«Igreja: Papa deu último passo para que beato Nuno Álvares Pereira seja reconhecido como Santo
03 de Julho de 2008, 16:56
Lisboa, 03 Jul (Lusa) - O Papa Bento XVI deu hoje o passo decisivo para que o beato Nuno Álvares Pereira seja reconhecido como santo, ao autorizar a promulgação de dois decretos que atestam um milagre que lhe é atribuído e as suas "virtudes heróicas".
Francisco Rodrigues, frade carmelita e vice-postulador para a canonização do Beato Nuno Álvares Pereira, congratulou-se hoje com a notícia e disse à Lusa que o processo de canonização está praticamente concluído, faltando apenas marcar a data da cerimónia.
De acordo com a agência Ecclesia, que avançou a notícia, os decretos foram tornados públicos hoje pela Sala de imprensa da Santa Sé, após uma audiência concedida pelo Papa ao Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
Contactado pela Lusa, o padre Francisco Rodrigues, nomeado em 2001 vice-postulador para a canonização do Beato, afirmou que a promulgação dos decretos "é sinal que está tudo encaminhado" para a conclusão do processo.
"Agora é só esperar que o Santo Padre comunique a data para a cerimónia de canonização", afirmou o frade carmelita.
O processo para a canonização de Nuno Álvares Pereira foi uma "missão muito trabalhosa", mas que "valeu a pena", sublinhou Francisco Rodrigues, que dedicou os últimos sete anos a esta causa.
O Beato Nuno de Santa Maria (1360-1431) foi beatificado em 1918 pelo papa Bento XV, e nos últimos anos, a Ordem do Carmo (onde ingressou em 1422), em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiram retomar a defesa da causa da canonização.
Na história portuguesa, o beato Nuno de Santa Maria é conhecido como o Condestável Nun´Álvares Pereira, que no reinado de D.João I se tornou o heroi da batalha de Aljubarrota, em que o exército português derrotou as forças de Castela.
A sua memória litúrgica celebra-se, actualmente, no dia 6 de Novembro.
O processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria foi reaberto no dia 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, com a sessão solene presidida por D. José Policarpo.
A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe.
A cura de Guilhermina de Jesus, depois de ter pedido a intervenção do Santo Condestável, foi observada por diversos médicos em Portugal e foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa.
Trabalhos levados a cabo pelos Cardeais Patriarcas de Lisboa D. José III (1883-1907) e D. António I (1907-1929), secundados pela Ordem do Carmo, culminaram com o Decreto da Congregação dos Ritos "Clementissimus Deus" de 15 de Janeiro de 1918, ratificado e aprovado pelo Papa Bento XV em 23 do mesmo mês e ano.
Esses trabalhos, retomados pelo Episcopado Português, culminaram com a permissão de Pio XII para que o processo da canonização prosseguisse.
A tramitação do processo de santidade de um católico morto com fama de santo passa por etapas bem distintas.
Cinco anos após a sua morte, qualquer católico ou grupo de fiéis pode iniciar o processo, através de um postulador, constituído mediante mandato de procuração e aprovado pelo bispo local.
Juntam-se os testemunhos e pede-se a permissão à Santa Sé. Quando se consegue esta permissão, procede-se ao exame detalhado dos relatos das testemunhas, a fim de apurar de que forma a pessoa em questão exercitou a heroicidade das virtudes cristãs.
Aos bispos diocesanos compete o direito de investigar acerca da vida, virtudes ou martírio e fama de santidade ou de martírio, milagres aduzidos, e ainda, se for o caso, do culto antigo do Servo de Deus, cuja canonização se pede.
Este levantamento de informações é enviado à Santa Sé. Se o exame dos documentos é positivo, o "servo de Deus" é proclamado "venerável".
A segunda etapa do processo consiste no exame dos milagres atribuídos à intercessão do "venerável". Se um deste milagres é considerado autêntico, o "venerável" é considerado "beato".
Quando após a beatificação se verifica um outro milagre devidamente reconhecido, então o beato é proclamado "santo", como acontecerá com D. Nuno Álvares Pereira.
HN
Lusa/fim»
Beato Nuno vai ser canonizado
05/07/2008
Na passagem dos 650 anos sobre o seu nascimento, o Beato Nuno de Santa Maria (Nuno Álvares Pereira) pode ser canonizado pelo Papa, tornando-se no primeiro português a ser canonizado nos últimos 500 anos.
A cerimónia de reabertura do processo de canonização do Beato Nuno está marcada para a tarde do próximo dia 13 de JUlho, das ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, e vai ser presidida pelo Cardeal patriarca, D. José Policarpo.
O padre carmelita Francisco José Rodrigues, vice-postulador da causa, disse ao Correio da Manhã que a retoma deste processo é um acto de inteira justiça e até peca por tardia.
A sua vida plena de virtudes, a sua obra e as graças recebidas pelos seus devotos são motivos mais do que suficientes, em nosso entender, para elevação de D. Nuno Álvares Pereira a Santo da Igreja de Deus, afirmou o padre Francisco Rodrigues.
Aliás, já em meados da década de 40, aquando da abertura, pela primeira vez, da causa de canonização do Santo Condestável, o Papa de então, Pio XII, pretendia reconhecer, por despacho, a santidade do carmelita Beato Nuno, acto que acabou por não se concretizar por influência do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Salazar.
Segundo veio a saber-se mais tarde, o Governo de então fez tudo para impedir o decreto do Papa Pio XII, porque pretendia que a canonização tivesse lugar no âmbito de uma cerimónia solene, com grande pompa e circunstância, eventualmente acompanhada de visita papal, o que, no pós-segunda Guerra Mundial, poderia dar boa imagem nacional e internacional do Governo e enaltecer o orgulho nacional. Só que, as coisas não correram bem e o processo foi arquivado.
Em 1960, no âmbito do sexto centenário do seu nascimento, as relíquias do Beato Nuno percorreram o país e a Ordem do Carmo reabriu novamente o processo de canonização. Pouco tempo depois rebentou a Guerra do Ultramar e, mais uma vez, o assunto morreu à nascença.
Mais de quatro décadas depois, contando com o apoio de todos os bispos portugueses e aproveitando o facto de a Congregação da Causa dos Santos ser presidida por um Cardeal português, D. José Saraiva Martins, a Ordem do Carmo e o Patriarcado de Lisboa reabrem o processo de canonização do Beato Nuno, convictos de que à terceira vai ser de vez.
Mas o reconhecimento passou também pela atribuição do seu nome a numerosas instituições. Há liceus, escolas profissionais e até selos postais que têm perpetuado a sua memória. Papel que também desempenham as obras de arte que nele se inspiraram.
O Convento do Carmo de Lisboa foi mandado construir por D. Nuno Álvares Pereira, tendo as obras começado em 1389. Em 1397 foi entregue aos Carmelitas de Moura, realizando-se ali o primeiro Capítulo Geral dos Carmelitas Portugueses em 1423.
A vida santa de um combatente
D. Nuno Álvares Pereira nasceu a 24 de Junho de 1360 em Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco. Aos 13 anos de idade foi armado cavaleiro em Santarém e, com apenas 16 anos, casou com D.ª Leonor de Alvim, fixando residência em cabeceiras de Basto. Em 1381 foi nomeado Fronteiro-Mor do Alentejo e, em 1383, decide apoiar a causa do Mestre de Avis.
A 8 de Abril de 1384, na Batalha dos Atoleiros, usa pela primeira vez a famosa táctica do quadrado, sendo, a 6 de Abril do ano seguinte, nomeado Condestável e Mordomo-Mor do Reino.
Vitória de Aljubarrota
A 14 de Agosto consegue uma retumbante vitória em Aljubarrota e a 2 de Outubro sai vitorioso em Valverde.
Considerado o mais brilhante estratega militar da sua época e um dos melhores da História de Portugal, é o Patrono da Infantaria.
A 25 de Julho de 1415 sai numa expedição a Ceuta e em 1422 fixa residência no Carmo, em Lisboa. No dia 24 de Julho de 1423 doa, definitivamente, a Igreja e o Convento que mandara construir à Ordem Carmelita.
A 15 de Agosto desse ano recebe o hábito carmelita e renuncia a todos os seus títulos mobiliárquicos.
Morreu aos 71 anos, no dia 1 de Abril de 1431 (dia de Páscoa), sendo sepultado no Carmo (hoje ruínas).
Fonte CM
Nos liberi sumus; Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt... [Nós somos livres; nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram...]
terça-feira, julho 08, 2008
quinta-feira, junho 26, 2008
O factor "X"

Os sinais de que se pode estar a aproximar uma catástrofe nos mercados financeiros têm vindo a aumentar, e o jornal alemão «Handelsblatt» noticiou recentemente que os empregados bancários detectaram um novo padrão de comportamento nos clientes que vão à caixa levantar dinheiro: os alemães estão a rejeitar as notas de Euro que não tenha o "X" da sua entidade emissora - o Bundesdruckerei, de Berlim.
Cada país que aderiu ao EURO tem um dado peso económico e imprime um número de notas em conformidade, identificando a sua entidade emissora.
