CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Setembro, que por aqui começou num esplendor de sol e céu azul, traz uma colorida animação a Toronto: estão de volta os que foram de férias, cabendo lembrar que este é um país de emigrantes, e os estudantes regressam às aulas, num alarido de quem acaba de descobrir o mundo. Ficamos todos mais joviais ao cruzar com verdadeiras nuvens de crianças e jovens, com a suas mochilas modernaças, os seus skate board com que aproveitem até à última gota as correrias ao ar livre antes de vir o inverno, a neve, o gelo. Há uma brisa de esperança nestes últimos dias de verão.
Parece que, em Portugal, não é tanto assim, a avaliar pelos professores que ainda não foram colocados. Tanto quanto é dado perceber à distância, já há anos que o número de estudantes tem vindo a reduzir, por força do défice demográfico, e foram em grande número as escolas encerradas. Confesso-me surpreendida por não terem já sido absorvidos por outras profissões os professores excedentários já que, naturalmente, nem todos os portugueses podem ser funcionários públicos. Mas, em boa verdade se diga, se assim tivesse acontecido onde que é aquele senhor do bigode ia arranjar quem lhe compusesse as manifestações?
Também não é muito animado o ambiente escolar português no Norte da América, tantas são as dúvidas entaladas na garganta dos responsáveis depois de ter sido anunciado oficialmente que o ensino básico da Língua Portuguesa no estrangeiro passa para a tutela do Instituto Camões, o qual, por sua vez, já tem prometida uma refundação. Ou, em trocos miúdos, uma viragem da cabeça para os pés, de alto a baixo. Professores e pais mostram-se desconfiados por duas ordens de razões: porque o Instituto Camões, até agora, deu de si má imagem cá por estas bandas e porque, fartos de enfiar barretes, acham que isso da refundação é paleio de políticos a caminho de eleições.
O cepticismo aumenta quando, como é fatal nos fins de férias, fervem os encontros e os telefonemas. É que dos Estados Unidos da América vêm sinais de confusão, sobretudo porque acaba de ser nomeada uma coordenadora para a costa leste, sediada em Boston, que vem da África do Sul e é licenciada em Germânicas, quando é do conhecimento geral que, há mais de um ano, o Ministério da Educação pôs anúncios nos jornais a pedir que prestassem provas pessoas que estivessem interessadas no cargo de Coordenador de Língua Portuguesa para os Estados Unidos. Apresentaram-se três pessoas a concurso, sendo que uma delas é professora universitária de português e tem vasta obra publicada acerca do ensino básico da nossa língua no estrangeiro. Uma pessoa com vasta experiência, e idoneidade, ainda por cima com um grau em Harvard. O ME fez o mais completo silêncio e, nos meios académicos luso-americanos, diz-se que por ter ficado sem saber o que fazer, pois havia dois candidatos a quem era preciso levar ao colo por serem afilhados de uma governante dos Açores.
A ser assim, não seria a primeira vez que a governante em referência tentaria invadir terrenos que são pelouro do governo da República. E dou comigo a pensar que muito bem andou o presidente da República ao dar um murro na mesa em pleno Agosto.
Muito bem andará o primeiro ministro, também, se fizer o mesmo a membros do seu governo que se metem no que não são chamados, como o secretário de estado das Comunidades fez há tempos com o ME. Grande fascínio tem esta gente toda pela Língua Portuguesa e tão pouco, ou nada, por ela faz nestas terras da América. Pior: quando alguém é competente e honesto nesta matéria, mancomunam-se governantes com diplomatas intriguistas e tratam de sanear. E depois fazem substituições de remendo.
Dizem os dos Estados Unidos que o Canadá tem mais sorte. É verdade. Leva 11 anos de Coordenação competente, de trabalho árduo, de bom senso, de rectidão e bom trato, o que muito tem ajudado nas relações com as autoridades canadianas. Os professores de Português no Canadá têm tido sempre o maior apoio e nem se percebe o que estão a fazer associados aos professores dos Estados Unidos. É uma associação que só puxa a brasa à sardinha dos vizinhos do sul e que, somadas as contas, pelo menos com a actual direcção, mais se esforça por passeatas aos Açores, com os pretextos mais ridículos, do que com a qualidade do ensino.
Tudo somado, todos estão receosos de o Instituto Camões vir a dar mais do mesmo aos emigrantes, apesar da carta de despedida da antiga presidente que, pelos vistos, foi para a reforma convencida que salvou a Pátria.
Nos liberi sumus; Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt... [Nós somos livres; nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram...]
terça-feira, setembro 02, 2008
segunda-feira, agosto 25, 2008
Templários
CASTEL GANDOLFO, sexta-feira, 22 de Agosto de 2008 (ZENIT.org).- Os documentos originais do processo contra os templários, encontrados no Arquivo Secreto do Vaticano, demonstra que foram infundadas as acusações de heresia, ainda que constatem que eles viveram um processo de degradação, revelou «L’Osservatore Romano».
O jornal da Santa Sé publicou em 21 de agosto um artigo de Bárbara Frale, pesquisadora da Biblioteca Vaticana e autora de vários livros sobre o tema, no qual enfoca a ordem militar mais poderosa da Idade Média.
Em sua origem, os templários eram um grupo de voluntários que vivia no Santo Sepulcro, em Jerusalém, oferecendo suas capacidades como guerreiros para defender os peregrinos que viajavam para a Terra Santa.
Graças à mediação de São Bernardo de Claraval, o Papa Honório II aprovou a fundação da Ordem Templária no Concílio de Troyes de 1129.
«Em 50 anos, o Templo se converteu em uma espécie de rica multinacional ao serviço da cruzada», explica a autora.
Apresentando a falsa acusação de heresia, o rei da França, Felipe o Belo, a ponto de falir, buscou apropriar-se dos bens da ordem.
Para conseguir seu objetivo, o rei da França, em 1307, apoiou-se na Inquisição da França.
«A acusação era de heresia», segundo a ordem de detenção emitida pelo rei. «Os templários praticavam em segredo ritos pagãos e haviam abandonado a fé cristã.»
Segundo a pesquisadora, «graças a afortunados descobrimentos das atas conservadas no Arquivo Secreto Vaticano, hoje sabemos que a disciplina primitiva do Templo e seu espírito autêntico se haviam corrompido com o passar do tempo, caindo na decadência e deixando aberta a difusão dos maus costumes».
«Mas de nenhum modo se haviam convertido em hereges e o processo foi em definitivo um meio para apropriar-se de seu patrimônio», afirma a autora do artigo.
De fato, a detenção por parte de Felipe o Belo «era um ato totalmente ilegal, pois só o Papa tinha faculdade para investigar sobre uma ordem religiosa da Igreja de Roma, como era precisamente a do Templo», indica.
O Papa Clemente V (Bertrand de Got, 1305-1314) foi submetido à chantagem do rei, que ameaçou começar um cisma caso não suprimisse a ordem.
