"Mas olha como faliram as quimeras dos homens do século, que hoje se vêem, crianças desoladas, diante dos seus bonitos escangalhados. Em que veio a parar, sobretudo, essa ânsia sequiosíssima de ouro? Ah! pobres, desgraçados homens do ouro!... Olha como no tumulto desmanchado e pululante do mundo os Bancos quebram, essas igrejas do século, onde os postigos gradeados semelham confessionários do demónio, e em que os livros de cheques são as Horas que folheiam os místicos do ouro. Começa agora o mundo a entender quanto o ouro é falaz e fatal, esse esterco das entranhas da terra, tido por tam precioso entre os homens que todas as humanas criaturas o lambiam prostradas. Ah!, mal-aventurados homens do ouro, que, se nunca lograram descansado sono, suam hoje em insónia e pesadelo, no cuidado de defender o que lhes resta, na lástima de chorar quanto perderam!"
...
"E em que veio parar, homens do século, a vossa sede de ciência sem espirito de Deus, de ciência ao serviço da usura, pois que ciência chamais aos vossos mergulhos às cegas no resplendente abismo infinito de Deus?"
...
Em dia de Santo António, estava lendo e meditando estas palavras de Afonso Lopes Vieira, quando me chegaram entusiasmantes notícias da Irlanda.
Em dia de Santo António, elevando ao céu uma prece pelo seu sonho maravilhoso, regozijo e dou também graças pela vitória dos irlandeses sobre a agiotagem de Bruxelas!
Que esta terceira derrota do seu projecto de Estado europeu (agora contido no "Tratado de Lisboa", em nome que é afronta aos portugueses) possa frutificar em mais civilização europeia, em vera civilização de povos europeus unidos e livres, abertos à universalidade, sem agência de armamentos, exército europeu, e outras infernais loucuras.
A Europa pode e deve continuar a sonhar, aspirando à sombra de árvores que não brotem de asfaltos.
Nos liberi sumus; Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt... [Nós somos livres; nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram...]
sexta-feira, junho 13, 2008
quinta-feira, junho 12, 2008
O "plano B"

Quando os referendos em alguns países europeus começaram a oxigenar as águas pútridas de Bruxelas, foi criado um "plano B", através do qual a chumbada Constituição Europeia vestiu as roupagens do chamado "Tratado de Lisboa".
Sem poder tocar na Constituição da Irlanda, onde os irlandeses continuam a ter a última palavra em matéria de Tratados, esse "plano B" de Bruxelas teve que sofrer ligeiras alterações, em resposta a um eventual claro e rotundo "não" irlandês. Começa agora a ser conhecido esse novo "plano B" delineado nas reuniões secretas de 7 e 13 de Maio. Pouco importa que os povos europeus queiram ou não um Estado Europeu. Bruxelas quer, e isso parece bastar. Se não conseguirmos travar a loucura de Bruxelas, a guerra civil europeia atingirá também o extremo ocidental europeu.
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quinta-feira, junho 12, 2008
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Colapso do Euro
quarta-feira, junho 11, 2008
Dom Duarte de Bragança - Entrevista ao Rádio Clube
quarta-feira, maio 28, 2008
A Juventude e o ideário monárquico
A Associação Real de Lisboa e a Juventude Monárquica de Lisboa, vai realizar na Sociedade Histórica de Independência de Portugal, pela 1ª vez, uma sessão de esclarecimento dos seus ideais e conteúdos políticos.
Joel Moedas Miguel e Duarte Calheiros, membros da Direcção da Lista A, que venceu as passadas eleições da Real de Lisboa, criaram um paínel de programação, virado para os Media e sociedade civil, com o objectivo de aumentar a mobilização de jovens.
As iniciativas que pretendem desenvolver passam por sessões de esclarecimento em Universidades, Instituições Culturais e na realização mensal de Tertúlias com oradores convidados, abertas ao público em geral.
A abrir, Joel Moedas Miguel tratará o tema "A Juventude e o Ideário Monárquico", no dia 29 de Maio, às 17h30, no Palácio da Independência de Portugal,
A Juventude Monárquica de Lisboa está de parabéns por ser "Cartaz", na Sociedade Histórica de Independência de Portugal.
sábado, maio 24, 2008
Um orçamento de Guerra
Já aqui tinha sido dito algo acerca do "softpower" de Obama. A proposta inicial era esmagadora. Sabemos agora que a despesa do Pentágono será superior ao que foi inicialmente proposto. O novo total (às claras) atinge agora os 601.4 biliões de dólares. Estamos perante um orçamento de guerra global!
Eis a notícia:
The U.S. House of Representatives late on May 22 overwhelmingly approved a measure that would clear the Pentagon to spend $601.4 billion on weapon programs, personnel, construction projects, research efforts and other initiatives.
THE BILL WILL allow the U.S. Air Force to purchase 20 new F-22A fighters.
The massive authorization measure, passed 384 to 23, includes $3 billion in research and development funds for the Army's Future Combat Systems program, a $200 million cut to the president's request. The chamber did, however, fully fund the president's $331 million request for 2009 FCS procurement.
During floor debate on the measure, the House soundly axed an amendment offered by Rep. Todd Akin, R-Mo., that sought to revive $193 million of the FCS research funding reduction. Akin proposed freeing up those dollars by cutting military health care and other personnel accounts.
Opponents of the amendment, including Rep. Ike Skelton, D-Mo., chairman of the House Armed Services Committee, argued the reduction would not affect any FCS components slated to be fielded until 2015.
The House bill also would authorize spending $2.2 billion for Abrams tank, Bradley fighting vehicle and Stryker vehicle upgrades, $3.4 billion for armored Humvees and $3.1 billion for helicopter programs.
The bill, crafted by Skelton's panel, includes a green light to spend $400 million not requested by the White House to purchase two DDG-51 Arleigh Burke destroyers, a move made possible by pushing back delivery of a third DDG 1000-class destroyer.
The House measure authorizes $2.5 billion in procurement and research funding for Navy F/A-18E/F and EA-18G fighters, and adds $262.5 million for Joint Strike Fighter R&D, moves aimed at helping the sea service address its so-called "fighter gap."
It also reduces the amount the Marine Corps can spend in fiscal 2009 on its troubled Expeditionary Fighting Vehicle program to $275.8 million, a $40.2 million cut in R&D dollars.
For ships, the bill clears the Navy to buy an additional LPD-17 amphibious and two new T-AKE transporters.
The biggest move the measure would usher in for Air Force programs was an authorization to purchase 15 new Boeing-made C-17s, a legislative move needed to help keep the Long Beach, Calif.-based Globemaster production line humming. The Senate's version of the second 2008 war supplemental, approved by that chamber May 22, includes funding for those new military cargo planes.
The measure also reduces the amount the Air Force requested for its controversial C-5 airlifter modernization program by $60 million, to $425.5 million for 2009. It also clears the service to purchase 20 new F-22A fighters next fiscal year. The chamber also authorized the Air Force to spend $1.3 billion to purchase 52 Predator, Reaper and Global Hawk unmanned aerial vehicles.
For space, the measure fully funds the Air Force's spending plans for the Transformation Satellite (TSAT), Space Based Infrared System (SBIRS) and Evolved Expendable Launch Vehicle (EELV) programs, a total of $4.2 billion in research and procurement monies.
The bill also trims $700 million from the administration's $9.3 billion request for Missile Defense Agency (MDA) spending in 2009, including a $232 million cut from the White House's plan for a European missile shield. That reduction would leave MDA with $8.6 billion, which is still $213 million more than the agency received this fiscal year.
That missile defense cut reflects panel members' belief the agency should focus on weapons that will be fielded sooner rather than later, a continued skepticism about the administration's plans to field a missile shield in Europe and program-specific worries, according to Rep. Ellen Tauscher, D-Calif., chairwoman of the House Armed Services strategic forces subcommittee.
The Senate Armed Services Committee has approved its own $612.5 billion version of the measure. With Congress leaving May 23 for its annual weeklong Memorial Day recess, the full Senate is not expected to take up its version of the Pentagon authorization bill until next month. A House-Senate conference committee will iron out any differences between the two bills after the full Senate has approved its bill.
The White House, in a May 22 statement of administration policy, indicated the president would veto any defense authorization bill that includes several provisions in the House bill, including: the missile defense reduction, one that would prohibit competitions between private companies and government entities, require all interrogations be videotaped, as well as ones that would set Iraq withdrawal dates and alter the executive branch's ability to enter into certain pacts with the Iraqi government.
Sending a message to the president, the House ignored the veto threat and included each one, among others included in the veto threat section of that policy statement.