Eis alguns exemplos, das letras iniciais dos números de série:
Z - Bélgica
Y - Grécia
X - Alemanha
(W) - (Dinamarca)
V - Espanha
U - França
T - Irlanda
S - Itália
N - Áustria
M - Portugal
Será que, havendo um estoiro, os portugueses vão preferir o "M"?
Publicada por
José Manuel Quintas
à(s)
quinta-feira, junho 26, 2008
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Colapso do Euro
sábado, junho 21, 2008
Logística em situação de Crise
Muito se tem escrito e opinado sobre a "crise dos combustíveis" . sendo indiscutível que o mercado do crude está desregulado, alvo de enormes especulações e que está a afectar a produção agrícola de certos productos que servirão para a produção de combústveis. Mas será o que vimos assistindo no nosso País é totalmente derivado da situação internacional? Ora vejamos:
1- O preço do combustível nas bombas tem subido em percentagem muito superior ao aumento do preço, em euros, a que a Galp compra o crude. Faça-se a ginástica que se quiser com os números ˆ futuros, atrasados ou seja o que for - as contas nunca batem certo;
2- A Galp apresenta lucros no 1º trimestre do corrente ano que são substancialmente superiores aos do trimestre homólogo de 2007 (mais de 100%?), o que significa que não foi o aumento no mercado internacional do crude que fez disparar, na medida em que disparou, em Portugal, os preços dos combustíveis;
3- Não houve crise de falta de combustíveis devido a dificuldades de obtenção de crude, o que significa que as reservas em Portugal nunca estiveram em causa. Portanto o CNPCE não é chamado, neste contexto, pois a reserva estratégica não foi posta em causa (é bom lembrar que o objectivo do CNPCE é apoiar o esforço do País em caso de conflito internacional). O que se passou em Portugal foi o impedimento de circulação de veículos, nas rodovias, que "secou" os postos de abastecimento" Portanto, um problema totalmente nacional;
4- O impedimento de circulação de veículos pesados a que se assistiu foi uma reacção (pode-se discutir se foi exagerada ou não, se é legal ou não, etc.) ao aumento desmesurado do preço dos combustíveis. Provocou esta reacção como certamente irá provocar outras reacções pois tal aumento pôe em causa o equilibrio (frágil) da nossa economia.
5- Se o imposto sobre os combustíveis e IVA não aumentaram nos últimos 12 meses, o custo da mão de obra pouco aumentou e certamente que o lucro dos revendedores também não, este aumento ao público é proveito da unica empresa que faz a refinação do crude em Portugal (não deixa de ser curioso estudar sobre a cartelização dos revendedores, quando todos vão buscar o producto à mesma refinaria....) Assim sendo, o problema está no preço do combústivel à porta da refinaria, que curiosamente nunca me foi dado a conhecer e pelos vistos os orgãos de comunicação social também não têm grande interesse em conhecer. Mas tendo em conta os lucros da refinaria atrás indicados, pode-se imaginar o que terá aumentado o dito preço, sem ser devido ao custo de produção.
6- Mas sobre esta questão ouvi o sr. Primeiro Ministro afirmar na A.R. que o Governo não pode intervir numa empresa privada. Curioso! O Estado que está sempre tão atento ao cidadão considera não poder actuar contra este aumento escandaloso de lucros de uma empresa portuguesa e sediada em Portugal e que é a única que produz um bem essencial para o País! Não será neste âmbito que se tem de falar em crise e em crise do Estado ? A Democracia serve ou não para eleger os governantes que tomem conta dos interesses da generalidade dos portugueses ?
Lisboa, 15 de Junho 2008
Comandante Temes de Oliveira
Instituto da Democracia Portuguesa
1- O preço do combustível nas bombas tem subido em percentagem muito superior ao aumento do preço, em euros, a que a Galp compra o crude. Faça-se a ginástica que se quiser com os números ˆ futuros, atrasados ou seja o que for - as contas nunca batem certo;
2- A Galp apresenta lucros no 1º trimestre do corrente ano que são substancialmente superiores aos do trimestre homólogo de 2007 (mais de 100%?), o que significa que não foi o aumento no mercado internacional do crude que fez disparar, na medida em que disparou, em Portugal, os preços dos combustíveis;
3- Não houve crise de falta de combustíveis devido a dificuldades de obtenção de crude, o que significa que as reservas em Portugal nunca estiveram em causa. Portanto o CNPCE não é chamado, neste contexto, pois a reserva estratégica não foi posta em causa (é bom lembrar que o objectivo do CNPCE é apoiar o esforço do País em caso de conflito internacional). O que se passou em Portugal foi o impedimento de circulação de veículos, nas rodovias, que "secou" os postos de abastecimento" Portanto, um problema totalmente nacional;
4- O impedimento de circulação de veículos pesados a que se assistiu foi uma reacção (pode-se discutir se foi exagerada ou não, se é legal ou não, etc.) ao aumento desmesurado do preço dos combustíveis. Provocou esta reacção como certamente irá provocar outras reacções pois tal aumento pôe em causa o equilibrio (frágil) da nossa economia.
5- Se o imposto sobre os combustíveis e IVA não aumentaram nos últimos 12 meses, o custo da mão de obra pouco aumentou e certamente que o lucro dos revendedores também não, este aumento ao público é proveito da unica empresa que faz a refinação do crude em Portugal (não deixa de ser curioso estudar sobre a cartelização dos revendedores, quando todos vão buscar o producto à mesma refinaria....) Assim sendo, o problema está no preço do combústivel à porta da refinaria, que curiosamente nunca me foi dado a conhecer e pelos vistos os orgãos de comunicação social também não têm grande interesse em conhecer. Mas tendo em conta os lucros da refinaria atrás indicados, pode-se imaginar o que terá aumentado o dito preço, sem ser devido ao custo de produção.
6- Mas sobre esta questão ouvi o sr. Primeiro Ministro afirmar na A.R. que o Governo não pode intervir numa empresa privada. Curioso! O Estado que está sempre tão atento ao cidadão considera não poder actuar contra este aumento escandaloso de lucros de uma empresa portuguesa e sediada em Portugal e que é a única que produz um bem essencial para o País! Não será neste âmbito que se tem de falar em crise e em crise do Estado ? A Democracia serve ou não para eleger os governantes que tomem conta dos interesses da generalidade dos portugueses ?
Lisboa, 15 de Junho 2008
Comandante Temes de Oliveira
Instituto da Democracia Portuguesa
domingo, junho 15, 2008
A nossa equipa é Portugal
Uma emoção partilhada, sentida no íntimo, baixinho:
Ó P'RA MIM CÁ EM CIMA!
por Ferreira Fernandes
jornalista - ferreira.fernandes@dn.pt
Não se gosta de uma equipa porque ela é a boa, mas porque ela é a nossa. Depois de ela ser a nossa, quando a ligação já tem memória e essas coisas, então, vamos descobrir as razões porque ela é a boa. Encontram-se sempre.
A questão é, pois, a inicial: porque é aquela a nossa equipa? Eu conheço a minha razão. Até porque a minha equipa é Portugal e quando a minha equipa começou a ser Portugal - falo do início dos anos 60 - Portugal era a última coisa que me embalava. A minha razão: Coluna. Um não branco a mandar em brancos. Um capitão, patrão inquestionável, coisa que se via das bancadas: "Sr. Coluna, posso ser eu a marcar o livre?", perguntava um rapaz pálido. E o Sr. Coluna deixava, ou não.
Não queiram saber como aquilo era ar fresco. A selecção portuguesa desse tempo era como a Nokia hoje para a Finlândia - por ela, o mundo talvez não soubesse, mas adivinhava a modernidade. Talvez não nos invejasse, mas devia. Foi nessa altura que me tornei adepto da equipa. Lembro, naquele tempo não havia negros a jogar na Europa: Didi, um mestiço como Coluna, um dos três deuses da melhor equipa de sempre (Brasil, 1958, com Garrincha e Pelé), saiu do Real Madrid empurrado por vexames racistas.
Outros têm as sua razões para amar a equipa. A mão de um pai que nos levou ao Jamor... O importante é ficarmos com esse sentimento de pertença. Fixados, coleccionam-se momentos, como outros, cromos. No meu passaporte de cidadão da selecção nacional, o carimbo mais querido é, claro, o daquele Portugal-Coreia, Mundial de 66. Mais uma vez, amei Portugal quando ele se revelava nos antípodas de Portugal. Os 9 999 999 portugueses desalentados com o 0-3, e um português de raça decidido a mudar o destino. Eusébio carregando o País às costas deu a volta ao resultado, negando-se a abraços até à epopeia concluída. Nunca chorei tão bom.
Depois disso, o meu affaire com a selecção nacional têm sido chispas, meras chispas - Futre e Chalana, Figo e Rui Costa e, até, Ricardo, o dos penáltis. Sempre acreditando tudo, sabendo que teria pouco. A selecção era como aquela amante feia de quem só nós sabemos das qualidades e não dá para apregoar. Um affaire íntimo.
