A TRADIÇÃO NÃO É A TRANSMISSÃO DE COISAS OU PALAVRAS, UMA COLECÇÃO DE COISAS MORTAS.
A TRADIÇÃO É O RIO VIVO QUE NOS LIGA ÀS ORIGENS, O RIO VIVO NO QUAL AS ORIGENS ESTÃO SEMPRE PRESENTES. O GRANDE RIO QUE NOS CONDUZ AO PORTO DA ETERNIDADE
PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Quarta-feira, 26 de Abril de 2006
A comunhão no tempo: a Tradição
"Queridos irmãos e irmãs!
Obrigado pelo vosso afecto! Com a nova série de catequeses, iniciada há pouco tempo, procuramos compreender o desígnio originário da Igreja querida pelo Senhor, para assim compreender melhor também a nossa colocação, a nossa vida cristã, na grande comunhão da Igreja. Até agora compreendemos que a comunhão eclesial é suscitada e alimentada pelo Espírito Santo, guardada e promovida pelo ministério apostólico. E esta comunhão, a que nós chamamos Igreja, não se alarga só a todos os crentes de um certo momento histórico, mas abraça também todos os tempos e todas as gerações. Por conseguinte, temos uma dupla universalidade: a universalidade sincrónica estamos unidos com os crentes de todas as partes do mundo e também uma universalidade chamada diacrónica, isto é: todos os tempos nos pertencem, também os crentes do passado e os crentes do futuro formam connosco uma única grande comunhão. É o Espírito quem garante a presença activa do mistério na história, Aquele que garante a sua realização ao longo dos séculos. Graças ao Paráclito a experiência do Ressuscitado, feita pela comunidade apostólica nas origens da Igreja, poderá ser sempre vivida pelas gerações sucessivas, porque transmitida e actualizada na fé, no culto e na comunhão do Povo de Deus, peregrino no tempo. E assim nós agora, no tempo pascal, vivemos o encontro com o Ressuscitado, não só como uma coisa do passado, mas na comunhão presente da fé, da liturgia, da vida da Igreja. A Tradição apostólica da Igreja consiste nesta transmissão dos bens da salvação, que faz da comunidade cristã a actualização permanente, na força do Espírito, da comunhão originária. Ela é chamada assim porque surgiu do testemunho dos Apóstolos e da comunidade dos discípulos no tempo das origens, foi entregue sob a guia do Espírito Santo nos textos do Novo Testamento e na vida sacramental, na vida da fé, e a ela a esta tradição, que é toda a realidade sempre actual do dom de Jesus a Igreja refere-se continuamente como ao seu fundamento e à sua norma através da sucessão ininterrupta do mistério apostólico.
Jesus, ainda na sua vida histórica, limitava a sua missão à casa de Israel, mas já fazia compreender que o dom era destinado não só ao povo de Israel, mas a todo o mundo e a todos os tempos. Depois, o Ressuscitado confia explicitamente aos Apóstolos (cf. Lc 6, 13) a tarefa de fazer discípulos de todas as nações, garantindo a sua presença e a sua ajuda até ao fim dos tempos (cf. Mt 28, 19s.). O universalismo da salvação exige, entre outras coisas, que o memorial da Páscoa seja celebrado sem interrupção na história até à vinda gloriosa de Cristo (cf. 1 Cor 11, 26). Quem actualizará a presença salvífica do Senhor Jesus mediante o ministério dos apóstolos chefes do Israel escatológico (cf. Mt 19, 28) e através de toda a vida do apóstolo da nova aliança? A resposta é clara: o Espírito Santo. Os Actos dos Apóstolos em continuidade com o desígnio do Evangelho de Lucas apresentam ao vivo a compenetração entre o Espírito, os enviados de Cristo e a comunidade por eles reunida. Graças à acção do Paráclito os Apóstolos e os seus sucessores podem realizar no tempo a missão recebida do Ressuscitado: "Vós sois as testemunhas destas coisas. E Eu vou mandar sobre vós o que meu Pai prometeu..." (Lc 24, 48s.). "Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo" (Act 1, 8). E esta promessa, no início incrível, já se realizou no tempo dos Apóstolos: "E nós somos testemunhas destas coisas, juntamente com o Espírito Santo, que Deus tem concedido àqueles que lhe obedecem" (Act 5, 32).
Portanto, é o próprio Espírito que, mediante a imposição das mãos e a oração dos Apóstolos, consagra e envia os novos missionários do Evangelho (assim, por exemplo, em Act 13, 3s. e 1 Tm 4, 14). É interessante observar que, enquanto em alguns trechos se diz que Paulo estabelece os presbíteros nas Igrejas (cf. Act 14, 23), noutras partes afirma-se que é o Espírito quem constitui os pastores do rebanho (cf. Act 20, 28). A acção do Espírito e a de Paulo sobressaem profundamente compenetradas. No momento das decisões solenes para a vida da Igreja, o Espírito está presente para a guiar. Esta presença-guia do Espírito Santo sente-se particularmente no Concílio de Jerusalém, em cujas palavras conclusivas ressoa a afirmação: "O Espírito Santo e nós próprios resolvemos..." (Act 15, 28); a Igreja cresce e caminha "no temor do Senhor e, com a assistência do Espírito Santo..." (Act 9, 31). Esta actualização permanente da presença activa de Jesus Senhor no seu povo, realizada pelo Espírito Santo e expressa na Igreja através do ministério apostólico e a comunhão fraterna, é aquilo que em sentido teológico se quer dizer com a palavra Tradição: ela não é a simples transmissão material de quanto foi doado no início aos Apóstolos, mas a presença eficaz do Senhor Jesus, crucificado e ressuscitado, que acompanha e guia no Espírito a comunidade por ele reunida.
A Tradição é a comunhão dos fiéis à volta dos legítimos Pastores no decorrer da história, uma comunhão que o Espírito Santo alimenta garantindo a ligação entre a experiência da fé apostólica, vivida na originária comunidade dos discípulos, e a experiência actual de Cristo na sua Igreja. Por outras palavras, a Tradição é a continuidade orgânica da Igreja, Templo santo de Deus Pai, erigido sobre o fundamento dos Apóstolos e reunido pela pedra angular, Cristo, mediante a acção vivificante do Espírito: "Portanto, já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus, edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É nele que toda a construção, bem ajustada, cresce para formar um templo santo, no Senhor. É nele que também vós sois integrados na construção, para formardes uma habitação de Deus, pelo Espírito" (Ef 2, 19-22). Graças à Tradição, garantida pelo ministério dos Apóstolos e dos seus sucessores, a água da vida que saiu do lado de Cristo e o seu sangue saudável alcançam as mulheres e os homens de todos os tempos. Assim, a Tradição é a presença permanente do Salvador que vem encontrar-se connosco, redimir-nos e santificar-nos no Espírito mediante o ministério da sua Igreja, para glória do Pai.
Concluindo e resumindo, podemos afirmar portanto que a Tradição não é transmissão de coisas ou palavras, uma colecção de coisas mortas. A Tradição é o rio vivo que nos liga às origens, o rio vivo no qual as origens estão sempre presentes. O grande rio que nos conduz ao porto da eternidade. E sendo assim, neste rio vivo realiza-se sempre de novo a palavra do Senhor, que no início ouvimos dos lábios do leitor: "E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos" (Mt 29, 20)."
Nos liberi sumus; Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt... [Nós somos livres; nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram...]
sábado, junho 17, 2006
sexta-feira, junho 16, 2006
10 de Junho
por Paulo Teixeira Pinto
Hoje é Dia de Portugal.
Hoje não é o dia deste País.
Portugal não é “este País”.
E é hoje, dia 10 de Junho, dia de Portugal, que cumpre homenagear os nossos combatentes. Os que lutaram por Portugal, não por um regime, não por uma ideologia, não por uma estratégia, não por um interesse. Sim, por Portugal.
A maior de todas as homenagens que fazer se possa aos nossos combatentes – em especial por parte de alguém como eu que nunca foi combatente (eu tinha 13 anos e vivia em Angola quando terminou a guerra) –, a maior homenagem, dizia, é reconhecer que se Portugal é o que hoje é, e é uma das mais antigas Nações de todo o mundo, é porque muita gente ao longo de séculos lutou e morreu para que este dia possa continuar a ser assinalado.
Já se disse que um povo sem memória é um povo sem futuro. Poderemos mesmo dizer que seria um povo já sem presente. Mas também sem identidade, porque esta não pode subsistir sem reconhecimento. E este obriga a que o sangue dos que morreram em nome de todos seja causa de honra dos que sobrevivem.
Certo é que a História não regista nenhum caso de um Estado eterno. Mas ao fim de novecentos anos de história, a cada geração cabe assegurar que a próxima não seja a última a poder comemorar o dia de Portugal. De Portugal repito, não da Pátria, da Nação, ou do País.
Mais se impõe também ter presente que numa sociedade democrática, madura, aberta e plural, o que deve ser esperado de todos os cidadãos – porque afinal, os verdadeiros detentores do poder político são eles e não aqueles outros que em cada momento exerçam a titularidade dos órgãos de Estado – é que sejam activos combatentes pelos direitos de cidadania. E que cumpram também os deveres que a mesma impõe. Por isso, neste sentido, combatentes já não são só os militares em cumprimento do seu ofício.
Hoje, dia de Portugal, dia em que homenageamos os nossos combatentes, é bom ter desde já presente que a missão que deles agora se espera já não é fazer a guerra mas estar sempre em prontidão para defender a Paz. E esta deve ser garantida, e activamente promovida, não só no território nacional, mas também em todas as geografias onde os nossos interesses estratégicos, nomeadamente os resultantes de compromissos internacionais – de que é expoente maior a NATO – a isso obriguem.
Hoje, dia de Portugal, dia em que homenageamos os nossos combatentes, é também bom recordar que combatentes são de igual modo aqueles que com os nossos combateram. E sei, porque já o vi e senti, que ninguém mais do que um verdadeiro combatente sabe respeitar o combatente que o defronta. Porque depois do confronto é mais aquilo que os une do que o que os separou.
Homenagear os nossos combatentes é, por conseguinte, celebrar Portugal. Sem ideologias, sem facciosismos, sem antagonismos. Porque Portugal somos todos, mesmo aqueles que sendo portugueses dizem dele não gostar e até aqueles que por Portugal recusariam lutar. Porque Portugal é, enfim, a raiz da nossa filiação comunitária. Porque o dia 10 de Junho é o dia dos Portugueses. Todos.
Celebrar Portugal significa então recordar que somos, de entre todos os Estados soberanos da Europa, aquele que no espaço primeiro encontrou os seus próprios limites de fronteira terrestre. E que espera – isto é, aguarda com esperança – nunca chegar a descobrir no tempo as cérceas que delimitam o fim da sua Idade, porquanto sucede que a soberania portuguesa é, ela mesma, não apenas o selo que certifica a sua independência mas também, e em especial, a sua própria causa de ser. Desta sorte, a soberania nacional, na particular condição de Portugal, é muito mais do que um simples atributo de Estado: é a emanação de uma vontade de Nação. Portugal não é só um Estado soberano. Portugal é um Estado Nacional.
Portugal é uma Nação que, de frente para o mar e de costas para terra, descobriu terra para além do mar. Uma Nação que encontrou o oriente indo para Ocidente. Faltando ao encontro com a sua vocação faltaria ao cumprimento da sua missão.
Portugal é um ancoradouro onde diversas gentes se encontraram como um só povo que se identifica com uma só língua perante a memória de uma história comum e o sonho de um futuro também comum. Portugal foi cantado por Camões como porto de partida para a Ilha dos Amores e para o Reino do Prestes João. Mas descobrir o mundo todo não seria nada se esse mundo fosse só, ao contrário do verso de Pessoa, o mítico nada que é tudo. Não. O lugar português não é o da utopia. É o do mundo inteiro. De nada vale ser finis terrae se não se divisar para além do fim que pode ser pela vista alcançado. Portugal significa universal.