«O pontífice suprimiu a ordem sem pronunciar uma sentença – declara o jornal vaticano – e no Concílio de Viena de 1312 pediu que se declarasse nas atas que o processo não havia oferecido provas contrárias de heresia contra eles.»
«Sobre a história dos templários ainda há verdadeiramente muito que investigar. E o estudo da espiritualidade desta antiga ordem religiosa dará à cultura contemporânea outros novos motivos de discussão», anuncia a pesquisadora.
O jornal da Santa Sé publicou em 21 de agosto um artigo de Bárbara Frale, pesquisadora da Biblioteca Vaticana e autora de vários livros sobre o tema, no qual enfoca a ordem militar mais poderosa da Idade Média.
Em sua origem, os templários eram um grupo de voluntários que vivia no Santo Sepulcro, em Jerusalém, oferecendo suas capacidades como guerreiros para defender os peregrinos que viajavam para a Terra Santa.
Graças à mediação de São Bernardo de Claraval, o Papa Honório II aprovou a fundação da Ordem Templária no Concílio de Troyes de 1129.
«Em 50 anos, o Templo se converteu em uma espécie de rica multinacional ao serviço da cruzada», explica a autora.
Apresentando a falsa acusação de heresia, o rei da França, Felipe o Belo, a ponto de falir, buscou apropriar-se dos bens da ordem.
Para conseguir seu objetivo, o rei da França, em 1307, apoiou-se na Inquisição da França.
«A acusação era de heresia», segundo a ordem de detenção emitida pelo rei. «Os templários praticavam em segredo ritos pagãos e haviam abandonado a fé cristã.»
Segundo a pesquisadora, «graças a afortunados descobrimentos das atas conservadas no Arquivo Secreto Vaticano, hoje sabemos que a disciplina primitiva do Templo e seu espírito autêntico se haviam corrompido com o passar do tempo, caindo na decadência e deixando aberta a difusão dos maus costumes».
«Mas de nenhum modo se haviam convertido em hereges e o processo foi em definitivo um meio para apropriar-se de seu patrimônio», afirma a autora do artigo.
De fato, a detenção por parte de Felipe o Belo «era um ato totalmente ilegal, pois só o Papa tinha faculdade para investigar sobre uma ordem religiosa da Igreja de Roma, como era precisamente a do Templo», indica.
O Papa Clemente V (Bertrand de Got, 1305-1314) foi submetido à chantagem do rei, que ameaçou começar um cisma caso não suprimisse a ordem.
«O pontífice suprimiu a ordem sem pronunciar uma sentença – declara o jornal vaticano – e no Concílio de Viena de 1312 pediu que se declarasse nas atas que o processo não havia oferecido provas contrárias de heresia contra eles.»
«Sobre a história dos templários ainda há verdadeiramente muito que investigar. E o estudo da espiritualidade desta antiga ordem religiosa dará à cultura contemporânea outros novos motivos de discussão», anuncia a pesquisadora.
domingo, agosto 17, 2008
Os oleodutos que partem de Baku
A BP queixou-se... de interrupções nos fornecimentos.
http://ca.us.biz.yahoo.com/ap/080818/britain_georgia_oil.html?.v=1
http://ca.us.biz.yahoo.com/ap/080818/britain_georgia_oil.html?.v=1
quarta-feira, agosto 13, 2008
Um equívoco
Em Março, a América confrontou a Rússia com a aquisição do Kosovo, o que supunha, como se confirmou recentemente, que teriam também já adquirido a Sérvia. Depois de reflectir aqui sobre a arrogância de alguns americanos, deixámos a seguinte pergunta: "Onde está a porta de saída para a Rússia?"
Estando confirmado que a Rússia encontrou a porta de saída, importa desfazer um equívoco que tem estado agora a ser difundido em alguma imprensa - o de que estaríamos a voltar à "guerra fria". Creio tratar-se de um erro de paralaxe.
Em 1952, quando o "vento da História" do nacionalismo, soprando desde Rabat até Hanoi, foi proclamado por Eisenhower - secundado por Macmillan em 1960 a respeito da África Austral - a URSS e os EUA procuravam apresentar-se como os dois pólos de atracção global. A chamada "guerra fria" fazia sentido num mundo em que se disputavam as ideologias "socialista" e "capitalista" e, a par dos "ventos da história" do nacionalismo, cumpriu nas décadas seguintes o seu papel; sem a "guerra fria", não teria sido possível aos americanos e russos substituir os europeus na Ásia, Médio Oriente, Magrebe e África Austral; sem a "guerra fria", nem o Tratado de Roma (1957) teria sido possível. Em 1975, porém, a "guerra fria" começou a esgotar-se quando Portugal foi por fim expulso de África, ou seja, quando o imperialismo formal das velhas potências europeias cedeu por completo à livre competição dos novos imperialismos informais. Assim que se encerrou o parêntesis dos velhos imperialismos europeus, logo se voltou à guerra civil europeia iniciada em 1914: a guerra pelo domínio da Eurásia.
É numa nova guerra civil europeia que estamos vai para duas décadas. A "guerra fria" não terminou com a queda do "muro de Berlim". A "guerra fria" terminou quando Gorbatchov propôs às potências sobreviventes da velha Europa a construção de uma "Casa Comum” com a Rússia; a guerra fria terminou quando foram lançadas a perestroika e a glasnot, abrindo a via para a desagregação da URSS e para a reintrodução de velhos beligerantes no Velho Continente.
E foi sobre este Velho Continente, em cuja extremidade ocidental os americanos, em mais de cinco décadas, não conseguiram anular outros Estados nacionais além de Portugal, que, nos últimos vinte anos, começaram a soprar de novo os "ventos da história" do nacionalismo.
Na actual fase da guerra civil europeia, está vedada aos americanos uma política coerente de desmantelamento de Estados imperiais, como na conjuntura de 1914-18, ou de anulação de fortes poderes centrípetos, como na conjuntura de 1939-45. Como foi bem compreendido pelos russos, nesta nova fase da guerra, iria sobressair a fragilidade americana, forçada a seguir duas políticas de difícil conciliação: a leste, teria que estimular o nacionalismo com que fragmentaria e adquiria Estados e espaços económicos; mas, a oeste, não podia deixar de continuar a estimular o cosmopolitismo financeiro com que pretendia realizar a fusão dos Estados da velha Europa, impedindo a reemergência da França e da Grã-Bretanha.
O nacionalismo que os americanos estimulam a leste acaba por ter efeitos não desejados a oeste. E é a leste que os americanos acabam de confirmar, de forma humilhante, que existe uma parede russa bem mais forte e determinada do que supunham.
Do actual ambiente nacionalista europeu - reeditando de certo modo as conjunturas de 1848, 1870, e 1930 - pode resultar a desagregação da Espanha, mas só muito dificilmente resultará a "União Europeia" desejada pelos americanos. E sem a fusão da Alemanha e da França, e a anulação do Reino Unido, não é possível aos americanos satelizar um espaço onde se anulem as diferenciações estratégicas dos Estados da Velha Europa. E sem a tal "União Europeia" desejada pelos americanos (a que foi afinal aprovada no Tratado de Lisboa) não é possível constituir a "Comunidade Transatlântica", de Vancouver a Vladivostoque.