E não é que cheguei a esta selecção? A do Deco inclinado para a frente e do Cristiano Ronaldo inclinado para trás (só um apaixonado vê estes pormenores), que a Europa deu em invejar? Confesso, não sei como lidar com a situação. Não sou dos que pintam a cara e usam chapéus bizarros, sou dos que amam baixinho. Mas quando colegas de L'Équipe e de La Gazzetta dello Sport olham para mim como eu olho para o namorado da Scarlett Johansson, confirmo: "Sim, eu ando com esta equipa já há muitos anos..." E ponho um ar ainda mais discreto porque já apanhei as manhas dos poderosos.
In DN, hoje.
Ó P'RA MIM CÁ EM CIMA!
por Ferreira Fernandes
jornalista - ferreira.fernandes@dn.pt
Não se gosta de uma equipa porque ela é a boa, mas porque ela é a nossa. Depois de ela ser a nossa, quando a ligação já tem memória e essas coisas, então, vamos descobrir as razões porque ela é a boa. Encontram-se sempre.
A questão é, pois, a inicial: porque é aquela a nossa equipa? Eu conheço a minha razão. Até porque a minha equipa é Portugal e quando a minha equipa começou a ser Portugal - falo do início dos anos 60 - Portugal era a última coisa que me embalava. A minha razão: Coluna. Um não branco a mandar em brancos. Um capitão, patrão inquestionável, coisa que se via das bancadas: "Sr. Coluna, posso ser eu a marcar o livre?", perguntava um rapaz pálido. E o Sr. Coluna deixava, ou não.
Não queiram saber como aquilo era ar fresco. A selecção portuguesa desse tempo era como a Nokia hoje para a Finlândia - por ela, o mundo talvez não soubesse, mas adivinhava a modernidade. Talvez não nos invejasse, mas devia. Foi nessa altura que me tornei adepto da equipa. Lembro, naquele tempo não havia negros a jogar na Europa: Didi, um mestiço como Coluna, um dos três deuses da melhor equipa de sempre (Brasil, 1958, com Garrincha e Pelé), saiu do Real Madrid empurrado por vexames racistas.
Outros têm as sua razões para amar a equipa. A mão de um pai que nos levou ao Jamor... O importante é ficarmos com esse sentimento de pertença. Fixados, coleccionam-se momentos, como outros, cromos. No meu passaporte de cidadão da selecção nacional, o carimbo mais querido é, claro, o daquele Portugal-Coreia, Mundial de 66. Mais uma vez, amei Portugal quando ele se revelava nos antípodas de Portugal. Os 9 999 999 portugueses desalentados com o 0-3, e um português de raça decidido a mudar o destino. Eusébio carregando o País às costas deu a volta ao resultado, negando-se a abraços até à epopeia concluída. Nunca chorei tão bom.
Depois disso, o meu affaire com a selecção nacional têm sido chispas, meras chispas - Futre e Chalana, Figo e Rui Costa e, até, Ricardo, o dos penáltis. Sempre acreditando tudo, sabendo que teria pouco. A selecção era como aquela amante feia de quem só nós sabemos das qualidades e não dá para apregoar. Um affaire íntimo.
E não é que cheguei a esta selecção? A do Deco inclinado para a frente e do Cristiano Ronaldo inclinado para trás (só um apaixonado vê estes pormenores), que a Europa deu em invejar? Confesso, não sei como lidar com a situação. Não sou dos que pintam a cara e usam chapéus bizarros, sou dos que amam baixinho. Mas quando colegas de L'Équipe e de La Gazzetta dello Sport olham para mim como eu olho para o namorado da Scarlett Johansson, confirmo: "Sim, eu ando com esta equipa já há muitos anos..." E ponho um ar ainda mais discreto porque já apanhei as manhas dos poderosos.
In DN, hoje.
sábado, junho 14, 2008
Pacto de Dover - "novas (velhas) pistas"
A Professora Maria Cândida Proença publicou no "Círculo de Leitores" uma biografia de D. Manuel II, onde, não obstante revelar um esforço muito sério de investigação, não conseguiu por vezes evitar fazer-se eco de algumas falsidades postas a correr pela propaganda republicana, tanto acerca do carácter do Rei, como acerca do Pacto de Dover por este celebrado com D. Miguel II.
Neste último caso - Pacto de Dover - Maria Cândida Proença fez-se então eco da tese segundo a qual o Pacto de Dover não teria existido (in D. Manuel II, Lisboa, Círculo de Leitores, 2006, pp. 137-142). Esta foi a tese defendida e adoptada pelos republicanos salazaristas, de 1932 em diante. Ao adoptar esta tese, os salazaristas fizeram-se eco da versão dos acontecimentos posta a correr pelos detractores monárquicos do Pacto, como o Marquês de Lavradio. Um eco interessado e interesseiro - foi na base da negação do Pacto de Dover que Salazar declarou D. Manuel morto "sem herdeiro, nem sucessor", apropriando para o Estado (em benefício do seu entourage) os bens da Casa de Bragança.
Mas eis agora a notícia de que Maria Cândida Proença, no lançamento de uma nova edição da biografia de D. Manuel II, terá dito à "Lusa" que surgiram entretanto "novas pistas" nos arquivos que estudou. Não serão decerto "novas pistas", sendo provavelmente "pistas" que confirmam a versão dos factos sempre defendida pelos monárquicos da Causa.
A ser verdadeira esta correcção por parte da Autora, como se depreende da notícia transcrita, cumpre saudar a sua seriedade científica, não vacilando perante dados que confirmam a versão dos acontecimentos, e as fontes publicadas em 1933 pela Causa Monárquica de D. Manuel II. Foi, na verdade, alegando ter em conta o espírito do Pacto de Dover que a Causa Monárquica reconheceu então sem hesitação D. Duarte Nuno de Bragança como herdeiro dos reis de Portugal.
Eis pois uma obra de leitura obrigatória, na esperança de não ver defraudada esta notícia e saudação.
JMQ
História: Nova biografia de D. Manuel II revela um Rei "atento e cuidadoso" e não "o tonto piedoso" da propaganda republicana
Lisboa, 07 Jun (Lusa) - D. Manuel II foi um monarca "atento, preocupado, cauteloso, mas não um tonto, piedoso e orientado pela mãe", como acusavam os republicanos, sustenta a historiadora Maria Cândida Proença, autora de uma biografia do último Rei de Portugal.
"D. Manuel II era um moderador, cauteloso sem dúvida, e profundamente preso ao juramento que fizeram à Carta Constitucional, a 06 de Maio de 1908, quando assumiu a coroa", disse a investigadora Maria Cândida Proença à agência Lusa.
A historiadora afirmou que o monarca "não era o tonto que a propaganda republicana pretendeu fazer dele", e lamentou o facto "da sua personalidade e acção serem pouco conhecidas dos portugueses que fazem dele uma outra ideia".
A sua curta acção política como soberano, de 1908 a 1910, "demonstra preocupação com o país".
"Estudava as pastas até altas horas da noite, e era atento à situação política, pois tentou travar o avanço republicano, ao fazer uma aliança com os socialistas, procurando cativar para a Coroa as massas populares e o operariado".
Para esta biografia que levou cerca de seis meses a concretizar, a historiadora utilizou dois fundos documentais inéditos, o espólio de D. Manuel II e o que se encontra depositado na Associação Cultural da Casa de Sabugosa e S. Lourenço.
Segundo a historiadora, estes dois núcleos documentais "deram achegas muito importantes para compreender melhor não só personalidade D. Manuel como os seus pais e várias personalidades da época".
"Estes documentos dão, por exemplo, novas pistas relativamente ao Pacto de Dover que estabelece a pretensão ao trono [assinado em 1912 pelos dois ramos da família de Bragança]".
Cândida Proença acrescentou ainda que "são muito interessantes as cartas trocadas entre o Rei e o marquês de Sobral, e também com Henrique de Paiva Couceiro, que tentou reinstaurar a monarquia".
"O Rei, relativamente a Couceiro, não o apoiou abertamente, pois foi sempre cauteloso. Defendia antes uma campanha de esclarecimento que naturalmente faria desejar o regresso da monarquia. Defendia também que os monárquicos deviam ir conquistando lugares no Parlamento e de destaque na sociedade", disse.
Relativamente a esta biografia, agora editada pela Temas & Debates, Maria Cândida Proença afirmou que procura "ser esclarecedora relativamente à ideia feita do monarca pela propaganda republicana, traz novos dados da sua atitude política durante o exílio em Inglaterra, e a sua acção na Cruz Vermelha Internacional".
"D. Manuel tinha um grande amor a tudo o que era português e teve sempre em primeiro plano os interesses patrióticos e dos portugueses, e não os seus", acrescentou.
D. Manuel II assumiu a trono aos 18 anos, após o assassinato do pai, o Rei D. Carlos, e o seu irmão mais velho, D. Luís Filipe, a 01 de Fevereiro de 1908, interrompendo a sua carreira naval à qual estava predestinado.
Em 4 de Setembro de 1913 casa em Singmaringen (Alemanha) com a princesa Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen, sua segunda prima, pois ambos eram bisnetos da Rainha D. Maria II e do príncipe consorte D. Fernando.
O Rei morreu em 2 de Julho de 1932, em Twickenham (Inglaterra), não deixando descendentes, assumindo a pretensão ao trono, de acordo com o Pacto de Dover, D. Duarte Nuno de Bragança, neto de D. Miguel I.
NL.