The White House also raised concerns about other portions of the House bill but did not threaten to reject the measure if they were included, including: raising funding levels to purchase more C-17s, F-22As, an LPD-17 ship and a Virginia-class submarine. The administration also expressed worries about the House's decision to inflate the amount the Pentagon can spend on advanced research efforts for the F-35 fighter and its move to delay the third DDG-100 destroyer.
fonte: Defense News
Eis a notícia:
The U.S. House of Representatives late on May 22 overwhelmingly approved a measure that would clear the Pentagon to spend $601.4 billion on weapon programs, personnel, construction projects, research efforts and other initiatives.
THE BILL WILL allow the U.S. Air Force to purchase 20 new F-22A fighters.
The massive authorization measure, passed 384 to 23, includes $3 billion in research and development funds for the Army's Future Combat Systems program, a $200 million cut to the president's request. The chamber did, however, fully fund the president's $331 million request for 2009 FCS procurement.
During floor debate on the measure, the House soundly axed an amendment offered by Rep. Todd Akin, R-Mo., that sought to revive $193 million of the FCS research funding reduction. Akin proposed freeing up those dollars by cutting military health care and other personnel accounts.
Opponents of the amendment, including Rep. Ike Skelton, D-Mo., chairman of the House Armed Services Committee, argued the reduction would not affect any FCS components slated to be fielded until 2015.
The House bill also would authorize spending $2.2 billion for Abrams tank, Bradley fighting vehicle and Stryker vehicle upgrades, $3.4 billion for armored Humvees and $3.1 billion for helicopter programs.
The bill, crafted by Skelton's panel, includes a green light to spend $400 million not requested by the White House to purchase two DDG-51 Arleigh Burke destroyers, a move made possible by pushing back delivery of a third DDG 1000-class destroyer.
The House measure authorizes $2.5 billion in procurement and research funding for Navy F/A-18E/F and EA-18G fighters, and adds $262.5 million for Joint Strike Fighter R&D, moves aimed at helping the sea service address its so-called "fighter gap."
It also reduces the amount the Marine Corps can spend in fiscal 2009 on its troubled Expeditionary Fighting Vehicle program to $275.8 million, a $40.2 million cut in R&D dollars.
For ships, the bill clears the Navy to buy an additional LPD-17 amphibious and two new T-AKE transporters.
The biggest move the measure would usher in for Air Force programs was an authorization to purchase 15 new Boeing-made C-17s, a legislative move needed to help keep the Long Beach, Calif.-based Globemaster production line humming. The Senate's version of the second 2008 war supplemental, approved by that chamber May 22, includes funding for those new military cargo planes.
The measure also reduces the amount the Air Force requested for its controversial C-5 airlifter modernization program by $60 million, to $425.5 million for 2009. It also clears the service to purchase 20 new F-22A fighters next fiscal year. The chamber also authorized the Air Force to spend $1.3 billion to purchase 52 Predator, Reaper and Global Hawk unmanned aerial vehicles.
For space, the measure fully funds the Air Force's spending plans for the Transformation Satellite (TSAT), Space Based Infrared System (SBIRS) and Evolved Expendable Launch Vehicle (EELV) programs, a total of $4.2 billion in research and procurement monies.
The bill also trims $700 million from the administration's $9.3 billion request for Missile Defense Agency (MDA) spending in 2009, including a $232 million cut from the White House's plan for a European missile shield. That reduction would leave MDA with $8.6 billion, which is still $213 million more than the agency received this fiscal year.
That missile defense cut reflects panel members' belief the agency should focus on weapons that will be fielded sooner rather than later, a continued skepticism about the administration's plans to field a missile shield in Europe and program-specific worries, according to Rep. Ellen Tauscher, D-Calif., chairwoman of the House Armed Services strategic forces subcommittee.
The Senate Armed Services Committee has approved its own $612.5 billion version of the measure. With Congress leaving May 23 for its annual weeklong Memorial Day recess, the full Senate is not expected to take up its version of the Pentagon authorization bill until next month. A House-Senate conference committee will iron out any differences between the two bills after the full Senate has approved its bill.
The White House, in a May 22 statement of administration policy, indicated the president would veto any defense authorization bill that includes several provisions in the House bill, including: the missile defense reduction, one that would prohibit competitions between private companies and government entities, require all interrogations be videotaped, as well as ones that would set Iraq withdrawal dates and alter the executive branch's ability to enter into certain pacts with the Iraqi government.
Sending a message to the president, the House ignored the veto threat and included each one, among others included in the veto threat section of that policy statement.
The White House also raised concerns about other portions of the House bill but did not threaten to reject the measure if they were included, including: raising funding levels to purchase more C-17s, F-22As, an LPD-17 ship and a Virginia-class submarine. The administration also expressed worries about the House's decision to inflate the amount the Pentagon can spend on advanced research efforts for the F-35 fighter and its move to delay the third DDG-100 destroyer.
fonte: Defense News
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sábado, maio 24, 2008
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quinta-feira, maio 22, 2008
Corpo de Deus
Os Duques de Bragança, vão estar hoje presentes na Procissão do Corpo de Deus que se realiza pelas 16H30 em Lisboa. O Presidente da Real de Lisboa, Ricardo Abranches e o Presidente da Juventude Monárquica de Lisboa, Joel Moedas Miguel, assim como muitos associados vão estar na tradicional Procissão do Corpo de Deus, que percorrerá as principais ruas da Baixa, até à Praça do Município.
A Procissão, organizada pelas Paróquias da Baixa-Chiado, parte às 16h30 do Largo da Sé, seguindo pela Rua de Santo António, Largo da Madalena, Rua da Conceição, Rua da Prata, Praça da Figueira, Rua da Betesga, Largo do Rossio, Rua do Ouro e Rua do Arsenal, terminando na Praça do Município, onde o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, procederá à Benção Solene.
CORPO DE DEUS
A solenidade conhecida pelo nome de Corpus Christi (em Portugal designada Corpo de Deus) ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, só ganha lugar de relevo na Liturgia em 1246, quando o bispo de Liège (Bélgica) instituiu a festa, na sua diocese. Esta primeira “festa oficial” do Corpus Christi surge em consequência das revelações recebidas pela Beata Juliana de Retinne. Pela bula Transiturus (1264), o Papa Urbano IV (que antes fora bispo de Liège) estendeu a festa a toda a Igreja, como solenidade de adoração da Sagrada Eucaristia.
A solenidade do Corpus Christi já era celebrada em Portugal no século XIII, desde o reinado de D. Afonso III. Era, à época, uma festa de adoração, não envolvendo a procissão pelas ruas.
O rito da procissão foi instituído pelo Papa João XXII (1317). Na igreja dos Mártires, em Lisboa, manteve-se, no decurso dos séculos (e apesar das inovações havidas), o rito da festa com exposição do Santíssimo, Procissão, Vésperas solenes e Sermão.
As Câmaras Municipais e as Corporações de Artes e Ofícios acolheram a devota iniciativa, pelo que, a breve trecho, a Procissão veio a tornar-se a mais vistosa e interessante de todas, merecendo o título de “Procissão das Procissões”.
Constituída por cortejo cívico e corporativo, com carros alegóricos, figuras pitorescas, danças, momices e cenas de autos sacramentais, a procissão demorava horas a caminhar, vindo a constituir tanto um evento religioso como um evento social.
As Câmaras, determinando instruções régias, publicaram Regimentos ou regulamentos da Procissão, indicando os usos e os costumes, os modos de vestir, as obrigações de cada Corporação, as danças (entre elas a judenga, ou dança dos judeus), as bandeiras e pendões, as coreografias (anjinhos, folias, figuras sacras...) e o lugar do Clero. Raras foram as sedes concelhias que não tiveram Regimento da Festa, mas as memórias mais expressivas acerca da Procissão ficaram em Coimbra, no Porto e em Lisboa.
Celebrada em Lisboa, a festa do Corpo de Deus incluiu a Procissão, pela primeira vez, em 1389. Eram os tempos da consolidação da autonomia face a Castela e do bom ambiente criado pelas vitórias bélicas de Nuno Álvares e da influência cultural britânica (a ponto de S. Jorge - devoção inglesa, vencedor do Mal, do Dragão - ser considerado Padroeiro de Portugal).
Por isso, à solenidade do Corpus Christi juntou-se a festa de S. Jorge. Desta junção, resultou a magnificência da Procissão da capital. A festa chegou a atingir surpreendente grandiosidade no tempo de D. João V, incorporando a Procissão incorporava, desde logo, as associações socioprofissionais e também as delegações das diversas Ordens Religiosas de Lisboa (Agostinhos, Beneditinos, Dominicanos, Franciscanos, Ordem de Cristo...) e militares. No cortejo, avultava a figura de S. Jorge a cavalo e a Serpe, ou dragão infernal (do tipo chinês, locomovido por figurantes), contra o qual S. Jorge lutava.
