Charles Dumas from Lombard Street Research said America's dependency on foreign money would carry a high price.
"The ultimate test will be whether this seriously jeopardizes the reserve currency role of the US dollar. China finances the US government. So as long as the Chinese are willing to accept an annual loss of 15pc on their holdings of US bonds in real yuan terms, this can go on, but the decision lies in Beijing. What is clear is that it will take the US decades to pay this off," he said.
This is the key issue.
Nos liberi sumus; Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt... [Nós somos livres; nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram...]
quinta-feira, setembro 18, 2008
The Key Issue
Publicada por
José Manuel Quintas
à(s)
quinta-feira, setembro 18, 2008
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segunda-feira, setembro 15, 2008
Wall Street
This makes perfect sense:
"The weak will be eaten. The strong will emerge stronger. It's Darwin. It's Adam Smith. The market will grow healthier from this pruning. The business is cyclical and blah, blah, blah. Cover your ears. You will be hearing it all week as people try to make sense of what's happened during the past 72 hours.
But the death of Lehman and the panic it has ignited on Wall Street underscores another truth: When it comes down to it, you're on your own, suckers. Investors have always been the ones to take on risks. Wall Street firms just like to profit from them.
It's the same lesson we learned in the stock market panics of 1907, 1929 and 1987; the scandals at Standard Oil, Drexel Burnham Lambert, Long-Term Capital Management and so many more.
Where did it go wrong? We kept giving them our money."
David Weidner
(Weidner covers Wall Street for MarketWatch.)
"The weak will be eaten. The strong will emerge stronger. It's Darwin. It's Adam Smith. The market will grow healthier from this pruning. The business is cyclical and blah, blah, blah. Cover your ears. You will be hearing it all week as people try to make sense of what's happened during the past 72 hours.
But the death of Lehman and the panic it has ignited on Wall Street underscores another truth: When it comes down to it, you're on your own, suckers. Investors have always been the ones to take on risks. Wall Street firms just like to profit from them.
It's the same lesson we learned in the stock market panics of 1907, 1929 and 1987; the scandals at Standard Oil, Drexel Burnham Lambert, Long-Term Capital Management and so many more.
Where did it go wrong? We kept giving them our money."
David Weidner
(Weidner covers Wall Street for MarketWatch.)
sexta-feira, setembro 12, 2008
711 Anos do Tratado de Alcanices
Em 12 de Setembro de 1297 foi assinado o Tratado de Alcanices, entre os soberanos de Portugal e Castela, que fixou a fronteira entre os dois Estados peninsulares com o reconhecimento da soberania portuguesa sobre os territórios e povoações de Riba-Côa, Ouguela, Campo Maior e Olivença.
Os limites então estabelecidos mantiveram-se até hoje, assim se constituindo a mais antiga e estabilizada fronteira nacional da Europa.
Todavia, em 1801, o Estado vizinho ocupou a vila portuguesa de Olivença, situação que se mantém desde então e apesar das determinações e acordos internacionais (designadamente o Tratado de Viena de 1815) e dos próprios compromissos assumidos pelo Estado espanhol.
Na passagem de 711 anos sobre o Tratado de Alcanices, o Grupo dos Amigos de Olivença lembra a ilegalidade em que se encontra aquela parcela de Portugal.
Esta associação - continuando o testemunho de tantos vultos que pugnaram pela portugalidade de Olivença, como Hipólito Raposo, Ventura Ledesma Abrantes, cidadão oliventino, Fernando Pessoa, Hernâni Cidade, Jaime Cortesão, Queiroz Veloso, Torquato de Sousa Soares, Humberto Delgado, Miguel Torga, Ricardo Rosa e Alberty - reclama-se, muito simplesmente, da posição jurídico-política portuguesa, consagrada constitucionalmente: Portugal não reconhece legitimidade na ocupação de Olivença por Espanha, considerando que o território é português de jure.
Sabida a delicadeza da Questão de Olivença no relacionamento peninsular, como ponto de fricção e causa de desconfianças e equívocos, o GAO entende que só a assunção aberta do diferendo pela diplomacia dos dois Estados peninsulares permitirá resolvê-lo com Justiça.
Entretanto, as Autoridades nacionais deverão assumir e levar por diante uma política de defesa e salvaguarda da Língua e da Cultura portuguesas em Olivença, contra a qual, decerto, não serão levantadas obstruções pelo Estado espanhol.
O Grupo dos Amigos de Olivença, exorta os portugueses, detentores da Soberania Nacional, a exigirem e sustentarem o reencontro com Olivença, repudiando dois séculos de separação e alheamento e dando satisfação à História, à Cultura, ao Direito e à Moral.
Lisboa, 10-09-2008.
SI/GAO
Os limites então estabelecidos mantiveram-se até hoje, assim se constituindo a mais antiga e estabilizada fronteira nacional da Europa.
Todavia, em 1801, o Estado vizinho ocupou a vila portuguesa de Olivença, situação que se mantém desde então e apesar das determinações e acordos internacionais (designadamente o Tratado de Viena de 1815) e dos próprios compromissos assumidos pelo Estado espanhol.
Na passagem de 711 anos sobre o Tratado de Alcanices, o Grupo dos Amigos de Olivença lembra a ilegalidade em que se encontra aquela parcela de Portugal.