2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. - 2008-06-07 09:35:01
Neste último caso - Pacto de Dover - Maria Cândida Proença fez-se então eco da tese segundo a qual o Pacto de Dover não teria existido (in D. Manuel II, Lisboa, Círculo de Leitores, 2006, pp. 137-142). Esta foi a tese defendida e adoptada pelos republicanos salazaristas, de 1932 em diante. Ao adoptar esta tese, os salazaristas fizeram-se eco da versão dos acontecimentos posta a correr pelos detractores monárquicos do Pacto, como o Marquês de Lavradio. Um eco interessado e interesseiro - foi na base da negação do Pacto de Dover que Salazar declarou D. Manuel morto "sem herdeiro, nem sucessor", apropriando para o Estado (em benefício do seu entourage) os bens da Casa de Bragança.
Mas eis agora a notícia de que Maria Cândida Proença, no lançamento de uma nova edição da biografia de D. Manuel II, terá dito à "Lusa" que surgiram entretanto "novas pistas" nos arquivos que estudou. Não serão decerto "novas pistas", sendo provavelmente "pistas" que confirmam a versão dos factos sempre defendida pelos monárquicos da Causa.
A ser verdadeira esta correcção por parte da Autora, como se depreende da notícia transcrita, cumpre saudar a sua seriedade científica, não vacilando perante dados que confirmam a versão dos acontecimentos, e as fontes publicadas em 1933 pela Causa Monárquica de D. Manuel II. Foi, na verdade, alegando ter em conta o espírito do Pacto de Dover que a Causa Monárquica reconheceu então sem hesitação D. Duarte Nuno de Bragança como herdeiro dos reis de Portugal.
Eis pois uma obra de leitura obrigatória, na esperança de não ver defraudada esta notícia e saudação.
JMQ
História: Nova biografia de D. Manuel II revela um Rei "atento e cuidadoso" e não "o tonto piedoso" da propaganda republicana
Lisboa, 07 Jun (Lusa) - D. Manuel II foi um monarca "atento, preocupado, cauteloso, mas não um tonto, piedoso e orientado pela mãe", como acusavam os republicanos, sustenta a historiadora Maria Cândida Proença, autora de uma biografia do último Rei de Portugal.
"D. Manuel II era um moderador, cauteloso sem dúvida, e profundamente preso ao juramento que fizeram à Carta Constitucional, a 06 de Maio de 1908, quando assumiu a coroa", disse a investigadora Maria Cândida Proença à agência Lusa.
A historiadora afirmou que o monarca "não era o tonto que a propaganda republicana pretendeu fazer dele", e lamentou o facto "da sua personalidade e acção serem pouco conhecidas dos portugueses que fazem dele uma outra ideia".
A sua curta acção política como soberano, de 1908 a 1910, "demonstra preocupação com o país".
"Estudava as pastas até altas horas da noite, e era atento à situação política, pois tentou travar o avanço republicano, ao fazer uma aliança com os socialistas, procurando cativar para a Coroa as massas populares e o operariado".
Para esta biografia que levou cerca de seis meses a concretizar, a historiadora utilizou dois fundos documentais inéditos, o espólio de D. Manuel II e o que se encontra depositado na Associação Cultural da Casa de Sabugosa e S. Lourenço.
Segundo a historiadora, estes dois núcleos documentais "deram achegas muito importantes para compreender melhor não só personalidade D. Manuel como os seus pais e várias personalidades da época".
"Estes documentos dão, por exemplo, novas pistas relativamente ao Pacto de Dover que estabelece a pretensão ao trono [assinado em 1912 pelos dois ramos da família de Bragança]".
Cândida Proença acrescentou ainda que "são muito interessantes as cartas trocadas entre o Rei e o marquês de Sobral, e também com Henrique de Paiva Couceiro, que tentou reinstaurar a monarquia".
"O Rei, relativamente a Couceiro, não o apoiou abertamente, pois foi sempre cauteloso. Defendia antes uma campanha de esclarecimento que naturalmente faria desejar o regresso da monarquia. Defendia também que os monárquicos deviam ir conquistando lugares no Parlamento e de destaque na sociedade", disse.
Relativamente a esta biografia, agora editada pela Temas & Debates, Maria Cândida Proença afirmou que procura "ser esclarecedora relativamente à ideia feita do monarca pela propaganda republicana, traz novos dados da sua atitude política durante o exílio em Inglaterra, e a sua acção na Cruz Vermelha Internacional".
"D. Manuel tinha um grande amor a tudo o que era português e teve sempre em primeiro plano os interesses patrióticos e dos portugueses, e não os seus", acrescentou.
D. Manuel II assumiu a trono aos 18 anos, após o assassinato do pai, o Rei D. Carlos, e o seu irmão mais velho, D. Luís Filipe, a 01 de Fevereiro de 1908, interrompendo a sua carreira naval à qual estava predestinado.
Em 4 de Setembro de 1913 casa em Singmaringen (Alemanha) com a princesa Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen, sua segunda prima, pois ambos eram bisnetos da Rainha D. Maria II e do príncipe consorte D. Fernando.
O Rei morreu em 2 de Julho de 1932, em Twickenham (Inglaterra), não deixando descendentes, assumindo a pretensão ao trono, de acordo com o Pacto de Dover, D. Duarte Nuno de Bragança, neto de D. Miguel I.
NL.
2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. - 2008-06-07 09:35:01
sexta-feira, junho 13, 2008
Sonho de uma tarde franciscana
"Mas olha como faliram as quimeras dos homens do século, que hoje se vêem, crianças desoladas, diante dos seus bonitos escangalhados. Em que veio a parar, sobretudo, essa ânsia sequiosíssima de ouro? Ah! pobres, desgraçados homens do ouro!... Olha como no tumulto desmanchado e pululante do mundo os Bancos quebram, essas igrejas do século, onde os postigos gradeados semelham confessionários do demónio, e em que os livros de cheques são as Horas que folheiam os místicos do ouro. Começa agora o mundo a entender quanto o ouro é falaz e fatal, esse esterco das entranhas da terra, tido por tam precioso entre os homens que todas as humanas criaturas o lambiam prostradas. Ah!, mal-aventurados homens do ouro, que, se nunca lograram descansado sono, suam hoje em insónia e pesadelo, no cuidado de defender o que lhes resta, na lástima de chorar quanto perderam!"
...
"E em que veio parar, homens do século, a vossa sede de ciência sem espirito de Deus, de ciência ao serviço da usura, pois que ciência chamais aos vossos mergulhos às cegas no resplendente abismo infinito de Deus?"
...
Em dia de Santo António, estava lendo e meditando estas palavras de Afonso Lopes Vieira, quando me chegaram entusiasmantes notícias da Irlanda.
Em dia de Santo António, elevando ao céu uma prece pelo seu sonho maravilhoso, regozijo e dou também graças pela vitória dos irlandeses sobre a agiotagem de Bruxelas!
Que esta terceira derrota do seu projecto de Estado europeu (agora contido no "Tratado de Lisboa", em nome que é afronta aos portugueses) possa frutificar em mais civilização europeia, em vera civilização de povos europeus unidos e livres, abertos à universalidade, sem agência de armamentos, exército europeu, e outras infernais loucuras.
A Europa pode e deve continuar a sonhar, aspirando à sombra de árvores que não brotem de asfaltos.
...
"E em que veio parar, homens do século, a vossa sede de ciência sem espirito de Deus, de ciência ao serviço da usura, pois que ciência chamais aos vossos mergulhos às cegas no resplendente abismo infinito de Deus?"
...
Em dia de Santo António, estava lendo e meditando estas palavras de Afonso Lopes Vieira, quando me chegaram entusiasmantes notícias da Irlanda.
Em dia de Santo António, elevando ao céu uma prece pelo seu sonho maravilhoso, regozijo e dou também graças pela vitória dos irlandeses sobre a agiotagem de Bruxelas!
Que esta terceira derrota do seu projecto de Estado europeu (agora contido no "Tratado de Lisboa", em nome que é afronta aos portugueses) possa frutificar em mais civilização europeia, em vera civilização de povos europeus unidos e livres, abertos à universalidade, sem agência de armamentos, exército europeu, e outras infernais loucuras.
A Europa pode e deve continuar a sonhar, aspirando à sombra de árvores que não brotem de asfaltos.
quinta-feira, junho 12, 2008
O "plano B"

Quando os referendos em alguns países europeus começaram a oxigenar as águas pútridas de Bruxelas, foi criado um "plano B", através do qual a chumbada Constituição Europeia vestiu as roupagens do chamado "Tratado de Lisboa".
Sem poder tocar na Constituição da Irlanda, onde os irlandeses continuam a ter a última palavra em matéria de Tratados, esse "plano B" de Bruxelas teve que sofrer ligeiras alterações, em resposta a um eventual claro e rotundo "não" irlandês. Começa agora a ser conhecido esse novo "plano B" delineado nas reuniões secretas de 7 e 13 de Maio. Pouco importa que os povos europeus queiram ou não um Estado Europeu. Bruxelas quer, e isso parece bastar. Se não conseguirmos travar a loucura de Bruxelas, a guerra civil europeia atingirá também o extremo ocidental europeu.