Havia paragens para representação das famas ou glórias de S. Jorge; e também para uma série de danças. Representavam-se ainda as tradicionais “estações” do Santíssimo, como hoje ainda se faz na procissão de Sevilha.
No final do cortejo, vinha o pálio, a cujas varas pegavam os mais altos dignitários da Corte e da Câmara, sempre representada por toda a Vereação. Sob o palio, deslocava-se o Bispo de Lisboa, ostentando a custódia com o Santíssimo Sacramento. Era ladeado pelo Rei, ou Chefe de Estado, ou dignitário similar.
Dado curioso a salientar é o da tentação de realização de atentados contra as figuras régias, durante a procissão do “Corpus Christi”. Um deles, contra a pessoa de D. João IV. Sobrevivendo o monarca ao acto, a sua esposa (D. Luísa de Gusmão) promoveu a construção do Convento dos Carmelitas, na Baixa Lisboeta. Edificado no exacto lugar do falhado crime, foi chamado do “Corpus Christi”. Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vitória, quando a procissão passava na rua do Ouro.
Mas a legislação de 1910, proibindo os dias santos da Igreja (excepto o Natal e o dia 1 de Janeiro), interrompeu o culto público, embora, nas igrejas, continuassem a ser celebradas missas solenes e solenes pontificiais nas Sés.
Patriarcado de Lisboa
Fonte:http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=60323&seccaoid=8&tipoid=115
A Procissão, organizada pelas Paróquias da Baixa-Chiado, parte às 16h30 do Largo da Sé, seguindo pela Rua de Santo António, Largo da Madalena, Rua da Conceição, Rua da Prata, Praça da Figueira, Rua da Betesga, Largo do Rossio, Rua do Ouro e Rua do Arsenal, terminando na Praça do Município, onde o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, procederá à Benção Solene.
CORPO DE DEUS
A solenidade conhecida pelo nome de Corpus Christi (em Portugal designada Corpo de Deus) ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, só ganha lugar de relevo na Liturgia em 1246, quando o bispo de Liège (Bélgica) instituiu a festa, na sua diocese. Esta primeira “festa oficial” do Corpus Christi surge em consequência das revelações recebidas pela Beata Juliana de Retinne. Pela bula Transiturus (1264), o Papa Urbano IV (que antes fora bispo de Liège) estendeu a festa a toda a Igreja, como solenidade de adoração da Sagrada Eucaristia.
A solenidade do Corpus Christi já era celebrada em Portugal no século XIII, desde o reinado de D. Afonso III. Era, à época, uma festa de adoração, não envolvendo a procissão pelas ruas.
O rito da procissão foi instituído pelo Papa João XXII (1317). Na igreja dos Mártires, em Lisboa, manteve-se, no decurso dos séculos (e apesar das inovações havidas), o rito da festa com exposição do Santíssimo, Procissão, Vésperas solenes e Sermão.
As Câmaras Municipais e as Corporações de Artes e Ofícios acolheram a devota iniciativa, pelo que, a breve trecho, a Procissão veio a tornar-se a mais vistosa e interessante de todas, merecendo o título de “Procissão das Procissões”.
Constituída por cortejo cívico e corporativo, com carros alegóricos, figuras pitorescas, danças, momices e cenas de autos sacramentais, a procissão demorava horas a caminhar, vindo a constituir tanto um evento religioso como um evento social.
As Câmaras, determinando instruções régias, publicaram Regimentos ou regulamentos da Procissão, indicando os usos e os costumes, os modos de vestir, as obrigações de cada Corporação, as danças (entre elas a judenga, ou dança dos judeus), as bandeiras e pendões, as coreografias (anjinhos, folias, figuras sacras...) e o lugar do Clero. Raras foram as sedes concelhias que não tiveram Regimento da Festa, mas as memórias mais expressivas acerca da Procissão ficaram em Coimbra, no Porto e em Lisboa.
Celebrada em Lisboa, a festa do Corpo de Deus incluiu a Procissão, pela primeira vez, em 1389. Eram os tempos da consolidação da autonomia face a Castela e do bom ambiente criado pelas vitórias bélicas de Nuno Álvares e da influência cultural britânica (a ponto de S. Jorge - devoção inglesa, vencedor do Mal, do Dragão - ser considerado Padroeiro de Portugal).
Por isso, à solenidade do Corpus Christi juntou-se a festa de S. Jorge. Desta junção, resultou a magnificência da Procissão da capital. A festa chegou a atingir surpreendente grandiosidade no tempo de D. João V, incorporando a Procissão incorporava, desde logo, as associações socioprofissionais e também as delegações das diversas Ordens Religiosas de Lisboa (Agostinhos, Beneditinos, Dominicanos, Franciscanos, Ordem de Cristo...) e militares. No cortejo, avultava a figura de S. Jorge a cavalo e a Serpe, ou dragão infernal (do tipo chinês, locomovido por figurantes), contra o qual S. Jorge lutava.
Havia paragens para representação das famas ou glórias de S. Jorge; e também para uma série de danças. Representavam-se ainda as tradicionais “estações” do Santíssimo, como hoje ainda se faz na procissão de Sevilha.
No final do cortejo, vinha o pálio, a cujas varas pegavam os mais altos dignitários da Corte e da Câmara, sempre representada por toda a Vereação. Sob o palio, deslocava-se o Bispo de Lisboa, ostentando a custódia com o Santíssimo Sacramento. Era ladeado pelo Rei, ou Chefe de Estado, ou dignitário similar.
Dado curioso a salientar é o da tentação de realização de atentados contra as figuras régias, durante a procissão do “Corpus Christi”. Um deles, contra a pessoa de D. João IV. Sobrevivendo o monarca ao acto, a sua esposa (D. Luísa de Gusmão) promoveu a construção do Convento dos Carmelitas, na Baixa Lisboeta. Edificado no exacto lugar do falhado crime, foi chamado do “Corpus Christi”. Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vitória, quando a procissão passava na rua do Ouro.
Mas a legislação de 1910, proibindo os dias santos da Igreja (excepto o Natal e o dia 1 de Janeiro), interrompeu o culto público, embora, nas igrejas, continuassem a ser celebradas missas solenes e solenes pontificiais nas Sés.
Patriarcado de Lisboa
Fonte:http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=60323&seccaoid=8&tipoid=115
sexta-feira, maio 16, 2008
quinta-feira, maio 15, 2008
O Prémio Infante Dom Henrique
Nacional
Realeza: Príncipe de Inglaterra em Portugal para entrega de prémio
Lisboa, 10 Abr (Lusa) - O príncipe Eduardo de Inglaterra, conde de Wessex, chega hoje a Portugal para a atribuição do prémio Infante Dom Henrique, que visa reconhecer o "desenvolvimento pessoal e social de jovens dos 14 aos 25 anos".
O herdeiro da família real inglesa e o duque de Bragança, Duarte Pio, estarão presentes na manhã de sexta-feira no Hotel Palácio no Estoril, para a abertura da sexta Conferência da Região (EMAS) Europa, Mediterrâneo e Países Árabes do Programa Internacional The Duque of Edinburg´s Award International Association.
As autoridades militares e policiais nacionais recusaram-se a prestar quaisquer informações adicionais, alegando "razões de segurança e protecção a altas individualidades".
O Prémio Infante Dom Henrique é a versão portuguesa do galardão internacional "The Duke of Edinburghs Award", e foi fundado no Porto em 1987, pela casa real portuguesa, que visa reconhecer jovens pela sua acção participativa em diferentes áreas "pelo que já fazem", na sociedade.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-04-10 16:20:01
http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=338922&visual=26&tm=Nacional
Realeza: Príncipe de Inglaterra em Portugal para entrega de prémio
Lisboa, 10 Abr (Lusa) - O príncipe Eduardo de Inglaterra, conde de Wessex, chega hoje a Portugal para a atribuição do prémio Infante Dom Henrique, que visa reconhecer o "desenvolvimento pessoal e social de jovens dos 14 aos 25 anos".
O herdeiro da família real inglesa e o duque de Bragança, Duarte Pio, estarão presentes na manhã de sexta-feira no Hotel Palácio no Estoril, para a abertura da sexta Conferência da Região (EMAS) Europa, Mediterrâneo e Países Árabes do Programa Internacional The Duque of Edinburg´s Award International Association.
As autoridades militares e policiais nacionais recusaram-se a prestar quaisquer informações adicionais, alegando "razões de segurança e protecção a altas individualidades".