Esta associação - continuando o testemunho de tantos vultos que pugnaram pela portugalidade de Olivença, como Hipólito Raposo, Ventura Ledesma Abrantes, cidadão oliventino, Fernando Pessoa, Hernâni Cidade, Jaime Cortesão, Queiroz Veloso, Torquato de Sousa Soares, Humberto Delgado, Miguel Torga, Ricardo Rosa e Alberty - reclama-se, muito simplesmente, da posição jurídico-política portuguesa, consagrada constitucionalmente: Portugal não reconhece legitimidade na ocupação de Olivença por Espanha, considerando que o território é português de jure.
Sabida a delicadeza da Questão de Olivença no relacionamento peninsular, como ponto de fricção e causa de desconfianças e equívocos, o GAO entende que só a assunção aberta do diferendo pela diplomacia dos dois Estados peninsulares permitirá resolvê-lo com Justiça.
Entretanto, as Autoridades nacionais deverão assumir e levar por diante uma política de defesa e salvaguarda da Língua e da Cultura portuguesas em Olivença, contra a qual, decerto, não serão levantadas obstruções pelo Estado espanhol.
O Grupo dos Amigos de Olivença, exorta os portugueses, detentores da Soberania Nacional, a exigirem e sustentarem o reencontro com Olivença, repudiando dois séculos de separação e alheamento e dando satisfação à História, à Cultura, ao Direito e à Moral.
Lisboa, 10-09-2008.
SI/GAO
terça-feira, setembro 09, 2008
5 de Outubro, 25 de Abril - Monarquias e Repúblicas
Há, decerto, vários tipos de "repúblicas", e ainda variações em cada um desses tipos.
Em algumas repúblicas distinguem-se claramente os poderes do parlamento e dos governos; noutras não.
Algumas repúblicas asseguram os direitos civis; outras não.
Algumas repúblicas realizam eleições livres; outras não.
Algumas repúblicas têm como chefe do Estado o chefe do governo; outras não.
Algumas repúblicas são controladas por militares; outras não.
Algumas repúblicas são controladas por um ou vários partidos políticos; outras não.
Algumas repúblicas são controladas por uma ou várias famílias ou clãs; outras não.
Algumas repúblicas são controladas por um ou vários sindicatos financeiros; outras não.
Em algumas repúblicas os poderes do Estado realmente exercidos são definidos pelas leis; noutras não.
Em algumas repúblicas, há presidentes com maiores poderes do que os primeiros-ministros dos monarcas absolutos do século XVIII; noutras não.
Este último ponto é fundamental. Por mais comparações que se façam entre as monarquias e as repúblicas, é forçoso concluir que na Europa actual o REPUBLICANISMO tanto pode ser praticado nas monarquias como nas repúblicas. E é ainda forçoso concluir que algumas repúblicas de fora da Europa são muito semelhantes às monarquias absolutas do século XVIII.
E, ainda a propósito, foi Lester B. Pearson, um primeiro-ministro do Canadá (de uma monarquia exemplarmente republicana) quem disse que nunca se tinha sentido tão «royal» (membro da realeza) como quando tinha visitado a "República Francesa". Creio que se percebe o sentimento de Pearson se nos lembrarmos que a França já teve presidentes que se tornaram monarcas-imperadores, como Napoleão III, ou, no dizer do Le Monde, "monarcas-presidentes" como o general Charles de Gaulle...
Foi isto o que me ocorreu ao ler o seguinte apontamento de Saldanha Sanches sobre o "5 de Outubro e o 25 de Abril". Obrigado, Fernanda Leitão, por esta oportuna sugestão de leitura:
O centenário do 5 de Outubro está próximo e as comemorações do 5 de Outubro - e em especial o cinquentenário da comemoração da República, que coincidiu com a decadência do salazarismo - foram marcos na resistência. Todos sabemos isso. A contraposição do regime democrático do princípio do século ao regime autoritário vigente funcionava como um argumento chave na narrativa democrática.
O 25 de Abril teve essa componente ideológica e essa componente institucional. A comparação entre as liberdades republicanas e o autoritarismo salazarista era uma parte essencial do discurso oposicionista. Aquilo que sobrava dos políticos republicanos (alguns aderiram ao novo regime) teve uma importância idêntica na construção de uma alternativa: sempre que havia eleições e possibilidade de agitação, o PCP agia com a cobertura dos veteranos da República e dos republicanos pós-república.
Mas - e este mas não é uma mera restrição secundária - o 25 de Abril serviu também para demonstrar o vazio democrático da República.
Comecemos pelo 5 de Outubro que conhecemos da reconstituição histórica e façamos a comparação com o 25 de Abril: a revolta republicana teve o apoio dos republicanos e de uma parte do movimento operário. Nada que possa comparar-se ao extraordinário apoio popular, a mobilização total da rua a que assistimos no 25 de Abril.
Para não falar do sufrágio universal (só depois do 25 de Abril) ou do fim daquela tradição monárquica das eleições saírem dos governos em vez dos governos saírem das eleições. Outra novidade absoluta da política portuguesa. Na República como na monarquia imperava o caciquismo propriamente dito (com donos de votos) e as chapeladas eleitorais eram moeda corrente. O Morgado das Perdizes sobreviveu (com novas formas) à implantação da República e as consultas ao eleitorado continuaram a ser dominadas e predeterminadas pela manipulação dos governos.
Tudo isto deve ser recordado quando se comemora a criação de um regime republicano em Portugal: um regime democrático cujas fragilidades e fraquezas estiveram na origem do regime salazarista que foi o seu sucessor imediato.
fonte:
http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/09/04/5-de-outubro-25-de-abril/
Em algumas repúblicas distinguem-se claramente os poderes do parlamento e dos governos; noutras não.
Algumas repúblicas asseguram os direitos civis; outras não.
Algumas repúblicas realizam eleições livres; outras não.