Porque é que a Rússia passou a responder agora à violência com a violência? Porque pode. E não será a actual NATO que a irá demover. Negligenciando o poder da Rússia e sem poder actuar de forma coerente, haverá decerto quem nos EUA esteja agora a tomar consciência do desastre estratégico em que se deixaram atolar.
Os conflitos russo-americanos em torno do Kosovo e da Ossétia do Sul revelam que a Rússia não aceita o plano americano da "Comunidade Transatlântica". A Rússia continua a ter outros planos e está agora a começar a lançar todo o seu peso estratégico sobre a Velha Europa. Na Ucrânia, falta ver se o pior não está ainda por chegar.
Por muito que isso possa custar aos descendentes de George F. Kennan, os EUA não têm pela frente uma reedição da "guerra fria". Passou já o tempo das simulações russo-americanas e das esferas de influência num mundo bipolar. Nas últimas duas décadas, tanto na ex-Jugoslávia, como no Iraque ou no Afeganistão, etc., a guerra tem sido "quente" e com o envolvimento de várias potências. Esta é uma guerra sem vencedores antecipados e fim à vista, podendo surgir a todo o momento as mais inesperadas alianças. Nesta guerra, as potências com pretensão ao domínio da Eurásia estão a jogar com todos os seus recursos, tanto tangíveis como intangíveis. E se Washington deixou já de ser o centro da meteorologia mundial, a verdade é que ainda não perdeu a guerra, nem parece disposta a perdê-la.
Estando confirmado que a Rússia encontrou a porta de saída, importa desfazer um equívoco que tem estado agora a ser difundido em alguma imprensa - o de que estaríamos a voltar à "guerra fria". Creio tratar-se de um erro de paralaxe.
Em 1952, quando o "vento da História" do nacionalismo, soprando desde Rabat até Hanoi, foi proclamado por Eisenhower - secundado por Macmillan em 1960 a respeito da África Austral - a URSS e os EUA procuravam apresentar-se como os dois pólos de atracção global. A chamada "guerra fria" fazia sentido num mundo em que se disputavam as ideologias "socialista" e "capitalista" e, a par dos "ventos da história" do nacionalismo, cumpriu nas décadas seguintes o seu papel; sem a "guerra fria", não teria sido possível aos americanos e russos substituir os europeus na Ásia, Médio Oriente, Magrebe e África Austral; sem a "guerra fria", nem o Tratado de Roma (1957) teria sido possível. Em 1975, porém, a "guerra fria" começou a esgotar-se quando Portugal foi por fim expulso de África, ou seja, quando o imperialismo formal das velhas potências europeias cedeu por completo à livre competição dos novos imperialismos informais. Assim que se encerrou o parêntesis dos velhos imperialismos europeus, logo se voltou à guerra civil europeia iniciada em 1914: a guerra pelo domínio da Eurásia.
É numa nova guerra civil europeia que estamos vai para duas décadas. A "guerra fria" não terminou com a queda do "muro de Berlim". A "guerra fria" terminou quando Gorbatchov propôs às potências sobreviventes da velha Europa a construção de uma "Casa Comum” com a Rússia; a guerra fria terminou quando foram lançadas a perestroika e a glasnot, abrindo a via para a desagregação da URSS e para a reintrodução de velhos beligerantes no Velho Continente.
E foi sobre este Velho Continente, em cuja extremidade ocidental os americanos, em mais de cinco décadas, não conseguiram anular outros Estados nacionais além de Portugal, que, nos últimos vinte anos, começaram a soprar de novo os "ventos da história" do nacionalismo.
Na actual fase da guerra civil europeia, está vedada aos americanos uma política coerente de desmantelamento de Estados imperiais, como na conjuntura de 1914-18, ou de anulação de fortes poderes centrípetos, como na conjuntura de 1939-45. Como foi bem compreendido pelos russos, nesta nova fase da guerra, iria sobressair a fragilidade americana, forçada a seguir duas políticas de difícil conciliação: a leste, teria que estimular o nacionalismo com que fragmentaria e adquiria Estados e espaços económicos; mas, a oeste, não podia deixar de continuar a estimular o cosmopolitismo financeiro com que pretendia realizar a fusão dos Estados da velha Europa, impedindo a reemergência da França e da Grã-Bretanha.
O nacionalismo que os americanos estimulam a leste acaba por ter efeitos não desejados a oeste. E é a leste que os americanos acabam de confirmar, de forma humilhante, que existe uma parede russa bem mais forte e determinada do que supunham.
Do actual ambiente nacionalista europeu - reeditando de certo modo as conjunturas de 1848, 1870, e 1930 - pode resultar a desagregação da Espanha, mas só muito dificilmente resultará a "União Europeia" desejada pelos americanos. E sem a fusão da Alemanha e da França, e a anulação do Reino Unido, não é possível aos americanos satelizar um espaço onde se anulem as diferenciações estratégicas dos Estados da Velha Europa. E sem a tal "União Europeia" desejada pelos americanos (a que foi afinal aprovada no Tratado de Lisboa) não é possível constituir a "Comunidade Transatlântica", de Vancouver a Vladivostoque.
Porque é que a Rússia passou a responder agora à violência com a violência? Porque pode. E não será a actual NATO que a irá demover. Negligenciando o poder da Rússia e sem poder actuar de forma coerente, haverá decerto quem nos EUA esteja agora a tomar consciência do desastre estratégico em que se deixaram atolar.
Os conflitos russo-americanos em torno do Kosovo e da Ossétia do Sul revelam que a Rússia não aceita o plano americano da "Comunidade Transatlântica". A Rússia continua a ter outros planos e está agora a começar a lançar todo o seu peso estratégico sobre a Velha Europa. Na Ucrânia, falta ver se o pior não está ainda por chegar.
