Na passada segunda-feira, José Adelino Maltez chamou uma vez mais a atenção para algo fundamental: para restaurar Portugal é necessário começar por restaurar a república.
Fui espreitar o tempo a passar e, mesmo sem pedir licença, aí vai mais um texto que merece ser lido com muita atenção:
por José Adelino Maltez
"Muito ortodoxamente fui interpelado por alguns monárquicos que estranharam a circunstância de, muito heterodoxamente, me dizer "realista republicano". Com todo o pragmatismo de quem não perdeu o sentido da aventura, posso observar que, no actual quadro político, não existe um problema de vértice do regime, existe um problema quantos às fundações morais de qualquer possível regime.
Porque, se, formalmente, não vivemos em monarquia também substancialmente não temos um regime republicano, segundo os ideais dos revolucionários da Rotunda.
Julgo pertencer ao grupo dos portugueses que, apesar de nunca se ter desligado da tradição monárquica, subscreve a exigência constitucional da "forma republicana de governo".
Com efeito, talvez seja capaz de dizer, com todo o cuidado literal e doutrinário, que foi alguém de formação monárquica que inspirou esse agregado de palavras. Aliás, julgo não poder haver nenhum doutrinador monárquico, dos clássicos aos contemporâneos, incluindo os próprios integralistas, que não defenda a monarquia como forma republicana de governo.
Em abono desta afirmação, poderia, aliás, começar por invocar Francisco Suarez e depois passar aos clássicos do tradicionalismo contra-revolucionário e anti-absolutista, dado que todos eles assentaram as suas crenças consensualistas no pacto de associação e na consequente origem popular do poder.
Diria até que, para poder ser profundamente constitucionalista, teria que começar por reverenciar a matriz de todos os constitucionalismos modernos, que é o muito "res publicano" constitucionalismo da monarquia britânica, um constitucionalismo que nunca precisou do conceito de Estado nem do conceito de Constituição para ser a matriz de todos os Estados de Direito Democráticos dos nossos tempos contemporâneos.
E mesmo na nossa história portuguesa, talvez convenha dizer que, antes de haver as constituições monárquico-liberais escritas, nós já tínhamos sido, até à recepção do iluminismo absolutista, com o seu despotismo ministerial, um Estado Constitucional e, desse modelo de Constituição Histórica, ainda hoje poderíamos extrair muitas lições de consensualismo para alguns desvios absolutizantes do nosso tempo.
Até tivemos uma monarquia e uma constituição, as nossas tão esquecidas leis fundamentais, antes de se terem elaborado os conceitos de Estado Moderno e de soberania, nos séculos XV e XVI. Isto é, a organização política dos portugueses tinha não só uma espécie de Estado pré-estadualista como também um género de constituição pré-constitucionalista.
O facto de a Primeira República ter sido caricaturalmente parlamentarista e partidocrática, transformando o Presidente da República num simples instrumento do partido dominante , eleito pela "classe política" num colégio eleitoral, apenas provocou um vazio na simbologia máxima do Estado.
A partir do 28 de Maio e, muito principalmente, com a institucionalização do Estado Novo, através da Constituição de 1933, gerou-se um formal presidencialismo bicéfalo, onde efectivamente imperava o Presidente do Conselho de Ministros que, mesmo depois de abandonar a titularidade da "ditadura das Finanças", continuou a ser o efectivo "Princeps". O salazarismo, com efeito, liquidou em Portugal o dilema Monarquia/República, gerando um hibridismo que a dita III República, posterior ao 25 de Abril, ainda não conseguiu superar.
Com efeito, o estilo salazarista de chefia do Estado foi particularmente acirrado com o General Ramalho Eanes que, apesar de legitimado pelo voto popular, nunca se libertou de uma outra superior legitimidade: a de ser militar, a de pertencer a uma entidade que a si mesma se considera diversa da "sociedade civil".
Só com a eleição de Mário Soares se deu uma efectiva restauração da República a nível da chefia do Estado, uma restauração que, contudo, não foi feita contra os monárquicos nem marcada por sucedâneos cesaristas e que levou o próprio Duque de Bragança a qualificar a actuação de Soares como a de um verdadeiro monarca.
A monarquia em Portugal não foi derrubada pelo 5 de Outubro. A monarquia já tinha sido derrubada muito antes, tanto com o absolutismo como com o revolucionarismo de inspiração jacobina, e continuou a ser derrubada depois dessa data, com as subserviências face ao cesarismo e às ditaduras.
Porque a monarquia, como instituição de direito natural, apenas existe quando a instituição tem efectiva legitimidade, isto é, quando ninguém a discute e todas a praticam como instituição viva, tão natural como o ar que se respira ou a nação que todos os dias se plebiscita.
Com efeito, não haveria monarquia em Portugal, nos termos da legitimidade das velhas leis fundamentais, se, por exemplo, através de um referendo, a maioria absoluta ou a maioria qualificada da população optasse pela monarquia.
Enquanto a ideia monárquica continuar factor de divisão entre os portugueses, enquanto continuar vivo, mesmo que minoritário, um partido republicano, a monarquia nunca poderá conquistar a legitimidade. A monarquia não existe se depender da obediência e não do respeito. Só existe monarquia se o rei for tão natural como a família, sem estar dependente dos factores da conjuntura. Por isso é que a existência de partidos que se qualificam como monárquicos continua a ser um dos principais atentados contra a própria ideia monárquica em Portugal.
Do mesmo modo, será impossível qualquer instauracionismo monárquico se persistir na opinião pública a confusão entre a ideia monárquica e o aristocratismo, muito principalmente daquele que continua a ser ostentado por certos aristocretinos da nossa praça, maioritariamente descendendentes da falsa fidalguia do baronato devorista, que usurparam os títulos através da especulação financeira e dos golpes partidocráticos.
Na verdade, qualquer instauracionismo monárquico só seria viável se a política portuguesa voltasse de novo a ter aquela necessária temperatura espiritual geradora de efectiva legitimidade e de democráticos consensos populares. Enquanto a política que temos continuar a traduzir em calão os discípulos de Maquiavel, o monarquismo corre o risco de não passar de emblema para certas castas falsamente monárquicas e que são as verdadeiras responsáveis pela efectiva não popularidade da ideia de poder real em Portugal.
(...)