Portugal teve por destino a descoberta e o encontro com outros povos. Para com eles viver e com eles repartir o que nós somos. Nunca fomos menos por sermos também os outros. Mas fomos sempre mais quando demos mais. Quanto mais formos outros mais os outros serão também portugueses. A Portugalidade só se realiza com os outros e nunca contra ninguém. E é por isso mesmo que Portugal tem de significar o maior contrário de racismo ou xenofobia. A dimensão de um povo não é mensurável pelo número de coisas de que é senhor mas pela intenção e pela intensidade do que seja capaz de dar aos outros povos. Posto isto, tal como há portugueses em todas as dobras do mundo, é bom que os que cá permanecem saibam ser solidários com o sacrifício dos que partiram, acolhendo com a mesma dignidade aqueles outros que vindos do mesmo mundo escolheram cá viver connosco.
Portugal é um Estado e é uma Nação. Mas é também uma Mátria. Terra Mãe de demandas sem fim para no fim voltar ao princípio de outra procura infinita. Porque só o infinito é o tempo e o espaço onde cabe a universalidade. Lugar e momento daqueles que nos outros procuram o encontro consigo mesmos. Fizemo-nos assim. Sobrevivemos assim. Seremos ainda assim enquanto a nossa vontade nos permitir continuar assim. Até que sim. Porque o nosso fado não se chama destino mas liberdade. E então a nossa saudade não será do passado mas clamará pelo futuro. Que só é possível porque houve gente, de gerações e gerações, que combateu para nos permitir estar hoje aqui a falar de esperança no futuro.
Obrigado Combatentes!
E que viva Portugal!
10 de Junho de 2006
Paulo Teixeira Pinto
Hoje é Dia de Portugal.
Hoje não é o dia deste País.
Portugal não é “este País”.
E é hoje, dia 10 de Junho, dia de Portugal, que cumpre homenagear os nossos combatentes. Os que lutaram por Portugal, não por um regime, não por uma ideologia, não por uma estratégia, não por um interesse. Sim, por Portugal.
A maior de todas as homenagens que fazer se possa aos nossos combatentes – em especial por parte de alguém como eu que nunca foi combatente (eu tinha 13 anos e vivia em Angola quando terminou a guerra) –, a maior homenagem, dizia, é reconhecer que se Portugal é o que hoje é, e é uma das mais antigas Nações de todo o mundo, é porque muita gente ao longo de séculos lutou e morreu para que este dia possa continuar a ser assinalado.
Já se disse que um povo sem memória é um povo sem futuro. Poderemos mesmo dizer que seria um povo já sem presente. Mas também sem identidade, porque esta não pode subsistir sem reconhecimento. E este obriga a que o sangue dos que morreram em nome de todos seja causa de honra dos que sobrevivem.
Certo é que a História não regista nenhum caso de um Estado eterno. Mas ao fim de novecentos anos de história, a cada geração cabe assegurar que a próxima não seja a última a poder comemorar o dia de Portugal. De Portugal repito, não da Pátria, da Nação, ou do País.
Mais se impõe também ter presente que numa sociedade democrática, madura, aberta e plural, o que deve ser esperado de todos os cidadãos – porque afinal, os verdadeiros detentores do poder político são eles e não aqueles outros que em cada momento exerçam a titularidade dos órgãos de Estado – é que sejam activos combatentes pelos direitos de cidadania. E que cumpram também os deveres que a mesma impõe. Por isso, neste sentido, combatentes já não são só os militares em cumprimento do seu ofício.
Hoje, dia de Portugal, dia em que homenageamos os nossos combatentes, é bom ter desde já presente que a missão que deles agora se espera já não é fazer a guerra mas estar sempre em prontidão para defender a Paz. E esta deve ser garantida, e activamente promovida, não só no território nacional, mas também em todas as geografias onde os nossos interesses estratégicos, nomeadamente os resultantes de compromissos internacionais – de que é expoente maior a NATO – a isso obriguem.
Hoje, dia de Portugal, dia em que homenageamos os nossos combatentes, é também bom recordar que combatentes são de igual modo aqueles que com os nossos combateram. E sei, porque já o vi e senti, que ninguém mais do que um verdadeiro combatente sabe respeitar o combatente que o defronta. Porque depois do confronto é mais aquilo que os une do que o que os separou.
Homenagear os nossos combatentes é, por conseguinte, celebrar Portugal. Sem ideologias, sem facciosismos, sem antagonismos. Porque Portugal somos todos, mesmo aqueles que sendo portugueses dizem dele não gostar e até aqueles que por Portugal recusariam lutar. Porque Portugal é, enfim, a raiz da nossa filiação comunitária. Porque o dia 10 de Junho é o dia dos Portugueses. Todos.
Celebrar Portugal significa então recordar que somos, de entre todos os Estados soberanos da Europa, aquele que no espaço primeiro encontrou os seus próprios limites de fronteira terrestre. E que espera – isto é, aguarda com esperança – nunca chegar a descobrir no tempo as cérceas que delimitam o fim da sua Idade, porquanto sucede que a soberania portuguesa é, ela mesma, não apenas o selo que certifica a sua independência mas também, e em especial, a sua própria causa de ser. Desta sorte, a soberania nacional, na particular condição de Portugal, é muito mais do que um simples atributo de Estado: é a emanação de uma vontade de Nação. Portugal não é só um Estado soberano. Portugal é um Estado Nacional.
Portugal é uma Nação que, de frente para o mar e de costas para terra, descobriu terra para além do mar. Uma Nação que encontrou o oriente indo para Ocidente. Faltando ao encontro com a sua vocação faltaria ao cumprimento da sua missão.
Portugal é um ancoradouro onde diversas gentes se encontraram como um só povo que se identifica com uma só língua perante a memória de uma história comum e o sonho de um futuro também comum. Portugal foi cantado por Camões como porto de partida para a Ilha dos Amores e para o Reino do Prestes João. Mas descobrir o mundo todo não seria nada se esse mundo fosse só, ao contrário do verso de Pessoa, o mítico nada que é tudo. Não. O lugar português não é o da utopia. É o do mundo inteiro. De nada vale ser finis terrae se não se divisar para além do fim que pode ser pela vista alcançado. Portugal significa universal.
Portugal teve por destino a descoberta e o encontro com outros povos. Para com eles viver e com eles repartir o que nós somos. Nunca fomos menos por sermos também os outros. Mas fomos sempre mais quando demos mais. Quanto mais formos outros mais os outros serão também portugueses. A Portugalidade só se realiza com os outros e nunca contra ninguém. E é por isso mesmo que Portugal tem de significar o maior contrário de racismo ou xenofobia. A dimensão de um povo não é mensurável pelo número de coisas de que é senhor mas pela intenção e pela intensidade do que seja capaz de dar aos outros povos. Posto isto, tal como há portugueses em todas as dobras do mundo, é bom que os que cá permanecem saibam ser solidários com o sacrifício dos que partiram, acolhendo com a mesma dignidade aqueles outros que vindos do mesmo mundo escolheram cá viver connosco.
Portugal é um Estado e é uma Nação. Mas é também uma Mátria. Terra Mãe de demandas sem fim para no fim voltar ao princípio de outra procura infinita. Porque só o infinito é o tempo e o espaço onde cabe a universalidade. Lugar e momento daqueles que nos outros procuram o encontro consigo mesmos. Fizemo-nos assim. Sobrevivemos assim. Seremos ainda assim enquanto a nossa vontade nos permitir continuar assim. Até que sim. Porque o nosso fado não se chama destino mas liberdade. E então a nossa saudade não será do passado mas clamará pelo futuro. Que só é possível porque houve gente, de gerações e gerações, que combateu para nos permitir estar hoje aqui a falar de esperança no futuro.
Obrigado Combatentes!
E que viva Portugal!
10 de Junho de 2006
Paulo Teixeira Pinto
quinta-feira, junho 15, 2006
Violência nas Escolas
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Recentemente, a RTP-Internacional transmitiu para todas as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo uma reportagem sobre a violência nas escolas, seguida de um debate entre Fátima Bonifácio, Eduardo Sá, Isabel Cluny e Jorge Pedreira, respectivamente professora universitária, psicólogo clínico, professora do ensino secundário e secretário do estado a que a educação chegou em Portugal. Antes de mais nada, apraz referir a excelente moderação feita por José Alberto de Carvalho.
A reportagem, realizada a partir de máquinas de filmar dissimuladas em salas de aula, com consentimento pleno dos conselhos de professores, é tão real e forte que faz doer. No caso de nós outros, os residentes nestas paragens, fez doer e muito. É verdade que amigos e familiares, trabalhando no ensino em Portugal, muitas vezes se nos queixaram da violência dos alunos, do desamparo em que trabalham, do desespero que os invade cada manhã, mas nunca realizámos que a situação fosse tão séria e degradante. Foi um grande choque para os emigrantes. E uma vergonha, depois de 32 anos de promessas ocas, sobretudo se pensarmos que os imigrantes de vários países que rumaram a Portugal têm de sujeitar os seus filhos a tão bárbaro ambiente. Que lástima os emigrantes portugueses terem de lamentar os imigrantes que vivem em Portugal!
A violência das crianças, como muito bem apontaram o psicólogo clínico e a (inteligentíssima e corajosa) Fátima Bonifácio, tem sempre origem na violência familiar, na aridez do afecto, no abandono sofrido diariamente. É óbvio que as crianças e os jovens descarregam a raiva e o desconforto onde calha e em cima de quem calha. Neste caso, os professores e eles mesmos uns com os outros. Aos professores, neste tempo de descalabro, tem cabido aguentar uma dupla violência: a dos alunos e a dum ministério que, nunca indo à raíz dos problemas, tem a desumanidade de atribuir aos professores o insucesso escolar, numa generalização absolutamente assassina. Mas de quem traz o ensino do português no estrangeiro em completo desamparo, a ponto de sanear os melhores coordenadores para manter em lugares autênticos aventureiros, de quem procede assim, espera-se tudo. Até que, à falta de melhor tarefa, faça retirar das escolas portuguesas as cruzes, sabe-se lá a mando de quem. Há horas no mundo em que nos países anda o diabo à solta. Tempos da Besta.
O ministério da Educação tem sido, desde 1974, palco dos maiores desconchavos, das maiores corrupções e compadrios, dos mais completos festivais de incompetência e arrivismo. Basta lembrarmos os ministros e secretários de estado que por lá têm passado. Que bom seria se este fosse o único ministério a sofrer de tão prolongada mazela, mas ainda assim, basta este exemplo para avaliarmos de quão pouca importância este regime tem dado à educação, ao saber, à cultura, enfim ao único capital que não se perde nem se esgota.
Fátima Bonifácio, com evidente aprovação da professora Cluny e do psicólogo Eduardo Sá, entende que as crianças violentas não podem continuar a ser violentadas por famílias que não o sabem ser. E entende bem. O tumor tem de ser arrancado duma vez e em cirurgia social sem peias. Está em jogo toda uma geração e também o futuro de Portugal.
Os professores, excepto aquela minoria que vive de cunhas e de baixas fraudulentas (algumas a partir do estrangeiro) e de outras golpadas sujas, os professores, dizíamos, estão a ser queimados pelo próprio ministério. E todo o povo tem de saber isto. Precisam de apoio e não de censuras descabidas.