O Prémio Infante Dom Henrique é a versão portuguesa do galardão internacional "The Duke of Edinburghs Award", e foi fundado no Porto em 1987, pela casa real portuguesa, que visa reconhecer jovens pela sua acção participativa em diferentes áreas "pelo que já fazem", na sociedade.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-04-10 16:20:01
http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=338922&visual=26&tm=Nacional
domingo, maio 11, 2008
Olivença - O Manifesto de 1 de Maio de 1808
No passado dia 1 de Maio, passaram duzentos anos sobre o Manifesto de 1 de Maio de 1808, acto legislativo do Príncipe-Regente após a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil na sequência da invasão francesa comandada por Junot, pelo qual o Governo Legitimo e Soberano de então declarou «nulo e de nenhum efeito» o Tratado de Badajoz, assinado sob a coacção dos exércitos espanhóis e franceses, sete anos antes.
Assim foi repudiada a ocupação de Olivença por Espanha, alcançada com um acto de guerra que nem o Direito de então havia de admitir, conforme veio a explicitar o Congresso de Viena, em 1815.
Com o Manifesto de 1 de Maio de 1808, Portugal jamais reconheceu ou aceitou a ocupação de Olivença pelo Estado espanhol, posição que obteve e tem consagração constitucional.
O Manifesto, proclamação da perenidade e independência de Portugal, visto por todos os portugueses como indicação para a insurreição contra os invasores, teve para os oliventinos, em particular, o significado de que a sua Pátria não os esquecia e não os abandonava.
Duzentos anos de separação forçada não apagaram a identidade mais profunda e verdadeira de Olivença.
O reencontro de Olivença e Portugal, sustentado na História, na Cultura, no Direito e na Moral, sendo uma promessa por cumprir, é desafio para ambas as margens do Guadiana.
Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org
Assim foi repudiada a ocupação de Olivença por Espanha, alcançada com um acto de guerra que nem o Direito de então havia de admitir, conforme veio a explicitar o Congresso de Viena, em 1815.
Com o Manifesto de 1 de Maio de 1808, Portugal jamais reconheceu ou aceitou a ocupação de Olivença pelo Estado espanhol, posição que obteve e tem consagração constitucional.
O Manifesto, proclamação da perenidade e independência de Portugal, visto por todos os portugueses como indicação para a insurreição contra os invasores, teve para os oliventinos, em particular, o significado de que a sua Pátria não os esquecia e não os abandonava.
Duzentos anos de separação forçada não apagaram a identidade mais profunda e verdadeira de Olivença.
O reencontro de Olivença e Portugal, sustentado na História, na Cultura, no Direito e na Moral, sendo uma promessa por cumprir, é desafio para ambas as margens do Guadiana.
Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org
quinta-feira, maio 08, 2008
Uma legítima censura ao Governo
Nas posturas municipais de Coimbra de 1145 - talvez as primeiras que em Portugal se fizeram - encontram-se referências aos mesteres. Sabe-se que em 1167 existia em Guimarães a rua Çapateira, em 1203 a rua da Forja, em 1206 a rua Ferreira, em 1260 a rua Corrieira, e consta também que em 1272 os ourives de prata, de Lisboa, pretenderam edificar aí um hospital para o tratamento dos seus confrades pobres.
Pelas respostas aos capítulos oferecidos pela Casa dos Vinte e Quatro, em Julho de 1395, sabemos que a entrada dos quatro procuradores dos mesteres na Câmara de Lisboa é anterior ao tempo do rei D. João I. Nesses tempos antigos de um Portugal robusto, os ofícios eram com efeito distribuídos em grémios ou bandeiras, que representavam o terceiro estado da Nação. E sabemos também que a eleição da Casa dos Vinte e Quatro Mesteres, ou Casa dos Vinte e Quatro do Povo, tinha lugar todos os anos em dia de S. Tomé, no 21º dia de Dezembro.
Nada há agora que se assemelhe às regalias e aos poderes que as corporações do Trabalho tinham na antiga Monarquia portuguesa, como nada há também algo que se assemelhe aos poderes que o Juiz do Povo, pelo povo, gozava. Durante muitos séculos eleito directamente pelas classes populares, a que sempre pertencia, nunca o Estado cuidou de intervir na sua eleição, deveras livre e certa. Foi no reinado de D. Miguel que, pela última vez, o Juiz do Povo teve modo de fazer valer a sua autoridade. Depois do decreto de 7 de Maio de 1834, com efeito, as instituições de representação do Trabalho não mais deixaram de ficar acorrentadas à tirania capitalista.
Os masturbadores da História, uns atrás dos outros, têm vindo a negar às antigas formas de representação os altos serviços que as classes mecânicas - hoje apelidadas de trabalhadoras - prestaram à administração de Portugal, e não apenas na elevação ao trono dos nossos reis. A verdade é que persiste ainda hoje a situação criada em 1834. Foram-se as prerrogativas do Trabalho em benefício do Capital, continuando as classes trabalhadoras sem representação política ou qualquer outra forma de efectivo poder, que não seja hoje o de fazer greve e barafustar nas ruas. Ao actual Parlamento, sucedâneo dos parlamentos do século XIX, chamam agora pomposamente "Assembleia da República", sem que ali tivessem deixado de estar representados apenas os políticos profissionais, organizados em agrupamentos ideológicos, em nome de um abstracto "interesse geral". Não é para admirar o desprezo que as classes trabalhadoras sentem pelo Parlamento.
Hoje, um dos mais anacrónicos grémios de políticos profissionais portugueses - o Partido Comunista - vestiu-se, como gosta habitualmente de se vestir, com a roupa da defesa dos interesses dos trabalhadores. Porque é na verdade grave, muito grave, a situação económica e social em Portugal, não podiam deixar de recolher no parlamento "a resposta parlamentar possível"... fugiu-lhes a boca para a verdade.
A censura ao actual governo é no entanto legítima, isto é, assiste-lhe, além de base legal, uma funda razão moral, que é independente de quem a protagoniza. Não dispomos das imagens, mas merecem por isso ficar aqui registadas algumas passagens do discurso de Bernardino Soares, no encerramento do debate sobre a Moção de Censura ao XVII Governo Constitucional:
Senhor Presidente
Senhor Primeiro-Ministro e Senhores Membros do Governo
Senhoras e Senhores Deputados
O debate que agora termina comprovou que há muitas e boas razões para esta moção de censura. Esta moção de censura, que de uma forma global condenou a política do Governo, traduziu e deu expressão nesta Assembleia a um amplo e inequívoco sentimento popular de contestação à sua política e às suas consequências.
O próprio Primeiro Ministro foi obrigado a reconhecer durante este debate que há razões para censurar o Governo.
Por todo o lado os portugueses perguntam "onde é que isto vai parar", castigados que estão com o aumento do custo de vida, com os baixos salários e reformas, com o desemprego e a destruição de serviços públicos essenciais, com os sistemáticos ataques aos direitos e às liberdades e agora com as propostas de agravamento da legislação laboral.
É por isso que esta moção reafirma que é preciso travar esta política; que é preciso mudar de política. (...) ninguém duvida que o momento que o país e os portugueses vivem exige a mais forte resposta parlamentar possível.
Hoje em todo o país, centenas de milhares de reformados continuam a viver com pensões de miséria, a pagar mais caro os remédios na farmácia e os bens essenciais. São aqueles a quem o Governo negou aumentos significativos das pensões, invocando a suposta crise da segurança social, que agora afinal já não o impede de propor que se subsidiem os patrões só por cumprirem a lei.
Hoje em todo o país há milhares de trabalhadores que chegam à beira da reforma e descobrem que entretanto o Governo alterou a fórmula de cálculo, aprovada por um Governo anterior do PS e lhes retirou várias dezenas ou centenas de euros à já magra pensão.
Hoje, Portugal tem um desemprego real de cerca de seiscentos mil desempregados, sem considerar as centenas de milhares de portugueses que nos últimos anos voltaram a demandar a imigração por os governos do seu país não lhes darem condições de vida e de trabalho. O Governo vangloria-se de uma ligeira baixa do desemprego.
Nestes dias os salários reais não cessam de diminuir realmente, o que acontece há três anos consecutivos, sem que daí resulte um ganho de competitividade. Mas mesmo assim lá volta a receita do costume face à crise internacional, propondo mais restrições salariais.
Nestes dias os portugueses enfrentam graves aumentos dos preços dos bens e serviços essenciais (como o pão, os cereais, o leite, mas também a electricidade, os combustíveis, a água, ou as despesas com a habitação), fruto da especulação, do domínio dos mercados pelas grandes indústrias agro-alimentares e pelas cadeias de distribuição, e da sistemática destruição do aparelho produtivo a que se entregaram os vários governos e que o actual continua.