Nos liberi sumus; Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt... [Nós somos livres; nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram...]
quinta-feira, março 13, 2008
quarta-feira, março 12, 2008
Baile de máscaras
Segundo a imprensa britânica, e espanhola, o primeiro-ministro Gordon Brown terá aceite uma proposta de Lord Goldsmith que, a ser aprovada pela Casa dos Comuns, obrigaria os estudantes britânicos a jurar lealdade à Rainha para obter os seus diplomas secundários.
A reacção de alguns comentadores na imprensa, em Espanha e no Reino Unido, a respeito deste juramento, tem sido a de que a proposta é grotesca, desproporcionada, e que nem vale a pena ser considerada.
Discordo num ponto. Julgo que vale a pena ser considerada. Toda a acção suscita uma reacção. Ora, partindo do princípio que Gordon Brown tem neurónios, está de perfeita saúde, e não sofre de qualquer toxicodependência, pode bem haver uma explicação para tal proposta: o primeiro-ministro britânico poderá estar a pretender dar o sinal de partida para uma larga acção contra a monarquia em Inglaterra, e consequente destruição do Reino Unido. Razão pela qual os seus amigos de Washington e de Bruxelas, poderão estar já a esfregar as mãos de contentamento.
A reacção de alguns comentadores na imprensa, em Espanha e no Reino Unido, a respeito deste juramento, tem sido a de que a proposta é grotesca, desproporcionada, e que nem vale a pena ser considerada.
Discordo num ponto. Julgo que vale a pena ser considerada. Toda a acção suscita uma reacção. Ora, partindo do princípio que Gordon Brown tem neurónios, está de perfeita saúde, e não sofre de qualquer toxicodependência, pode bem haver uma explicação para tal proposta: o primeiro-ministro britânico poderá estar a pretender dar o sinal de partida para uma larga acção contra a monarquia em Inglaterra, e consequente destruição do Reino Unido. Razão pela qual os seus amigos de Washington e de Bruxelas, poderão estar já a esfregar as mãos de contentamento.
terça-feira, março 11, 2008
Borrasca sobre la península Ibérica

(Fotografía del satélite Meteosat para la Agencia Estatal de Meteorología en la que se aprecia una borrasca sobre la península Ibérica.- EFE - 10-03-2008 )
O mapa eleitoral de Espanha continua a revelar-se centrífugo e refém do terrorismo.
O pacto de Tinell, afinal, favoreceu o PSOE, que conseguiu captar calor nas águas do nacionalismo catalão e da “extrema-esquerda” parlamentar.
O PP não conseguiu captar calor suficiente no centro ideológico, captando-o apenas no centro geográfico, em Madrid e na Comunidade Valenciana.
Em Espanha, chamam-lhe um "tsunami bipartidário". Visto de Portugal, o fenómeno parece ser mais atmosférico e envolvendo toda a Península. E logo agora que a sobrevivência da Espanha, e de Portugal, impunha aqui ao lado um sistema político que fosse capaz de gerar um pacto de regime entre o PSOE e o PP.
Será que a Península vai vencer esta borrasca?
Ontem, no programa "prós e contras" da RTP, gostei de ouvir José Adelino Maltez defender a restauração da República e da Instituição Real em Portugal.
Sim, restaurar a República e a Instituição Real em Portugal, colocando no trono o Duque de Bragança, daria um renovado impulso à lusofonia, ao mesmo tempo que desatava o nó da desagregação da Espanha, projectando-a a ela também com segurança na hispanidade.
Portugal e Espanha voltam hoje a ser partes igualmente interessadas no Atlântico, e tanto a Espanha precisa da Instituição real em Portugal, como Portugal precisa da Instituição real em Espanha.
Será que ainda vamos a tempo de recuperar o paralelismo de Quinhentos?
É nestas alturas que consola ler J. M. Carrascal assegurando que "la vida tiene más imaginación que todos nosotros juntos".
domingo, março 09, 2008
Sobre o português Vítor Hugo
por Ferreira Fernandes
jornalista
ferreira.fernandes@dn.pt
O jornalista Jean-Pierre Langellier publicou no dia 6 um artigo no jornal Le Monde com este título: "'Merci Napoléon', Dizem os Brasileiros". E o artigo começa com a mesma tecla: "Todos os brasileiros vos dizem: o seu país existe graças a ... Napoleão." E acaba batendo no mesmo: "No último Carnaval, várias escolas de samba fizeram disso [a chegada do D. João VI, ao Rio] o tema do seu desfile. Um dos refrãos, acompanhado em coro pela multidão, acabava com um alegre: 'Adeus, Napoleão!' Adeus e obrigado."
Portanto, Le Monde mandou avisar: o pai da criança é Napoleão, não é D. João VI. Lula devia ter convidado, em vez de Cavaco e Maria, Sarkozi e a Bruni. Vão dizer-me, o artigo de Langellier é a brincar. Pois, pois. Mas um tema tão extraordinário (a primeira viagem de um rei europeu para, e não à, para a América, o único país do mundo que se fez independente com um príncipe colonial...) - e tema em que a França é secundária - eu preferisse que fosse tratado sem o tradicional umbiguismo gaulês. Sublinhado no título, primeiro e último parágrafo, quer dizer nos lugares mais nobres do artigo.
Desde já, essa da causa efeito - Napoleão é que empurra D. João VI para o Brasil - parece a do brasileiro que diz que quem protagonizou a final do Mundial de 50 foi o guarda-redes Barbosa, que deixou entrar o golo. Não, o campeão do mundo foi o Uruguai porque Ghiggia enganou Barbosa num chuto perfeito e porque os uruguaios foram a equipa superior comandados pelo grande capitão Obdulio Varela. Sobre o nascimento do Brasil, portugueses e D. João VI e D. Pedro foram protagonistas, só ultrapassados pelos brasileiros; Napoleão, grande noutras coisas, nesta foi mero comparsa histórico.
Aliás, entre os dois parágrafos francófilos, Langellier lembra: "Sobre D. João, Napoleão escreverá: 'Ele é o único homem que me enganou'." Esta parte do miolo do artigo é a melhor, recheada de informação. Eu gostei muito, já tinha lido tudo no soberbo 1808, do brasileiro Laurentino Gomes, livro que eu (mas isso sou eu) digo que li. A Laurentino o que é de Laurentino, a João VI o que de João VI, cher Jean-Pierre.