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quinta-feira, junho 12, 2008
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Colapso do Euro
quarta-feira, junho 11, 2008
Dom Duarte de Bragança - Entrevista ao Rádio Clube
quarta-feira, maio 28, 2008
A Juventude e o ideário monárquico
A Associação Real de Lisboa e a Juventude Monárquica de Lisboa, vai realizar na Sociedade Histórica de Independência de Portugal, pela 1ª vez, uma sessão de esclarecimento dos seus ideais e conteúdos políticos.
Joel Moedas Miguel e Duarte Calheiros, membros da Direcção da Lista A, que venceu as passadas eleições da Real de Lisboa, criaram um paínel de programação, virado para os Media e sociedade civil, com o objectivo de aumentar a mobilização de jovens.
As iniciativas que pretendem desenvolver passam por sessões de esclarecimento em Universidades, Instituições Culturais e na realização mensal de Tertúlias com oradores convidados, abertas ao público em geral.
A abrir, Joel Moedas Miguel tratará o tema "A Juventude e o Ideário Monárquico", no dia 29 de Maio, às 17h30, no Palácio da Independência de Portugal,
A Juventude Monárquica de Lisboa está de parabéns por ser "Cartaz", na Sociedade Histórica de Independência de Portugal.
sábado, maio 24, 2008
Um orçamento de Guerra
Já aqui tinha sido dito algo acerca do "softpower" de Obama. A proposta inicial era esmagadora. Sabemos agora que a despesa do Pentágono será superior ao que foi inicialmente proposto. O novo total (às claras) atinge agora os 601.4 biliões de dólares. Estamos perante um orçamento de guerra global!
Eis a notícia:
The U.S. House of Representatives late on May 22 overwhelmingly approved a measure that would clear the Pentagon to spend $601.4 billion on weapon programs, personnel, construction projects, research efforts and other initiatives.
THE BILL WILL allow the U.S. Air Force to purchase 20 new F-22A fighters.
The massive authorization measure, passed 384 to 23, includes $3 billion in research and development funds for the Army's Future Combat Systems program, a $200 million cut to the president's request. The chamber did, however, fully fund the president's $331 million request for 2009 FCS procurement.
During floor debate on the measure, the House soundly axed an amendment offered by Rep. Todd Akin, R-Mo., that sought to revive $193 million of the FCS research funding reduction. Akin proposed freeing up those dollars by cutting military health care and other personnel accounts.
Opponents of the amendment, including Rep. Ike Skelton, D-Mo., chairman of the House Armed Services Committee, argued the reduction would not affect any FCS components slated to be fielded until 2015.
The House bill also would authorize spending $2.2 billion for Abrams tank, Bradley fighting vehicle and Stryker vehicle upgrades, $3.4 billion for armored Humvees and $3.1 billion for helicopter programs.
The bill, crafted by Skelton's panel, includes a green light to spend $400 million not requested by the White House to purchase two DDG-51 Arleigh Burke destroyers, a move made possible by pushing back delivery of a third DDG 1000-class destroyer.
The House measure authorizes $2.5 billion in procurement and research funding for Navy F/A-18E/F and EA-18G fighters, and adds $262.5 million for Joint Strike Fighter R&D, moves aimed at helping the sea service address its so-called "fighter gap."
It also reduces the amount the Marine Corps can spend in fiscal 2009 on its troubled Expeditionary Fighting Vehicle program to $275.8 million, a $40.2 million cut in R&D dollars.
For ships, the bill clears the Navy to buy an additional LPD-17 amphibious and two new T-AKE transporters.
The biggest move the measure would usher in for Air Force programs was an authorization to purchase 15 new Boeing-made C-17s, a legislative move needed to help keep the Long Beach, Calif.-based Globemaster production line humming. The Senate's version of the second 2008 war supplemental, approved by that chamber May 22, includes funding for those new military cargo planes.
The measure also reduces the amount the Air Force requested for its controversial C-5 airlifter modernization program by $60 million, to $425.5 million for 2009. It also clears the service to purchase 20 new F-22A fighters next fiscal year. The chamber also authorized the Air Force to spend $1.3 billion to purchase 52 Predator, Reaper and Global Hawk unmanned aerial vehicles.
For space, the measure fully funds the Air Force's spending plans for the Transformation Satellite (TSAT), Space Based Infrared System (SBIRS) and Evolved Expendable Launch Vehicle (EELV) programs, a total of $4.2 billion in research and procurement monies.
The bill also trims $700 million from the administration's $9.3 billion request for Missile Defense Agency (MDA) spending in 2009, including a $232 million cut from the White House's plan for a European missile shield. That reduction would leave MDA with $8.6 billion, which is still $213 million more than the agency received this fiscal year.
That missile defense cut reflects panel members' belief the agency should focus on weapons that will be fielded sooner rather than later, a continued skepticism about the administration's plans to field a missile shield in Europe and program-specific worries, according to Rep. Ellen Tauscher, D-Calif., chairwoman of the House Armed Services strategic forces subcommittee.
The Senate Armed Services Committee has approved its own $612.5 billion version of the measure. With Congress leaving May 23 for its annual weeklong Memorial Day recess, the full Senate is not expected to take up its version of the Pentagon authorization bill until next month. A House-Senate conference committee will iron out any differences between the two bills after the full Senate has approved its bill.
The White House, in a May 22 statement of administration policy, indicated the president would veto any defense authorization bill that includes several provisions in the House bill, including: the missile defense reduction, one that would prohibit competitions between private companies and government entities, require all interrogations be videotaped, as well as ones that would set Iraq withdrawal dates and alter the executive branch's ability to enter into certain pacts with the Iraqi government.
Sending a message to the president, the House ignored the veto threat and included each one, among others included in the veto threat section of that policy statement.
The White House also raised concerns about other portions of the House bill but did not threaten to reject the measure if they were included, including: raising funding levels to purchase more C-17s, F-22As, an LPD-17 ship and a Virginia-class submarine. The administration also expressed worries about the House's decision to inflate the amount the Pentagon can spend on advanced research efforts for the F-35 fighter and its move to delay the third DDG-100 destroyer.
fonte: Defense News
Eis a notícia:
The U.S. House of Representatives late on May 22 overwhelmingly approved a measure that would clear the Pentagon to spend $601.4 billion on weapon programs, personnel, construction projects, research efforts and other initiatives.
THE BILL WILL allow the U.S. Air Force to purchase 20 new F-22A fighters.
The massive authorization measure, passed 384 to 23, includes $3 billion in research and development funds for the Army's Future Combat Systems program, a $200 million cut to the president's request. The chamber did, however, fully fund the president's $331 million request for 2009 FCS procurement.
During floor debate on the measure, the House soundly axed an amendment offered by Rep. Todd Akin, R-Mo., that sought to revive $193 million of the FCS research funding reduction. Akin proposed freeing up those dollars by cutting military health care and other personnel accounts.
Opponents of the amendment, including Rep. Ike Skelton, D-Mo., chairman of the House Armed Services Committee, argued the reduction would not affect any FCS components slated to be fielded until 2015.
The House bill also would authorize spending $2.2 billion for Abrams tank, Bradley fighting vehicle and Stryker vehicle upgrades, $3.4 billion for armored Humvees and $3.1 billion for helicopter programs.
The bill, crafted by Skelton's panel, includes a green light to spend $400 million not requested by the White House to purchase two DDG-51 Arleigh Burke destroyers, a move made possible by pushing back delivery of a third DDG 1000-class destroyer.
The House measure authorizes $2.5 billion in procurement and research funding for Navy F/A-18E/F and EA-18G fighters, and adds $262.5 million for Joint Strike Fighter R&D, moves aimed at helping the sea service address its so-called "fighter gap."
It also reduces the amount the Marine Corps can spend in fiscal 2009 on its troubled Expeditionary Fighting Vehicle program to $275.8 million, a $40.2 million cut in R&D dollars.
For ships, the bill clears the Navy to buy an additional LPD-17 amphibious and two new T-AKE transporters.
The biggest move the measure would usher in for Air Force programs was an authorization to purchase 15 new Boeing-made C-17s, a legislative move needed to help keep the Long Beach, Calif.-based Globemaster production line humming. The Senate's version of the second 2008 war supplemental, approved by that chamber May 22, includes funding for those new military cargo planes.
The measure also reduces the amount the Air Force requested for its controversial C-5 airlifter modernization program by $60 million, to $425.5 million for 2009. It also clears the service to purchase 20 new F-22A fighters next fiscal year. The chamber also authorized the Air Force to spend $1.3 billion to purchase 52 Predator, Reaper and Global Hawk unmanned aerial vehicles.
For space, the measure fully funds the Air Force's spending plans for the Transformation Satellite (TSAT), Space Based Infrared System (SBIRS) and Evolved Expendable Launch Vehicle (EELV) programs, a total of $4.2 billion in research and procurement monies.
The bill also trims $700 million from the administration's $9.3 billion request for Missile Defense Agency (MDA) spending in 2009, including a $232 million cut from the White House's plan for a European missile shield. That reduction would leave MDA with $8.6 billion, which is still $213 million more than the agency received this fiscal year.
That missile defense cut reflects panel members' belief the agency should focus on weapons that will be fielded sooner rather than later, a continued skepticism about the administration's plans to field a missile shield in Europe and program-specific worries, according to Rep. Ellen Tauscher, D-Calif., chairwoman of the House Armed Services strategic forces subcommittee.