Resumindo (em calão académico): o Jorge Calhau estendeu-se ao comprido, para ficar bem no retrato com a ministra. Que remodelação ministerial tão necessária!
por Fernanda Leitão
Recentemente, a RTP-Internacional transmitiu para todas as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo uma reportagem sobre a violência nas escolas, seguida de um debate entre Fátima Bonifácio, Eduardo Sá, Isabel Cluny e Jorge Pedreira, respectivamente professora universitária, psicólogo clínico, professora do ensino secundário e secretário do estado a que a educação chegou em Portugal. Antes de mais nada, apraz referir a excelente moderação feita por José Alberto de Carvalho.
A reportagem, realizada a partir de máquinas de filmar dissimuladas em salas de aula, com consentimento pleno dos conselhos de professores, é tão real e forte que faz doer. No caso de nós outros, os residentes nestas paragens, fez doer e muito. É verdade que amigos e familiares, trabalhando no ensino em Portugal, muitas vezes se nos queixaram da violência dos alunos, do desamparo em que trabalham, do desespero que os invade cada manhã, mas nunca realizámos que a situação fosse tão séria e degradante. Foi um grande choque para os emigrantes. E uma vergonha, depois de 32 anos de promessas ocas, sobretudo se pensarmos que os imigrantes de vários países que rumaram a Portugal têm de sujeitar os seus filhos a tão bárbaro ambiente. Que lástima os emigrantes portugueses terem de lamentar os imigrantes que vivem em Portugal!
A violência das crianças, como muito bem apontaram o psicólogo clínico e a (inteligentíssima e corajosa) Fátima Bonifácio, tem sempre origem na violência familiar, na aridez do afecto, no abandono sofrido diariamente. É óbvio que as crianças e os jovens descarregam a raiva e o desconforto onde calha e em cima de quem calha. Neste caso, os professores e eles mesmos uns com os outros. Aos professores, neste tempo de descalabro, tem cabido aguentar uma dupla violência: a dos alunos e a dum ministério que, nunca indo à raíz dos problemas, tem a desumanidade de atribuir aos professores o insucesso escolar, numa generalização absolutamente assassina. Mas de quem traz o ensino do português no estrangeiro em completo desamparo, a ponto de sanear os melhores coordenadores para manter em lugares autênticos aventureiros, de quem procede assim, espera-se tudo. Até que, à falta de melhor tarefa, faça retirar das escolas portuguesas as cruzes, sabe-se lá a mando de quem. Há horas no mundo em que nos países anda o diabo à solta. Tempos da Besta.
O ministério da Educação tem sido, desde 1974, palco dos maiores desconchavos, das maiores corrupções e compadrios, dos mais completos festivais de incompetência e arrivismo. Basta lembrarmos os ministros e secretários de estado que por lá têm passado. Que bom seria se este fosse o único ministério a sofrer de tão prolongada mazela, mas ainda assim, basta este exemplo para avaliarmos de quão pouca importância este regime tem dado à educação, ao saber, à cultura, enfim ao único capital que não se perde nem se esgota.
Fátima Bonifácio, com evidente aprovação da professora Cluny e do psicólogo Eduardo Sá, entende que as crianças violentas não podem continuar a ser violentadas por famílias que não o sabem ser. E entende bem. O tumor tem de ser arrancado duma vez e em cirurgia social sem peias. Está em jogo toda uma geração e também o futuro de Portugal.
Os professores, excepto aquela minoria que vive de cunhas e de baixas fraudulentas (algumas a partir do estrangeiro) e de outras golpadas sujas, os professores, dizíamos, estão a ser queimados pelo próprio ministério. E todo o povo tem de saber isto. Precisam de apoio e não de censuras descabidas.
Resumindo (em calão académico): o Jorge Calhau estendeu-se ao comprido, para ficar bem no retrato com a ministra. Que remodelação ministerial tão necessária!
quarta-feira, junho 14, 2006
Artistas Viajantes e o Brasil no século XIX
A Galeria de Pintura do Rei D. Luís tem patente ao público uma exposição subordinada ao tema Artistas Viajantes e o Brasil no século XIX, uma iniciativa conjunta do Instituto Português de Museus e do Instituto Português do Património Arquitectónico constituída por um acervo de cerca de 122 obras pertencentes à Coleção Brasiliana / Fundação Estudar, sediada em S. Paulo, no Brasil.
A exposição, composta por um conjunto de pinturas, aguarelas, desenhos e gravuras datadas, na sua maioria, do século XIX, compõe uma visão do país a partir de três grandes temas: o Rio de Janeiro e a corte, o registo dos viajantes e a paisagem brasileira.
O olhar atento de artistas/viajantes e cientistas/naturalistas, curiosos e investigadores, impregnado pelo espírito aventureiro e a mentalidade romântica tão peculiar à época, deixou uma quantidade considerável de publicações e imagens. Estas “imagens” testemunham a vida da corte portuguesa no Brasil que ali se instalou em consequência das Invasões Francesas, a diversidade da cultura brasileira formada por portugueses, escravos africanos, nativos indígenas e mestiços e, por último, as imponentes paisagens de uma luxuriante vegetação.
Este imenso legado, hoje conhecido por “Brasiliana”, é uma contribuição inestimável para o estudo e conhecimento da história e da arte do Brasil.
Às obras provenientes da Coleção Brasiliana foram associadas peças provenientes dos acervos dos Palácios Nacionais e da Biblioteca da Ajuda, referentes à Família Real de Portugal e Imperial do Brasil.
No âmbito desta exposição, o Instituto Português do Património Arquitectónico e o Instituto Português de Museus organizam um Curso Livre a decorrer no dia 22 de Junho e que conta com a participação de especialistas da época em estudo. Os temas contemplados serão na área da História Cultural, Política e Social.
Curso Livre no âmbito da exposição
Artistas Viajantes e o Brasil no século XIX
10h30 “D. Pedro IV, um monarca entre dois mundos”
Prof. Doutor Eugénio dos Santos
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
11h30 “Gentes e Paisagem no Romantismo Brasileiro”
Prof. ª Doutora Vânia Chaves Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
12h30 ALMOÇO
14h30 “Corte e Nobrezas:
uma monarquia entre dois continentes”
Prof. Doutor Nuno Monteiro
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
15h30 “O Marquês de Fronteira:
um aristocrata no Cabralismo”
Prof. ª Doutora Fátima Bonifácio
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
16h30 Pausa para café
16h45 “Domingos António Sequeira:
um pintor dos exílios”
Prof.ª Doutora Raquel Henriques da Silva
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
da Universidade Nova de Lisboa
17h45 “Música ao tempo de D. João VI”
Prof. Doutor Rui Vieira Nery
Departamento de Artes da Universidade de Évora
18h45 Lançamento do livro O Diário da Viagem de D. Francisca de Bragança (1842-1843) – A «Bela Chica», pela Editora Alêtheia.
A obra será apresentada pelo Dr. José Alberto Ribeiro
Na ocasião do lançamento será servido um cocktail.
contactos:
Galeria de Pintura do Rei D. Luís, Palácio Nacional da Ajuda
1349-021 Lisboa
Telefones: 21 361 4340/44/46
Fax: 21 362 5641
galeria@ippar.pt
Almoço na esplanada do Restaurante Estufa Real (20€)
Jardim Botânico da Ajuda, Calçada da Ajuda
Inscrições prévias pelos telefones: 21 361 4340 / 21 361 4346
A exposição, composta por um conjunto de pinturas, aguarelas, desenhos e gravuras datadas, na sua maioria, do século XIX, compõe uma visão do país a partir de três grandes temas: o Rio de Janeiro e a corte, o registo dos viajantes e a paisagem brasileira.
O olhar atento de artistas/viajantes e cientistas/naturalistas, curiosos e investigadores, impregnado pelo espírito aventureiro e a mentalidade romântica tão peculiar à época, deixou uma quantidade considerável de publicações e imagens. Estas “imagens” testemunham a vida da corte portuguesa no Brasil que ali se instalou em consequência das Invasões Francesas, a diversidade da cultura brasileira formada por portugueses, escravos africanos, nativos indígenas e mestiços e, por último, as imponentes paisagens de uma luxuriante vegetação.
Este imenso legado, hoje conhecido por “Brasiliana”, é uma contribuição inestimável para o estudo e conhecimento da história e da arte do Brasil.
Às obras provenientes da Coleção Brasiliana foram associadas peças provenientes dos acervos dos Palácios Nacionais e da Biblioteca da Ajuda, referentes à Família Real de Portugal e Imperial do Brasil.
No âmbito desta exposição, o Instituto Português do Património Arquitectónico e o Instituto Português de Museus organizam um Curso Livre a decorrer no dia 22 de Junho e que conta com a participação de especialistas da época em estudo. Os temas contemplados serão na área da História Cultural, Política e Social.
Curso Livre no âmbito da exposição
Artistas Viajantes e o Brasil no século XIX
10h30 “D. Pedro IV, um monarca entre dois mundos”
Prof. Doutor Eugénio dos Santos
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
11h30 “Gentes e Paisagem no Romantismo Brasileiro”
Prof. ª Doutora Vânia Chaves Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
12h30 ALMOÇO
14h30 “Corte e Nobrezas:
uma monarquia entre dois continentes”
Prof. Doutor Nuno Monteiro
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
15h30 “O Marquês de Fronteira:
um aristocrata no Cabralismo”
Prof. ª Doutora Fátima Bonifácio
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
16h30 Pausa para café
16h45 “Domingos António Sequeira:
um pintor dos exílios”
Prof.ª Doutora Raquel Henriques da Silva
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
da Universidade Nova de Lisboa
17h45 “Música ao tempo de D. João VI”
Prof. Doutor Rui Vieira Nery
Departamento de Artes da Universidade de Évora
18h45 Lançamento do livro O Diário da Viagem de D. Francisca de Bragança (1842-1843) – A «Bela Chica», pela Editora Alêtheia.
A obra será apresentada pelo Dr. José Alberto Ribeiro
Na ocasião do lançamento será servido um cocktail.
contactos:
Galeria de Pintura do Rei D. Luís, Palácio Nacional da Ajuda
1349-021 Lisboa
Telefones: 21 361 4340/44/46
Fax: 21 362 5641
galeria@ippar.pt
Almoço na esplanada do Restaurante Estufa Real (20€)
Jardim Botânico da Ajuda, Calçada da Ajuda
Inscrições prévias pelos telefones: 21 361 4340 / 21 361 4346
sábado, junho 10, 2006
Anjos, Mensageiros e Protectores
Peregrinação Nacional das Crianças a Fátima recorda os anjos, mensageiros e protectores
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Teve início há minutos, no Santuário de Fátima, a celebração Eucarística da Peregrinação Nacional das Crianças, presidida pelo Administrador Apostólico da Diocese de Leiria-Fátima, D. Serafim Ferreira e Silva.
A peregrinação das crianças marca visualmente a diferença em relação a outras grandes celebrações. A presença de milhares de peregrinos a usarem camisolas, bonés e fitas de cores vivas, com mensagem que apelam à paz e a oração não é novidade no Santuário, contudo, a diferença, a 9 e 10 de Junho de cada ano, está em que nestes dias os peregrinos são crianças e jovens.
Desde ontem, dia 9 de Junho, que o Altar do Recinto está escondido por um painel gigante com o símbolo e o tema da peregrinação deste ano em que se celebra o 90.º aniversário da aparição do Anjo em Fátima – Não temais, sou o anjo da paz. A ilustração do painel, que mostra um anjo com as asas aberta sem sinal de protecção, é da autoria de Emília Nadal, artista e presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Na colunata do lado norte uma faixa horizontal branca inicia a oração que é terminada em outra faixa igual colocada na colunata sul “Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos”.
Duas outras faixas colocadas também em ambas as colunatas do Recinto do Santuário têm inscrito, no sentido vertical “Eu sou o anjo da guarda”, “O anjo de Portugal”.