E naquele último parágrafo, o do desfile carnavalesco com o "Adeus, Napoleão", seguido no texto do Monde por "Adeus e obrigado", diga-se que o sujeito está mal atribuído. Não, não são os brasileiros a piscar o olho ao imperador francês. O desfile foi o do Grupo Imperatriz Leopoldina e o samba-enredo, depois de mostrar a discussão no palácio real de Lisboa, põe D. João VI a tomar a decisão. Que saiu nestes versos cantados no Sambódromo: "Ou ficam todos/ Ou todos se vão/ Embarcar nessa aventura/ e 'au revoir, Napoléon'"... Já nos chega os franceses terem melhores patés e agora querem ter melhores passés... Perdoem a piadola à Le Monde.
In Diário de Notícias, hoje.
jornalista
ferreira.fernandes@dn.pt
O jornalista Jean-Pierre Langellier publicou no dia 6 um artigo no jornal Le Monde com este título: "'Merci Napoléon', Dizem os Brasileiros". E o artigo começa com a mesma tecla: "Todos os brasileiros vos dizem: o seu país existe graças a ... Napoleão." E acaba batendo no mesmo: "No último Carnaval, várias escolas de samba fizeram disso [a chegada do D. João VI, ao Rio] o tema do seu desfile. Um dos refrãos, acompanhado em coro pela multidão, acabava com um alegre: 'Adeus, Napoleão!' Adeus e obrigado."
Portanto, Le Monde mandou avisar: o pai da criança é Napoleão, não é D. João VI. Lula devia ter convidado, em vez de Cavaco e Maria, Sarkozi e a Bruni. Vão dizer-me, o artigo de Langellier é a brincar. Pois, pois. Mas um tema tão extraordinário (a primeira viagem de um rei europeu para, e não à, para a América, o único país do mundo que se fez independente com um príncipe colonial...) - e tema em que a França é secundária - eu preferisse que fosse tratado sem o tradicional umbiguismo gaulês. Sublinhado no título, primeiro e último parágrafo, quer dizer nos lugares mais nobres do artigo.
Desde já, essa da causa efeito - Napoleão é que empurra D. João VI para o Brasil - parece a do brasileiro que diz que quem protagonizou a final do Mundial de 50 foi o guarda-redes Barbosa, que deixou entrar o golo. Não, o campeão do mundo foi o Uruguai porque Ghiggia enganou Barbosa num chuto perfeito e porque os uruguaios foram a equipa superior comandados pelo grande capitão Obdulio Varela. Sobre o nascimento do Brasil, portugueses e D. João VI e D. Pedro foram protagonistas, só ultrapassados pelos brasileiros; Napoleão, grande noutras coisas, nesta foi mero comparsa histórico.
Aliás, entre os dois parágrafos francófilos, Langellier lembra: "Sobre D. João, Napoleão escreverá: 'Ele é o único homem que me enganou'." Esta parte do miolo do artigo é a melhor, recheada de informação. Eu gostei muito, já tinha lido tudo no soberbo 1808, do brasileiro Laurentino Gomes, livro que eu (mas isso sou eu) digo que li. A Laurentino o que é de Laurentino, a João VI o que de João VI, cher Jean-Pierre.
E naquele último parágrafo, o do desfile carnavalesco com o "Adeus, Napoleão", seguido no texto do Monde por "Adeus e obrigado", diga-se que o sujeito está mal atribuído. Não, não são os brasileiros a piscar o olho ao imperador francês. O desfile foi o do Grupo Imperatriz Leopoldina e o samba-enredo, depois de mostrar a discussão no palácio real de Lisboa, põe D. João VI a tomar a decisão. Que saiu nestes versos cantados no Sambódromo: "Ou ficam todos/ Ou todos se vão/ Embarcar nessa aventura/ e 'au revoir, Napoléon'"... Já nos chega os franceses terem melhores patés e agora querem ter melhores passés... Perdoem a piadola à Le Monde.
In Diário de Notícias, hoje.
Ora expliquem lá...
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Em 1975, quando o Partido Comunista tomou o poder em Portugal, a massiva infiltração de militantes seus não se ficou apenas pelas Forças Armadas, os meios da comunicação social, os transportes, os sindicatos, a banca e por aí fora. Também era um facto no sector da Educação. Com resultados práticos chocantes e, muitas vezes, grotescos.
Escolas havia, um pouco por todo o país, em que as aulas passaram a ser verdadeiros comícios de lavagem de cérebro aos estudantes. O aproveitamento escolar foi a pique, ao mesmo tempo que a política de admissão de docentes atingiu níveis de bandalheira nunca igualados. Ninguém precisava de ser competente, ou sequer convenientemente letrado, bastava ser militante ou simpatizante. Em todos os patamares da vida pública, incluindo a dirigir o Ministério da Educação. E até a dirigir o Ministério do Trabalho, em que os donos do partido colocaram um salta-pocinhas, de cabelos compridos e t-shirt foleira, que sabia tanto de questões laborais como eu de lagares de azeite. Dizia-se, no entanto, que isso não tinha importância porque o flausino tinha atrás dele Álvaro Cunhal a dar-lhe as ordens. Estudantes que fossem suspeitos de pertencer a famílias bem instaladas na vida, eram descaradamente maltratados por esses professores. Aconteceu até, no Porto, um caso repugnante: um garoto que, numa briga de recreio, deu uma estalada num filho dum general de aviário do MFA, um tal Corvacho, viu-se preso, por denúncia telefónica dos professores, por uns tipos da Polícia Militar que logo apareceram num jeep. Ainda estão vivos, e creio que de boa saúde, os que viveram esse episódio.
Sempre me causou estranheza e lástima que os professores não tivessem saltado à rua, gritando por liberdade, dando largas à indignação, como outros fizeram, em manifestações nunca mais igualadas, quando foi preciso dizer ao Partido Comunista, e ao mundo, que o povo português, saído de uma ditadura de extrema direita de 48 anos, não estava disposto a sofrer a ditadura sangrenta que sofreram milhões de pessoas, durante 70 anos, na União Soviética (e que ainda sofrem os povos de Cuba, China, Coreia do Norte e Vietname do Norte). Essa que, através de fomes programadas e de gulags de inferno, matou 20 milhões de pessoas. Mas a verdade é que nunca houve uma manifestação de professores nesses tempos de tentativa boçal de amordaçar o nosso povo.