Algumas repúblicas têm como chefe do Estado o chefe do governo; outras não.
Algumas repúblicas são controladas por militares; outras não.
Algumas repúblicas são controladas por um ou vários partidos políticos; outras não.
Algumas repúblicas são controladas por uma ou várias famílias ou clãs; outras não.
Algumas repúblicas são controladas por um ou vários sindicatos financeiros; outras não.
Em algumas repúblicas os poderes do Estado realmente exercidos são definidos pelas leis; noutras não.
Em algumas repúblicas, há presidentes com maiores poderes do que os primeiros-ministros dos monarcas absolutos do século XVIII; noutras não.
Este último ponto é fundamental. Por mais comparações que se façam entre as monarquias e as repúblicas, é forçoso concluir que na Europa actual o REPUBLICANISMO tanto pode ser praticado nas monarquias como nas repúblicas. E é ainda forçoso concluir que algumas repúblicas de fora da Europa são muito semelhantes às monarquias absolutas do século XVIII.
E, ainda a propósito, foi Lester B. Pearson, um primeiro-ministro do Canadá (de uma monarquia exemplarmente republicana) quem disse que nunca se tinha sentido tão «royal» (membro da realeza) como quando tinha visitado a "República Francesa". Creio que se percebe o sentimento de Pearson se nos lembrarmos que a França já teve presidentes que se tornaram monarcas-imperadores, como Napoleão III, ou, no dizer do Le Monde, "monarcas-presidentes" como o general Charles de Gaulle...
Foi isto o que me ocorreu ao ler o seguinte apontamento de Saldanha Sanches sobre o "5 de Outubro e o 25 de Abril". Obrigado, Fernanda Leitão, por esta oportuna sugestão de leitura:
O centenário do 5 de Outubro está próximo e as comemorações do 5 de Outubro - e em especial o cinquentenário da comemoração da República, que coincidiu com a decadência do salazarismo - foram marcos na resistência. Todos sabemos isso. A contraposição do regime democrático do princípio do século ao regime autoritário vigente funcionava como um argumento chave na narrativa democrática.
O 25 de Abril teve essa componente ideológica e essa componente institucional. A comparação entre as liberdades republicanas e o autoritarismo salazarista era uma parte essencial do discurso oposicionista. Aquilo que sobrava dos políticos republicanos (alguns aderiram ao novo regime) teve uma importância idêntica na construção de uma alternativa: sempre que havia eleições e possibilidade de agitação, o PCP agia com a cobertura dos veteranos da República e dos republicanos pós-república.
Mas - e este mas não é uma mera restrição secundária - o 25 de Abril serviu também para demonstrar o vazio democrático da República.
Comecemos pelo 5 de Outubro que conhecemos da reconstituição histórica e façamos a comparação com o 25 de Abril: a revolta republicana teve o apoio dos republicanos e de uma parte do movimento operário. Nada que possa comparar-se ao extraordinário apoio popular, a mobilização total da rua a que assistimos no 25 de Abril.
Para não falar do sufrágio universal (só depois do 25 de Abril) ou do fim daquela tradição monárquica das eleições saírem dos governos em vez dos governos saírem das eleições. Outra novidade absoluta da política portuguesa. Na República como na monarquia imperava o caciquismo propriamente dito (com donos de votos) e as chapeladas eleitorais eram moeda corrente. O Morgado das Perdizes sobreviveu (com novas formas) à implantação da República e as consultas ao eleitorado continuaram a ser dominadas e predeterminadas pela manipulação dos governos.
Tudo isto deve ser recordado quando se comemora a criação de um regime republicano em Portugal: um regime democrático cujas fragilidades e fraquezas estiveram na origem do regime salazarista que foi o seu sucessor imediato.
fonte:
http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/09/04/5-de-outubro-25-de-abril/
terça-feira, setembro 02, 2008
Esperança ou mais do mesmo?
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Setembro, que por aqui começou num esplendor de sol e céu azul, traz uma colorida animação a Toronto: estão de volta os que foram de férias, cabendo lembrar que este é um país de emigrantes, e os estudantes regressam às aulas, num alarido de quem acaba de descobrir o mundo. Ficamos todos mais joviais ao cruzar com verdadeiras nuvens de crianças e jovens, com a suas mochilas modernaças, os seus skate board com que aproveitem até à última gota as correrias ao ar livre antes de vir o inverno, a neve, o gelo. Há uma brisa de esperança nestes últimos dias de verão.
Parece que, em Portugal, não é tanto assim, a avaliar pelos professores que ainda não foram colocados. Tanto quanto é dado perceber à distância, já há anos que o número de estudantes tem vindo a reduzir, por força do défice demográfico, e foram em grande número as escolas encerradas. Confesso-me surpreendida por não terem já sido absorvidos por outras profissões os professores excedentários já que, naturalmente, nem todos os portugueses podem ser funcionários públicos. Mas, em boa verdade se diga, se assim tivesse acontecido onde que é aquele senhor do bigode ia arranjar quem lhe compusesse as manifestações?
Também não é muito animado o ambiente escolar português no Norte da América, tantas são as dúvidas entaladas na garganta dos responsáveis depois de ter sido anunciado oficialmente que o ensino básico da Língua Portuguesa no estrangeiro passa para a tutela do Instituto Camões, o qual, por sua vez, já tem prometida uma refundação. Ou, em trocos miúdos, uma viragem da cabeça para os pés, de alto a baixo. Professores e pais mostram-se desconfiados por duas ordens de razões: porque o Instituto Camões, até agora, deu de si má imagem cá por estas bandas e porque, fartos de enfiar barretes, acham que isso da refundação é paleio de políticos a caminho de eleições.
