistic side of the “consensus” of publicly available forecasts for some time. Perhaps a key distinguishing feature was our focus on credit conditions and the probability that they would remain tight. Neither the recent failure of large financial institutions nor the increasingly bold actions of Governments and central banks have caused us to fundamentally change our views. Recent financial events confirm the coming weakness in U.S. domestic demand. The reaction of policy authorities provides assurance that financial markets will not free fall, but it does not give an instantaneous or significant lift to economies being dragged down by the battered balance sheets of financial institutions, households and increasingly, governments. On balance, our September 2008 forecasts are similar in shape but slightly weaker on growth prospects than our previous outlook of June.

Since credit conditions are front and centre in determining our outlook, recent events do widen the range of uncertainty around a point forecast. Confidence and financial stability could be restored sooner than we imagine, leading to an earlier and sharper recovery. However, just as likely in our view is that the financial sector woes and the interaction with the economy will prove more intractable than we have assumed. In other words, the risks to the forecast are balanced. Like us, users of forecasts will have to pay extraordinary attention to economic and policy developments to determine what course will be taken through these unchartered waters. Scenarios must be considered. We will shortly publish thoughts on these. But for now, key elements of our storyline are falling in place and our base case is sticking rather closely to the views we presented in June.

Don Drummond


HIGHLIGHTS

• Over the next 12 months, home prices will have
bottomed, the cost of funds to financial institutions
will have fallen, the worst in institutional
failures will be in the rear view mirror, and the
process of recapitalizing the financial system
will be well underway ...
• ...but don’t expect a return to the status quo.
• Relative to the past decade, the cost of financing
will remain higher and less credit will be
available.
• A convincing and sustainable recovery in consumption
and investment won’t materialize in
the U.S. until 2010.
• The world economy will be in a mild recession
in 2009 before bouncing back in 2010.

terça-feira, setembro 23, 2008

The new global oligarchic system


We are witnessing the greatest transfer of wealth in world history. 

One name emerged: Henry Paulson, the United States Secretary of the Treasury. Paulson is fifth in the presidential line of succession but with absolute powers, including judicial immunity. He gave himself another power when he urged swift action on a plan to buy illiquid mortgage-linked securities and avoid severe spill over effects on the financial markets: the power to take hostages. Section 8 of the
Paulson proposal reads: "Decisions by the Secretary pursuant to the authority of this Act are non-reviewable and committed to agency discretion, and may not be reviewed by any court of law or any administrative agency.


The blackmail is in place and Paulson is not alone. There are some other names to register:



All people listed above are Alumni of Goldman Sachs.


David Brooks ("The Establishment Lives!", The New York Times), had a glimpse of what comes next:


"
Paulson rescue plan is one chapter. But there will be others. Over the next few years, the U.S. will have to climb out from under mountainous piles of debt. Many predict a long, gray recession. The country will not turn to free-market supply-siders. Nor will it turn to left-wing populists. It will turn to the safe heads from the investment banks. For Republicans, people like Paulson. For Democrats, the guiding lights will be those establishment figures who advised Barack Obama last week — including Volcker, Robert Rubin and Warren Buffett.

(...)

If you wanted to devise a name for this (...), you might pick the phrase economist Arnold Kling has used: Progressive Corporatism. We’re not entering a phase in which government stands back and lets the chips fall. We’re not entering an era when the government pounds the powerful on behalf of the people. We’re entering an era of the educated establishment, in which government acts to create a stable — and often oligarchic — framework for capitalist endeavor."



This is also a good time to remember their old plan:

"We shall have World Government, whether or not we like it. The only question is whether World Government will be achieved by conquest or consent."

Quote by: 
James Paul Warburg (1896-1969), son of Paul Moritz Warburg, nephew of Felix Warburg and of Jacob Schiff, both of Kuhn, Loeb & Co. which poured millions into the Russian Revolution through James' brother Max, banker to the German government, Chairman of the CFR. Source: while speaking before the United States Senate, February 17, 1950.