Na noite de ontem, o Recinto do Santuário de Fátima mostrava esta particularidade da peregrinação das Crianças. Grandes grupos de meninos e meninas entraram no Santuário acompanhados pelos seus catequistas e educadores. Juntaram-se a eles outros grupos de crianças acompanhados de seus pais e também outros grupos de peregrinos adultos em peregrinação a Fátima.
Após a explicação do tema da peregrinação, as crianças foram convidadas a oferecer a flor que traziam para entregar Nossa Senhora em primeiro lugar ao amigo que se encontrava ao seu lado. Depois as flores foram recolhidas em açafates e levadas até junto da Imagem de Nossa Senhora, na Capelinha.
“Sabem que os anjos estão junto de Deus para colaborarem com Ele, cantam a sua glória, adoram-No, são seus mensageiros e guardam-nos a nós. Deus gosta tanto de nós que nos deu a cada um ano para nos guardar, para nos proteger, para nos guiar nos caminhos, para nos ajudar a ser felizes”, explicou o P. José Baptista, director do Serviço de Pastoral Litúrgica do Santuário.
Iniciada a oração do Rosário, foram recordados os momentos da vida da Sagrada família em que os anjos intervieram para anunciar a boa nova, como mensageiros de Deus. Dois ecrãs gigantes, colocados detrás da Capelinha das Aparições ilustravam cada momento de reflexão e de oração com imagens de anjos.
No final do terceiro mistério as crianças foram convidadas a seguir em procissão a Imagem da Virgem Peregrina de Nossa Senhora, que foi levada da Capelinha em direcção ao altar montado no Recinto, e a sentarem-se na escadaria.
A luz, símbolo de Cristo, marcou o momento seguinte. As crianças levantaram as velas acesas, o Santíssimo Sacramento foi trazido, descendo a escadaria, ladeado por archotes de luz levados por crianças, e uma luz forte incidiu sobre a custódia.
Assim que terminou a oração do Rosário, no Altar da peregrinação, um grupo de crianças do Colégio do Sagrado Coração de Maria apresentou uma encenação com a representação das três aparições do Anjo em Fátima a Francisco, Jacinta e Lúcia. Seguiu-se depois o tempo de adoração ao Santíssimo Sacramento, em ambiente de recolhimento, apenas com a repetição pela assembleia das orações.
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Leopoldina Simões
10/06/2006
Santuário de Fátima
Copyright© Agência Ecclesia
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Teve início há minutos, no Santuário de Fátima, a celebração Eucarística da Peregrinação Nacional das Crianças, presidida pelo Administrador Apostólico da Diocese de Leiria-Fátima, D. Serafim Ferreira e Silva.
A peregrinação das crianças marca visualmente a diferença em relação a outras grandes celebrações. A presença de milhares de peregrinos a usarem camisolas, bonés e fitas de cores vivas, com mensagem que apelam à paz e a oração não é novidade no Santuário, contudo, a diferença, a 9 e 10 de Junho de cada ano, está em que nestes dias os peregrinos são crianças e jovens.
Desde ontem, dia 9 de Junho, que o Altar do Recinto está escondido por um painel gigante com o símbolo e o tema da peregrinação deste ano em que se celebra o 90.º aniversário da aparição do Anjo em Fátima – Não temais, sou o anjo da paz. A ilustração do painel, que mostra um anjo com as asas aberta sem sinal de protecção, é da autoria de Emília Nadal, artista e presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Na colunata do lado norte uma faixa horizontal branca inicia a oração que é terminada em outra faixa igual colocada na colunata sul “Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos”.
Duas outras faixas colocadas também em ambas as colunatas do Recinto do Santuário têm inscrito, no sentido vertical “Eu sou o anjo da guarda”, “O anjo de Portugal”.
Na noite de ontem, o Recinto do Santuário de Fátima mostrava esta particularidade da peregrinação das Crianças. Grandes grupos de meninos e meninas entraram no Santuário acompanhados pelos seus catequistas e educadores. Juntaram-se a eles outros grupos de crianças acompanhados de seus pais e também outros grupos de peregrinos adultos em peregrinação a Fátima.
Após a explicação do tema da peregrinação, as crianças foram convidadas a oferecer a flor que traziam para entregar Nossa Senhora em primeiro lugar ao amigo que se encontrava ao seu lado. Depois as flores foram recolhidas em açafates e levadas até junto da Imagem de Nossa Senhora, na Capelinha.
“Sabem que os anjos estão junto de Deus para colaborarem com Ele, cantam a sua glória, adoram-No, são seus mensageiros e guardam-nos a nós. Deus gosta tanto de nós que nos deu a cada um ano para nos guardar, para nos proteger, para nos guiar nos caminhos, para nos ajudar a ser felizes”, explicou o P. José Baptista, director do Serviço de Pastoral Litúrgica do Santuário.
Iniciada a oração do Rosário, foram recordados os momentos da vida da Sagrada família em que os anjos intervieram para anunciar a boa nova, como mensageiros de Deus. Dois ecrãs gigantes, colocados detrás da Capelinha das Aparições ilustravam cada momento de reflexão e de oração com imagens de anjos.
No final do terceiro mistério as crianças foram convidadas a seguir em procissão a Imagem da Virgem Peregrina de Nossa Senhora, que foi levada da Capelinha em direcção ao altar montado no Recinto, e a sentarem-se na escadaria.
A luz, símbolo de Cristo, marcou o momento seguinte. As crianças levantaram as velas acesas, o Santíssimo Sacramento foi trazido, descendo a escadaria, ladeado por archotes de luz levados por crianças, e uma luz forte incidiu sobre a custódia.
Assim que terminou a oração do Rosário, no Altar da peregrinação, um grupo de crianças do Colégio do Sagrado Coração de Maria apresentou uma encenação com a representação das três aparições do Anjo em Fátima a Francisco, Jacinta e Lúcia. Seguiu-se depois o tempo de adoração ao Santíssimo Sacramento, em ambiente de recolhimento, apenas com a repetição pela assembleia das orações.
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Leopoldina Simões
10/06/2006
Santuário de Fátima
Copyright© Agência Ecclesia
domingo, junho 04, 2006
Os soldados de Portugal
Por António Sampaio e Paulo Rego, da Agência Lusa.
Díli, 04 Jun (Lusa) - Centenas de timorenses receberam hoje com gritos efusivos, bandeiras e cachecóis de Portugal os 120 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) que chegavam ao bairro Kuluhun, na entrada em Díli, capital de Timor-Leste, uma recepção que revela a confiança da população nos agentes portugueses.
Na ponte de Becora, jovens e velhos, os primeiros com bandeiras e gritos de Viva Portugal, os outros em palmas e animação, acolheram a coluna que partiu ao início da tarde de hoje de Baucau, 120 quilómetros a leste de Díli. À semelhança do que já tinha ocorrido na passagem por Manatuto e Metinaro, no caminho para a capital, também em Díli a população ladeava as ruas, saudando os militares.
Espantados, sem perceber o que se passava, seis soldados australianos, em patrulha na zona, param para ver a coluna passar e um deles, em dúvida, perguntou ao timorense mais próximo: "O que é isto?".
"São os soldados de Portugal", disse o jovem, em inglês.
Maria da Piedade, bebé ao colo, furou a multidão, e conseguiu aproximar-se o suficiente de um dos carros da coluna para entregar a um militar português um ramo de "bungha", uma flor rosa tradicional de Timor-Leste. E emocionada disse: "Estou muito alegre porque os soldados de Portugal estão agora em Díli. Agora vai haver paz".
De trás, mais flores caíam sobre as carrinhas da coluna, formada por viaturas da cooperação portuguesa, camiões de caixa aberta carregados com o equipamento da GNR e carros e motas de timorenses que se juntaram na entrada em Díli.
Díli, 04 Jun (Lusa) - Centenas de timorenses receberam hoje com gritos efusivos, bandeiras e cachecóis de Portugal os 120 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) que chegavam ao bairro Kuluhun, na entrada em Díli, capital de Timor-Leste, uma recepção que revela a confiança da população nos agentes portugueses.
Na ponte de Becora, jovens e velhos, os primeiros com bandeiras e gritos de Viva Portugal, os outros em palmas e animação, acolheram a coluna que partiu ao início da tarde de hoje de Baucau, 120 quilómetros a leste de Díli. À semelhança do que já tinha ocorrido na passagem por Manatuto e Metinaro, no caminho para a capital, também em Díli a população ladeava as ruas, saudando os militares.
Espantados, sem perceber o que se passava, seis soldados australianos, em patrulha na zona, param para ver a coluna passar e um deles, em dúvida, perguntou ao timorense mais próximo: "O que é isto?".
"São os soldados de Portugal", disse o jovem, em inglês.
Maria da Piedade, bebé ao colo, furou a multidão, e conseguiu aproximar-se o suficiente de um dos carros da coluna para entregar a um militar português um ramo de "bungha", uma flor rosa tradicional de Timor-Leste. E emocionada disse: "Estou muito alegre porque os soldados de Portugal estão agora em Díli. Agora vai haver paz".
De trás, mais flores caíam sobre as carrinhas da coluna, formada por viaturas da cooperação portuguesa, camiões de caixa aberta carregados com o equipamento da GNR e carros e motas de timorenses que se juntaram na entrada em Díli.
sábado, maio 27, 2006
sexta-feira, maio 26, 2006
205.º Aniversário da Ocupação de Olivença
Recordando ao representante do país vizinho a desonrosa ocupação de Olivença, o Grupo de Amigos de Olivença entregou em 20 de Maio, na Embaixada de Espanha em Lisboa, uma carta em que se afirma:
_______
Excelentíssimo Senhor
Embaixador do Reino de Espanha
No dia 20 de Maio de 1801, há exactamente 205 anos, os exércitos de Espanha, conluiada com a França napoleónica, invadiram Portugal e ocuparam a vila portuguesa de Olivença.
Manifesta ofensa ao Direito das Gentes, assim foi entendido pelas Potências de então que, no Congresso de Viena de 1815, onde Espanha também teve assento, reconheceram absolutamente a justiça das reclamações de Portugal sobre Olivença.
Por isso ficou consignado no Tratado de Viena, seu Art.º 105.º.
«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S.
A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d'Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l'Europe a été le but constant de leurs arrangements, s'engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée; et les puissances reconnaissent, autant qu'il dépend de chacune d'elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».
Como melhor saberá Vossa Excelência, em 7 de Maio de 1817, há 189 anos, Espanha assinou o Tratado de Viena e reconheceu sem reservas os direitos de Portugal.
Decorridos dois séculos sobre a desonrosa ocupação de Olivença, o Estado que Vossa Excelência representa jamais respeitou o compromisso assumido perante a Comunidade Internacional. Do carácter honrado, altivo e nobre que Espanha diz ser o seu, não houve manifestação e, ao contrário, actuando com ostensivo desprezo pelo Direito e pela palavra dada, Espanha cobriu-se com o labéu da vilania.
Eis, singela, a «Questão de Olivença»: uma parcela de Portugal foi usurpada militarmente pelo Estado espanhol, há 205 anos, extorsão não reconhecida e ilegítima face ao Direito Internacional.
Não obedecendo ao Direito nem respeitando os seus compromissos, é Espanha, de que Vossa Excelência é Embaixador, que se desonra.
Quanto à ofensa que a ocupação de Olivença constitui para Portugal, compete aos Portugueses apreciá-la e julgá-la.
Da ofensa feita à Justiça e ao Direito, bem como da desonra trazida pela quebra da palavra dada, pertence a Espanha e a Vossa Excelência conhecer do seu significado.
Atentamente,
A Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença Lisboa, 20 de Maio de 2006.
Grupo dos Amigos de Olivença
_______
Excelentíssimo Senhor
Embaixador do Reino de Espanha
No dia 20 de Maio de 1801, há exactamente 205 anos, os exércitos de Espanha, conluiada com a França napoleónica, invadiram Portugal e ocuparam a vila portuguesa de Olivença.