O cepticismo aumenta quando, como é fatal nos fins de férias, fervem os encontros e os telefonemas. É que dos Estados Unidos da América vêm sinais de confusão, sobretudo porque acaba de ser nomeada uma coordenadora para a costa leste, sediada em Boston, que vem da África do Sul e é licenciada em Germânicas, quando é do conhecimento geral que, há mais de um ano, o Ministério da Educação pôs anúncios nos jornais a pedir que prestassem provas pessoas que estivessem interessadas no cargo de Coordenador de Língua Portuguesa para os Estados Unidos. Apresentaram-se três pessoas a concurso, sendo que uma delas é professora universitária de português e tem vasta obra publicada acerca do ensino básico da nossa língua no estrangeiro. Uma pessoa com vasta experiência, e idoneidade, ainda por cima com um grau em Harvard. O ME fez o mais completo silêncio e, nos meios académicos luso-americanos, diz-se que por ter ficado sem saber o que fazer, pois havia dois candidatos a quem era preciso levar ao colo por serem afilhados de uma governante dos Açores.
A ser assim, não seria a primeira vez que a governante em referência tentaria invadir terrenos que são pelouro do governo da República. E dou comigo a pensar que muito bem andou o presidente da República ao dar um murro na mesa em pleno Agosto.
Muito bem andará o primeiro ministro, também, se fizer o mesmo a membros do seu governo que se metem no que não são chamados, como o secretário de estado das Comunidades fez há tempos com o ME. Grande fascínio tem esta gente toda pela Língua Portuguesa e tão pouco, ou nada, por ela faz nestas terras da América. Pior: quando alguém é competente e honesto nesta matéria, mancomunam-se governantes com diplomatas intriguistas e tratam de sanear. E depois fazem substituições de remendo.
Dizem os dos Estados Unidos que o Canadá tem mais sorte. É verdade. Leva 11 anos de Coordenação competente, de trabalho árduo, de bom senso, de rectidão e bom trato, o que muito tem ajudado nas relações com as autoridades canadianas. Os professores de Português no Canadá têm tido sempre o maior apoio e nem se percebe o que estão a fazer associados aos professores dos Estados Unidos. É uma associação que só puxa a brasa à sardinha dos vizinhos do sul e que, somadas as contas, pelo menos com a actual direcção, mais se esforça por passeatas aos Açores, com os pretextos mais ridículos, do que com a qualidade do ensino.
Tudo somado, todos estão receosos de o Instituto Camões vir a dar mais do mesmo aos emigrantes, apesar da carta de despedida da antiga presidente que, pelos vistos, foi para a reforma convencida que salvou a Pátria.
por Fernanda Leitão
Setembro, que por aqui começou num esplendor de sol e céu azul, traz uma colorida animação a Toronto: estão de volta os que foram de férias, cabendo lembrar que este é um país de emigrantes, e os estudantes regressam às aulas, num alarido de quem acaba de descobrir o mundo. Ficamos todos mais joviais ao cruzar com verdadeiras nuvens de crianças e jovens, com a suas mochilas modernaças, os seus skate board com que aproveitem até à última gota as correrias ao ar livre antes de vir o inverno, a neve, o gelo. Há uma brisa de esperança nestes últimos dias de verão.
Parece que, em Portugal, não é tanto assim, a avaliar pelos professores que ainda não foram colocados. Tanto quanto é dado perceber à distância, já há anos que o número de estudantes tem vindo a reduzir, por força do défice demográfico, e foram em grande número as escolas encerradas. Confesso-me surpreendida por não terem já sido absorvidos por outras profissões os professores excedentários já que, naturalmente, nem todos os portugueses podem ser funcionários públicos. Mas, em boa verdade se diga, se assim tivesse acontecido onde que é aquele senhor do bigode ia arranjar quem lhe compusesse as manifestações?
Também não é muito animado o ambiente escolar português no Norte da América, tantas são as dúvidas entaladas na garganta dos responsáveis depois de ter sido anunciado oficialmente que o ensino básico da Língua Portuguesa no estrangeiro passa para a tutela do Instituto Camões, o qual, por sua vez, já tem prometida uma refundação. Ou, em trocos miúdos, uma viragem da cabeça para os pés, de alto a baixo. Professores e pais mostram-se desconfiados por duas ordens de razões: porque o Instituto Camões, até agora, deu de si má imagem cá por estas bandas e porque, fartos de enfiar barretes, acham que isso da refundação é paleio de políticos a caminho de eleições.
O cepticismo aumenta quando, como é fatal nos fins de férias, fervem os encontros e os telefonemas. É que dos Estados Unidos da América vêm sinais de confusão, sobretudo porque acaba de ser nomeada uma coordenadora para a costa leste, sediada em Boston, que vem da África do Sul e é licenciada em Germânicas, quando é do conhecimento geral que, há mais de um ano, o Ministério da Educação pôs anúncios nos jornais a pedir que prestassem provas pessoas que estivessem interessadas no cargo de Coordenador de Língua Portuguesa para os Estados Unidos. Apresentaram-se três pessoas a concurso, sendo que uma delas é professora universitária de português e tem vasta obra publicada acerca do ensino básico da nossa língua no estrangeiro. Uma pessoa com vasta experiência, e idoneidade, ainda por cima com um grau em Harvard. O ME fez o mais completo silêncio e, nos meios académicos luso-americanos, diz-se que por ter ficado sem saber o que fazer, pois havia dois candidatos a quem era preciso levar ao colo por serem afilhados de uma governante dos Açores.