Nestes sombrios dias da política... continua a destruição de serviços públicos, o financiamento de grupos privados com dinheiros públicos, como o famigerado contrato com o Hospital da Luz. Continua o encerramento de serviços quer por razões economicistas, quer para dar espaço aos privados, deixando as populações abandonadas e sem direitos essenciais ao seu alcance.
No Portugal do presente, acentua-se o espectro da fome, volta o medo da "panela rapada", agrava-se a pobreza, escondida ou assumida. E a resposta não pode assentar em meras solidariedades ou caridades mas sim numa justa repartição da riqueza produzida no país.
Mas ao mesmo tempo que tudo isto acontece, há quem beneficie da desgraçada política deste Governo. Lucra a banca ao mesmo tempo que paga menos impostos; lucram os grandes grupos económicos e as empresas do PSI-20. Os gestores destas empresas ganharam em média mais de 500 mil euros em 2007, isto é mais de 100 mil contos, sendo que nas três maiores os salários estão entre 2 milhões e 500 mil e 3 milhões de euros, isto é entre 500 e 600 mil contos, quinhentas vezes mais do que um trabalhador que ganhe o salário mínimo.
Ao mesmo tempo que isso acontece os governos entregaram mais de 15 milhões de euros a escritórios de advogados entre 2003 e 2006 para pareceres e outras funções, reais ou não, que aliás na generalidade podiam e deviam ser desempenhadas pela administração pública. Há mais de 190 milhões de euros previstos no Orçamento para estudos e consultorias.
Com este Governo o país está cada vez mais injusto e mais desigual.
O Governo quer alterar para pior o Código de Trabalho. (...) O ministro Vieira da Silva já deu avaliação positiva ao código que antes, e justamente, criticou e prepara-se para defender, qual vanguarda do patronato, a possibilidade de contornar a proibição constitucional do despedimento sem justa causa (diz o senhor Primeiro Ministro que já era possível o despedimento por inadaptação; então para que é a alteração que o Governo apresenta se não para despedir facilmente), a maior desregulação dos horários de trabalho, com diminuição de rendimento, e o ataque à contratação colectiva visando a atomização das relações laborais.
As propostas do Governo para a precariedade não são contra a precariedade; são para legalizar a precariedade e os recibos verdes em particular. (...) Trata-se de uma proposta que visa regular as relações laborais de forma cada vez mais idêntica às relações comerciais, deixando a parte mais fraca, o trabalhador, a quem a Constituição atribui o direito à protecção da legislação e do Estado, à mercê do arbítrio patronal. Sempre falsamente em nome da competitividade, para disfarçar o que não é mais do que exploração agravada com o patrocínio do Governo.
(...)
Ao mesmo tempo avança com o agravamento da precariedade e da arbitrariedade na administração pública, promovendo condições para o despedimento mais fácil e introduzindo condições para o controle governamental e a partidarização do aparelho do Estado.
Este Governo é responsável pelo sério empobrecimento das liberdades e dos direitos democráticos no nosso país. É o Governo que potencia a perseguição a quem protesta, a quem se manifesta, a quem luta pelos seus direitos. É o Governo que quer comandar politicamente a actuação das forças de segurança, centralizando o poder policial no primeiro-ministro. É o Governo que faz vista grossa ao esmagamento dos direitos nas empresas.
Se mais não houvesse para o caracterizar, bastariam três exemplos concretos: o do trabalhador de Torres Vedras, que tendo afirmado num programa da televisão pública que não era aumentado há cinco anos, o que correspondia à verdade, está sujeito a um processo de despedimento; ou o do despedimento colectivo selectivo na Lusocider que conseguiu em 53 trabalhadores incluir todos os delegados sindicais à excepção de um; ou finalmente o do processo da Gestnave, em que o Governo, a mando do Grupo Mello, promoveu o despedimento de mais de 200 trabalhadores, sendo que no conjunto dos chamados posteriormente pela empresa de trabalho temporário a que foram entregues, não se incluiu nenhum dos trabalhadores que a administração da empresa identificou no piquete na manhã da greve geral de 30 de Maio passado.
Este é ainda o Governo que quer entregar a soberania nacional aos interesses dos poderosos da União Europeia e que para o fazer renega as suas próprias promessas de consulta popular.
Este é o Governo que faz Decretos-Lei à medida da ganância partidária do PS, como é o caso da legislação das associações de municípios ou das regiões de turismo para controlar administrativamente o que não ganhou em eleições.
(...)
Esta moção é também um aviso para o futuro próximo, numa altura em que os governantes já vão falando na inevitabilidade de nova crise. Que o Governo não pense em impor ainda mais sacrifícios aos trabalhadores e ao povo. Que os vá pedir aos bancos e aos grandes grupos económicos e aos seus milhões de lucros. Aos grupos privados que tomam conta dos serviços públicos. Aos gestores das empresas PSI-20. Aos escritórios de advogados a quem entrega milhões de euros todos os anos. Que os vá pedir afinal aos causadores da crise que não são certamente os trabalhadores e o povo.
(...)
Pode esta censura ser rejeitada na Assembleia da República, mas sem dúvida é aprovada no país.
Este Governo merece censura porque governa contra a Constituição, contra o povo e contra os interesses do País.
terça-feira, maio 06, 2008
sábado, maio 03, 2008
A terceira morte do general Delgado
por Frederico Delgado Rosa
neto e biógrafo de Humberto Delgado
Em 1982, o jornalista Manuel Geraldo publicou o livro A Segunda Morte do General Delgado, para denunciar o julgamento de Santa Clara, onde todos os réus foram ilibados à excepção do autor material do homicídio, Casimiro Monteiro. Os juízes acharam convincente - e conveniente - a tese de que a brigada da PIDE tinha ido a Badajoz apenas para "raptar" Humberto Delgado, e não para o matar. A imagem de Casimiro Monteiro disparando contra Humberto Delgado entranhou-se na consciência colectiva, mas a verdade é que a ilibação dos pides só foi possível graças a uma distorção grosseira da verdade material do homicídio. Os juízes refutaram as perícias espanholas com recurso a métodos indignos de um país democrático. Humberto Delgado foi mais maltratado pela justiça militar do pós-25 de Abril do que pela justiça da ditadura de Franco. Há pessoas interessadas em que a verdade não venha ao de cima. São aliás as mesmas que gostariam que o processo do Tribunal de Santa Clara sofresse danos irreparáveis.
Em 2007, para concluir a biografia de Humberto Delgado, precisei de consultá-lo. Já o tinha feito em Santa Clara, mas entretanto os tribunais militares foram extintos. Até que telefonei para o Tribunal da Boa Hora e a funcionária gritou para a colega: "Ó não-sei-quantas, tens cá o processo do Humberto Delgado?" Fui conduzido à cave e ali passei dias, sozinho. Alertei a Fundação Humberto Delgado para o mau estado de conservação, tudo empilhado no chão, em duas colunas de caixas esmagando-se entre si. Também alertei para o risco de desaparecimento, bem real quando uma funcionária disse: "Fez bem em vir, que estes processos velhos qualquer dia vão todos para o lixo."
A fundação escreveu ao juiz de direito da 2.ª Vara Criminal, sugerindo a transferência urgente do processo para um arquivo histórico. Ora, o juiz informou que ainda se encontrava aberto, por não se saber se estava vivo ou morto o réu Casimiro Monteiro. E mais informou que "este tribunal não antecipa decisões e, chegada a sua hora, as tomará em conformidade". Foi grande a surpresa! Com efeito, há dez anos atrás, aquando da entrada impune de Rosa Casaco em Portugal, gerara-se uma polémica em torno da prescrição dos seus crimes. É pois interessante constatar que a justiça não considerava prescritos os crimes de Casimiro Monteiro. Entretanto, a decisão do ministro da Justiça de decretar a transferência do processo para a Torre do Tombo pôs cobro aos riscos a que estava sujeito. Houve até uma coincidência perfeita entre essa decisão e a saída da biografia de Humberto Delgado, onde refiro que o desaparecimento do processo seria "a terceira morte do gen. Delgado", pela qual responderia uma vez mais a justiça. Subsistem dúvidas neste caso. Como foi o próprio ministro a dizer que o processo passava para a Cultura, depreende-se que agora se encontra encerrado. O que permitiu encerrá-lo? Foi uma decisão política? O Tribunal da Boa Hora obteve provas de que o réu Casimiro Monteiro está morto? Foram considerados prescritos os seus crimes?