Manifesta ofensa ao Direito das Gentes, assim foi entendido pelas Potências de então que, no Congresso de Viena de 1815, onde Espanha também teve assento, reconheceram absolutamente a justiça das reclamações de Portugal sobre Olivença.
Por isso ficou consignado no Tratado de Viena, seu Art.º 105.º.
«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S.
A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d'Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l'Europe a été le but constant de leurs arrangements, s'engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée; et les puissances reconnaissent, autant qu'il dépend de chacune d'elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».
Como melhor saberá Vossa Excelência, em 7 de Maio de 1817, há 189 anos, Espanha assinou o Tratado de Viena e reconheceu sem reservas os direitos de Portugal.
Decorridos dois séculos sobre a desonrosa ocupação de Olivença, o Estado que Vossa Excelência representa jamais respeitou o compromisso assumido perante a Comunidade Internacional. Do carácter honrado, altivo e nobre que Espanha diz ser o seu, não houve manifestação e, ao contrário, actuando com ostensivo desprezo pelo Direito e pela palavra dada, Espanha cobriu-se com o labéu da vilania.
Eis, singela, a «Questão de Olivença»: uma parcela de Portugal foi usurpada militarmente pelo Estado espanhol, há 205 anos, extorsão não reconhecida e ilegítima face ao Direito Internacional.
Não obedecendo ao Direito nem respeitando os seus compromissos, é Espanha, de que Vossa Excelência é Embaixador, que se desonra.
Quanto à ofensa que a ocupação de Olivença constitui para Portugal, compete aos Portugueses apreciá-la e julgá-la.
Da ofensa feita à Justiça e ao Direito, bem como da desonra trazida pela quebra da palavra dada, pertence a Espanha e a Vossa Excelência conhecer do seu significado.
Atentamente,
A Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença Lisboa, 20 de Maio de 2006.
Grupo dos Amigos de Olivença
domingo, maio 21, 2006
Os Fidalgos da Casa Mourisca
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Na minha tenra juventude as férias grandes eram enormes e davam para tudo, desde as corridas de bicicleta pela Estrada da Serra fora, quando dum lado e do outro só havia searas altas pintalgadas de papoilas, até à patinagem de manhã cedo no rink do Sporting de Tomar, umas partidas de ténis no parque, com o rio Nabão a passar ali ao lado, e belas passeatas no barco Folha de Couve, comprado pela rapaziada com o lucro de um jornal com o mesmo nome, o único que vi dar dinheiro. Os pais entravam com uns trocos para o stencil, o papel e a impressão ficavam de borla depois de uma grande canção do bandido entoada pela redacção adolescente ao contínuo da Legião Portuguesa. O homem ficou certo de estar a lidar com meninos de coro e nós, mal o jornaleco ficava pronto, íamos vendê-lo aos pais, aos avós, aos tios, aos professores, a quem gostava de ler o que os estudantes do Colégio de Nun´Álvares tinham para dizer sempre na troça e na piada. O barco foi baptizado e os padrinhos fui eu mesma e o Domingos Mascarenhas Arouca, de Moçambique, futuro presidente da FUMO, o partido político que se opunha à FRETLIN, mas isso muitos anos depois de ser advogado e professor, de ter estado preso em Peniche e depois em Caxias, onde o foram ver várias vezes Francisco Sá Carneiro e Francisco Balsemão, então deputados pela ala liberal no parlamento da ditadura. Ficaram-lhes caras essas visitas, politicamente falando, porque os donos do regime lhes chamaram o que Maomé nunca chamou ao toucinho. As malhas que o Império tece... Como andará lá por Moçambique o meu compadre Arouca?
Sobre estas actividades estivais ponham-se os piqueniques, os bailaricos (nesse tempo nem cheiro havia de discotecas), os amigos que vinham de Lisboa passar as férias connosco, as noites de luar nas eiras da beira do rio, deitados em montes de trigo, a olhar os alcatruzes das noras que pareciam despejar prata, a comer pêssegos perfumados.
Mas a parte de leão ia para a leitura. Foi o que valeu à minha geração. A literatura portuguesa passada a pente fino, as traduções que se devoravam, as estantes da memória a encherem-se. E as primeiras prosas que se escreviam, às escondidas, envergonhadamente. Quando deitámos corpo e entrámos em Marcel Proust, demos em chamar desdenhosamente “o português suave” ao Júlio Dinis. Uns atrevidos. No entanto, aquela prosa bucólica e inocente ficou-nos colada para sempre à memória.
Por isso hoje me lembro dos Fidalgos da Casa Mourisca. Uma família fidalga falida, as terras cobertas de hipotecas e quase ao abandono por falta de dinheiro para pagar ao pessoal, o padre Januário que administava aquela encrenca de cabeça, os proprietários de costa ao alto, a prima condessa de Lisboa que na sua visita foi obsequiada com o requinte de uma baixela emprestada, e todo aquele faz de conta português que eu penso vir desde o Egas Moniz, o que por causa do trapalhão do amo apareceu ao rei de Castela descalcinho, de corda ao pescoço, com a filharada à volta na mesma andaina. Quem nos tira o teatro tira-nos tudo.
Estou a lembrar-me deles hoje, porque vem aí o 10 de Junho e estamos em tempo de vacas magras, de contenção de despesas, de cortes brutais mas necessários. Quem é que há-de meter na cabeça do cidadão médio que não há dinheiro para festas e não é vergonha nenhuma ser assim, porque os países são como as famílias, têm altos e baixos. Não ter não é vergonha. Vergonha é não ser. Não ser, por exemplo, capaz de humildemente arregaçar as mangas pela Pátria, dar a cara à luta, guardar festanças para tempos de fartura. Preferem empenhar as pratas que restam para fazer ver que somos um país de bem instalados... que amontoam dívidas à banca e, não tarda nada, perdem casas e carros. Vergonha é ser oposição que não colabora com o governo naquilo que é para bem da Nação, não ser capaz de pôr ponto final à partidarite viciosa.
Países com petróleo, com gás, ouro, diamantes, ferro, alta tecnologia e agricultura de grandes superfícies, países com povos educados e preparados, parecem bem modestos se comparados com Portugal, tal a sua frugalidade. Preferimos este novo-riquismo ridículo. Já estamos abaixo dos Fidalgos da Casa Mourisca. Nem há “português suave” que nos descreva.
por Fernanda Leitão
Na minha tenra juventude as férias grandes eram enormes e davam para tudo, desde as corridas de bicicleta pela Estrada da Serra fora, quando dum lado e do outro só havia searas altas pintalgadas de papoilas, até à patinagem de manhã cedo no rink do Sporting de Tomar, umas partidas de ténis no parque, com o rio Nabão a passar ali ao lado, e belas passeatas no barco Folha de Couve, comprado pela rapaziada com o lucro de um jornal com o mesmo nome, o único que vi dar dinheiro. Os pais entravam com uns trocos para o stencil, o papel e a impressão ficavam de borla depois de uma grande canção do bandido entoada pela redacção adolescente ao contínuo da Legião Portuguesa. O homem ficou certo de estar a lidar com meninos de coro e nós, mal o jornaleco ficava pronto, íamos vendê-lo aos pais, aos avós, aos tios, aos professores, a quem gostava de ler o que os estudantes do Colégio de Nun´Álvares tinham para dizer sempre na troça e na piada. O barco foi baptizado e os padrinhos fui eu mesma e o Domingos Mascarenhas Arouca, de Moçambique, futuro presidente da FUMO, o partido político que se opunha à FRETLIN, mas isso muitos anos depois de ser advogado e professor, de ter estado preso em Peniche e depois em Caxias, onde o foram ver várias vezes Francisco Sá Carneiro e Francisco Balsemão, então deputados pela ala liberal no parlamento da ditadura. Ficaram-lhes caras essas visitas, politicamente falando, porque os donos do regime lhes chamaram o que Maomé nunca chamou ao toucinho. As malhas que o Império tece... Como andará lá por Moçambique o meu compadre Arouca?
Sobre estas actividades estivais ponham-se os piqueniques, os bailaricos (nesse tempo nem cheiro havia de discotecas), os amigos que vinham de Lisboa passar as férias connosco, as noites de luar nas eiras da beira do rio, deitados em montes de trigo, a olhar os alcatruzes das noras que pareciam despejar prata, a comer pêssegos perfumados.
Mas a parte de leão ia para a leitura. Foi o que valeu à minha geração. A literatura portuguesa passada a pente fino, as traduções que se devoravam, as estantes da memória a encherem-se. E as primeiras prosas que se escreviam, às escondidas, envergonhadamente. Quando deitámos corpo e entrámos em Marcel Proust, demos em chamar desdenhosamente “o português suave” ao Júlio Dinis. Uns atrevidos. No entanto, aquela prosa bucólica e inocente ficou-nos colada para sempre à memória.
Por isso hoje me lembro dos Fidalgos da Casa Mourisca. Uma família fidalga falida, as terras cobertas de hipotecas e quase ao abandono por falta de dinheiro para pagar ao pessoal, o padre Januário que administava aquela encrenca de cabeça, os proprietários de costa ao alto, a prima condessa de Lisboa que na sua visita foi obsequiada com o requinte de uma baixela emprestada, e todo aquele faz de conta português que eu penso vir desde o Egas Moniz, o que por causa do trapalhão do amo apareceu ao rei de Castela descalcinho, de corda ao pescoço, com a filharada à volta na mesma andaina. Quem nos tira o teatro tira-nos tudo.
Estou a lembrar-me deles hoje, porque vem aí o 10 de Junho e estamos em tempo de vacas magras, de contenção de despesas, de cortes brutais mas necessários. Quem é que há-de meter na cabeça do cidadão médio que não há dinheiro para festas e não é vergonha nenhuma ser assim, porque os países são como as famílias, têm altos e baixos. Não ter não é vergonha. Vergonha é não ser. Não ser, por exemplo, capaz de humildemente arregaçar as mangas pela Pátria, dar a cara à luta, guardar festanças para tempos de fartura. Preferem empenhar as pratas que restam para fazer ver que somos um país de bem instalados... que amontoam dívidas à banca e, não tarda nada, perdem casas e carros. Vergonha é ser oposição que não colabora com o governo naquilo que é para bem da Nação, não ser capaz de pôr ponto final à partidarite viciosa.
Países com petróleo, com gás, ouro, diamantes, ferro, alta tecnologia e agricultura de grandes superfícies, países com povos educados e preparados, parecem bem modestos se comparados com Portugal, tal a sua frugalidade. Preferimos este novo-riquismo ridículo. Já estamos abaixo dos Fidalgos da Casa Mourisca. Nem há “português suave” que nos descreva.
quarta-feira, abril 19, 2006
OLHA BEM PARA ISTO, ROSA!
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Há muitos anos atrás, passei uma Páscoa com a Rosa Ramalho no seu pequeno lugarejo perto de São Martinho de Galegos, a um tiro de Barcelos. Cumpria, honradamente, uma promessa que a barrista me tinha arrancado a ferros, porque esse era um tempo de juventude, de jornais, de viagens, de agenda cheia. Ficámos amigas, já nem sei desde quando, e a verdade é que morríamos uma pela outra.
Dias fascinantes aqueles, com o Minho a explodir em verdes tenros e flores, o céu azul, o sol esplendoroso. O que nós vadiámos por aquele Minho, com a Rosa sempre a parar para abraçar pessoas, de todas as camadas sociais, que lhe queriam bem, metidas em mercados e igrejinhas lindas de morrer, abancadas em lugares risonhos onde nos serviam cabrito assado com grelos salteados, ou papas de serrabulho, ou bacalhaus de antologia, tudo regado a verde tinto bebido por malgas de loiça. Porque a Rosa se me tinha queixado que andava em baixo, com “uma gastura no estâmado que tu nem queiras saber”, e eu levei-a ao médico que diagnosticou cansaço e receitou descanso, passeata, e “coma-lhe e beba-lhe, Tia Rosa”. Para encurtar razões, aviámos a receita.