The Senate Armed Services Committee has approved its own $612.5 billion version of the measure. With Congress leaving May 23 for its annual weeklong Memorial Day recess, the full Senate is not expected to take up its version of the Pentagon authorization bill until next month. A House-Senate conference committee will iron out any differences between the two bills after the full Senate has approved its bill.
The White House, in a May 22 statement of administration policy, indicated the president would veto any defense authorization bill that includes several provisions in the House bill, including: the missile defense reduction, one that would prohibit competitions between private companies and government entities, require all interrogations be videotaped, as well as ones that would set Iraq withdrawal dates and alter the executive branch's ability to enter into certain pacts with the Iraqi government.
Sending a message to the president, the House ignored the veto threat and included each one, among others included in the veto threat section of that policy statement.
The White House also raised concerns about other portions of the House bill but did not threaten to reject the measure if they were included, including: raising funding levels to purchase more C-17s, F-22As, an LPD-17 ship and a Virginia-class submarine. The administration also expressed worries about the House's decision to inflate the amount the Pentagon can spend on advanced research efforts for the F-35 fighter and its move to delay the third DDG-100 destroyer.
fonte: Defense News
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quinta-feira, maio 22, 2008
Corpo de Deus
Os Duques de Bragança, vão estar hoje presentes na Procissão do Corpo de Deus que se realiza pelas 16H30 em Lisboa. O Presidente da Real de Lisboa, Ricardo Abranches e o Presidente da Juventude Monárquica de Lisboa, Joel Moedas Miguel, assim como muitos associados vão estar na tradicional Procissão do Corpo de Deus, que percorrerá as principais ruas da Baixa, até à Praça do Município.
A Procissão, organizada pelas Paróquias da Baixa-Chiado, parte às 16h30 do Largo da Sé, seguindo pela Rua de Santo António, Largo da Madalena, Rua da Conceição, Rua da Prata, Praça da Figueira, Rua da Betesga, Largo do Rossio, Rua do Ouro e Rua do Arsenal, terminando na Praça do Município, onde o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, procederá à Benção Solene.
CORPO DE DEUS
A solenidade conhecida pelo nome de Corpus Christi (em Portugal designada Corpo de Deus) ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, só ganha lugar de relevo na Liturgia em 1246, quando o bispo de Liège (Bélgica) instituiu a festa, na sua diocese. Esta primeira “festa oficial” do Corpus Christi surge em consequência das revelações recebidas pela Beata Juliana de Retinne. Pela bula Transiturus (1264), o Papa Urbano IV (que antes fora bispo de Liège) estendeu a festa a toda a Igreja, como solenidade de adoração da Sagrada Eucaristia.
A solenidade do Corpus Christi já era celebrada em Portugal no século XIII, desde o reinado de D. Afonso III. Era, à época, uma festa de adoração, não envolvendo a procissão pelas ruas.
O rito da procissão foi instituído pelo Papa João XXII (1317). Na igreja dos Mártires, em Lisboa, manteve-se, no decurso dos séculos (e apesar das inovações havidas), o rito da festa com exposição do Santíssimo, Procissão, Vésperas solenes e Sermão.
As Câmaras Municipais e as Corporações de Artes e Ofícios acolheram a devota iniciativa, pelo que, a breve trecho, a Procissão veio a tornar-se a mais vistosa e interessante de todas, merecendo o título de “Procissão das Procissões”.
Constituída por cortejo cívico e corporativo, com carros alegóricos, figuras pitorescas, danças, momices e cenas de autos sacramentais, a procissão demorava horas a caminhar, vindo a constituir tanto um evento religioso como um evento social.
As Câmaras, determinando instruções régias, publicaram Regimentos ou regulamentos da Procissão, indicando os usos e os costumes, os modos de vestir, as obrigações de cada Corporação, as danças (entre elas a judenga, ou dança dos judeus), as bandeiras e pendões, as coreografias (anjinhos, folias, figuras sacras...) e o lugar do Clero. Raras foram as sedes concelhias que não tiveram Regimento da Festa, mas as memórias mais expressivas acerca da Procissão ficaram em Coimbra, no Porto e em Lisboa.
Celebrada em Lisboa, a festa do Corpo de Deus incluiu a Procissão, pela primeira vez, em 1389. Eram os tempos da consolidação da autonomia face a Castela e do bom ambiente criado pelas vitórias bélicas de Nuno Álvares e da influência cultural britânica (a ponto de S. Jorge - devoção inglesa, vencedor do Mal, do Dragão - ser considerado Padroeiro de Portugal).
Por isso, à solenidade do Corpus Christi juntou-se a festa de S. Jorge. Desta junção, resultou a magnificência da Procissão da capital. A festa chegou a atingir surpreendente grandiosidade no tempo de D. João V, incorporando a Procissão incorporava, desde logo, as associações socioprofissionais e também as delegações das diversas Ordens Religiosas de Lisboa (Agostinhos, Beneditinos, Dominicanos, Franciscanos, Ordem de Cristo...) e militares. No cortejo, avultava a figura de S. Jorge a cavalo e a Serpe, ou dragão infernal (do tipo chinês, locomovido por figurantes), contra o qual S. Jorge lutava.
Havia paragens para representação das famas ou glórias de S. Jorge; e também para uma série de danças. Representavam-se ainda as tradicionais “estações” do Santíssimo, como hoje ainda se faz na procissão de Sevilha.
No final do cortejo, vinha o pálio, a cujas varas pegavam os mais altos dignitários da Corte e da Câmara, sempre representada por toda a Vereação. Sob o palio, deslocava-se o Bispo de Lisboa, ostentando a custódia com o Santíssimo Sacramento. Era ladeado pelo Rei, ou Chefe de Estado, ou dignitário similar.
Dado curioso a salientar é o da tentação de realização de atentados contra as figuras régias, durante a procissão do “Corpus Christi”. Um deles, contra a pessoa de D. João IV. Sobrevivendo o monarca ao acto, a sua esposa (D. Luísa de Gusmão) promoveu a construção do Convento dos Carmelitas, na Baixa Lisboeta. Edificado no exacto lugar do falhado crime, foi chamado do “Corpus Christi”. Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vitória, quando a procissão passava na rua do Ouro.
Mas a legislação de 1910, proibindo os dias santos da Igreja (excepto o Natal e o dia 1 de Janeiro), interrompeu o culto público, embora, nas igrejas, continuassem a ser celebradas missas solenes e solenes pontificiais nas Sés.
Patriarcado de Lisboa
Fonte:http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=60323&seccaoid=8&tipoid=115
A Procissão, organizada pelas Paróquias da Baixa-Chiado, parte às 16h30 do Largo da Sé, seguindo pela Rua de Santo António, Largo da Madalena, Rua da Conceição, Rua da Prata, Praça da Figueira, Rua da Betesga, Largo do Rossio, Rua do Ouro e Rua do Arsenal, terminando na Praça do Município, onde o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, procederá à Benção Solene.
CORPO DE DEUS
A solenidade conhecida pelo nome de Corpus Christi (em Portugal designada Corpo de Deus) ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, só ganha lugar de relevo na Liturgia em 1246, quando o bispo de Liège (Bélgica) instituiu a festa, na sua diocese. Esta primeira “festa oficial” do Corpus Christi surge em consequência das revelações recebidas pela Beata Juliana de Retinne. Pela bula Transiturus (1264), o Papa Urbano IV (que antes fora bispo de Liège) estendeu a festa a toda a Igreja, como solenidade de adoração da Sagrada Eucaristia.
A solenidade do Corpus Christi já era celebrada em Portugal no século XIII, desde o reinado de D. Afonso III. Era, à época, uma festa de adoração, não envolvendo a procissão pelas ruas.
O rito da procissão foi instituído pelo Papa João XXII (1317). Na igreja dos Mártires, em Lisboa, manteve-se, no decurso dos séculos (e apesar das inovações havidas), o rito da festa com exposição do Santíssimo, Procissão, Vésperas solenes e Sermão.
As Câmaras Municipais e as Corporações de Artes e Ofícios acolheram a devota iniciativa, pelo que, a breve trecho, a Procissão veio a tornar-se a mais vistosa e interessante de todas, merecendo o título de “Procissão das Procissões”.
Constituída por cortejo cívico e corporativo, com carros alegóricos, figuras pitorescas, danças, momices e cenas de autos sacramentais, a procissão demorava horas a caminhar, vindo a constituir tanto um evento religioso como um evento social.
As Câmaras, determinando instruções régias, publicaram Regimentos ou regulamentos da Procissão, indicando os usos e os costumes, os modos de vestir, as obrigações de cada Corporação, as danças (entre elas a judenga, ou dança dos judeus), as bandeiras e pendões, as coreografias (anjinhos, folias, figuras sacras...) e o lugar do Clero. Raras foram as sedes concelhias que não tiveram Regimento da Festa, mas as memórias mais expressivas acerca da Procissão ficaram em Coimbra, no Porto e em Lisboa.