A ser assim, não seria a primeira vez que a governante em referência tentaria invadir terrenos que são pelouro do governo da República. E dou comigo a pensar que muito bem andou o presidente da República ao dar um murro na mesa em pleno Agosto.
Muito bem andará o primeiro ministro, também, se fizer o mesmo a membros do seu governo que se metem no que não são chamados, como o secretário de estado das Comunidades fez há tempos com o ME. Grande fascínio tem esta gente toda pela Língua Portuguesa e tão pouco, ou nada, por ela faz nestas terras da América. Pior: quando alguém é competente e honesto nesta matéria, mancomunam-se governantes com diplomatas intriguistas e tratam de sanear. E depois fazem substituições de remendo.
Dizem os dos Estados Unidos que o Canadá tem mais sorte. É verdade. Leva 11 anos de Coordenação competente, de trabalho árduo, de bom senso, de rectidão e bom trato, o que muito tem ajudado nas relações com as autoridades canadianas. Os professores de Português no Canadá têm tido sempre o maior apoio e nem se percebe o que estão a fazer associados aos professores dos Estados Unidos. É uma associação que só puxa a brasa à sardinha dos vizinhos do sul e que, somadas as contas, pelo menos com a actual direcção, mais se esforça por passeatas aos Açores, com os pretextos mais ridículos, do que com a qualidade do ensino.
Tudo somado, todos estão receosos de o Instituto Camões vir a dar mais do mesmo aos emigrantes, apesar da carta de despedida da antiga presidente que, pelos vistos, foi para a reforma convencida que salvou a Pátria.
segunda-feira, agosto 25, 2008
Templários
CASTEL GANDOLFO, sexta-feira, 22 de Agosto de 2008 (ZENIT.org).- Os documentos originais do processo contra os templários, encontrados no Arquivo Secreto do Vaticano, demonstra que foram infundadas as acusações de heresia, ainda que constatem que eles viveram um processo de degradação, revelou «L’Osservatore Romano».
O jornal da Santa Sé publicou em 21 de agosto um artigo de Bárbara Frale, pesquisadora da Biblioteca Vaticana e autora de vários livros sobre o tema, no qual enfoca a ordem militar mais poderosa da Idade Média.
Em sua origem, os templários eram um grupo de voluntários que vivia no Santo Sepulcro, em Jerusalém, oferecendo suas capacidades como guerreiros para defender os peregrinos que viajavam para a Terra Santa.
Graças à mediação de São Bernardo de Claraval, o Papa Honório II aprovou a fundação da Ordem Templária no Concílio de Troyes de 1129.
«Em 50 anos, o Templo se converteu em uma espécie de rica multinacional ao serviço da cruzada», explica a autora.
Apresentando a falsa acusação de heresia, o rei da França, Felipe o Belo, a ponto de falir, buscou apropriar-se dos bens da ordem.
Para conseguir seu objetivo, o rei da França, em 1307, apoiou-se na Inquisição da França.
«A acusação era de heresia», segundo a ordem de detenção emitida pelo rei. «Os templários praticavam em segredo ritos pagãos e haviam abandonado a fé cristã.»
Segundo a pesquisadora, «graças a afortunados descobrimentos das atas conservadas no Arquivo Secreto Vaticano, hoje sabemos que a disciplina primitiva do Templo e seu espírito autêntico se haviam corrompido com o passar do tempo, caindo na decadência e deixando aberta a difusão dos maus costumes».
«Mas de nenhum modo se haviam convertido em hereges e o processo foi em definitivo um meio para apropriar-se de seu patrimônio», afirma a autora do artigo.
De fato, a detenção por parte de Felipe o Belo «era um ato totalmente ilegal, pois só o Papa tinha faculdade para investigar sobre uma ordem religiosa da Igreja de Roma, como era precisamente a do Templo», indica.
O Papa Clemente V (Bertrand de Got, 1305-1314) foi submetido à chantagem do rei, que ameaçou começar um cisma caso não suprimisse a ordem.
«O pontífice suprimiu a ordem sem pronunciar uma sentença – declara o jornal vaticano – e no Concílio de Viena de 1312 pediu que se declarasse nas atas que o processo não havia oferecido provas contrárias de heresia contra eles.»
«Sobre a história dos templários ainda há verdadeiramente muito que investigar. E o estudo da espiritualidade desta antiga ordem religiosa dará à cultura contemporânea outros novos motivos de discussão», anuncia a pesquisadora.
O jornal da Santa Sé publicou em 21 de agosto um artigo de Bárbara Frale, pesquisadora da Biblioteca Vaticana e autora de vários livros sobre o tema, no qual enfoca a ordem militar mais poderosa da Idade Média.
Em sua origem, os templários eram um grupo de voluntários que vivia no Santo Sepulcro, em Jerusalém, oferecendo suas capacidades como guerreiros para defender os peregrinos que viajavam para a Terra Santa.
Graças à mediação de São Bernardo de Claraval, o Papa Honório II aprovou a fundação da Ordem Templária no Concílio de Troyes de 1129.
«Em 50 anos, o Templo se converteu em uma espécie de rica multinacional ao serviço da cruzada», explica a autora.
Apresentando a falsa acusação de heresia, o rei da França, Felipe o Belo, a ponto de falir, buscou apropriar-se dos bens da ordem.
Para conseguir seu objetivo, o rei da França, em 1307, apoiou-se na Inquisição da França.
«A acusação era de heresia», segundo a ordem de detenção emitida pelo rei. «Os templários praticavam em segredo ritos pagãos e haviam abandonado a fé cristã.»