Num dia em que regressámos da passeata, havia uma encomenda à espera da Rosa: pessoa de bom estatuto, em Viana do Castelo, pedia por tudo que lhe fizesse uma Última Ceia para levar de oferta no estrangeiro. Essas ceias feitas pela Rosa eram rectangulares, em barro verde, constando de uma mesa comprida, Jesus ao meio e os discípulos distribuídos à esquerda e à direita. À frente de Nosso Senhor, um prato com um peixe, um pão e um cálice. À frente dos outros, um pãozinho muito redondinho. A artista, que era pequenina, sentou-se num banquinho, frente a uma banca de trabalho, e ali ficou a modelar figura por figura, sempre a cantarolar. Eu, muda, extasiada, comovida, porque, para mim, o acto da criação artística é um momento em que se tocam os dedos de Deus e do artista. Mas quando a Rosa deu por terminado o trabalho, reparei que havia um discípulo sem pãozinho. Solícita, e estúpida, chamei a atenção da Rosa. E ela, a cravar em mim aqueles belos olhos negros cheios de força, espantou-se: “Tu julgas-me capaz de pôr pão ao filho da p. do Judas?”. Fiquei transida de admiração perante aquele desamor fundo como uma raíz, igualzinho ao de outro minhoto e querido amigo, o escritor Tomás de Figueiredo, de quem o David Mourão Ferreira às vezes me dizia “ah, que ódio aquele, tão saudável”. Agora parece que se diz tão assumido...
E não é que, nesta Páscoa de 2006, tem sido uma badalação mediática à escala planetária por causa de uns papiros datados de 400 anos após a morte de Cristo na cruz, segundo os quais Judas teria sido um sujeito óptimo e até parceiro de Jesus nisso de ajeitar factos às profecias? Tem sido uma algazarra, mesmo antes de se saber, de ciência certa, se vale a pena perder tempo com o achado.
Nunca pensei que o Judas tivesse tantos amigos dispostos a, mais uma vez, atacarem a Igreja. Olha bem para isto, Rosa!
por Fernanda Leitão
Há muitos anos atrás, passei uma Páscoa com a Rosa Ramalho no seu pequeno lugarejo perto de São Martinho de Galegos, a um tiro de Barcelos. Cumpria, honradamente, uma promessa que a barrista me tinha arrancado a ferros, porque esse era um tempo de juventude, de jornais, de viagens, de agenda cheia. Ficámos amigas, já nem sei desde quando, e a verdade é que morríamos uma pela outra.
Dias fascinantes aqueles, com o Minho a explodir em verdes tenros e flores, o céu azul, o sol esplendoroso. O que nós vadiámos por aquele Minho, com a Rosa sempre a parar para abraçar pessoas, de todas as camadas sociais, que lhe queriam bem, metidas em mercados e igrejinhas lindas de morrer, abancadas em lugares risonhos onde nos serviam cabrito assado com grelos salteados, ou papas de serrabulho, ou bacalhaus de antologia, tudo regado a verde tinto bebido por malgas de loiça. Porque a Rosa se me tinha queixado que andava em baixo, com “uma gastura no estâmado que tu nem queiras saber”, e eu levei-a ao médico que diagnosticou cansaço e receitou descanso, passeata, e “coma-lhe e beba-lhe, Tia Rosa”. Para encurtar razões, aviámos a receita.
Num dia em que regressámos da passeata, havia uma encomenda à espera da Rosa: pessoa de bom estatuto, em Viana do Castelo, pedia por tudo que lhe fizesse uma Última Ceia para levar de oferta no estrangeiro. Essas ceias feitas pela Rosa eram rectangulares, em barro verde, constando de uma mesa comprida, Jesus ao meio e os discípulos distribuídos à esquerda e à direita. À frente de Nosso Senhor, um prato com um peixe, um pão e um cálice. À frente dos outros, um pãozinho muito redondinho. A artista, que era pequenina, sentou-se num banquinho, frente a uma banca de trabalho, e ali ficou a modelar figura por figura, sempre a cantarolar. Eu, muda, extasiada, comovida, porque, para mim, o acto da criação artística é um momento em que se tocam os dedos de Deus e do artista. Mas quando a Rosa deu por terminado o trabalho, reparei que havia um discípulo sem pãozinho. Solícita, e estúpida, chamei a atenção da Rosa. E ela, a cravar em mim aqueles belos olhos negros cheios de força, espantou-se: “Tu julgas-me capaz de pôr pão ao filho da p. do Judas?”. Fiquei transida de admiração perante aquele desamor fundo como uma raíz, igualzinho ao de outro minhoto e querido amigo, o escritor Tomás de Figueiredo, de quem o David Mourão Ferreira às vezes me dizia “ah, que ódio aquele, tão saudável”. Agora parece que se diz tão assumido...
E não é que, nesta Páscoa de 2006, tem sido uma badalação mediática à escala planetária por causa de uns papiros datados de 400 anos após a morte de Cristo na cruz, segundo os quais Judas teria sido um sujeito óptimo e até parceiro de Jesus nisso de ajeitar factos às profecias? Tem sido uma algazarra, mesmo antes de se saber, de ciência certa, se vale a pena perder tempo com o achado.
Nunca pensei que o Judas tivesse tantos amigos dispostos a, mais uma vez, atacarem a Igreja. Olha bem para isto, Rosa!
domingo, abril 02, 2006
«Temos Rei: Dom Duarte de Bragança»
A revista Magazine publica no seu último número (nº 5, Abril de 2006) uma Grande Entrevista sob o título de capa "Temos Rei: Dom Duarte de Bragança".
No interior, o destaque vai para a seguinte frase de S. A. R.: "É preciso uma revolução cultural", mas Dom Duarte aborda também outros temas: vantagens de ter um rei no século XXI, a preparação dos príncipes, elementos do seu percurso biográfico -nascimento na embaixada portuguesa na Suiça, visitas clandestinas a Portugal, a sua passagem pelo Colégio Militar e pela Força Aérea, uma conversa com Salazar, a sua expulsão de Angola no tempo de Marcello Caetano, etc., etc. A não perder.
Está em linha, no lugar habitual...
Magazine Grande Informação, Abril 2006, pp. 16-27.
No interior, o destaque vai para a seguinte frase de S. A. R.: "É preciso uma revolução cultural", mas Dom Duarte aborda também outros temas: vantagens de ter um rei no século XXI, a preparação dos príncipes, elementos do seu percurso biográfico -nascimento na embaixada portuguesa na Suiça, visitas clandestinas a Portugal, a sua passagem pelo Colégio Militar e pela Força Aérea, uma conversa com Salazar, a sua expulsão de Angola no tempo de Marcello Caetano, etc., etc. A não perder.
Está em linha, no lugar habitual...
Magazine Grande Informação, Abril 2006, pp. 16-27.
sábado, abril 01, 2006
Aquilo que Jesus não é
por C. S. Lewis
Deus deu à espécie humana aquilo que eu chamo bons sonhos: quero dizer, histórias piegas espalhadas pelas religiões pagãs acerca de um deus que morre e regressa à vida e, pela sua morte, de algum modo, dá vida nova ao homem. Ele também escolheu um povo particular e gastou vários séculos a martelar nas suas cabeças o tipo de Deus que Ele era - que Ele era Um e que Ele se preocupava com a boa conduta. Essa gente eram os Judeus e o Velho Testamento dá-nos conta do processo da martelada.
É aí que entra o verdadeiro choque. Entre estes Judeus, de repente há um homem que começa a falar como se Ele fosse Deus. Ele diz que perdoa os pecados. Ele diz que Ele existiu sempre. Ele diz que vem para julgar o mundo no fim dos tempos. Aqui tenhamos isto claro. Entre os Panteístas, como os Indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus, ou um com Deus: isto não será nada estranho. Mas este homem, que era Judeu, não podia querer dizer que era esse tipo de Deus. Deus na língua daquela gente, significava o Ser fora do mundo que tinha feito o mundo e que era infinitamente diferente de qualquer outra coisa. E quando se percebe isto, pode-se ver como o que aquele homem dizia era, simplesmente, a coisa mais chocante alguma vez sussurrada por lábios humanos.
Uma parte da pretensão tende a passar ao nosso lado despercebida porque a ouvimos tantas vezes que já não sabemos de que se trata. Estou a falar da pretensão de perdoar os pecados: quaisquer pecados. A não ser que quem diz isto seja Deus, isto é tão prepóstero como cómico. Todos podemos compreender como um homem perdoa as ofensas contra si próprio. Pisas-me o dedo do pé e eu desculpo-te, roubas-me o dinheiro e eu desculpo-te.
Mas o que pensar de um homem, que não foi roubado ou pisado, que anunciou que te perdoou por ter pisado os dedos do pé de outro homem e roubado o dinheiro de outro homem? Fatuidade asinina é a descrição mais moderada que daríamos a esta conduta. Contudo, isto é o que Jesus fez. Ele disse às pessoas que os seus pecados estavam perdoados sem nunca ter esperado para consultar todas as outras pessoas a quem aqueles pecados tinham sem dúvida prejudicado. Ele comportava-se deliberadamente como se Ele fosse a principal parte interessada, a pessoa mais gravemente ofendida com todas as ofensas. Isto só faz sentido se Ele for realmente o Deus cujas leis são quebradas e cujo amor é ferido com cada pecado. Na boca de quem quer que não seja Deus estas palavras implicariam o que eu só consigo classificar como tontice e presunção nunca antes rivalizadas por qualquer personagem na história.
Porém (e isto é a coisa estranha e significativa) mesmo os Seus inimigos quando liam as Escrituras, não ficavam usualmente com a impressão de tontice e presunção. Ainda menos ficarão os leitores sem preconceito. Cristo diz que Ele é humilde e doce e nós acreditamo-lO, não reparando, que se Ele fosse meramente um homem, humildade e doçura são das últimas características que poderíamos atribuir a algumas das Suas palavras.
Estou a tentar aqui evitar que alguém diga a coisa realmente idiota que as pessoas dizem muitas vezes d'Ele: 'Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre de moral, mas não aceito a Sua pretensão de ser Deus.' Esta é a coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse meramente homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. Seria ou um lunático - ao nível de um homem que diz que é um ovo escalfado - ou então seria o Diabo do Inferno.
Temos que fazer a nossa escolha. Ou este homem era, e é, o Filho de Deus ou então é um louco ou qualquer coisa pior. Pode-se ignorá-lo como um louco, pode-se cuspir-Lhe e matá-Lo como um demónio; ou pode-se cair a Seus pés e chamar-Lhe Deus e Senhor. Mas deixemo-nos de vir com disparates condescendentes acerca d'Ele ser um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa saída. Ele não fez tenções disso.
Deus deu à espécie humana aquilo que eu chamo bons sonhos: quero dizer, histórias piegas espalhadas pelas religiões pagãs acerca de um deus que morre e regressa à vida e, pela sua morte, de algum modo, dá vida nova ao homem. Ele também escolheu um povo particular e gastou vários séculos a martelar nas suas cabeças o tipo de Deus que Ele era - que Ele era Um e que Ele se preocupava com a boa conduta. Essa gente eram os Judeus e o Velho Testamento dá-nos conta do processo da martelada.