Por muito que isso possa custar aos descendentes de George F. Kennan, os EUA não têm pela frente uma reedição da "guerra fria". Passou já o tempo das simulações russo-americanas e das esferas de influência num mundo bipolar. Nas últimas duas décadas, tanto na ex-Jugoslávia, como no Iraque ou no Afeganistão, etc., a guerra tem sido "quente" e com o envolvimento de várias potências. Esta é uma guerra sem vencedores antecipados e fim à vista, podendo surgir a todo o momento as mais inesperadas alianças. Nesta guerra, as potências com pretensão ao domínio da Eurásia estão a jogar com todos os seus recursos, tanto tangíveis como intangíveis. E se Washington deixou já de ser o centro da meteorologia mundial, a verdade é que ainda não perdeu a guerra, nem parece disposta a perdê-la.
terça-feira, agosto 12, 2008
segunda-feira, agosto 04, 2008
domingo, julho 27, 2008
Família Real visita o Estado de Minas Gerais - Brasil

No dia 16 de Julho de 2008, o Governador Aécio Neves participou, às 11h, na cerimónia oficial do Dia do Estado de Minas Gerais. Neste dia, a capital de Minas Gerais foi transferida para Mariana, primeira cidade e primeira capital mineira. Durante o evento, que acontece na Praça Minas Gerais, realizou-se a entrega da Medalha do Dia de Minas Gerais. Neste ano, a comenda foi entregue a 47 personalidades e instituições e entre os agraciados deste ano estava S.A.R., O Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança. Durante a solenidade, O Duque de Bragança ofereceu ao Município de Mariana um quadro de Dona Maria Ana Josefa de Áustria, Mulher de Dom João V, e cujo nome deu origem ao nome da cidade. A obra é do século XIX. A solenidade de comemoração do Dia de Minas começou com a sinerata, quando os sinos das Igrejas de Mariana tocaram por 15 minutos em comemoração ao Dia de Minas Gerais. Em seguida, o Governador passou revista à tropa da Polícia Militar e cumprimentou as autoridades que o aguardavam na Praça Minas Gerais. Além do presidente do Congresso Nacional, estavam presentes o Prefeito de Mariana, Celso Cota Neto, O Duque de Bragança, Dom Duarte, e os Secretários de Fazenda, Simão Cirineu, de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, do Desenvolvimento Regional e Política Urbana, Dilzon Melo, da Cultura, Eleonora Santa Rosa e da Juventude e Desporto, Gustavo Côrrea. Logo após os cumprimentos, o governador assinou o acto de transferência simbólica da capital do Estado para a cidade de Mariana, que no dia 16, completou 312 anos. A Medalha Comemorativa do Dia do Estado de Minas Gerais foi instituída por Decreto Municipal, em 1980.
Discurso do Governador:
(...) Devo ao final, um agradecimento especial em nome de todos os mineiros das várias Minas, a Sua Alteza Real Dom Duarte de Bragança e a toda a sua família. Costumo dizer, Dom Duarte, que triste é aquele povo que não conhece a sua história porque ele, certamente, terá maiores dificuldades para construir o seu futuro. Sua Alteza, hoje, com extrema generosidade, em nome da Casa Real Portuguesa, nos entrega um retrato de Dona Maria Ana D’Austria. Quero dizer, neste instante, Sua Alteza Real, nos permite um reencontro com a nossa própria história. Não são apenas os mineiros de Mariana que levam o seu nome. São os mineiros de todas essas Minas Gerais, que se sentem hoje mais valorizados e, certamente, mais fiéis à belíssima construção que assistimos neste país para a contribuição dos portugueses.
O Duque de Bragança, Dom Duarte, acompanhado da Duquesa Dona Isabel de Herédia e dos Filhos, Dom Afonso de Santa Maria, Príncipe da Beira, Infante Dom Dinis de Bragança e Infanta Dona Maria Francisca de Bragança, entregou à cidade de Mariana um quadro com o rosto de Dona Maria Ana D´Austria, esposa de Dom João V, e cujo nome deu origem à cidade. A obra de arte, do século XIX, incorpora-se ao Património Histórico de Mariana.
O quadro foi transferido para o Rio de Janeiro através de um navio e posteriormente levado a Mariana. Em 1998, durante a visita à cidade, Dom Duarte de Bragança havia assumido o compromisso de doar o quadro.
Mariana. Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas encontraram ouro no ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Às suas margens, nasceu o arraial de Nossa Senhora do Carmo, que logo se transformou em um dos principais fornecedores deste minério para Portugal e, pouco tempo depois, tornou-se a primeira vila criada na então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Lá foi estabelecida também a primeira capital. Em 1745, por ordem do rei D. João V, a região foi elevada à cidade e nomeada Mariana – uma homenagem à rainha Maria Ana D’Austria, sua Mulher. Transformando-se no centro religioso do Estado, nesta mesma época a cidade passou a ser sede do primeiro bispado mineiro. Actualmente, Mariana guarda relíquias e casarios coloniais que contam parte da história do país. A cidade, integrante da Trilha dos Inconfidentes e do Circuito Estrada Real, foi tombada em 1945 como Monumento Nacional.
Publicada por
José Manuel Quintas
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domingo, julho 27, 2008
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sábado, julho 19, 2008
terça-feira, julho 15, 2008
terça-feira, julho 08, 2008
São Nuno Álvares Pereira
«Igreja: Papa deu último passo para que beato Nuno Álvares Pereira seja reconhecido como Santo
03 de Julho de 2008, 16:56
Lisboa, 03 Jul (Lusa) - O Papa Bento XVI deu hoje o passo decisivo para que o beato Nuno Álvares Pereira seja reconhecido como santo, ao autorizar a promulgação de dois decretos que atestam um milagre que lhe é atribuído e as suas "virtudes heróicas".
Francisco Rodrigues, frade carmelita e vice-postulador para a canonização do Beato Nuno Álvares Pereira, congratulou-se hoje com a notícia e disse à Lusa que o processo de canonização está praticamente concluído, faltando apenas marcar a data da cerimónia.
De acordo com a agência Ecclesia, que avançou a notícia, os decretos foram tornados públicos hoje pela Sala de imprensa da Santa Sé, após uma audiência concedida pelo Papa ao Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
Contactado pela Lusa, o padre Francisco Rodrigues, nomeado em 2001 vice-postulador para a canonização do Beato, afirmou que a promulgação dos decretos "é sinal que está tudo encaminhado" para a conclusão do processo.
"Agora é só esperar que o Santo Padre comunique a data para a cerimónia de canonização", afirmou o frade carmelita.
O processo para a canonização de Nuno Álvares Pereira foi uma "missão muito trabalhosa", mas que "valeu a pena", sublinhou Francisco Rodrigues, que dedicou os últimos sete anos a esta causa.
O Beato Nuno de Santa Maria (1360-1431) foi beatificado em 1918 pelo papa Bento XV, e nos últimos anos, a Ordem do Carmo (onde ingressou em 1422), em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiram retomar a defesa da causa da canonização.
Na história portuguesa, o beato Nuno de Santa Maria é conhecido como o Condestável Nun´Álvares Pereira, que no reinado de D.João I se tornou o heroi da batalha de Aljubarrota, em que o exército português derrotou as forças de Castela.
A sua memória litúrgica celebra-se, actualmente, no dia 6 de Novembro.
O processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria foi reaberto no dia 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, com a sessão solene presidida por D. José Policarpo.
A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe.
A cura de Guilhermina de Jesus, depois de ter pedido a intervenção do Santo Condestável, foi observada por diversos médicos em Portugal e foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa.
Trabalhos levados a cabo pelos Cardeais Patriarcas de Lisboa D. José III (1883-1907) e D. António I (1907-1929), secundados pela Ordem do Carmo, culminaram com o Decreto da Congregação dos Ritos "Clementissimus Deus" de 15 de Janeiro de 1918, ratificado e aprovado pelo Papa Bento XV em 23 do mesmo mês e ano.