Celebrada em Lisboa, a festa do Corpo de Deus incluiu a Procissão, pela primeira vez, em 1389. Eram os tempos da consolidação da autonomia face a Castela e do bom ambiente criado pelas vitórias bélicas de Nuno Álvares e da influência cultural britânica (a ponto de S. Jorge - devoção inglesa, vencedor do Mal, do Dragão - ser considerado Padroeiro de Portugal).
Por isso, à solenidade do Corpus Christi juntou-se a festa de S. Jorge. Desta junção, resultou a magnificência da Procissão da capital. A festa chegou a atingir surpreendente grandiosidade no tempo de D. João V, incorporando a Procissão incorporava, desde logo, as associações socioprofissionais e também as delegações das diversas Ordens Religiosas de Lisboa (Agostinhos, Beneditinos, Dominicanos, Franciscanos, Ordem de Cristo...) e militares. No cortejo, avultava a figura de S. Jorge a cavalo e a Serpe, ou dragão infernal (do tipo chinês, locomovido por figurantes), contra o qual S. Jorge lutava.
Havia paragens para representação das famas ou glórias de S. Jorge; e também para uma série de danças. Representavam-se ainda as tradicionais “estações” do Santíssimo, como hoje ainda se faz na procissão de Sevilha.
No final do cortejo, vinha o pálio, a cujas varas pegavam os mais altos dignitários da Corte e da Câmara, sempre representada por toda a Vereação. Sob o palio, deslocava-se o Bispo de Lisboa, ostentando a custódia com o Santíssimo Sacramento. Era ladeado pelo Rei, ou Chefe de Estado, ou dignitário similar.
Dado curioso a salientar é o da tentação de realização de atentados contra as figuras régias, durante a procissão do “Corpus Christi”. Um deles, contra a pessoa de D. João IV. Sobrevivendo o monarca ao acto, a sua esposa (D. Luísa de Gusmão) promoveu a construção do Convento dos Carmelitas, na Baixa Lisboeta. Edificado no exacto lugar do falhado crime, foi chamado do “Corpus Christi”. Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vitória, quando a procissão passava na rua do Ouro.
Mas a legislação de 1910, proibindo os dias santos da Igreja (excepto o Natal e o dia 1 de Janeiro), interrompeu o culto público, embora, nas igrejas, continuassem a ser celebradas missas solenes e solenes pontificiais nas Sés.
Patriarcado de Lisboa
Fonte:http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=60323&seccaoid=8&tipoid=115
sexta-feira, maio 16, 2008
quinta-feira, maio 15, 2008
O Prémio Infante Dom Henrique
Nacional
Realeza: Príncipe de Inglaterra em Portugal para entrega de prémio
Lisboa, 10 Abr (Lusa) - O príncipe Eduardo de Inglaterra, conde de Wessex, chega hoje a Portugal para a atribuição do prémio Infante Dom Henrique, que visa reconhecer o "desenvolvimento pessoal e social de jovens dos 14 aos 25 anos".
O herdeiro da família real inglesa e o duque de Bragança, Duarte Pio, estarão presentes na manhã de sexta-feira no Hotel Palácio no Estoril, para a abertura da sexta Conferência da Região (EMAS) Europa, Mediterrâneo e Países Árabes do Programa Internacional The Duque of Edinburg´s Award International Association.
As autoridades militares e policiais nacionais recusaram-se a prestar quaisquer informações adicionais, alegando "razões de segurança e protecção a altas individualidades".
O Prémio Infante Dom Henrique é a versão portuguesa do galardão internacional "The Duke of Edinburghs Award", e foi fundado no Porto em 1987, pela casa real portuguesa, que visa reconhecer jovens pela sua acção participativa em diferentes áreas "pelo que já fazem", na sociedade.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-04-10 16:20:01
http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=338922&visual=26&tm=Nacional
Realeza: Príncipe de Inglaterra em Portugal para entrega de prémio
Lisboa, 10 Abr (Lusa) - O príncipe Eduardo de Inglaterra, conde de Wessex, chega hoje a Portugal para a atribuição do prémio Infante Dom Henrique, que visa reconhecer o "desenvolvimento pessoal e social de jovens dos 14 aos 25 anos".
O herdeiro da família real inglesa e o duque de Bragança, Duarte Pio, estarão presentes na manhã de sexta-feira no Hotel Palácio no Estoril, para a abertura da sexta Conferência da Região (EMAS) Europa, Mediterrâneo e Países Árabes do Programa Internacional The Duque of Edinburg´s Award International Association.
As autoridades militares e policiais nacionais recusaram-se a prestar quaisquer informações adicionais, alegando "razões de segurança e protecção a altas individualidades".
O Prémio Infante Dom Henrique é a versão portuguesa do galardão internacional "The Duke of Edinburghs Award", e foi fundado no Porto em 1987, pela casa real portuguesa, que visa reconhecer jovens pela sua acção participativa em diferentes áreas "pelo que já fazem", na sociedade.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-04-10 16:20:01
http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=338922&visual=26&tm=Nacional
domingo, maio 11, 2008
Olivença - O Manifesto de 1 de Maio de 1808
No passado dia 1 de Maio, passaram duzentos anos sobre o Manifesto de 1 de Maio de 1808, acto legislativo do Príncipe-Regente após a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil na sequência da invasão francesa comandada por Junot, pelo qual o Governo Legitimo e Soberano de então declarou «nulo e de nenhum efeito» o Tratado de Badajoz, assinado sob a coacção dos exércitos espanhóis e franceses, sete anos antes.
Assim foi repudiada a ocupação de Olivença por Espanha, alcançada com um acto de guerra que nem o Direito de então havia de admitir, conforme veio a explicitar o Congresso de Viena, em 1815.
Com o Manifesto de 1 de Maio de 1808, Portugal jamais reconheceu ou aceitou a ocupação de Olivença pelo Estado espanhol, posição que obteve e tem consagração constitucional.
O Manifesto, proclamação da perenidade e independência de Portugal, visto por todos os portugueses como indicação para a insurreição contra os invasores, teve para os oliventinos, em particular, o significado de que a sua Pátria não os esquecia e não os abandonava.
Duzentos anos de separação forçada não apagaram a identidade mais profunda e verdadeira de Olivença.
O reencontro de Olivença e Portugal, sustentado na História, na Cultura, no Direito e na Moral, sendo uma promessa por cumprir, é desafio para ambas as margens do Guadiana.
Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org
Assim foi repudiada a ocupação de Olivença por Espanha, alcançada com um acto de guerra que nem o Direito de então havia de admitir, conforme veio a explicitar o Congresso de Viena, em 1815.
Com o Manifesto de 1 de Maio de 1808, Portugal jamais reconheceu ou aceitou a ocupação de Olivença pelo Estado espanhol, posição que obteve e tem consagração constitucional.
O Manifesto, proclamação da perenidade e independência de Portugal, visto por todos os portugueses como indicação para a insurreição contra os invasores, teve para os oliventinos, em particular, o significado de que a sua Pátria não os esquecia e não os abandonava.
Duzentos anos de separação forçada não apagaram a identidade mais profunda e verdadeira de Olivença.
O reencontro de Olivença e Portugal, sustentado na História, na Cultura, no Direito e na Moral, sendo uma promessa por cumprir, é desafio para ambas as margens do Guadiana.
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quinta-feira, maio 08, 2008
Uma legítima censura ao Governo
Nas posturas municipais de Coimbra de 1145 - talvez as primeiras que em Portugal se fizeram - encontram-se referências aos mesteres. Sabe-se que em 1167 existia em Guimarães a rua Çapateira, em 1203 a rua da Forja, em 1206 a rua Ferreira, em 1260 a rua Corrieira, e consta também que em 1272 os ourives de prata, de Lisboa, pretenderam edificar aí um hospital para o tratamento dos seus confrades pobres.
Pelas respostas aos capítulos oferecidos pela Casa dos Vinte e Quatro, em Julho de 1395, sabemos que a entrada dos quatro procuradores dos mesteres na Câmara de Lisboa é anterior ao tempo do rei D. João I. Nesses tempos antigos de um Portugal robusto, os ofícios eram com efeito distribuídos em grémios ou bandeiras, que representavam o terceiro estado da Nação. E sabemos também que a eleição da Casa dos Vinte e Quatro Mesteres, ou Casa dos Vinte e Quatro do Povo, tinha lugar todos os anos em dia de S. Tomé, no 21º dia de Dezembro.
Nada há agora que se assemelhe às regalias e aos poderes que as corporações do Trabalho tinham na antiga Monarquia portuguesa, como nada há também algo que se assemelhe aos poderes que o Juiz do Povo, pelo povo, gozava. Durante muitos séculos eleito directamente pelas classes populares, a que sempre pertencia, nunca o Estado cuidou de intervir na sua eleição, deveras livre e certa. Foi no reinado de D. Miguel que, pela última vez, o Juiz do Povo teve modo de fazer valer a sua autoridade. Depois do decreto de 7 de Maio de 1834, com efeito, as instituições de representação do Trabalho não mais deixaram de ficar acorrentadas à tirania capitalista.