É aí que entra o verdadeiro choque. Entre estes Judeus, de repente há um homem que começa a falar como se Ele fosse Deus. Ele diz que perdoa os pecados. Ele diz que Ele existiu sempre. Ele diz que vem para julgar o mundo no fim dos tempos. Aqui tenhamos isto claro. Entre os Panteístas, como os Indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus, ou um com Deus: isto não será nada estranho. Mas este homem, que era Judeu, não podia querer dizer que era esse tipo de Deus. Deus na língua daquela gente, significava o Ser fora do mundo que tinha feito o mundo e que era infinitamente diferente de qualquer outra coisa. E quando se percebe isto, pode-se ver como o que aquele homem dizia era, simplesmente, a coisa mais chocante alguma vez sussurrada por lábios humanos.
Uma parte da pretensão tende a passar ao nosso lado despercebida porque a ouvimos tantas vezes que já não sabemos de que se trata. Estou a falar da pretensão de perdoar os pecados: quaisquer pecados. A não ser que quem diz isto seja Deus, isto é tão prepóstero como cómico. Todos podemos compreender como um homem perdoa as ofensas contra si próprio. Pisas-me o dedo do pé e eu desculpo-te, roubas-me o dinheiro e eu desculpo-te.
Mas o que pensar de um homem, que não foi roubado ou pisado, que anunciou que te perdoou por ter pisado os dedos do pé de outro homem e roubado o dinheiro de outro homem? Fatuidade asinina é a descrição mais moderada que daríamos a esta conduta. Contudo, isto é o que Jesus fez. Ele disse às pessoas que os seus pecados estavam perdoados sem nunca ter esperado para consultar todas as outras pessoas a quem aqueles pecados tinham sem dúvida prejudicado. Ele comportava-se deliberadamente como se Ele fosse a principal parte interessada, a pessoa mais gravemente ofendida com todas as ofensas. Isto só faz sentido se Ele for realmente o Deus cujas leis são quebradas e cujo amor é ferido com cada pecado. Na boca de quem quer que não seja Deus estas palavras implicariam o que eu só consigo classificar como tontice e presunção nunca antes rivalizadas por qualquer personagem na história.
Porém (e isto é a coisa estranha e significativa) mesmo os Seus inimigos quando liam as Escrituras, não ficavam usualmente com a impressão de tontice e presunção. Ainda menos ficarão os leitores sem preconceito. Cristo diz que Ele é humilde e doce e nós acreditamo-lO, não reparando, que se Ele fosse meramente um homem, humildade e doçura são das últimas características que poderíamos atribuir a algumas das Suas palavras.
Estou a tentar aqui evitar que alguém diga a coisa realmente idiota que as pessoas dizem muitas vezes d'Ele: 'Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre de moral, mas não aceito a Sua pretensão de ser Deus.' Esta é a coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse meramente homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. Seria ou um lunático - ao nível de um homem que diz que é um ovo escalfado - ou então seria o Diabo do Inferno.
Temos que fazer a nossa escolha. Ou este homem era, e é, o Filho de Deus ou então é um louco ou qualquer coisa pior. Pode-se ignorá-lo como um louco, pode-se cuspir-Lhe e matá-Lo como um demónio; ou pode-se cair a Seus pés e chamar-Lhe Deus e Senhor. Mas deixemo-nos de vir com disparates condescendentes acerca d'Ele ser um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa saída. Ele não fez tenções disso.
quinta-feira, março 23, 2006
23 de Março de 2006 - 10º Aniversário do Príncipe D. Afonso de Santa Maria
A Família Dinástica
por Mário Saraiva
Com a vinda a nós do Príncipe D. Afonso de Santa Maria, um inédito, resplendente e fixo clarão jubilosamente iluminou de confiante esperança quantos a aguardavam com fremente ansiedade e fé inabalável.
A multidão imensa, compacta, que no baptizado envolvia a Sé de Braga, estrondeante de entusiasmo, bradando "vivas", agitando bandeiras — flâmulas altas da Restauração — deram a imagem do sentir unânime e do querer do povo português. Digamos que, na ardência vibrante dos clamores, transparecia a vontade democrática dos portugueses.
Deixando para trás um espaço penoso de inquietação e de apreensiva expectativa, o nosso Príncipe veio dissipar as sombras dramáticas de dúvida e de incerteza que nos apoquentavam. Por enquanto no mínimo, eis que se completou a Família Real, sem a qual não teria todo o sentido o pensamento monárquico.
Li, algures num ilustre escritor (Augusto de Castro) que todavia não figura como monárquico, o eloquente comentário: — « O grande privilégio do princípio dinástico, essência da monarquia, é atribuir a uma família, na dignidade como nas grandes provas nacionais, a síntese e os atributos da suprema representação política que a História lhe confere.
A História e a fidelidade à sua missão.»
Em rigorosa verdade doutrinária o Rei é o chefe de Estado pela circunstancia de ser chefe da Família Dinástica. Isso o distancia do Presidente vitalício. Muito para além do Estado, existe a Nação com prerrogativas próprias, uma das quais é, necessariamente, a existência de uma chefia nacional. Não a pode exercer um Presidente, pela natureza partidária que a eleição incute.
Só pela sucessão dinástica se concebe o carácter nacional do poder. A diferença de representação entre o Rei e o Presidente está aí, cheia de consequências. Confronta-se entre o Presidente, indivíduo institucionalmente celibatário (pois que a sua família nada significa oficialmente) e a Dinastia cuja história é comum à Nação.
A distinção é evidente a qualquer mediana inteligência, como são visíveis as vantagens nacionais da Realeza. Mencioná-las seria desfiar um sem número de alegações, que perante a escabrosa e péssima política em que se afunda esta 3ª República, vão dia a dia adquirindo mais ingente importância. Num ponto, apenas, desejamos parar. Com um Presidente a República conta com um indivíduo apenas, improvisado em funções, partidário e sem significativos relacionamentos internacionais. Com a Dinastia, a República conta uma Família, toda ela especializada no ofício (Rei - Rainha, Príncipe, Infantes) e relacionados por laços de sangue com outras famílias reinantes. Num e noutro caso bem se vê que as possibilidades de servir a Pátria são incomparáveis. E todavia o superior préstimo da Família Real sai mais económico ao País.
De facto no continente europeu todas as Casas Reais se sustentam com votações orçamentais inferiores à votação atribuída à Presidência da República portuguesa.
No ponto de vista económico tenha-se ainda presente que as eleições periódicas à chefia do Estado tornam-se encargos muito pesados para o país que, por ser pobre, não pode dar-se ao luxo de gastar superfluamente em obediência a idealismos retrógrados.
Não seja esquecido que a regra da hereditariedade monárquica — digamo-lo sempre! — foi uma opção histórica em face dos prejuízos eleitoralistas verificados nas repúblicas primitivas. Da primeira fase de Presidências vitalícias, e dadas as perturbações, por vezes graves, da disputa à sucessão electiva passou-se à sucessão hereditária nas primeiras repúblicas.
A hereditariedade monárquica teve, assim, na origem republicana por emenda ao comprovado e nefasto erro dos repetidos actos eleitorais. Aliás a teoria votista de escolher entre todos os cidadãos "o melhor" é uma fantasia que já não ilude ninguém.
Concebe-se a eleição de "chefe" em nacionalidades em formação, ou em decadência. Não se concebe em nações antigas de uma forte expressão histórica, que cumpre respeitar. Está aí, clarividentemente, o lugar da Família Dinástica.
M. S.
[ Mário Saraiva ]
(In Consciência Nacional, nº 190, 25º Ano, Jun/Jul 1996, pp. 1-2.)
por Mário Saraiva
Com a vinda a nós do Príncipe D. Afonso de Santa Maria, um inédito, resplendente e fixo clarão jubilosamente iluminou de confiante esperança quantos a aguardavam com fremente ansiedade e fé inabalável.
A multidão imensa, compacta, que no baptizado envolvia a Sé de Braga, estrondeante de entusiasmo, bradando "vivas", agitando bandeiras — flâmulas altas da Restauração — deram a imagem do sentir unânime e do querer do povo português. Digamos que, na ardência vibrante dos clamores, transparecia a vontade democrática dos portugueses.
Deixando para trás um espaço penoso de inquietação e de apreensiva expectativa, o nosso Príncipe veio dissipar as sombras dramáticas de dúvida e de incerteza que nos apoquentavam. Por enquanto no mínimo, eis que se completou a Família Real, sem a qual não teria todo o sentido o pensamento monárquico.
Li, algures num ilustre escritor (Augusto de Castro) que todavia não figura como monárquico, o eloquente comentário: — « O grande privilégio do princípio dinástico, essência da monarquia, é atribuir a uma família, na dignidade como nas grandes provas nacionais, a síntese e os atributos da suprema representação política que a História lhe confere.
A História e a fidelidade à sua missão.»
Em rigorosa verdade doutrinária o Rei é o chefe de Estado pela circunstancia de ser chefe da Família Dinástica. Isso o distancia do Presidente vitalício. Muito para além do Estado, existe a Nação com prerrogativas próprias, uma das quais é, necessariamente, a existência de uma chefia nacional. Não a pode exercer um Presidente, pela natureza partidária que a eleição incute.
Só pela sucessão dinástica se concebe o carácter nacional do poder. A diferença de representação entre o Rei e o Presidente está aí, cheia de consequências. Confronta-se entre o Presidente, indivíduo institucionalmente celibatário (pois que a sua família nada significa oficialmente) e a Dinastia cuja história é comum à Nação.
A distinção é evidente a qualquer mediana inteligência, como são visíveis as vantagens nacionais da Realeza. Mencioná-las seria desfiar um sem número de alegações, que perante a escabrosa e péssima política em que se afunda esta 3ª República, vão dia a dia adquirindo mais ingente importância. Num ponto, apenas, desejamos parar. Com um Presidente a República conta com um indivíduo apenas, improvisado em funções, partidário e sem significativos relacionamentos internacionais. Com a Dinastia, a República conta uma Família, toda ela especializada no ofício (Rei - Rainha, Príncipe, Infantes) e relacionados por laços de sangue com outras famílias reinantes. Num e noutro caso bem se vê que as possibilidades de servir a Pátria são incomparáveis. E todavia o superior préstimo da Família Real sai mais económico ao País.
De facto no continente europeu todas as Casas Reais se sustentam com votações orçamentais inferiores à votação atribuída à Presidência da República portuguesa.
No ponto de vista económico tenha-se ainda presente que as eleições periódicas à chefia do Estado tornam-se encargos muito pesados para o país que, por ser pobre, não pode dar-se ao luxo de gastar superfluamente em obediência a idealismos retrógrados.
Não seja esquecido que a regra da hereditariedade monárquica — digamo-lo sempre! — foi uma opção histórica em face dos prejuízos eleitoralistas verificados nas repúblicas primitivas. Da primeira fase de Presidências vitalícias, e dadas as perturbações, por vezes graves, da disputa à sucessão electiva passou-se à sucessão hereditária nas primeiras repúblicas.
A hereditariedade monárquica teve, assim, na origem republicana por emenda ao comprovado e nefasto erro dos repetidos actos eleitorais. Aliás a teoria votista de escolher entre todos os cidadãos "o melhor" é uma fantasia que já não ilude ninguém.
Concebe-se a eleição de "chefe" em nacionalidades em formação, ou em decadência. Não se concebe em nações antigas de uma forte expressão histórica, que cumpre respeitar. Está aí, clarividentemente, o lugar da Família Dinástica.
M. S.
[ Mário Saraiva ]
(In Consciência Nacional, nº 190, 25º Ano, Jun/Jul 1996, pp. 1-2.)
segunda-feira, março 20, 2006
São Francisco de Paula
São Francisco de Paula (27 de Março de 1416 - 2 de Abril de 1507) nasceu em Paola, na Calábria, Itália, e faleceu em Plessis-les-Tours.
Foi franciscano, fundador da Ordem dos Mínimos. Luís XI chamou-o para junto do seu leito de morte.