Para mim é ponto assente que os comunistas não têm lições a dar de democracia a ninguém, visto que servem uma doutrina de prática totalitária e criminosa. E causa-me espanto que pessoas normais possam ir atrás das loas de dirigentes sindicais que, embora se afirmem professores, já não dão aulas há vários anos e, de desfasados que estão, serão os primeiros a recear uma avaliação profissional. Dirigentes sindicais que, sem saberem pensar pela sua própria cabeça, bebem da fonte inquinada de uma confederação e de um partido onde pontificam os últimos dinossauros do estalinismo. Causa-me desgosto ver professores do meu país feitos Maria-vai-com-as-outras, sem se darem ao respeito aos seus estudantes, aos pais destes, ao país todo, alinhando numa passeata que teve 100 mil porque, como é de regra nas campanhas de agit prop, incluíram maridos, esposas, sogros, pais, irmãos, filhos, amigos. Tudo professores... Tudo tal qual as passeatas que vêm da margem sul do Tejo ou aquelas, de negregada memória, que o Salazar encomendava...
Sou eu contra manifestações e greves? Pelo contrário, sou a favor. Sou democrata. Bati-me, e por que preço, pela Liberdade e continuo a bater-me. Mas sou muito crítica e cautelosa nestas rebanhadas. Estou eu a passar um cheque em branco à ministra da Educação? Nem pensar, que nem simpatizo com ela. Mas entendo que é necessária, e urgente, uma avaliação de professores, que seja o princípio do fim da rebalderia que foi introduzida no ensino há 30 e tal anos. É caso para perguntar: são assim tantos os que têm medo da avaliação? Como explicam que, havendo avaliações a correr em vários sectores, privados e públicos, esses não venham para a rua gritar? É que esses trabalham, produzem.
Remato com a peixeirada que uns quantos armaram em Chaves, chamando “fascista” aos militantes socialistas que iam reunir em privado. E remato lembrando que, em 1976, me apareceu em Lisboa um jornalista da revista francesa LE POINT, a quem amigos comuns de Paris tinham dado o meu contacto. O nosso homem fez uma excelente reportagem, que incluia uma saborosa conversa que teve, em Bragança, com pessoas de acaso: “Vocês têm aqui muitos comunistas?”. Resposta pronta: “Não, senhor. Ainda temos aí uns gajos do PPD, mas vamos acabar com eles”. Clarinho como água.
Senhores professores, expliquem lá ao país, que inclui os portugueses residentes no estrangeiro, donde vem esta cega confiança nos dirigentes sindicais que organizam passeatas a peso de ouro.
por Fernanda Leitão
Em 1975, quando o Partido Comunista tomou o poder em Portugal, a massiva infiltração de militantes seus não se ficou apenas pelas Forças Armadas, os meios da comunicação social, os transportes, os sindicatos, a banca e por aí fora. Também era um facto no sector da Educação. Com resultados práticos chocantes e, muitas vezes, grotescos.
Escolas havia, um pouco por todo o país, em que as aulas passaram a ser verdadeiros comícios de lavagem de cérebro aos estudantes. O aproveitamento escolar foi a pique, ao mesmo tempo que a política de admissão de docentes atingiu níveis de bandalheira nunca igualados. Ninguém precisava de ser competente, ou sequer convenientemente letrado, bastava ser militante ou simpatizante. Em todos os patamares da vida pública, incluindo a dirigir o Ministério da Educação. E até a dirigir o Ministério do Trabalho, em que os donos do partido colocaram um salta-pocinhas, de cabelos compridos e t-shirt foleira, que sabia tanto de questões laborais como eu de lagares de azeite. Dizia-se, no entanto, que isso não tinha importância porque o flausino tinha atrás dele Álvaro Cunhal a dar-lhe as ordens. Estudantes que fossem suspeitos de pertencer a famílias bem instaladas na vida, eram descaradamente maltratados por esses professores. Aconteceu até, no Porto, um caso repugnante: um garoto que, numa briga de recreio, deu uma estalada num filho dum general de aviário do MFA, um tal Corvacho, viu-se preso, por denúncia telefónica dos professores, por uns tipos da Polícia Militar que logo apareceram num jeep. Ainda estão vivos, e creio que de boa saúde, os que viveram esse episódio.
Sempre me causou estranheza e lástima que os professores não tivessem saltado à rua, gritando por liberdade, dando largas à indignação, como outros fizeram, em manifestações nunca mais igualadas, quando foi preciso dizer ao Partido Comunista, e ao mundo, que o povo português, saído de uma ditadura de extrema direita de 48 anos, não estava disposto a sofrer a ditadura sangrenta que sofreram milhões de pessoas, durante 70 anos, na União Soviética (e que ainda sofrem os povos de Cuba, China, Coreia do Norte e Vietname do Norte). Essa que, através de fomes programadas e de gulags de inferno, matou 20 milhões de pessoas. Mas a verdade é que nunca houve uma manifestação de professores nesses tempos de tentativa boçal de amordaçar o nosso povo.
Para mim é ponto assente que os comunistas não têm lições a dar de democracia a ninguém, visto que servem uma doutrina de prática totalitária e criminosa. E causa-me espanto que pessoas normais possam ir atrás das loas de dirigentes sindicais que, embora se afirmem professores, já não dão aulas há vários anos e, de desfasados que estão, serão os primeiros a recear uma avaliação profissional. Dirigentes sindicais que, sem saberem pensar pela sua própria cabeça, bebem da fonte inquinada de uma confederação e de um partido onde pontificam os últimos dinossauros do estalinismo. Causa-me desgosto ver professores do meu país feitos Maria-vai-com-as-outras, sem se darem ao respeito aos seus estudantes, aos pais destes, ao país todo, alinhando numa passeata que teve 100 mil porque, como é de regra nas campanhas de agit prop, incluíram maridos, esposas, sogros, pais, irmãos, filhos, amigos. Tudo professores... Tudo tal qual as passeatas que vêm da margem sul do Tejo ou aquelas, de negregada memória, que o Salazar encomendava...
Sou eu contra manifestações e greves? Pelo contrário, sou a favor. Sou democrata. Bati-me, e por que preço, pela Liberdade e continuo a bater-me. Mas sou muito crítica e cautelosa nestas rebanhadas. Estou eu a passar um cheque em branco à ministra da Educação? Nem pensar, que nem simpatizo com ela. Mas entendo que é necessária, e urgente, uma avaliação de professores, que seja o princípio do fim da rebalderia que foi introduzida no ensino há 30 e tal anos. É caso para perguntar: são assim tantos os que têm medo da avaliação? Como explicam que, havendo avaliações a correr em vários sectores, privados e públicos, esses não venham para a rua gritar? É que esses trabalham, produzem.