Segundo a pesquisadora, «graças a afortunados descobrimentos das atas conservadas no Arquivo Secreto Vaticano, hoje sabemos que a disciplina primitiva do Templo e seu espírito autêntico se haviam corrompido com o passar do tempo, caindo na decadência e deixando aberta a difusão dos maus costumes».
«Mas de nenhum modo se haviam convertido em hereges e o processo foi em definitivo um meio para apropriar-se de seu patrimônio», afirma a autora do artigo.
De fato, a detenção por parte de Felipe o Belo «era um ato totalmente ilegal, pois só o Papa tinha faculdade para investigar sobre uma ordem religiosa da Igreja de Roma, como era precisamente a do Templo», indica.
O Papa Clemente V (Bertrand de Got, 1305-1314) foi submetido à chantagem do rei, que ameaçou começar um cisma caso não suprimisse a ordem.
«O pontífice suprimiu a ordem sem pronunciar uma sentença – declara o jornal vaticano – e no Concílio de Viena de 1312 pediu que se declarasse nas atas que o processo não havia oferecido provas contrárias de heresia contra eles.»
«Sobre a história dos templários ainda há verdadeiramente muito que investigar. E o estudo da espiritualidade desta antiga ordem religiosa dará à cultura contemporânea outros novos motivos de discussão», anuncia a pesquisadora.
domingo, agosto 17, 2008
Os oleodutos que partem de Baku
A BP queixou-se... de interrupções nos fornecimentos.
http://ca.us.biz.yahoo.com/ap/080818/britain_georgia_oil.html?.v=1
http://ca.us.biz.yahoo.com/ap/080818/britain_georgia_oil.html?.v=1
quarta-feira, agosto 13, 2008
Um equívoco
Em Março, a América confrontou a Rússia com a aquisição do Kosovo, o que supunha, como se confirmou recentemente, que teriam também já adquirido a Sérvia. Depois de reflectir aqui sobre a arrogância de alguns americanos, deixámos a seguinte pergunta: "Onde está a porta de saída para a Rússia?"
Estando confirmado que a Rússia encontrou a porta de saída, importa desfazer um equívoco que tem estado agora a ser difundido em alguma imprensa - o de que estaríamos a voltar à "guerra fria". Creio tratar-se de um erro de paralaxe.
Em 1952, quando o "vento da História" do nacionalismo, soprando desde Rabat até Hanoi, foi proclamado por Eisenhower - secundado por Macmillan em 1960 a respeito da África Austral - a URSS e os EUA procuravam apresentar-se como os dois pólos de atracção global. A chamada "guerra fria" fazia sentido num mundo em que se disputavam as ideologias "socialista" e "capitalista" e, a par dos "ventos da história" do nacionalismo, cumpriu nas décadas seguintes o seu papel; sem a "guerra fria", não teria sido possível aos americanos e russos substituir os europeus na Ásia, Médio Oriente, Magrebe e África Austral; sem a "guerra fria", nem o Tratado de Roma (1957) teria sido possível. Em 1975, porém, a "guerra fria" começou a esgotar-se quando Portugal foi por fim expulso de África, ou seja, quando o imperialismo formal das velhas potências europeias cedeu por completo à livre competição dos novos imperialismos informais. Assim que se encerrou o parêntesis dos velhos imperialismos europeus, logo se voltou à guerra civil europeia iniciada em 1914: a guerra pelo domínio da Eurásia.
É numa nova guerra civil europeia que estamos vai para duas décadas. A "guerra fria" não terminou com a queda do "muro de Berlim". A "guerra fria" terminou quando Gorbatchov propôs às potências sobreviventes da velha Europa a construção de uma "Casa Comum” com a Rússia; a guerra fria terminou quando foram lançadas a perestroika e a glasnot, abrindo a via para a desagregação da URSS e para a reintrodução de velhos beligerantes no Velho Continente.
E foi sobre este Velho Continente, em cuja extremidade ocidental os americanos, em mais de cinco décadas, não conseguiram anular outros Estados nacionais além de Portugal, que, nos últimos vinte anos, começaram a soprar de novo os "ventos da história" do nacionalismo.
Na actual fase da guerra civil europeia, está vedada aos americanos uma política coerente de desmantelamento de Estados imperiais, como na conjuntura de 1914-18, ou de anulação de fortes poderes centrípetos, como na conjuntura de 1939-45. Como foi bem compreendido pelos russos, nesta nova fase da guerra, iria sobressair a fragilidade americana, forçada a seguir duas políticas de difícil conciliação: a leste, teria que estimular o nacionalismo com que fragmentaria e adquiria Estados e espaços económicos; mas, a oeste, não podia deixar de continuar a estimular o cosmopolitismo financeiro com que pretendia realizar a fusão dos Estados da velha Europa, impedindo a reemergência da França e da Grã-Bretanha.
O nacionalismo que os americanos estimulam a leste acaba por ter efeitos não desejados a oeste. E é a leste que os americanos acabam de confirmar, de forma humilhante, que existe uma parede russa bem mais forte e determinada do que supunham.
Do actual ambiente nacionalista europeu - reeditando de certo modo as conjunturas de 1848, 1870, e 1930 - pode resultar a desagregação da Espanha, mas só muito dificilmente resultará a "União Europeia" desejada pelos americanos. E sem a fusão da Alemanha e da França, e a anulação do Reino Unido, não é possível aos americanos satelizar um espaço onde se anulem as diferenciações estratégicas dos Estados da Velha Europa. E sem a tal "União Europeia" desejada pelos americanos (a que foi afinal aprovada no Tratado de Lisboa) não é possível constituir a "Comunidade Transatlântica", de Vancouver a Vladivostoque.