Esses trabalhos, retomados pelo Episcopado Português, culminaram com a permissão de Pio XII para que o processo da canonização prosseguisse.
A tramitação do processo de santidade de um católico morto com fama de santo passa por etapas bem distintas.
Cinco anos após a sua morte, qualquer católico ou grupo de fiéis pode iniciar o processo, através de um postulador, constituído mediante mandato de procuração e aprovado pelo bispo local.
Juntam-se os testemunhos e pede-se a permissão à Santa Sé. Quando se consegue esta permissão, procede-se ao exame detalhado dos relatos das testemunhas, a fim de apurar de que forma a pessoa em questão exercitou a heroicidade das virtudes cristãs.
Aos bispos diocesanos compete o direito de investigar acerca da vida, virtudes ou martírio e fama de santidade ou de martírio, milagres aduzidos, e ainda, se for o caso, do culto antigo do Servo de Deus, cuja canonização se pede.
Este levantamento de informações é enviado à Santa Sé. Se o exame dos documentos é positivo, o "servo de Deus" é proclamado "venerável".
A segunda etapa do processo consiste no exame dos milagres atribuídos à intercessão do "venerável". Se um deste milagres é considerado autêntico, o "venerável" é considerado "beato".
Quando após a beatificação se verifica um outro milagre devidamente reconhecido, então o beato é proclamado "santo", como acontecerá com D. Nuno Álvares Pereira.
HN
Lusa/fim»
Beato Nuno vai ser canonizado
05/07/2008
Na passagem dos 650 anos sobre o seu nascimento, o Beato Nuno de Santa Maria (Nuno Álvares Pereira) pode ser canonizado pelo Papa, tornando-se no primeiro português a ser canonizado nos últimos 500 anos.
A cerimónia de reabertura do processo de canonização do Beato Nuno está marcada para a tarde do próximo dia 13 de JUlho, das ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, e vai ser presidida pelo Cardeal patriarca, D. José Policarpo.
O padre carmelita Francisco José Rodrigues, vice-postulador da causa, disse ao Correio da Manhã que a retoma deste processo é um acto de inteira justiça e até peca por tardia.
A sua vida plena de virtudes, a sua obra e as graças recebidas pelos seus devotos são motivos mais do que suficientes, em nosso entender, para elevação de D. Nuno Álvares Pereira a Santo da Igreja de Deus, afirmou o padre Francisco Rodrigues.
Aliás, já em meados da década de 40, aquando da abertura, pela primeira vez, da causa de canonização do Santo Condestável, o Papa de então, Pio XII, pretendia reconhecer, por despacho, a santidade do carmelita Beato Nuno, acto que acabou por não se concretizar por influência do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Salazar.
Segundo veio a saber-se mais tarde, o Governo de então fez tudo para impedir o decreto do Papa Pio XII, porque pretendia que a canonização tivesse lugar no âmbito de uma cerimónia solene, com grande pompa e circunstância, eventualmente acompanhada de visita papal, o que, no pós-segunda Guerra Mundial, poderia dar boa imagem nacional e internacional do Governo e enaltecer o orgulho nacional. Só que, as coisas não correram bem e o processo foi arquivado.
Em 1960, no âmbito do sexto centenário do seu nascimento, as relíquias do Beato Nuno percorreram o país e a Ordem do Carmo reabriu novamente o processo de canonização. Pouco tempo depois rebentou a Guerra do Ultramar e, mais uma vez, o assunto morreu à nascença.
Mais de quatro décadas depois, contando com o apoio de todos os bispos portugueses e aproveitando o facto de a Congregação da Causa dos Santos ser presidida por um Cardeal português, D. José Saraiva Martins, a Ordem do Carmo e o Patriarcado de Lisboa reabrem o processo de canonização do Beato Nuno, convictos de que à terceira vai ser de vez.
Mas o reconhecimento passou também pela atribuição do seu nome a numerosas instituições. Há liceus, escolas profissionais e até selos postais que têm perpetuado a sua memória. Papel que também desempenham as obras de arte que nele se inspiraram.
O Convento do Carmo de Lisboa foi mandado construir por D. Nuno Álvares Pereira, tendo as obras começado em 1389. Em 1397 foi entregue aos Carmelitas de Moura, realizando-se ali o primeiro Capítulo Geral dos Carmelitas Portugueses em 1423.
A vida santa de um combatente
D. Nuno Álvares Pereira nasceu a 24 de Junho de 1360 em Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco. Aos 13 anos de idade foi armado cavaleiro em Santarém e, com apenas 16 anos, casou com D.ª Leonor de Alvim, fixando residência em cabeceiras de Basto. Em 1381 foi nomeado Fronteiro-Mor do Alentejo e, em 1383, decide apoiar a causa do Mestre de Avis.
A 8 de Abril de 1384, na Batalha dos Atoleiros, usa pela primeira vez a famosa táctica do quadrado, sendo, a 6 de Abril do ano seguinte, nomeado Condestável e Mordomo-Mor do Reino.
Vitória de Aljubarrota
A 14 de Agosto consegue uma retumbante vitória em Aljubarrota e a 2 de Outubro sai vitorioso em Valverde.
Considerado o mais brilhante estratega militar da sua época e um dos melhores da História de Portugal, é o Patrono da Infantaria.
A 25 de Julho de 1415 sai numa expedição a Ceuta e em 1422 fixa residência no Carmo, em Lisboa. No dia 24 de Julho de 1423 doa, definitivamente, a Igreja e o Convento que mandara construir à Ordem Carmelita.
A 15 de Agosto desse ano recebe o hábito carmelita e renuncia a todos os seus títulos mobiliárquicos.
Morreu aos 71 anos, no dia 1 de Abril de 1431 (dia de Páscoa), sendo sepultado no Carmo (hoje ruínas).
Fonte CM
03 de Julho de 2008, 16:56
Lisboa, 03 Jul (Lusa) - O Papa Bento XVI deu hoje o passo decisivo para que o beato Nuno Álvares Pereira seja reconhecido como santo, ao autorizar a promulgação de dois decretos que atestam um milagre que lhe é atribuído e as suas "virtudes heróicas".
Francisco Rodrigues, frade carmelita e vice-postulador para a canonização do Beato Nuno Álvares Pereira, congratulou-se hoje com a notícia e disse à Lusa que o processo de canonização está praticamente concluído, faltando apenas marcar a data da cerimónia.
De acordo com a agência Ecclesia, que avançou a notícia, os decretos foram tornados públicos hoje pela Sala de imprensa da Santa Sé, após uma audiência concedida pelo Papa ao Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
Contactado pela Lusa, o padre Francisco Rodrigues, nomeado em 2001 vice-postulador para a canonização do Beato, afirmou que a promulgação dos decretos "é sinal que está tudo encaminhado" para a conclusão do processo.