Na leitura solene do auto de entrega à Torre do Tombo, foi dito que o processo é constituído por 18 volumes principais e 45 apensos, quando na realidade tem 69 apensos! Pude consultá-los e listá-los no Tribunal de Santa Clara e voltei a fazê-lo na cave da Boa Hora. O que lhes aconteceu e o que lhes vai acontecer? Será que afinal está mesmo a acontecer, diante dos nossos próprios olhos, a terceira morte do general Delgado? Outro momento curioso da cerimónia de 23 de Abril foi a intervenção dr. Mário Soares, desde a afirmação abstrusa de que Humberto Delgado foi "morto pelas costas" até à repescagem de ideias erradas do processo espanhol, como a de que Arajaryr Campos não foi assassinada no mesmo local. Mas sobretudo retomou a tese de que a brigada foi a Badajoz para prender e não para matar Humberto Delgado. Mais ainda, afirmou que, tendo Humberto Delgado puxado de uma pistola, o Casimiro Monteiro o matou. Traduzido por miúdos, este raciocínio coloca a legítima defesa no assassino, e não no assassinado. É caso para perguntar: a quantas mais mortes será sujeito Humberto Delgado em Portugal?
In Diário de Notícias, 3 de Maio de 2008
neto e biógrafo de Humberto Delgado
Em 1982, o jornalista Manuel Geraldo publicou o livro A Segunda Morte do General Delgado, para denunciar o julgamento de Santa Clara, onde todos os réus foram ilibados à excepção do autor material do homicídio, Casimiro Monteiro. Os juízes acharam convincente - e conveniente - a tese de que a brigada da PIDE tinha ido a Badajoz apenas para "raptar" Humberto Delgado, e não para o matar. A imagem de Casimiro Monteiro disparando contra Humberto Delgado entranhou-se na consciência colectiva, mas a verdade é que a ilibação dos pides só foi possível graças a uma distorção grosseira da verdade material do homicídio. Os juízes refutaram as perícias espanholas com recurso a métodos indignos de um país democrático. Humberto Delgado foi mais maltratado pela justiça militar do pós-25 de Abril do que pela justiça da ditadura de Franco. Há pessoas interessadas em que a verdade não venha ao de cima. São aliás as mesmas que gostariam que o processo do Tribunal de Santa Clara sofresse danos irreparáveis.
Em 2007, para concluir a biografia de Humberto Delgado, precisei de consultá-lo. Já o tinha feito em Santa Clara, mas entretanto os tribunais militares foram extintos. Até que telefonei para o Tribunal da Boa Hora e a funcionária gritou para a colega: "Ó não-sei-quantas, tens cá o processo do Humberto Delgado?" Fui conduzido à cave e ali passei dias, sozinho. Alertei a Fundação Humberto Delgado para o mau estado de conservação, tudo empilhado no chão, em duas colunas de caixas esmagando-se entre si. Também alertei para o risco de desaparecimento, bem real quando uma funcionária disse: "Fez bem em vir, que estes processos velhos qualquer dia vão todos para o lixo."
A fundação escreveu ao juiz de direito da 2.ª Vara Criminal, sugerindo a transferência urgente do processo para um arquivo histórico. Ora, o juiz informou que ainda se encontrava aberto, por não se saber se estava vivo ou morto o réu Casimiro Monteiro. E mais informou que "este tribunal não antecipa decisões e, chegada a sua hora, as tomará em conformidade". Foi grande a surpresa! Com efeito, há dez anos atrás, aquando da entrada impune de Rosa Casaco em Portugal, gerara-se uma polémica em torno da prescrição dos seus crimes. É pois interessante constatar que a justiça não considerava prescritos os crimes de Casimiro Monteiro. Entretanto, a decisão do ministro da Justiça de decretar a transferência do processo para a Torre do Tombo pôs cobro aos riscos a que estava sujeito. Houve até uma coincidência perfeita entre essa decisão e a saída da biografia de Humberto Delgado, onde refiro que o desaparecimento do processo seria "a terceira morte do gen. Delgado", pela qual responderia uma vez mais a justiça. Subsistem dúvidas neste caso. Como foi o próprio ministro a dizer que o processo passava para a Cultura, depreende-se que agora se encontra encerrado. O que permitiu encerrá-lo? Foi uma decisão política? O Tribunal da Boa Hora obteve provas de que o réu Casimiro Monteiro está morto? Foram considerados prescritos os seus crimes?
Na leitura solene do auto de entrega à Torre do Tombo, foi dito que o processo é constituído por 18 volumes principais e 45 apensos, quando na realidade tem 69 apensos! Pude consultá-los e listá-los no Tribunal de Santa Clara e voltei a fazê-lo na cave da Boa Hora. O que lhes aconteceu e o que lhes vai acontecer? Será que afinal está mesmo a acontecer, diante dos nossos próprios olhos, a terceira morte do general Delgado? Outro momento curioso da cerimónia de 23 de Abril foi a intervenção dr. Mário Soares, desde a afirmação abstrusa de que Humberto Delgado foi "morto pelas costas" até à repescagem de ideias erradas do processo espanhol, como a de que Arajaryr Campos não foi assassinada no mesmo local. Mas sobretudo retomou a tese de que a brigada foi a Badajoz para prender e não para matar Humberto Delgado. Mais ainda, afirmou que, tendo Humberto Delgado puxado de uma pistola, o Casimiro Monteiro o matou. Traduzido por miúdos, este raciocínio coloca a legítima defesa no assassino, e não no assassinado. É caso para perguntar: a quantas mais mortes será sujeito Humberto Delgado em Portugal?
In Diário de Notícias, 3 de Maio de 2008
segunda-feira, abril 28, 2008
IDP em visita a Trás-os-Montes
VISITA TEMÁTICA
No dia 25 de Abril de 2008, o Instituto da Democracia Portuguesa (IDP) deslocou-se ao alto Douro, com o seu presidente honorário, Dom Duarte de Bragança, a Direcção, associados e colaboradores, para realizar uma visita temática cuja preparação logística esteve a cargo do comandante Temes de Oliveira. Esta visita foi o culminar de contactos e trabalhos anteriores, com o objectivo de colaborar com Municípios da região na identificação de pontos fortes e oportunidades e a fim de reduzir as assimetrias regionais e potenciar projectos que sirvam as populações do interior Norte.
Às 17 horas teve lugar a recepção pelo sr. Presidente da Câmara de Bragança, o engº Jorge Nunes. Após declarações à comunicação social que acorreu em grande número, a comitiva do IDP assistiu a uma magnífica apresentação em vídeo sobre Bragança, o seu passado, momento actual e potencialidades futuras.
Na sessão de trabalho, o Comandante Beça Gil fez uma apresentação sobre a navegabilidade do rio Douro, realçando o papel que poderá vir a ter no transporte de mercadorias e passageiros. A existência de uma plataforma logística, idealmente no centro multimodal do Pocinho, juntamente com outros investimentos a nível fluvial, podem fazer a diferença e reduzir custos de forma significativa no transporte e cargas a granel, promovendo um meio de transporte mais económico, mais ecológico e mais seguro, face à rodovia. Um batelão fluvial com 2.500 toneladas transporta tanto como 100 camiões com 25 toneladas cada.
O eng.º Frederico Brotas de Carvalho apresentou uma comunicação sobre as ferrovias na plataforma Transduriense, focando aspectos de relevância para o desenvolvimento da região e referindo que a região pode parecer periférica face a Lisboa e Porto, mas não o é relativamente à proximidade geográfica com o resto da Europa. Foi salientado que o “D” do desenvolvimento do 25 de Abril está ainda por cumprir. Com a implementação da alta velocidade ferroviária em Espanha, Bragança será a capital portuguesa mais europeia, a 2 horas de Madrid e a 6 horas de Paris. O eng.º Rui Rodrigues complementou o anterior e fez referência às linhas aéreas de "low-cost", de interesse para a região.
Seguiu-se uma discussão salutar e proveitosa entre a comitiva do IDP e o presidente e vereadores da Câmara de Bragança presentes na reunião. A permuta de ideias estabelecida estreitou ainda mais a colaboração futura, ficando agendado um próximo contacto. A finalizar, o professor Mendo Castro Henriques fez uma análise da actividade do IDP e SAR Dom Duarte agradeceu a simpatia com que o Instituto foi recebido, enfatizando a importância do trabalho que tem sido feito.
A comitiva com SAR Dom Duarte, a vereação e o sr. Presidente da Câmara, e a que se agregou a Real Associação de Trás Os Montes, realizou uma visita pela cidade, seguindo para o Castelo, com paragem no Museu Ibérico do Traje e depois ao Centro Ciência Viva, respectivamente de enorme interesse cultural e ecológico. O dia terminou com um jantar, oferecido pela Câmara Municipal no solar de Bragança a SAR e comitiva, em que foram reforçados os laços entre os presentes.