Porque é que a Rússia passou a responder agora à violência com a violência? Porque pode. E não será a actual NATO que a irá demover. Negligenciando o poder da Rússia e sem poder actuar de forma coerente, haverá decerto quem nos EUA esteja agora a tomar consciência do desastre estratégico em que se deixaram atolar.
Os conflitos russo-americanos em torno do Kosovo e da Ossétia do Sul revelam que a Rússia não aceita o plano americano da "Comunidade Transatlântica". A Rússia continua a ter outros planos e está agora a começar a lançar todo o seu peso estratégico sobre a Velha Europa. Na Ucrânia, falta ver se o pior não está ainda por chegar.
Por muito que isso possa custar aos descendentes de George F. Kennan, os EUA não têm pela frente uma reedição da "guerra fria". Passou já o tempo das simulações russo-americanas e das esferas de influência num mundo bipolar. Nas últimas duas décadas, tanto na ex-Jugoslávia, como no Iraque ou no Afeganistão, etc., a guerra tem sido "quente" e com o envolvimento de várias potências. Esta é uma guerra sem vencedores antecipados e fim à vista, podendo surgir a todo o momento as mais inesperadas alianças. Nesta guerra, as potências com pretensão ao domínio da Eurásia estão a jogar com todos os seus recursos, tanto tangíveis como intangíveis. E se Washington deixou já de ser o centro da meteorologia mundial, a verdade é que ainda não perdeu a guerra, nem parece disposta a perdê-la.
Estando confirmado que a Rússia encontrou a porta de saída, importa desfazer um equívoco que tem estado agora a ser difundido em alguma imprensa - o de que estaríamos a voltar à "guerra fria". Creio tratar-se de um erro de paralaxe.
Em 1952, quando o "vento da História" do nacionalismo, soprando desde Rabat até Hanoi, foi proclamado por Eisenhower - secundado por Macmillan em 1960 a respeito da África Austral - a URSS e os EUA procuravam apresentar-se como os dois pólos de atracção global. A chamada "guerra fria" fazia sentido num mundo em que se disputavam as ideologias "socialista" e "capitalista" e, a par dos "ventos da história" do nacionalismo, cumpriu nas décadas seguintes o seu papel; sem a "guerra fria", não teria sido possível aos americanos e russos substituir os europeus na Ásia, Médio Oriente, Magrebe e África Austral; sem a "guerra fria", nem o Tratado de Roma (1957) teria sido possível. Em 1975, porém, a "guerra fria" começou a esgotar-se quando Portugal foi por fim expulso de África, ou seja, quando o imperialismo formal das velhas potências europeias cedeu por completo à livre competição dos novos imperialismos informais. Assim que se encerrou o parêntesis dos velhos imperialismos europeus, logo se voltou à guerra civil europeia iniciada em 1914: a guerra pelo domínio da Eurásia.
É numa nova guerra civil europeia que estamos vai para duas décadas. A "guerra fria" não terminou com a queda do "muro de Berlim". A "guerra fria" terminou quando Gorbatchov propôs às potências sobreviventes da velha Europa a construção de uma "Casa Comum” com a Rússia; a guerra fria terminou quando foram lançadas a perestroika e a glasnot, abrindo a via para a desagregação da URSS e para a reintrodução de velhos beligerantes no Velho Continente.
E foi sobre este Velho Continente, em cuja extremidade ocidental os americanos, em mais de cinco décadas, não conseguiram anular outros Estados nacionais além de Portugal, que, nos últimos vinte anos, começaram a soprar de novo os "ventos da história" do nacionalismo.
Na actual fase da guerra civil europeia, está vedada aos americanos uma política coerente de desmantelamento de Estados imperiais, como na conjuntura de 1914-18, ou de anulação de fortes poderes centrípetos, como na conjuntura de 1939-45. Como foi bem compreendido pelos russos, nesta nova fase da guerra, iria sobressair a fragilidade americana, forçada a seguir duas políticas de difícil conciliação: a leste, teria que estimular o nacionalismo com que fragmentaria e adquiria Estados e espaços económicos; mas, a oeste, não podia deixar de continuar a estimular o cosmopolitismo financeiro com que pretendia realizar a fusão dos Estados da velha Europa, impedindo a reemergência da França e da Grã-Bretanha.
O nacionalismo que os americanos estimulam a leste acaba por ter efeitos não desejados a oeste. E é a leste que os americanos acabam de confirmar, de forma humilhante, que existe uma parede russa bem mais forte e determinada do que supunham.
Do actual ambiente nacionalista europeu - reeditando de certo modo as conjunturas de 1848, 1870, e 1930 - pode resultar a desagregação da Espanha, mas só muito dificilmente resultará a "União Europeia" desejada pelos americanos. E sem a fusão da Alemanha e da França, e a anulação do Reino Unido, não é possível aos americanos satelizar um espaço onde se anulem as diferenciações estratégicas dos Estados da Velha Europa. E sem a tal "União Europeia" desejada pelos americanos (a que foi afinal aprovada no Tratado de Lisboa) não é possível constituir a "Comunidade Transatlântica", de Vancouver a Vladivostoque.
Porque é que a Rússia passou a responder agora à violência com a violência? Porque pode. E não será a actual NATO que a irá demover. Negligenciando o poder da Rússia e sem poder actuar de forma coerente, haverá decerto quem nos EUA esteja agora a tomar consciência do desastre estratégico em que se deixaram atolar.