"Agora é só esperar que o Santo Padre comunique a data para a cerimónia de canonização", afirmou o frade carmelita.
O processo para a canonização de Nuno Álvares Pereira foi uma "missão muito trabalhosa", mas que "valeu a pena", sublinhou Francisco Rodrigues, que dedicou os últimos sete anos a esta causa.
O Beato Nuno de Santa Maria (1360-1431) foi beatificado em 1918 pelo papa Bento XV, e nos últimos anos, a Ordem do Carmo (onde ingressou em 1422), em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiram retomar a defesa da causa da canonização.
Na história portuguesa, o beato Nuno de Santa Maria é conhecido como o Condestável Nun´Álvares Pereira, que no reinado de D.João I se tornou o heroi da batalha de Aljubarrota, em que o exército português derrotou as forças de Castela.
A sua memória litúrgica celebra-se, actualmente, no dia 6 de Novembro.
O processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria foi reaberto no dia 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, com a sessão solene presidida por D. José Policarpo.
A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe.
A cura de Guilhermina de Jesus, depois de ter pedido a intervenção do Santo Condestável, foi observada por diversos médicos em Portugal e foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa.
Trabalhos levados a cabo pelos Cardeais Patriarcas de Lisboa D. José III (1883-1907) e D. António I (1907-1929), secundados pela Ordem do Carmo, culminaram com o Decreto da Congregação dos Ritos "Clementissimus Deus" de 15 de Janeiro de 1918, ratificado e aprovado pelo Papa Bento XV em 23 do mesmo mês e ano.
Esses trabalhos, retomados pelo Episcopado Português, culminaram com a permissão de Pio XII para que o processo da canonização prosseguisse.
A tramitação do processo de santidade de um católico morto com fama de santo passa por etapas bem distintas.
Cinco anos após a sua morte, qualquer católico ou grupo de fiéis pode iniciar o processo, através de um postulador, constituído mediante mandato de procuração e aprovado pelo bispo local.
Juntam-se os testemunhos e pede-se a permissão à Santa Sé. Quando se consegue esta permissão, procede-se ao exame detalhado dos relatos das testemunhas, a fim de apurar de que forma a pessoa em questão exercitou a heroicidade das virtudes cristãs.
Aos bispos diocesanos compete o direito de investigar acerca da vida, virtudes ou martírio e fama de santidade ou de martírio, milagres aduzidos, e ainda, se for o caso, do culto antigo do Servo de Deus, cuja canonização se pede.
Este levantamento de informações é enviado à Santa Sé. Se o exame dos documentos é positivo, o "servo de Deus" é proclamado "venerável".
A segunda etapa do processo consiste no exame dos milagres atribuídos à intercessão do "venerável". Se um deste milagres é considerado autêntico, o "venerável" é considerado "beato".
Quando após a beatificação se verifica um outro milagre devidamente reconhecido, então o beato é proclamado "santo", como acontecerá com D. Nuno Álvares Pereira.
HN
Lusa/fim»
Beato Nuno vai ser canonizado
05/07/2008
Na passagem dos 650 anos sobre o seu nascimento, o Beato Nuno de Santa Maria (Nuno Álvares Pereira) pode ser canonizado pelo Papa, tornando-se no primeiro português a ser canonizado nos últimos 500 anos.
A cerimónia de reabertura do processo de canonização do Beato Nuno está marcada para a tarde do próximo dia 13 de JUlho, das ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, e vai ser presidida pelo Cardeal patriarca, D. José Policarpo.
O padre carmelita Francisco José Rodrigues, vice-postulador da causa, disse ao Correio da Manhã que a retoma deste processo é um acto de inteira justiça e até peca por tardia.
A sua vida plena de virtudes, a sua obra e as graças recebidas pelos seus devotos são motivos mais do que suficientes, em nosso entender, para elevação de D. Nuno Álvares Pereira a Santo da Igreja de Deus, afirmou o padre Francisco Rodrigues.
Aliás, já em meados da década de 40, aquando da abertura, pela primeira vez, da causa de canonização do Santo Condestável, o Papa de então, Pio XII, pretendia reconhecer, por despacho, a santidade do carmelita Beato Nuno, acto que acabou por não se concretizar por influência do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Salazar.
Segundo veio a saber-se mais tarde, o Governo de então fez tudo para impedir o decreto do Papa Pio XII, porque pretendia que a canonização tivesse lugar no âmbito de uma cerimónia solene, com grande pompa e circunstância, eventualmente acompanhada de visita papal, o que, no pós-segunda Guerra Mundial, poderia dar boa imagem nacional e internacional do Governo e enaltecer o orgulho nacional. Só que, as coisas não correram bem e o processo foi arquivado.
Em 1960, no âmbito do sexto centenário do seu nascimento, as relíquias do Beato Nuno percorreram o país e a Ordem do Carmo reabriu novamente o processo de canonização. Pouco tempo depois rebentou a Guerra do Ultramar e, mais uma vez, o assunto morreu à nascença.
Mais de quatro décadas depois, contando com o apoio de todos os bispos portugueses e aproveitando o facto de a Congregação da Causa dos Santos ser presidida por um Cardeal português, D. José Saraiva Martins, a Ordem do Carmo e o Patriarcado de Lisboa reabrem o processo de canonização do Beato Nuno, convictos de que à terceira vai ser de vez.
Mas o reconhecimento passou também pela atribuição do seu nome a numerosas instituições. Há liceus, escolas profissionais e até selos postais que têm perpetuado a sua memória. Papel que também desempenham as obras de arte que nele se inspiraram.
O Convento do Carmo de Lisboa foi mandado construir por D. Nuno Álvares Pereira, tendo as obras começado em 1389. Em 1397 foi entregue aos Carmelitas de Moura, realizando-se ali o primeiro Capítulo Geral dos Carmelitas Portugueses em 1423.
A vida santa de um combatente
D. Nuno Álvares Pereira nasceu a 24 de Junho de 1360 em Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco. Aos 13 anos de idade foi armado cavaleiro em Santarém e, com apenas 16 anos, casou com D.ª Leonor de Alvim, fixando residência em cabeceiras de Basto. Em 1381 foi nomeado Fronteiro-Mor do Alentejo e, em 1383, decide apoiar a causa do Mestre de Avis.
A 8 de Abril de 1384, na Batalha dos Atoleiros, usa pela primeira vez a famosa táctica do quadrado, sendo, a 6 de Abril do ano seguinte, nomeado Condestável e Mordomo-Mor do Reino.
Vitória de Aljubarrota
A 14 de Agosto consegue uma retumbante vitória em Aljubarrota e a 2 de Outubro sai vitorioso em Valverde.
Considerado o mais brilhante estratega militar da sua época e um dos melhores da História de Portugal, é o Patrono da Infantaria.