Remato com a peixeirada que uns quantos armaram em Chaves, chamando “fascista” aos militantes socialistas que iam reunir em privado. E remato lembrando que, em 1976, me apareceu em Lisboa um jornalista da revista francesa LE POINT, a quem amigos comuns de Paris tinham dado o meu contacto. O nosso homem fez uma excelente reportagem, que incluia uma saborosa conversa que teve, em Bragança, com pessoas de acaso: “Vocês têm aqui muitos comunistas?”. Resposta pronta: “Não, senhor. Ainda temos aí uns gajos do PPD, mas vamos acabar com eles”. Clarinho como água.
Senhores professores, expliquem lá ao país, que inclui os portugueses residentes no estrangeiro, donde vem esta cega confiança nos dirigentes sindicais que organizam passeatas a peso de ouro.
Ciclo de Conferências "Dom Carlos"
A Real Associação de Viseu tem estado a promover um ciclo de conferências com especial referência ao rei Dom Carlos.
Eis o calendário das próximas conferências:
• 12 de Março – Lançamento, em Viseu, da primeira edição do livro “REGICÍDIO – 1908”, da autoria do Senhor Professor Doutor Aníbal Pinto de Castro.
• 25 de Março – Tema: Real Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa – Coroação, por Dom João IV, de Nossa Senhora como Rainha e Padroeira de Portugal. Apresentado pelo Senhor Dr Simão Pedro de Aguiam
• 9 de Abril - “DOM CARLOS, MEMÓRIA DUM REI”, pelo Dr. José Valle de Figueiredo
As conferências terão lugar na BIBLIOTECA MUNICIPAL DE VISEU (junto à loja do cidadão), com início às 18 horas e 15 minutos, com tolerância de 15 minutos, e terminarão pelas 19 horas e 30 minutos.
Eis o calendário das próximas conferências:
• 12 de Março – Lançamento, em Viseu, da primeira edição do livro “REGICÍDIO – 1908”, da autoria do Senhor Professor Doutor Aníbal Pinto de Castro.
• 25 de Março – Tema: Real Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa – Coroação, por Dom João IV, de Nossa Senhora como Rainha e Padroeira de Portugal. Apresentado pelo Senhor Dr Simão Pedro de Aguiam
• 9 de Abril - “DOM CARLOS, MEMÓRIA DUM REI”, pelo Dr. José Valle de Figueiredo
As conferências terão lugar na BIBLIOTECA MUNICIPAL DE VISEU (junto à loja do cidadão), com início às 18 horas e 15 minutos, com tolerância de 15 minutos, e terminarão pelas 19 horas e 30 minutos.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Meditação de Aljubarrota
Uma das visões mais fecundas e promissoras de António Sardinha foi sem dúvida a da Aliança Peninsular.
Para se poder realizar tal Aliança, colocava no entanto António Sardinha como condição imprescindível a existência de dois Estados fortes na Península. Não apenas de um, mas de dois Estados fortalecidos pela Monarquia.
Com a Monarquia, o Estado português não apenas ficaria mais fortalecido perante o perigo de uma absorção espanhola, como lhe daria acrescida capacidade para se projectar no Atlântico; com a Monarquia em Espanha, o Estado espanhol manter-se-ia unido e em condições de se projectar também no Atlântico (como aliás se tem verificado desde a Restauração da Monarquia).
Porquê é que são indispensáveis duas Monarquias para que os Estados peninsulares se possam projectar de forma profícua e duradoura no Atlântico? Porque só através das Instituições Reais de Portugal e de Espanha, instituições nacionais por excelência, ao abrigo das disputas político-partidárias, é possível irmanar num projecto comum os povos de língua portuguesa e espanhola.
Cumpre-nos restaurar quanto antes a Instituição Real na Chefia do Estado. Enquanto a União Europeia faz hoje a dificil digestão do lauto repasto do Leste, é chegada a hora de portugueses e espanhóis se lançarem numa nova empresa espiritual capaz de dar lugar a uma nova idade do Mundo.
Vem aqui à tona o fecundo paralelismo do período áureo vivido pelas duas monarquias peninsulares na primeira metade do século XVI. A existência de duas monarquias volta a ser hoje uma condição imprescindível à projecção atlântica dos dois Estados peninsulares.
Como introdução ao tema, o espaço Unica Semper Avis, acaba de editar um texto de António Sardinha, escrito em 1920, intitulado "Meditação de Aljubarrota".
Eis os excertos em destaque:
"De dois acontecimentos deriva a civilização moderna em todo o seu alto significado construtivo: do Cristianismo e das Descobertas. Os Descobrimentos deslocaram o eixo da cultura humana dum mar interior - o Mediterrâneo - para a bacia imensa do Atlântico. Esse esforço sem igual, que fez filhas de Portugal as idades vindouras do Mundo, não seria possível sem Aljubarrota.
"E porquê? Porque, unido Portugal com Castela, ou Castela seguia o pendor da vertente Atlântica e abalava connosco ao domínio do Mar, deixando pelas espaldas o Aragão, a política do Mediterrâneo e com ela o pesadelo do Turco e do Luteranismo, ameaçando dentro de século e meio a ordem cristã na Europa - e a epopeia ultramarina da Península resultaria incompleta, deficiente e mesmo estéril; ou então, cedendo ao impulso da vertente mediterrânica, o atalaiado reino da meseta volver-se-ia unicamente para os problemas do continente, incapacitando Portugal, anexado e amordaçado, de chegar até onde chegou a dilatação da Fé e do Império.
(...)
"A hegemonia de Castela na Península, como Estado interior, duraria enquanto durasse a Reconquista. Para lhe resistir à tendência absorvente, o Aragão procuraria na Itália e no domínio do Mediterrâneo tanto ocidental como oriental, o seu eixo de apoio.
"Outro tanto sucederia ao nosso país, evitando a consolidação do bloco castelhano (...)
"...passada a Reconquista, Castela, como uma grande nau balanceando, teria que escolher um dos dois caminhos marítimos: o do Mediterrâneo, ou o do Atlântico, para que não se sufocasse na sua clausura.
(...)
"...é preciso amar a Castela, porque Castela é, como Portugal, o pelicano sangrando!
"Se nós tivessemos triunfado em Toro, isso equivaleria a perdermos Aljubarrota.
"Deus reservava-nos a cruzada do Mar, como reservava para Castela a cruzada da Terra.