Os conflitos russo-americanos em torno do Kosovo e da Ossétia do Sul revelam que a Rússia não aceita o plano americano da "Comunidade Transatlântica". A Rússia continua a ter outros planos e está agora a começar a lançar todo o seu peso estratégico sobre a Velha Europa. Na Ucrânia, falta ver se o pior não está ainda por chegar.
Por muito que isso possa custar aos descendentes de George F. Kennan, os EUA não têm pela frente uma reedição da "guerra fria". Passou já o tempo das simulações russo-americanas e das esferas de influência num mundo bipolar. Nas últimas duas décadas, tanto na ex-Jugoslávia, como no Iraque ou no Afeganistão, etc., a guerra tem sido "quente" e com o envolvimento de várias potências. Esta é uma guerra sem vencedores antecipados e fim à vista, podendo surgir a todo o momento as mais inesperadas alianças. Nesta guerra, as potências com pretensão ao domínio da Eurásia estão a jogar com todos os seus recursos, tanto tangíveis como intangíveis. E se Washington deixou já de ser o centro da meteorologia mundial, a verdade é que ainda não perdeu a guerra, nem parece disposta a perdê-la.
terça-feira, agosto 12, 2008
segunda-feira, agosto 04, 2008
domingo, julho 27, 2008
Família Real visita o Estado de Minas Gerais - Brasil

No dia 16 de Julho de 2008, o Governador Aécio Neves participou, às 11h, na cerimónia oficial do Dia do Estado de Minas Gerais. Neste dia, a capital de Minas Gerais foi transferida para Mariana, primeira cidade e primeira capital mineira. Durante o evento, que acontece na Praça Minas Gerais, realizou-se a entrega da Medalha do Dia de Minas Gerais. Neste ano, a comenda foi entregue a 47 personalidades e instituições e entre os agraciados deste ano estava S.A.R., O Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança. Durante a solenidade, O Duque de Bragança ofereceu ao Município de Mariana um quadro de Dona Maria Ana Josefa de Áustria, Mulher de Dom João V, e cujo nome deu origem ao nome da cidade. A obra é do século XIX. A solenidade de comemoração do Dia de Minas começou com a sinerata, quando os sinos das Igrejas de Mariana tocaram por 15 minutos em comemoração ao Dia de Minas Gerais. Em seguida, o Governador passou revista à tropa da Polícia Militar e cumprimentou as autoridades que o aguardavam na Praça Minas Gerais. Além do presidente do Congresso Nacional, estavam presentes o Prefeito de Mariana, Celso Cota Neto, O Duque de Bragança, Dom Duarte, e os Secretários de Fazenda, Simão Cirineu, de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, do Desenvolvimento Regional e Política Urbana, Dilzon Melo, da Cultura, Eleonora Santa Rosa e da Juventude e Desporto, Gustavo Côrrea. Logo após os cumprimentos, o governador assinou o acto de transferência simbólica da capital do Estado para a cidade de Mariana, que no dia 16, completou 312 anos. A Medalha Comemorativa do Dia do Estado de Minas Gerais foi instituída por Decreto Municipal, em 1980.
Discurso do Governador:
(...) Devo ao final, um agradecimento especial em nome de todos os mineiros das várias Minas, a Sua Alteza Real Dom Duarte de Bragança e a toda a sua família. Costumo dizer, Dom Duarte, que triste é aquele povo que não conhece a sua história porque ele, certamente, terá maiores dificuldades para construir o seu futuro. Sua Alteza, hoje, com extrema generosidade, em nome da Casa Real Portuguesa, nos entrega um retrato de Dona Maria Ana D’Austria. Quero dizer, neste instante, Sua Alteza Real, nos permite um reencontro com a nossa própria história. Não são apenas os mineiros de Mariana que levam o seu nome. São os mineiros de todas essas Minas Gerais, que se sentem hoje mais valorizados e, certamente, mais fiéis à belíssima construção que assistimos neste país para a contribuição dos portugueses.
O Duque de Bragança, Dom Duarte, acompanhado da Duquesa Dona Isabel de Herédia e dos Filhos, Dom Afonso de Santa Maria, Príncipe da Beira, Infante Dom Dinis de Bragança e Infanta Dona Maria Francisca de Bragança, entregou à cidade de Mariana um quadro com o rosto de Dona Maria Ana D´Austria, esposa de Dom João V, e cujo nome deu origem à cidade. A obra de arte, do século XIX, incorpora-se ao Património Histórico de Mariana.
O quadro foi transferido para o Rio de Janeiro através de um navio e posteriormente levado a Mariana. Em 1998, durante a visita à cidade, Dom Duarte de Bragança havia assumido o compromisso de doar o quadro.
Mariana. Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas encontraram ouro no ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Às suas margens, nasceu o arraial de Nossa Senhora do Carmo, que logo se transformou em um dos principais fornecedores deste minério para Portugal e, pouco tempo depois, tornou-se a primeira vila criada na então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Lá foi estabelecida também a primeira capital. Em 1745, por ordem do rei D. João V, a região foi elevada à cidade e nomeada Mariana – uma homenagem à rainha Maria Ana D’Austria, sua Mulher. Transformando-se no centro religioso do Estado, nesta mesma época a cidade passou a ser sede do primeiro bispado mineiro. Actualmente, Mariana guarda relíquias e casarios coloniais que contam parte da história do país. A cidade, integrante da Trilha dos Inconfidentes e do Circuito Estrada Real, foi tombada em 1945 como Monumento Nacional.
Publicada por
José Manuel Quintas
à(s)
domingo, julho 27, 2008
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sábado, julho 19, 2008
terça-feira, julho 15, 2008
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