A 25 de Julho de 1415 sai numa expedição a Ceuta e em 1422 fixa residência no Carmo, em Lisboa. No dia 24 de Julho de 1423 doa, definitivamente, a Igreja e o Convento que mandara construir à Ordem Carmelita.
A 15 de Agosto desse ano recebe o hábito carmelita e renuncia a todos os seus títulos mobiliárquicos.
Morreu aos 71 anos, no dia 1 de Abril de 1431 (dia de Páscoa), sendo sepultado no Carmo (hoje ruínas).
Fonte CM
quinta-feira, junho 26, 2008
O factor "X"

Os sinais de que se pode estar a aproximar uma catástrofe nos mercados financeiros têm vindo a aumentar, e o jornal alemão «Handelsblatt» noticiou recentemente que os empregados bancários detectaram um novo padrão de comportamento nos clientes que vão à caixa levantar dinheiro: os alemães estão a rejeitar as notas de Euro que não tenha o "X" da sua entidade emissora - o Bundesdruckerei, de Berlim.
Cada país que aderiu ao EURO tem um dado peso económico e imprime um número de notas em conformidade, identificando a sua entidade emissora.
Eis alguns exemplos, das letras iniciais dos números de série:
Z - Bélgica
Y - Grécia
X - Alemanha
(W) - (Dinamarca)
V - Espanha
U - França
T - Irlanda
S - Itália
N - Áustria
M - Portugal
Será que, havendo um estoiro, os portugueses vão preferir o "M"?
Publicada por
José Manuel Quintas
à(s)
quinta-feira, junho 26, 2008
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Colapso do Euro
sábado, junho 21, 2008
Logística em situação de Crise
Muito se tem escrito e opinado sobre a "crise dos combustíveis" . sendo indiscutível que o mercado do crude está desregulado, alvo de enormes especulações e que está a afectar a produção agrícola de certos productos que servirão para a produção de combústveis. Mas será o que vimos assistindo no nosso País é totalmente derivado da situação internacional? Ora vejamos:
1- O preço do combustível nas bombas tem subido em percentagem muito superior ao aumento do preço, em euros, a que a Galp compra o crude. Faça-se a ginástica que se quiser com os números ˆ futuros, atrasados ou seja o que for - as contas nunca batem certo;
2- A Galp apresenta lucros no 1º trimestre do corrente ano que são substancialmente superiores aos do trimestre homólogo de 2007 (mais de 100%?), o que significa que não foi o aumento no mercado internacional do crude que fez disparar, na medida em que disparou, em Portugal, os preços dos combustíveis;
3- Não houve crise de falta de combustíveis devido a dificuldades de obtenção de crude, o que significa que as reservas em Portugal nunca estiveram em causa. Portanto o CNPCE não é chamado, neste contexto, pois a reserva estratégica não foi posta em causa (é bom lembrar que o objectivo do CNPCE é apoiar o esforço do País em caso de conflito internacional). O que se passou em Portugal foi o impedimento de circulação de veículos, nas rodovias, que "secou" os postos de abastecimento" Portanto, um problema totalmente nacional;
4- O impedimento de circulação de veículos pesados a que se assistiu foi uma reacção (pode-se discutir se foi exagerada ou não, se é legal ou não, etc.) ao aumento desmesurado do preço dos combustíveis. Provocou esta reacção como certamente irá provocar outras reacções pois tal aumento pôe em causa o equilibrio (frágil) da nossa economia.
5- Se o imposto sobre os combustíveis e IVA não aumentaram nos últimos 12 meses, o custo da mão de obra pouco aumentou e certamente que o lucro dos revendedores também não, este aumento ao público é proveito da unica empresa que faz a refinação do crude em Portugal (não deixa de ser curioso estudar sobre a cartelização dos revendedores, quando todos vão buscar o producto à mesma refinaria....) Assim sendo, o problema está no preço do combústivel à porta da refinaria, que curiosamente nunca me foi dado a conhecer e pelos vistos os orgãos de comunicação social também não têm grande interesse em conhecer. Mas tendo em conta os lucros da refinaria atrás indicados, pode-se imaginar o que terá aumentado o dito preço, sem ser devido ao custo de produção.
6- Mas sobre esta questão ouvi o sr. Primeiro Ministro afirmar na A.R. que o Governo não pode intervir numa empresa privada. Curioso! O Estado que está sempre tão atento ao cidadão considera não poder actuar contra este aumento escandaloso de lucros de uma empresa portuguesa e sediada em Portugal e que é a única que produz um bem essencial para o País! Não será neste âmbito que se tem de falar em crise e em crise do Estado ? A Democracia serve ou não para eleger os governantes que tomem conta dos interesses da generalidade dos portugueses ?
Lisboa, 15 de Junho 2008
Comandante Temes de Oliveira
Instituto da Democracia Portuguesa
1- O preço do combustível nas bombas tem subido em percentagem muito superior ao aumento do preço, em euros, a que a Galp compra o crude. Faça-se a ginástica que se quiser com os números ˆ futuros, atrasados ou seja o que for - as contas nunca batem certo;
2- A Galp apresenta lucros no 1º trimestre do corrente ano que são substancialmente superiores aos do trimestre homólogo de 2007 (mais de 100%?), o que significa que não foi o aumento no mercado internacional do crude que fez disparar, na medida em que disparou, em Portugal, os preços dos combustíveis;
3- Não houve crise de falta de combustíveis devido a dificuldades de obtenção de crude, o que significa que as reservas em Portugal nunca estiveram em causa. Portanto o CNPCE não é chamado, neste contexto, pois a reserva estratégica não foi posta em causa (é bom lembrar que o objectivo do CNPCE é apoiar o esforço do País em caso de conflito internacional). O que se passou em Portugal foi o impedimento de circulação de veículos, nas rodovias, que "secou" os postos de abastecimento" Portanto, um problema totalmente nacional;
4- O impedimento de circulação de veículos pesados a que se assistiu foi uma reacção (pode-se discutir se foi exagerada ou não, se é legal ou não, etc.) ao aumento desmesurado do preço dos combustíveis. Provocou esta reacção como certamente irá provocar outras reacções pois tal aumento pôe em causa o equilibrio (frágil) da nossa economia.
5- Se o imposto sobre os combustíveis e IVA não aumentaram nos últimos 12 meses, o custo da mão de obra pouco aumentou e certamente que o lucro dos revendedores também não, este aumento ao público é proveito da unica empresa que faz a refinação do crude em Portugal (não deixa de ser curioso estudar sobre a cartelização dos revendedores, quando todos vão buscar o producto à mesma refinaria....) Assim sendo, o problema está no preço do combústivel à porta da refinaria, que curiosamente nunca me foi dado a conhecer e pelos vistos os orgãos de comunicação social também não têm grande interesse em conhecer. Mas tendo em conta os lucros da refinaria atrás indicados, pode-se imaginar o que terá aumentado o dito preço, sem ser devido ao custo de produção.