(...)
"É desde então que o Tosão-de-Oiro circunda o escudo da Espanha unificada. E o que é o Tosão-de-Oiro senão o enlace simbólico da Casa de Borgonha com a dinastia que se fundou em Aljubarrota e que cavou para sempre, como individualidades políticas autónomas, a separação de Portugal e de Castela?!"
http://www.lusitana.org/il_as_1920_medita_aljubarrota
Para se poder realizar tal Aliança, colocava no entanto António Sardinha como condição imprescindível a existência de dois Estados fortes na Península. Não apenas de um, mas de dois Estados fortalecidos pela Monarquia.
Com a Monarquia, o Estado português não apenas ficaria mais fortalecido perante o perigo de uma absorção espanhola, como lhe daria acrescida capacidade para se projectar no Atlântico; com a Monarquia em Espanha, o Estado espanhol manter-se-ia unido e em condições de se projectar também no Atlântico (como aliás se tem verificado desde a Restauração da Monarquia).
Porquê é que são indispensáveis duas Monarquias para que os Estados peninsulares se possam projectar de forma profícua e duradoura no Atlântico? Porque só através das Instituições Reais de Portugal e de Espanha, instituições nacionais por excelência, ao abrigo das disputas político-partidárias, é possível irmanar num projecto comum os povos de língua portuguesa e espanhola.
Cumpre-nos restaurar quanto antes a Instituição Real na Chefia do Estado. Enquanto a União Europeia faz hoje a dificil digestão do lauto repasto do Leste, é chegada a hora de portugueses e espanhóis se lançarem numa nova empresa espiritual capaz de dar lugar a uma nova idade do Mundo.
Vem aqui à tona o fecundo paralelismo do período áureo vivido pelas duas monarquias peninsulares na primeira metade do século XVI. A existência de duas monarquias volta a ser hoje uma condição imprescindível à projecção atlântica dos dois Estados peninsulares.
Como introdução ao tema, o espaço Unica Semper Avis, acaba de editar um texto de António Sardinha, escrito em 1920, intitulado "Meditação de Aljubarrota".
Eis os excertos em destaque:
"De dois acontecimentos deriva a civilização moderna em todo o seu alto significado construtivo: do Cristianismo e das Descobertas. Os Descobrimentos deslocaram o eixo da cultura humana dum mar interior - o Mediterrâneo - para a bacia imensa do Atlântico. Esse esforço sem igual, que fez filhas de Portugal as idades vindouras do Mundo, não seria possível sem Aljubarrota.
"E porquê? Porque, unido Portugal com Castela, ou Castela seguia o pendor da vertente Atlântica e abalava connosco ao domínio do Mar, deixando pelas espaldas o Aragão, a política do Mediterrâneo e com ela o pesadelo do Turco e do Luteranismo, ameaçando dentro de século e meio a ordem cristã na Europa - e a epopeia ultramarina da Península resultaria incompleta, deficiente e mesmo estéril; ou então, cedendo ao impulso da vertente mediterrânica, o atalaiado reino da meseta volver-se-ia unicamente para os problemas do continente, incapacitando Portugal, anexado e amordaçado, de chegar até onde chegou a dilatação da Fé e do Império.
(...)
"A hegemonia de Castela na Península, como Estado interior, duraria enquanto durasse a Reconquista. Para lhe resistir à tendência absorvente, o Aragão procuraria na Itália e no domínio do Mediterrâneo tanto ocidental como oriental, o seu eixo de apoio.
"Outro tanto sucederia ao nosso país, evitando a consolidação do bloco castelhano (...)
"...passada a Reconquista, Castela, como uma grande nau balanceando, teria que escolher um dos dois caminhos marítimos: o do Mediterrâneo, ou o do Atlântico, para que não se sufocasse na sua clausura.
(...)
"...é preciso amar a Castela, porque Castela é, como Portugal, o pelicano sangrando!
"Se nós tivessemos triunfado em Toro, isso equivaleria a perdermos Aljubarrota.
"Deus reservava-nos a cruzada do Mar, como reservava para Castela a cruzada da Terra.
(...)
"É desde então que o Tosão-de-Oiro circunda o escudo da Espanha unificada. E o que é o Tosão-de-Oiro senão o enlace simbólico da Casa de Borgonha com a dinastia que se fundou em Aljubarrota e que cavou para sempre, como individualidades políticas autónomas, a separação de Portugal e de Castela?!"
http://www.lusitana.org/il_as_1920_medita_aljubarrota
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Santo Agostinho definiu «verdadeira laicidade»
A «verdadeira laicidade» é um conceito antigo que já havia sido definido por Santo Agostinho, recorda Bento XVI, ao declarar a diferença entre a esfera política e a esfera da fé.
Joseph Ratzinger, que dedicou ao teólogo e filósofo do norte da África sua tese doutoral, dedicou a quarta das audiências gerais a este «padre da Igreja que deixou o maior número de obras», algumas delas «de importância capital, e não só para a história do cristianismo, mas também para a formação de toda a cultura ocidental».
Entre outras, o pontífice recordou «De civitate Dei» [A Cidade de Deus], «obra imponente e decisiva para o desenvolvimento do pensamento político ocidental e para a teologia cristã da história, foi escrita entre os anos 413 e 426, em 22 livros».
A ocasião de sua redação foi o saque de Roma por parte dos godos no ano 410. Ante a queda de Roma, alguns pagãos punham em dúvida a grandeza do Deus cristão, que parecia incapaz de defender a cidade.
«A esta objeção, que também tocava profundamente o coração dos cristãos, Santo Agostinho responde com esta grandiosa obra, ‘De civitate Dei’, declarando o que deveriam esperar de Deus e o que não podiam esperar d’Ele, qual é a relação entre a esfera política e a esfera da fé, da Igreja.»
«Ainda hoje este livro é uma fonte para definir bem a autêntica laicidade e a competência da Igreja, a grande esperança que nos dá a fé», declarou.
Como vem explicando Bento XVI em seu pontificado, a laicidade não significa repressão da liberdade religiosa (isso seria mais o laicismo), mas a garantia para que os crentes das diferentes religiões possam exercer seus direitos fundamentais.
Como o Papa explicou, esta obra de Agostinho de Hipona se baseia em uma interpretação fundamental de história, «a luta entre dois amores: o amor próprio, ‘até chegar ao menosprezo de Deus’ e o amor a Deus, ‘até chegar ao desprezo de si mesmo’».