No dia 26 de Abril, às 10H00 teve início a sessão de trabalho na Câmara de Mirandela. Junto à entrada reuniu-se uma pequena multidão e foram realizadas entrevistas pela comunicação social. Quando começou a reunião camarária, cerca de cento e vinte mirandelenses e muitos transmontanos vindos de vários pontos do país esgotaram a sala.
O sr. Dr. José Silvano, Presidente da Câmara, começou por apresentar a cidade através de recursos audio-visuais e fez uma apresentação do trabalho desenvolvido até agora. Fez ainda referências sobre o grande valor da linha ferroviária do Tua que se inicia em Mirandela e da polémica construção da barragem de Foz Tua.
O sr. comandante Beça Gil, e o eng.º Frederico Brotas de Carvalho apresentaram mais dados técnicos sobre a navegabilidade do Douro e as melhorias da linha do Tua na plataforma Transduriense que sirva a cidade e a região complementando vários elementos. Os mirandelenses responderam a esta chamada com grande entusiasmo e fervor, participando no debate que se seguiu e intervindo com apontamentos que muito valorizaram a situação.
O Presidente da Assembleia Municipal, dr. José Manuel Pavão enfatizou o momento de cidadania que se viveu naquela sala. O padre António Ribeiro falou sobre as comportas das barragens do Douro, o engº António Meneres Manso sobre o complexo agroindustrial do Cachão, o dr. Sarmento e o o dr. Trigo de Negreiros sobre questões agrícolas, e o dr. Mário Sales de Carvalho sobre a linha do Tua. Todos os intervenientes manifestaram a sua oposição à construção da barragem
A sessão de trabalho terminou com o discurso de SAR D. Duarte e os aplausos vigorosos dos mirandelenses. Aliás, tanto em Mirandela como em Bragança, todo o povo se rendeu à sua simpatia e não faltaram as demonstrações de afecto e mesmo ofertas por parte da população que passava na rua. O Movimento Cívico de Defesa da Linha do Tua apresentou uma petição que foi assinada por D. Duarte e pelos presentes e reportada pela comunicação social nacional.
Seguiu-se pelas 13H30 um almoço oferecido pela Presidência da Câmara à comitiva do IDP, onde foi dado a conhecer um pouco mais da região, sua gastronomia e seus projectos para o futuro, nomeadamente pelo sr. Vice-Presidente da Câmara. Às 16H15 principiou o percurso ferroviário num troço do metropolitano desde a estação de Mirandela até Abreiro, acompanhado pelo engº Milheiro, administrador delegado do Metropolitano do Tua. A única carruagem disponibilizada pela CP estava completamente cheia, com passageiros vindos de todos os pontos do país, uma boa parte em pé, e que se manifestaram contra o eventual fecho da linha.
A visita temática ao alto Douro terminou, e passou-se à fase seguinte. Como disse o prof. Mendo Castro Henriques, presidente do IDP, no final da sessão camarária de Mirandela: "Viemos para aprender, estamos aqui a reflectir, saímos daqui para agir". O trabalho iniciado pelo IDP será sucedido pela apresentação de um conceito estratégico para o desenvolvimento da região que será uma marca para a redução das assimetrias e a promoção da democracia através do território
Diogo Dantas (IDP)
No dia 25 de Abril de 2008, o Instituto da Democracia Portuguesa (IDP) deslocou-se ao alto Douro, com o seu presidente honorário, Dom Duarte de Bragança, a Direcção, associados e colaboradores, para realizar uma visita temática cuja preparação logística esteve a cargo do comandante Temes de Oliveira. Esta visita foi o culminar de contactos e trabalhos anteriores, com o objectivo de colaborar com Municípios da região na identificação de pontos fortes e oportunidades e a fim de reduzir as assimetrias regionais e potenciar projectos que sirvam as populações do interior Norte.
Às 17 horas teve lugar a recepção pelo sr. Presidente da Câmara de Bragança, o engº Jorge Nunes. Após declarações à comunicação social que acorreu em grande número, a comitiva do IDP assistiu a uma magnífica apresentação em vídeo sobre Bragança, o seu passado, momento actual e potencialidades futuras.
Na sessão de trabalho, o Comandante Beça Gil fez uma apresentação sobre a navegabilidade do rio Douro, realçando o papel que poderá vir a ter no transporte de mercadorias e passageiros. A existência de uma plataforma logística, idealmente no centro multimodal do Pocinho, juntamente com outros investimentos a nível fluvial, podem fazer a diferença e reduzir custos de forma significativa no transporte e cargas a granel, promovendo um meio de transporte mais económico, mais ecológico e mais seguro, face à rodovia. Um batelão fluvial com 2.500 toneladas transporta tanto como 100 camiões com 25 toneladas cada.
O eng.º Frederico Brotas de Carvalho apresentou uma comunicação sobre as ferrovias na plataforma Transduriense, focando aspectos de relevância para o desenvolvimento da região e referindo que a região pode parecer periférica face a Lisboa e Porto, mas não o é relativamente à proximidade geográfica com o resto da Europa. Foi salientado que o “D” do desenvolvimento do 25 de Abril está ainda por cumprir. Com a implementação da alta velocidade ferroviária em Espanha, Bragança será a capital portuguesa mais europeia, a 2 horas de Madrid e a 6 horas de Paris. O eng.º Rui Rodrigues complementou o anterior e fez referência às linhas aéreas de "low-cost", de interesse para a região.
Seguiu-se uma discussão salutar e proveitosa entre a comitiva do IDP e o presidente e vereadores da Câmara de Bragança presentes na reunião. A permuta de ideias estabelecida estreitou ainda mais a colaboração futura, ficando agendado um próximo contacto. A finalizar, o professor Mendo Castro Henriques fez uma análise da actividade do IDP e SAR Dom Duarte agradeceu a simpatia com que o Instituto foi recebido, enfatizando a importância do trabalho que tem sido feito.
A comitiva com SAR Dom Duarte, a vereação e o sr. Presidente da Câmara, e a que se agregou a Real Associação de Trás Os Montes, realizou uma visita pela cidade, seguindo para o Castelo, com paragem no Museu Ibérico do Traje e depois ao Centro Ciência Viva, respectivamente de enorme interesse cultural e ecológico. O dia terminou com um jantar, oferecido pela Câmara Municipal no solar de Bragança a SAR e comitiva, em que foram reforçados os laços entre os presentes.
No dia 26 de Abril, às 10H00 teve início a sessão de trabalho na Câmara de Mirandela. Junto à entrada reuniu-se uma pequena multidão e foram realizadas entrevistas pela comunicação social. Quando começou a reunião camarária, cerca de cento e vinte mirandelenses e muitos transmontanos vindos de vários pontos do país esgotaram a sala.
O sr. Dr. José Silvano, Presidente da Câmara, começou por apresentar a cidade através de recursos audio-visuais e fez uma apresentação do trabalho desenvolvido até agora. Fez ainda referências sobre o grande valor da linha ferroviária do Tua que se inicia em Mirandela e da polémica construção da barragem de Foz Tua.
O sr. comandante Beça Gil, e o eng.º Frederico Brotas de Carvalho apresentaram mais dados técnicos sobre a navegabilidade do Douro e as melhorias da linha do Tua na plataforma Transduriense que sirva a cidade e a região complementando vários elementos. Os mirandelenses responderam a esta chamada com grande entusiasmo e fervor, participando no debate que se seguiu e intervindo com apontamentos que muito valorizaram a situação.
O Presidente da Assembleia Municipal, dr. José Manuel Pavão enfatizou o momento de cidadania que se viveu naquela sala. O padre António Ribeiro falou sobre as comportas das barragens do Douro, o engº António Meneres Manso sobre o complexo agroindustrial do Cachão, o dr. Sarmento e o o dr. Trigo de Negreiros sobre questões agrícolas, e o dr. Mário Sales de Carvalho sobre a linha do Tua. Todos os intervenientes manifestaram a sua oposição à construção da barragem
A sessão de trabalho terminou com o discurso de SAR D. Duarte e os aplausos vigorosos dos mirandelenses. Aliás, tanto em Mirandela como em Bragança, todo o povo se rendeu à sua simpatia e não faltaram as demonstrações de afecto e mesmo ofertas por parte da população que passava na rua. O Movimento Cívico de Defesa da Linha do Tua apresentou uma petição que foi assinada por D. Duarte e pelos presentes e reportada pela comunicação social nacional.