6- Mas sobre esta questão ouvi o sr. Primeiro Ministro afirmar na A.R. que o Governo não pode intervir numa empresa privada. Curioso! O Estado que está sempre tão atento ao cidadão considera não poder actuar contra este aumento escandaloso de lucros de uma empresa portuguesa e sediada em Portugal e que é a única que produz um bem essencial para o País! Não será neste âmbito que se tem de falar em crise e em crise do Estado ? A Democracia serve ou não para eleger os governantes que tomem conta dos interesses da generalidade dos portugueses ?
Lisboa, 15 de Junho 2008
Comandante Temes de Oliveira
Instituto da Democracia Portuguesa
domingo, junho 15, 2008
A nossa equipa é Portugal
Uma emoção partilhada, sentida no íntimo, baixinho:
Ó P'RA MIM CÁ EM CIMA!
por Ferreira Fernandes
jornalista - ferreira.fernandes@dn.pt
Não se gosta de uma equipa porque ela é a boa, mas porque ela é a nossa. Depois de ela ser a nossa, quando a ligação já tem memória e essas coisas, então, vamos descobrir as razões porque ela é a boa. Encontram-se sempre.
A questão é, pois, a inicial: porque é aquela a nossa equipa? Eu conheço a minha razão. Até porque a minha equipa é Portugal e quando a minha equipa começou a ser Portugal - falo do início dos anos 60 - Portugal era a última coisa que me embalava. A minha razão: Coluna. Um não branco a mandar em brancos. Um capitão, patrão inquestionável, coisa que se via das bancadas: "Sr. Coluna, posso ser eu a marcar o livre?", perguntava um rapaz pálido. E o Sr. Coluna deixava, ou não.
Não queiram saber como aquilo era ar fresco. A selecção portuguesa desse tempo era como a Nokia hoje para a Finlândia - por ela, o mundo talvez não soubesse, mas adivinhava a modernidade. Talvez não nos invejasse, mas devia. Foi nessa altura que me tornei adepto da equipa. Lembro, naquele tempo não havia negros a jogar na Europa: Didi, um mestiço como Coluna, um dos três deuses da melhor equipa de sempre (Brasil, 1958, com Garrincha e Pelé), saiu do Real Madrid empurrado por vexames racistas.
Outros têm as sua razões para amar a equipa. A mão de um pai que nos levou ao Jamor... O importante é ficarmos com esse sentimento de pertença. Fixados, coleccionam-se momentos, como outros, cromos. No meu passaporte de cidadão da selecção nacional, o carimbo mais querido é, claro, o daquele Portugal-Coreia, Mundial de 66. Mais uma vez, amei Portugal quando ele se revelava nos antípodas de Portugal. Os 9 999 999 portugueses desalentados com o 0-3, e um português de raça decidido a mudar o destino. Eusébio carregando o País às costas deu a volta ao resultado, negando-se a abraços até à epopeia concluída. Nunca chorei tão bom.
Depois disso, o meu affaire com a selecção nacional têm sido chispas, meras chispas - Futre e Chalana, Figo e Rui Costa e, até, Ricardo, o dos penáltis. Sempre acreditando tudo, sabendo que teria pouco. A selecção era como aquela amante feia de quem só nós sabemos das qualidades e não dá para apregoar. Um affaire íntimo.
E não é que cheguei a esta selecção? A do Deco inclinado para a frente e do Cristiano Ronaldo inclinado para trás (só um apaixonado vê estes pormenores), que a Europa deu em invejar? Confesso, não sei como lidar com a situação. Não sou dos que pintam a cara e usam chapéus bizarros, sou dos que amam baixinho. Mas quando colegas de L'Équipe e de La Gazzetta dello Sport olham para mim como eu olho para o namorado da Scarlett Johansson, confirmo: "Sim, eu ando com esta equipa já há muitos anos..." E ponho um ar ainda mais discreto porque já apanhei as manhas dos poderosos.
In DN, hoje.
Ó P'RA MIM CÁ EM CIMA!
por Ferreira Fernandes
jornalista - ferreira.fernandes@dn.pt
Não se gosta de uma equipa porque ela é a boa, mas porque ela é a nossa. Depois de ela ser a nossa, quando a ligação já tem memória e essas coisas, então, vamos descobrir as razões porque ela é a boa. Encontram-se sempre.
A questão é, pois, a inicial: porque é aquela a nossa equipa? Eu conheço a minha razão. Até porque a minha equipa é Portugal e quando a minha equipa começou a ser Portugal - falo do início dos anos 60 - Portugal era a última coisa que me embalava. A minha razão: Coluna. Um não branco a mandar em brancos. Um capitão, patrão inquestionável, coisa que se via das bancadas: "Sr. Coluna, posso ser eu a marcar o livre?", perguntava um rapaz pálido. E o Sr. Coluna deixava, ou não.
Não queiram saber como aquilo era ar fresco. A selecção portuguesa desse tempo era como a Nokia hoje para a Finlândia - por ela, o mundo talvez não soubesse, mas adivinhava a modernidade. Talvez não nos invejasse, mas devia. Foi nessa altura que me tornei adepto da equipa. Lembro, naquele tempo não havia negros a jogar na Europa: Didi, um mestiço como Coluna, um dos três deuses da melhor equipa de sempre (Brasil, 1958, com Garrincha e Pelé), saiu do Real Madrid empurrado por vexames racistas.
Outros têm as sua razões para amar a equipa. A mão de um pai que nos levou ao Jamor... O importante é ficarmos com esse sentimento de pertença. Fixados, coleccionam-se momentos, como outros, cromos. No meu passaporte de cidadão da selecção nacional, o carimbo mais querido é, claro, o daquele Portugal-Coreia, Mundial de 66. Mais uma vez, amei Portugal quando ele se revelava nos antípodas de Portugal. Os 9 999 999 portugueses desalentados com o 0-3, e um português de raça decidido a mudar o destino. Eusébio carregando o País às costas deu a volta ao resultado, negando-se a abraços até à epopeia concluída. Nunca chorei tão bom.
Depois disso, o meu affaire com a selecção nacional têm sido chispas, meras chispas - Futre e Chalana, Figo e Rui Costa e, até, Ricardo, o dos penáltis. Sempre acreditando tudo, sabendo que teria pouco. A selecção era como aquela amante feia de quem só nós sabemos das qualidades e não dá para apregoar. Um affaire íntimo.
E não é que cheguei a esta selecção? A do Deco inclinado para a frente e do Cristiano Ronaldo inclinado para trás (só um apaixonado vê estes pormenores), que a Europa deu em invejar? Confesso, não sei como lidar com a situação. Não sou dos que pintam a cara e usam chapéus bizarros, sou dos que amam baixinho. Mas quando colegas de L'Équipe e de La Gazzetta dello Sport olham para mim como eu olho para o namorado da Scarlett Johansson, confirmo: "Sim, eu ando com esta equipa já há muitos anos..." E ponho um ar ainda mais discreto porque já apanhei as manhas dos poderosos.
In DN, hoje.
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