O Papa repassou outros dos escritos que deixou o santo africano, um dos autores mais prolíferos da história (depois de sua morte se contabilizaram ao menos 1.300 escritos, ainda que se considera que escreveu entre 3.000 e 4.000 homilias).
Como é lógico, comentou seu livro mais publicado, as «Confissões», autobiografia na qual «a própria miséria à luz de Deus se converte em louvor de Deus e em ação de graças, pois Deus nos ama e nos aceita, transforma-nos e nos eleva para si mesmo».
«Graças às ‘Confissões’, podemos acompanhar, passo a passo, o caminho interior desse homem extraordinário e apaixonado por Deus», declarou o Papa.
Citando o amigo e biógrafo de Agostinho, o Papa concluiu explicando que o grande santo e teólogo está «sempre vivo» em suas obras.
«Está realmente vivo em seus escritos; está presente em nós e deste modo vemos também a permanente vitalidade da fé pela qual ele entregou toda a sua vida», concluiu.
As considerações de Bento XVI sobre Santo Agostinho, nas quais não deixou de confessar sua admiração por este pensador, fazem parte da série de catequeses que está oferecendo sobre as grandes figuras dos inícios da Igreja.
(Fonte: Zenit.org)
Joseph Ratzinger, que dedicou ao teólogo e filósofo do norte da África sua tese doutoral, dedicou a quarta das audiências gerais a este «padre da Igreja que deixou o maior número de obras», algumas delas «de importância capital, e não só para a história do cristianismo, mas também para a formação de toda a cultura ocidental».
Entre outras, o pontífice recordou «De civitate Dei» [A Cidade de Deus], «obra imponente e decisiva para o desenvolvimento do pensamento político ocidental e para a teologia cristã da história, foi escrita entre os anos 413 e 426, em 22 livros».
A ocasião de sua redação foi o saque de Roma por parte dos godos no ano 410. Ante a queda de Roma, alguns pagãos punham em dúvida a grandeza do Deus cristão, que parecia incapaz de defender a cidade.
«A esta objeção, que também tocava profundamente o coração dos cristãos, Santo Agostinho responde com esta grandiosa obra, ‘De civitate Dei’, declarando o que deveriam esperar de Deus e o que não podiam esperar d’Ele, qual é a relação entre a esfera política e a esfera da fé, da Igreja.»
«Ainda hoje este livro é uma fonte para definir bem a autêntica laicidade e a competência da Igreja, a grande esperança que nos dá a fé», declarou.
Como vem explicando Bento XVI em seu pontificado, a laicidade não significa repressão da liberdade religiosa (isso seria mais o laicismo), mas a garantia para que os crentes das diferentes religiões possam exercer seus direitos fundamentais.
Como o Papa explicou, esta obra de Agostinho de Hipona se baseia em uma interpretação fundamental de história, «a luta entre dois amores: o amor próprio, ‘até chegar ao menosprezo de Deus’ e o amor a Deus, ‘até chegar ao desprezo de si mesmo’».
O Papa repassou outros dos escritos que deixou o santo africano, um dos autores mais prolíferos da história (depois de sua morte se contabilizaram ao menos 1.300 escritos, ainda que se considera que escreveu entre 3.000 e 4.000 homilias).
Como é lógico, comentou seu livro mais publicado, as «Confissões», autobiografia na qual «a própria miséria à luz de Deus se converte em louvor de Deus e em ação de graças, pois Deus nos ama e nos aceita, transforma-nos e nos eleva para si mesmo».
«Graças às ‘Confissões’, podemos acompanhar, passo a passo, o caminho interior desse homem extraordinário e apaixonado por Deus», declarou o Papa.
Citando o amigo e biógrafo de Agostinho, o Papa concluiu explicando que o grande santo e teólogo está «sempre vivo» em suas obras.
«Está realmente vivo em seus escritos; está presente em nós e deste modo vemos também a permanente vitalidade da fé pela qual ele entregou toda a sua vida», concluiu.
As considerações de Bento XVI sobre Santo Agostinho, nas quais não deixou de confessar sua admiração por este pensador, fazem parte da série de catequeses que está oferecendo sobre as grandes figuras dos inícios da Igreja.
(Fonte: Zenit.org)
domingo, fevereiro 24, 2008
General Lewis Mackenzie e o Kosovo
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José Manuel Quintas
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domingo, fevereiro 24, 2008
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quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Espanha é diferente...?
Dentro de poucos dias, precisamente no dia 9 do mês de Março,
Espanha vai de novo a votos. Os seus Bispos,
numa Nota (30.01.2008) que merece leitura integral,
recordam as palavras do Papa:
«É necessário enfrentar, com determinação e clareza de intenções, o risco de opções políticas e legislativas que contradizem valores fundamentais e princípios antropológicos e éticos radicados na natureza do ser humano, de modo particular no que se refere à tutela da vida humana em todas as suas fases, desde a concepção até à morte natural, e à promoção da família fundada no matrimónio, evitando introduzir no ordenamento público outras formas de união que contribuiriam para a destabilizar, obscurecendo o seu carácter peculiar e o seu papel social insubstituível.» (Verona, 19.10.2006.)
Sentem ainda necessidade de apelar: a que seja respeitado o direito dos pais a educar os seus filhos de acordo com as suas convicções religiosas e morais; a que a própria Igreja seja respeitada e lhe seja reconhecido o direito a evangelizar na vida pública,
a propor livremente à comunidade a sua visão das coisas.
Qualquer observador atento sabe como,
especialmente nos últimos tempos,
e especialmente aqui ao nosso lado, em Espanha,
têm sido violentamente atacadas
a Vida humana, a Família, a Liberdade, a Igreja.
Portugal é diferente...?
Não dispomos, talvez, da mesma capacidade de resistência.
Qualquer Português consciente sabe como certos ventos de Espanha
não tardam em tornar-se fortes ameaças para Portugal.
Portugal é diferente.
Espanha não nos é indiferente.
Até 9 de Março, recordemos diariamente a Igreja de Espanha.
E rezemos por todo o Povo Espanhol, para que saiba escolher.
Quando receber esta mensagem, reze um Pai-Nosso ou uma Avé-Maria.
Na Santa Missa e no Terço, tenha presente esta intenção.
Por favor, passe a palavra.
domingo, fevereiro 17, 2008
Que energias para o nosso futuro?
por Dom Duarte de Bragança
Há a impressão generalizada que o problema dos recursos energéticos é tratado de modo pouco coerente com o interesse nacional .