Seguiu-se pelas 13H30 um almoço oferecido pela Presidência da Câmara à comitiva do IDP, onde foi dado a conhecer um pouco mais da região, sua gastronomia e seus projectos para o futuro, nomeadamente pelo sr. Vice-Presidente da Câmara. Às 16H15 principiou o percurso ferroviário num troço do metropolitano desde a estação de Mirandela até Abreiro, acompanhado pelo engº Milheiro, administrador delegado do Metropolitano do Tua. A única carruagem disponibilizada pela CP estava completamente cheia, com passageiros vindos de todos os pontos do país, uma boa parte em pé, e que se manifestaram contra o eventual fecho da linha.
A visita temática ao alto Douro terminou, e passou-se à fase seguinte. Como disse o prof. Mendo Castro Henriques, presidente do IDP, no final da sessão camarária de Mirandela: "Viemos para aprender, estamos aqui a reflectir, saímos daqui para agir". O trabalho iniciado pelo IDP será sucedido pela apresentação de um conceito estratégico para o desenvolvimento da região que será uma marca para a redução das assimetrias e a promoção da democracia através do território
Diogo Dantas (IDP)
segunda-feira, abril 21, 2008
A queda do dolar - uma perspectiva americana
The dollar may be falling at just the right time
By Martin Feldstein
The dollar's recent decline to a yen-dollar rate of 100 triggered numerous calls for exchange rate intervention. Advocates noted that the yen-dollar rate had not been so low since 1995 and that the dollar has fallen more than 20 per cent since 2002. But intervention proposals misunderstand the significance of the 100 yendollar rate, the recent dollar declines, the need for the increased US competitiveness and the potential adverse effects of intervention.
Comparing the current exchange rate with the 100 yen per dollar in 1995 is misleading because of differences in US and Japanese inflation. Between 1995 and 2007, consumer prices rose 37 per cent in the US but remained virtually unchanged in Japan (a decline of less than 1 per cent). A dollar buys substantially less in the US today than it did in 1995 while 100 yen buys the same amount in Japan as it did then. Since it takes $1.37 in the US today to buy what a dollar bought in 1995, the yen would have to strengthen to 73 yen per dollar (1 divided by 1.37) to cause a dollar to buy the same amount in Japan as it did in 1995.
It is wrong, moreover, to read much into the dollar's recent rapid decline. The value of the dollar, like other asset prices, fluctuates substantially from year to year. But over long periods the dollar's real value has changed very little. The real, inflation-adjusted value of the dollar against a broad basket of currencies, has declined only 7 per cent over the past 20 years (i.e. less than 0.5 per cent per year).
The recent decline of the dollar has led many people to talk about the current "weakness" of the dollar, encouraging intervention to stop the dollar's further decline. This confuses recent declines with fundamental weakness. The very large US trade deficit shows that the value of the dollar is not weak but is actually very strong.
Because of the dollar's strength, prices of US goods in global markets make them inadequately competitive.
The dollar's decline over the past five years stimulated exports and helped to shrink the trade deficit. Real US exports are up 17 per cent in the past two years and the trade deficit has come down 11 per cent from its peak in 2006. But the trade deficit last year was still more than $700bn (£350bn) or 5.1 per cent of gross domestic product. Since US imports are still nearly twice as large as US exports, it takes a very large fall of the dollar to shrink the net deficit.
Despite the recent dollar decline, America's trading partners still have large trade surpluses. Japan's trade surplus exceeds $100bn. In the eurozone it is nearly $40bn, in China it is $250bn, in Russia it is $140bn and in Saudi Arabia it exceeds $140bn. So the more competitive dollar is not causing fundamental trade problems for America's trading partners.
The falling dollar reflects an unwillingness of private and public portfolio investors
around the world to hold the current amounts of dollar securities at the existing interest rate and exchange rate. To induce them to do so, and to increase their holdings by the roughly $700bn needed to fund this year's US current account deficit, requires either a lower value of the dollar (so there is less risk of further dollar decline) or a higher rate of interest (to compensate them for any further fall of the dollar). A lower dollar has the favourable ef-fect of stimulating US net exports and therefore of raising the US growth rate at a time of general economic weakness. In contrast, higher interest rates would reduce aggregate investment and other aspects of aggregate demand. The US has therefore been fortunate that the adjustment to the fall in world demand for US securities has taken the form of a lower dollar rather than of a rise in the level of US interest rates.
Exchange rate intervention to strengthen the dollar would be doubly counterproductive. If it succeeded, it would cause the dollar to rise when the US economy needs a more competitive dollar. Moreover, co-ordinated intervention with Japan would encourage and legitimise Japan's action to depress the yen.
The progress of the past few years in getting the big countries to allow the market to determine the value of their currencies would be lost.
Investors and policy officials should recognise that the dollar's current decline is
part of a natural process for reducing the US trade deficit. Because of the
potential weakness of the US economy in the coming months, the dollar decline
and the resulting reduction in the trade deficit have actually come at a good time.
The writer is professor of economics at Harvard. He chaired the Council of
Economic Advisers under President Ronald Reagan
By Martin Feldstein
The dollar's recent decline to a yen-dollar rate of 100 triggered numerous calls for exchange rate intervention. Advocates noted that the yen-dollar rate had not been so low since 1995 and that the dollar has fallen more than 20 per cent since 2002. But intervention proposals misunderstand the significance of the 100 yendollar rate, the recent dollar declines, the need for the increased US competitiveness and the potential adverse effects of intervention.
Comparing the current exchange rate with the 100 yen per dollar in 1995 is misleading because of differences in US and Japanese inflation. Between 1995 and 2007, consumer prices rose 37 per cent in the US but remained virtually unchanged in Japan (a decline of less than 1 per cent). A dollar buys substantially less in the US today than it did in 1995 while 100 yen buys the same amount in Japan as it did then. Since it takes $1.37 in the US today to buy what a dollar bought in 1995, the yen would have to strengthen to 73 yen per dollar (1 divided by 1.37) to cause a dollar to buy the same amount in Japan as it did in 1995.
It is wrong, moreover, to read much into the dollar's recent rapid decline. The value of the dollar, like other asset prices, fluctuates substantially from year to year. But over long periods the dollar's real value has changed very little. The real, inflation-adjusted value of the dollar against a broad basket of currencies, has declined only 7 per cent over the past 20 years (i.e. less than 0.5 per cent per year).
The recent decline of the dollar has led many people to talk about the current "weakness" of the dollar, encouraging intervention to stop the dollar's further decline. This confuses recent declines with fundamental weakness. The very large US trade deficit shows that the value of the dollar is not weak but is actually very strong.
Because of the dollar's strength, prices of US goods in global markets make them inadequately competitive.
The dollar's decline over the past five years stimulated exports and helped to shrink the trade deficit. Real US exports are up 17 per cent in the past two years and the trade deficit has come down 11 per cent from its peak in 2006. But the trade deficit last year was still more than $700bn (£350bn) or 5.1 per cent of gross domestic product. Since US imports are still nearly twice as large as US exports, it takes a very large fall of the dollar to shrink the net deficit.
Despite the recent dollar decline, America's trading partners still have large trade surpluses. Japan's trade surplus exceeds $100bn. In the eurozone it is nearly $40bn, in China it is $250bn, in Russia it is $140bn and in Saudi Arabia it exceeds $140bn. So the more competitive dollar is not causing fundamental trade problems for America's trading partners.
The falling dollar reflects an unwillingness of private and public portfolio investors
around the world to hold the current amounts of dollar securities at the existing interest rate and exchange rate. To induce them to do so, and to increase their holdings by the roughly $700bn needed to fund this year's US current account deficit, requires either a lower value of the dollar (so there is less risk of further dollar decline) or a higher rate of interest (to compensate them for any further fall of the dollar). A lower dollar has the favourable ef-fect of stimulating US net exports and therefore of raising the US growth rate at a time of general economic weakness. In contrast, higher interest rates would reduce aggregate investment and other aspects of aggregate demand. The US has therefore been fortunate that the adjustment to the fall in world demand for US securities has taken the form of a lower dollar rather than of a rise in the level of US interest rates.
Exchange rate intervention to strengthen the dollar would be doubly counterproductive. If it succeeded, it would cause the dollar to rise when the US economy needs a more competitive dollar. Moreover, co-ordinated intervention with Japan would encourage and legitimise Japan's action to depress the yen.
The progress of the past few years in getting the big countries to allow the market to determine the value of their currencies would be lost.
Investors and policy officials should recognise that the dollar's current decline is
part of a natural process for reducing the US trade deficit. Because of the
potential weakness of the US economy in the coming months, the dollar decline
and the resulting reduction in the trade deficit have actually come at a good time.
The writer is professor of economics at Harvard. He chaired the Council of
Economic Advisers under President Ronald Reagan
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