Os masturbadores da História, uns atrás dos outros, têm vindo a negar às antigas formas de representação os altos serviços que as classes mecânicas - hoje apelidadas de trabalhadoras - prestaram à administração de Portugal, e não apenas na elevação ao trono dos nossos reis. A verdade é que persiste ainda hoje a situação criada em 1834. Foram-se as prerrogativas do Trabalho em benefício do Capital, continuando as classes trabalhadoras sem representação política ou qualquer outra forma de efectivo poder, que não seja hoje o de fazer greve e barafustar nas ruas. Ao actual Parlamento, sucedâneo dos parlamentos do século XIX, chamam agora pomposamente "Assembleia da República", sem que ali tivessem deixado de estar representados apenas os políticos profissionais, organizados em agrupamentos ideológicos, em nome de um abstracto "interesse geral". Não é para admirar o desprezo que as classes trabalhadoras sentem pelo Parlamento.
Hoje, um dos mais anacrónicos grémios de políticos profissionais portugueses - o Partido Comunista - vestiu-se, como gosta habitualmente de se vestir, com a roupa da defesa dos interesses dos trabalhadores. Porque é na verdade grave, muito grave, a situação económica e social em Portugal, não podiam deixar de recolher no parlamento "a resposta parlamentar possível"... fugiu-lhes a boca para a verdade.
A censura ao actual governo é no entanto legítima, isto é, assiste-lhe, além de base legal, uma funda razão moral, que é independente de quem a protagoniza. Não dispomos das imagens, mas merecem por isso ficar aqui registadas algumas passagens do discurso de Bernardino Soares, no encerramento do debate sobre a Moção de Censura ao XVII Governo Constitucional:
Senhor Presidente
Senhor Primeiro-Ministro e Senhores Membros do Governo
Senhoras e Senhores Deputados
O debate que agora termina comprovou que há muitas e boas razões para esta moção de censura. Esta moção de censura, que de uma forma global condenou a política do Governo, traduziu e deu expressão nesta Assembleia a um amplo e inequívoco sentimento popular de contestação à sua política e às suas consequências.
O próprio Primeiro Ministro foi obrigado a reconhecer durante este debate que há razões para censurar o Governo.
Por todo o lado os portugueses perguntam "onde é que isto vai parar", castigados que estão com o aumento do custo de vida, com os baixos salários e reformas, com o desemprego e a destruição de serviços públicos essenciais, com os sistemáticos ataques aos direitos e às liberdades e agora com as propostas de agravamento da legislação laboral.
É por isso que esta moção reafirma que é preciso travar esta política; que é preciso mudar de política. (...) ninguém duvida que o momento que o país e os portugueses vivem exige a mais forte resposta parlamentar possível.
Hoje em todo o país, centenas de milhares de reformados continuam a viver com pensões de miséria, a pagar mais caro os remédios na farmácia e os bens essenciais. São aqueles a quem o Governo negou aumentos significativos das pensões, invocando a suposta crise da segurança social, que agora afinal já não o impede de propor que se subsidiem os patrões só por cumprirem a lei.
Hoje em todo o país há milhares de trabalhadores que chegam à beira da reforma e descobrem que entretanto o Governo alterou a fórmula de cálculo, aprovada por um Governo anterior do PS e lhes retirou várias dezenas ou centenas de euros à já magra pensão.
Hoje, Portugal tem um desemprego real de cerca de seiscentos mil desempregados, sem considerar as centenas de milhares de portugueses que nos últimos anos voltaram a demandar a imigração por os governos do seu país não lhes darem condições de vida e de trabalho. O Governo vangloria-se de uma ligeira baixa do desemprego.
Nestes dias os salários reais não cessam de diminuir realmente, o que acontece há três anos consecutivos, sem que daí resulte um ganho de competitividade. Mas mesmo assim lá volta a receita do costume face à crise internacional, propondo mais restrições salariais.
Nestes dias os portugueses enfrentam graves aumentos dos preços dos bens e serviços essenciais (como o pão, os cereais, o leite, mas também a electricidade, os combustíveis, a água, ou as despesas com a habitação), fruto da especulação, do domínio dos mercados pelas grandes indústrias agro-alimentares e pelas cadeias de distribuição, e da sistemática destruição do aparelho produtivo a que se entregaram os vários governos e que o actual continua.
Nestes sombrios dias da política... continua a destruição de serviços públicos, o financiamento de grupos privados com dinheiros públicos, como o famigerado contrato com o Hospital da Luz. Continua o encerramento de serviços quer por razões economicistas, quer para dar espaço aos privados, deixando as populações abandonadas e sem direitos essenciais ao seu alcance.
No Portugal do presente, acentua-se o espectro da fome, volta o medo da "panela rapada", agrava-se a pobreza, escondida ou assumida. E a resposta não pode assentar em meras solidariedades ou caridades mas sim numa justa repartição da riqueza produzida no país.
Mas ao mesmo tempo que tudo isto acontece, há quem beneficie da desgraçada política deste Governo. Lucra a banca ao mesmo tempo que paga menos impostos; lucram os grandes grupos económicos e as empresas do PSI-20. Os gestores destas empresas ganharam em média mais de 500 mil euros em 2007, isto é mais de 100 mil contos, sendo que nas três maiores os salários estão entre 2 milhões e 500 mil e 3 milhões de euros, isto é entre 500 e 600 mil contos, quinhentas vezes mais do que um trabalhador que ganhe o salário mínimo.
Ao mesmo tempo que isso acontece os governos entregaram mais de 15 milhões de euros a escritórios de advogados entre 2003 e 2006 para pareceres e outras funções, reais ou não, que aliás na generalidade podiam e deviam ser desempenhadas pela administração pública. Há mais de 190 milhões de euros previstos no Orçamento para estudos e consultorias.
Com este Governo o país está cada vez mais injusto e mais desigual.
O Governo quer alterar para pior o Código de Trabalho. (...) O ministro Vieira da Silva já deu avaliação positiva ao código que antes, e justamente, criticou e prepara-se para defender, qual vanguarda do patronato, a possibilidade de contornar a proibição constitucional do despedimento sem justa causa (diz o senhor Primeiro Ministro que já era possível o despedimento por inadaptação; então para que é a alteração que o Governo apresenta se não para despedir facilmente), a maior desregulação dos horários de trabalho, com diminuição de rendimento, e o ataque à contratação colectiva visando a atomização das relações laborais.
As propostas do Governo para a precariedade não são contra a precariedade; são para legalizar a precariedade e os recibos verdes em particular. (...) Trata-se de uma proposta que visa regular as relações laborais de forma cada vez mais idêntica às relações comerciais, deixando a parte mais fraca, o trabalhador, a quem a Constituição atribui o direito à protecção da legislação e do Estado, à mercê do arbítrio patronal. Sempre falsamente em nome da competitividade, para disfarçar o que não é mais do que exploração agravada com o patrocínio do Governo.
(...)
Ao mesmo tempo avança com o agravamento da precariedade e da arbitrariedade na administração pública, promovendo condições para o despedimento mais fácil e introduzindo condições para o controle governamental e a partidarização do aparelho do Estado.
Este Governo é responsável pelo sério empobrecimento das liberdades e dos direitos democráticos no nosso país. É o Governo que potencia a perseguição a quem protesta, a quem se manifesta, a quem luta pelos seus direitos. É o Governo que quer comandar politicamente a actuação das forças de segurança, centralizando o poder policial no primeiro-ministro. É o Governo que faz vista grossa ao esmagamento dos direitos nas empresas.
Se mais não houvesse para o caracterizar, bastariam três exemplos concretos: o do trabalhador de Torres Vedras, que tendo afirmado num programa da televisão pública que não era aumentado há cinco anos, o que correspondia à verdade, está sujeito a um processo de despedimento; ou o do despedimento colectivo selectivo na Lusocider que conseguiu em 53 trabalhadores incluir todos os delegados sindicais à excepção de um; ou finalmente o do processo da Gestnave, em que o Governo, a mando do Grupo Mello, promoveu o despedimento de mais de 200 trabalhadores, sendo que no conjunto dos chamados posteriormente pela empresa de trabalho temporário a que foram entregues, não se incluiu nenhum dos trabalhadores que a administração da empresa identificou no piquete na manhã da greve geral de 30 de Maio passado.
Este é ainda o Governo que quer entregar a soberania nacional aos interesses dos poderosos da União Europeia e que para o fazer renega as suas próprias promessas de consulta popular.
Este é o Governo que faz Decretos-Lei à medida da ganância partidária do PS, como é o caso da legislação das associações de municípios ou das regiões de turismo para controlar administrativamente o que não ganhou em eleições.
(...)
Esta moção é também um aviso para o futuro próximo, numa altura em que os governantes já vão falando na inevitabilidade de nova crise. Que o Governo não pense em impor ainda mais sacrifícios aos trabalhadores e ao povo. Que os vá pedir aos bancos e aos grandes grupos económicos e aos seus milhões de lucros. Aos grupos privados que tomam conta dos serviços públicos. Aos gestores das empresas PSI-20. Aos escritórios de advogados a quem entrega milhões de euros todos os anos. Que os vá pedir afinal aos causadores da crise que não são certamente os trabalhadores e o povo.
(...)
Pode esta censura ser rejeitada na Assembleia da República, mas sem dúvida é aprovada no país.
Este Governo merece censura porque governa contra a Constituição, contra o povo e contra os interesses do País.
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