Desistimos de acabar a barragem de Foz Côa, com a louvável preocupação de salvar as gravuras? Ou terá sido por motivos político-eleitorais? Poderiam deslocar as principais gravuras e cobrir as outras com uma camada protectora. Quando no futuro essa fonte de energia for dispensável, a barragem poderia ser esvaziada e as gravuras expostas, se tal for o desejo dos portugueses dessa época...
Quanto à “opção nuclear”, deveria ser abordada não de modo emocional, mas após um amplo debate científico, considerando a experiência dos países mais avançados e as inovações tecnológicas que tornaram as centrais mais seguras, apesar de não terem resolvido todos os problemas. Por essa opção de lado por ser incómoda, não é inteligente.
O gás natural nos automóveis é menos poluente e mais vantajoso? Pois não somos encorajados nesse sentido, as bombas são difíceis de encontrar e os estacionamentos discriminam os seus utilizadores, por motivos discutíveis...
Nas regiões rurais seria fácil e barato produzir o gás metano através da fermentação de resíduos agrícolas e florestais, tanto de modo artesanal como industrial, mas não tem havido encorajamentos nesse sentido, pelo contrário…
Em todo o caso para os automóveis a melhor solução parece ser a dos motores eléctricos, mas não recebem qualquer apoio fiscal que os torne mais baratos .
Quanto à electricidade eólica a situação é pouca clara. Ela é paga em Portugal de uma forma exageradamente favorável às empresas e fica muito cara. Até pode ser uma boa solução, se cuidarmos da defesa de algumas das nossas paisagens.
A produção da matéria-prima para os "biocombustíveis" vai competir com a produção de alimentos, levando à escassez destes e ao aumento da fome no Mundo, e o seu uso produz a mesma quantidade de CO2 que a gasolina.
A médio prazo a solução preferível seria melhorar a eficiência energética.
Nos transportes os mais eficientes são claramente os navios e os comboios.
Mas por cá encorajamos o transporte rodoviário e individual, dando sempre prioridade às auto-estradas antes de melhorar os transportes ferroviários.
Segundo o Professor Delgado Domingos, do Partido da Terra, vivemos acima das nossas possibilidades.
Gastamos, por habitante , apenas menos 10% de energia que no Reino da Dinamarca, mas consumimos cerca do dobro da energia para produzir a mesma unidade de riqueza.
Graças à U.E. vemos alguns encorajamentos para que a indústria economize, mas a construção civil moderna pouco se preocupa com isso e depende cada vez mais do ar condicionado altamente consumidor de energia.
Temos que nos preparar para as alterações climáticas que virão em breve . Precisamos de uma “revolução cultural“ para que o bem comum, a “respública“, possa passar à frente dos interesses privados. Essa mudança de atitudes terá que partir dos portugueses mais lúcidos e interessados no nosso futuro colectivo !
Dom Duarte de Bragança
(escrito para o próximo número da revista Magazine)
Há a impressão generalizada que o problema dos recursos energéticos é tratado de modo pouco coerente com o interesse nacional .
Desistimos de acabar a barragem de Foz Côa, com a louvável preocupação de salvar as gravuras? Ou terá sido por motivos político-eleitorais? Poderiam deslocar as principais gravuras e cobrir as outras com uma camada protectora. Quando no futuro essa fonte de energia for dispensável, a barragem poderia ser esvaziada e as gravuras expostas, se tal for o desejo dos portugueses dessa época...
Quanto à “opção nuclear”, deveria ser abordada não de modo emocional, mas após um amplo debate científico, considerando a experiência dos países mais avançados e as inovações tecnológicas que tornaram as centrais mais seguras, apesar de não terem resolvido todos os problemas. Por essa opção de lado por ser incómoda, não é inteligente.
O gás natural nos automóveis é menos poluente e mais vantajoso? Pois não somos encorajados nesse sentido, as bombas são difíceis de encontrar e os estacionamentos discriminam os seus utilizadores, por motivos discutíveis...
Nas regiões rurais seria fácil e barato produzir o gás metano através da fermentação de resíduos agrícolas e florestais, tanto de modo artesanal como industrial, mas não tem havido encorajamentos nesse sentido, pelo contrário…
Em todo o caso para os automóveis a melhor solução parece ser a dos motores eléctricos, mas não recebem qualquer apoio fiscal que os torne mais baratos .
Quanto à electricidade eólica a situação é pouca clara. Ela é paga em Portugal de uma forma exageradamente favorável às empresas e fica muito cara. Até pode ser uma boa solução, se cuidarmos da defesa de algumas das nossas paisagens.
A produção da matéria-prima para os "biocombustíveis" vai competir com a produção de alimentos, levando à escassez destes e ao aumento da fome no Mundo, e o seu uso produz a mesma quantidade de CO2 que a gasolina.
A médio prazo a solução preferível seria melhorar a eficiência energética.
Nos transportes os mais eficientes são claramente os navios e os comboios.
Mas por cá encorajamos o transporte rodoviário e individual, dando sempre prioridade às auto-estradas antes de melhorar os transportes ferroviários.
Segundo o Professor Delgado Domingos, do Partido da Terra, vivemos acima das nossas possibilidades.
Gastamos, por habitante , apenas menos 10% de energia que no Reino da Dinamarca, mas consumimos cerca do dobro da energia para produzir a mesma unidade de riqueza.
Graças à U.E. vemos alguns encorajamentos para que a indústria economize, mas a construção civil moderna pouco se preocupa com isso e depende cada vez mais do ar condicionado altamente consumidor de energia.
Temos que nos preparar para as alterações climáticas que virão em breve . Precisamos de uma “revolução cultural“ para que o bem comum, a “respública“, possa passar à frente dos interesses privados. Essa mudança de atitudes terá que partir dos portugueses mais lúcidos e interessados no nosso futuro colectivo !
Dom Duarte de Bragança
(escrito para o próximo número da revista Magazine)
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Relembrando um texto de Augusto Ferreira do Amaral
A respeito do livro recém publicado sob o título «O usurpador», aconselhamos a releitura do texto de Augusto Ferreira do Amaral "Dom Duarte é o sucessor dos Reis de Portugal", aqui pela primeira vez publicado em Junho de 2007, depois transcrito em Unica semper avis.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
D. Carlos I
Publicada por
José Manuel Quintas
à(s)
quarta-feira, janeiro 30, 2008
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