Eis um excerto de uma das cartas dirigidas por São Francisco de Paula a Simão Ximenes, português, de 1445 a 1462:
"Vossa santa geração será maravilhosa sobre a Terra, entre a qual virá um de vossos descendentes, que será como o sol entre as estrelas. (...) Reformará a Igreja de Deus. (...) Fará o domínio do mundo temporal e espiritual, e regerá a Igreja de Deus. (...) ...se vai aproximando a hora, em que a Divina Majestade visitará o mundo com a "Nova Religião dos Santos Crucíferos"... (...)... purificará a Humanidade, convertendo todos à lei de Deus; será fundador do reino universal de Deus na terra ou da Nova Religião, em que todos adorarão o Verdadeiro Deus. (...)
Na última carta, referindo-se ao Imperador universal, que vaticina será português, diz que será "fundador de uma religião como nunca houve."
In No Claro-Escuro das Profecias, de Ferreira Gomes.
A Comunidade de Paola, na Calábria, está a preparar a celebração do V Centenário da sua morte:
http://www.sanfrancescodipaola.calabria.it/
FRANCESCO D'ALESSIO:
(S.Francesco), nacque il 27 marzo 1416 e mori a Tour (Francia) il 2 aprile 1507. Visse vita eremitica praticamente sino alla morte. Ritiratosi a 14 anni in una grotta a nord di Paola, in prossimità del torrente Isca, ne uscì all'età di 19 per riunire i primi seguaci. Nella zona dei luoghi di penitenza costruì il primo convento dove la gente si recava da ogni parte per ricevere da lui il miracolo e per sentirne la parola di conforto. Fondatore dell'Ordine dei Minimi, caratterizzò la propria Famiglia religiosa con l'osservanza del voto quaresimale, secondo cui i frati non avrebbero dovuto mangiare la carne e i suoi derivati. L'uomo di Dio fu un gigante di spiritualità che riuscì a trasmettere anche nella Regola dettata per i suoi confratelli. Sostenitore e difensore dei deboli e degli oppressi, costituì un ostacolo di fatto al potere regio del tempo incarnato da Ferrante 1 D'Aragona. Essendo giunta la sua fama di miracolatore sino in Francia, il Re Luigi XI, sofferente e superstizioso, lo volle presso di sé, tramite il Papa Sisto IV, per ottenere la guarigione; cosa che il Frate non operò, perché si limitò ad assistere il Monarca a morire cristianamente. Francesco rimase, comunque, in Francia anche dopo la morte del Re e divenne, pur vivendo da eremita fuori dalla Corte, il consigliere della Dinastia reale. Il suo Ordine si diffuse quasi in tutta Europa, ed in particolare, in Italia, Francia, Germania e Spagna.
http://www.comune.paola.cs.it/master.php?pagina=illustri&illustri=lista&header=citta&menu_sx=citta&smenu=storia
Foi franciscano, fundador da Ordem dos Mínimos. Luís XI chamou-o para junto do seu leito de morte.
Eis um excerto de uma das cartas dirigidas por São Francisco de Paula a Simão Ximenes, português, de 1445 a 1462:
"Vossa santa geração será maravilhosa sobre a Terra, entre a qual virá um de vossos descendentes, que será como o sol entre as estrelas. (...) Reformará a Igreja de Deus. (...) Fará o domínio do mundo temporal e espiritual, e regerá a Igreja de Deus. (...) ...se vai aproximando a hora, em que a Divina Majestade visitará o mundo com a "Nova Religião dos Santos Crucíferos"... (...)... purificará a Humanidade, convertendo todos à lei de Deus; será fundador do reino universal de Deus na terra ou da Nova Religião, em que todos adorarão o Verdadeiro Deus. (...)
Na última carta, referindo-se ao Imperador universal, que vaticina será português, diz que será "fundador de uma religião como nunca houve."
In No Claro-Escuro das Profecias, de Ferreira Gomes.
A Comunidade de Paola, na Calábria, está a preparar a celebração do V Centenário da sua morte:
http://www.sanfrancescodipaola.calabria.it/
FRANCESCO D'ALESSIO:
(S.Francesco), nacque il 27 marzo 1416 e mori a Tour (Francia) il 2 aprile 1507. Visse vita eremitica praticamente sino alla morte. Ritiratosi a 14 anni in una grotta a nord di Paola, in prossimità del torrente Isca, ne uscì all'età di 19 per riunire i primi seguaci. Nella zona dei luoghi di penitenza costruì il primo convento dove la gente si recava da ogni parte per ricevere da lui il miracolo e per sentirne la parola di conforto. Fondatore dell'Ordine dei Minimi, caratterizzò la propria Famiglia religiosa con l'osservanza del voto quaresimale, secondo cui i frati non avrebbero dovuto mangiare la carne e i suoi derivati. L'uomo di Dio fu un gigante di spiritualità che riuscì a trasmettere anche nella Regola dettata per i suoi confratelli. Sostenitore e difensore dei deboli e degli oppressi, costituì un ostacolo di fatto al potere regio del tempo incarnato da Ferrante 1 D'Aragona. Essendo giunta la sua fama di miracolatore sino in Francia, il Re Luigi XI, sofferente e superstizioso, lo volle presso di sé, tramite il Papa Sisto IV, per ottenere la guarigione; cosa che il Frate non operò, perché si limitò ad assistere il Monarca a morire cristianamente. Francesco rimase, comunque, in Francia anche dopo la morte del Re e divenne, pur vivendo da eremita fuori dalla Corte, il consigliere della Dinastia reale. Il suo Ordine si diffuse quasi in tutta Europa, ed in particolare, in Italia, Francia, Germania e Spagna.
http://www.comune.paola.cs.it/master.php?pagina=illustri&illustri=lista&header=citta&menu_sx=citta&smenu=storia
quarta-feira, março 15, 2006
I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA
5-7 Maio 2006
AÇORES: a insularidade e o isolamento, factores de preservação da língua portuguesa no mundo
I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA 2006 com o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande
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Centro Cultural Salão-Teatro Ribeira-grandense - Ribeira Grande, S. Miguel, Açores integrado nas celebraçoes do 6 aniversário da re-inauguração do Salão-Teatro
Quando em 2001 preparamos o início dos COLÓQUIOS ANUAIS da LUSOFONIA - sob a égide do nosso patrono EMBAIXADOR PROFESSOR DOUTOR JOSÉ AUGUSTO SEABRA - queríamos provar que era possível descentralizar a realização destes eventos e que era possível realizá-los sem sermos subsídio-dependentes. O ponto de partida foi a descentralização da discussão da língua portuguesa e as problemáticas da língua portuguesa no mundo. De 2002 em diante os Colóquios realizaram-se em Bragança, ainda na base da descentralização, mas sobretudo devido à insularidade em termos culturais. Portugal, como toda a gente sabe, é um país macrocéfalo; existe Lisboa e o resto continua a ser paisagem. É muito raro os locais do interior, os locais mais remotos como Bragança, poderem ter acesso a debates de considerável importância sobre o futuro da língua. Estes colóquios são a única coisa que se tem feito concreta e regularmente em Portugal nos últimos cinco anos sobre esta temática. Os Colóquios são independentes de quaisquer forças políticas ou institucionais e asseguram essa sua “independência” através das inscrições dos participantes contando com o apoio, ao nível logístico, da autarquia que fez a sua aposta cultural na divulgação e realização deste importante evento anual.
Agora vamos tentar criar um ponto de encontro anual para debater os problemas típicos da identidade açoriana no contexto da Lusofonia. Pretendemos trazer a este fórum escritores expatriados nas Américas e no Resto do Mundo para conjuntamente com os que vivem nestas nove ilhas possam falar da identidade açoriana, da sua escrita, das suas lendas e tradições. Iremos aprender e estudar a influência que os factores da insularidade e do isolamento tiveram na preservação do carácter açoriano nos quatro cantos do mundo. Iremos descobrir que factores exógenos e endógenos permeiam essa açorianidade lusófona.
A intenção destes encontros visa proporcionar um local permanente de debate de ideias e de experiências entre os açorianos residentes, os açorianos expatriados e todos aqueles que dedicam a sua pesquisa e investigação à literatura, à linguística e à história dos Açores. O desconhecimento a nível do Continente da realidade insular combate-se levando a cabo iniciativas como esta. Estes Encontros visam igualmente divulgar o nome dos Açores e a sua presença no seio de uma Lusofonia alargada com mais de duzentos milhões de lusofalante, deste modo aproximando povos e culturas no seio da grande nação dos lusofalantes, independentemente da sua nacionalidade ou ponto de residência, unidos pelo falarmos todos uma mesma língua.
Por outro lado, a componente lúdica destes Colóquios pretende induzir uma confraternização cordial, aberta, franca e informal entre oradores e participantes presenciais, em que do convívio sairão reforçados os elos entre as pessoas, que se poderão manter a nível pessoal e profissional. Os participantes poderão trocar impressões, falar de projectos, partilhar ideias e metodologias, fazer conhecer as suas vivências e pontos de vista, mesmo fora do ambiente mais formal dos Encontros.
Quanto ao futuro da língua portuguesa no mundo, peça chave da linha multicultural da nossa visão duma Lusofonia alargada e abrangente, não hesito em afirmar que “de momento está salvaguardado através do seu enriquecimento pelas línguas autóctones e pelos crioulos, que têm o português como língua de partida. Enquanto a maior parte das línguas tende a desaparecer visto que não há influências novas, o português revela nalguns locais do mundo uma vitalidade fora do normal. A miscigenação com os crioulos e com os idiomas locais vai permitir o desenvolvimento desses crioulos e a preservação do português”. Por isso “não devemos ter medo do futuro do português no mundo porque ele vai continuar a ser falado, e a crescer nos restantes países”.
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I: TEMAS
Para 2006 o tema central destes I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA é: a insularidade e o isolamento factores de preservação da língua portuguesa no mundo
Tema 1: Tradições açorianas
Tema 2: Açorianos no mundo
2.1. Identidade açoriana, uma matriz de insularidade
2.2. Escrita açoriana. Tendências e projecção
2.3. O carácter açoriano nos quatro cantos do mundo. Factores exógenos e endógenos que permeiam essa açorianidade lusófona
Tema 3: Outros Temas (ex.º Tradução / Contos Infantis/ Ensino, etc.)
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II: PRAZOS DE INSCRIÇÃO E PAGAMENTO
1. INSCRIÇÕES - DATAS LIMITES
2.1. Data limite de envio de propostas de trabalho a apresentar 30 Março 2006
2.2. Comunicação de aceitação de oradores: 15 Abril 2006
2.3. Data limite de recepção de trabalhos finais pronto para publicação 30 Abril 2006
2. PAGAMENTO:
2.1. ORADORES COM COMUNICAÇÃO, dentro dos prazos € 20.00
2.2. ORADORES COM COMUNICAÇÃO, fora dos prazos € 30.00
2.3. PRESENCIAIS MADRUGADORES (PARTICIPANTES sem comunicação) Pagamento até 15 ABRIL 2006 € 15.00
2.4. PRESENCIAIS RETARDATÁRIOS (PARTICIPANTES sem comunicação) Pagamento após 15 ABRIL 2006: € 20.00
2.5. Estudantes da Universidade dos Açores (com comprovativo) € 10.00
3. PAGAMENTO POR DEPÓSITO DIRECTO:
Nome da conta: COLÓQUIO ANUAL DA LUSOFONIA
BANCO: Banco BPI (Agência do Monte dos Burgos, Porto, Portugal)
Endereço Banco: Rua Monte dos Burgos 1111/1119; 4250-320 PORTO
Fax do Banco: (+351) 22 8315225
Telefone do Banco: (+351) 808200510
Conta de depósito n.º #9-2738093.000.002
# NIB 0010 0000 27380930002 42
# IBAN (International Bank Account Number): PT 50 0010 0000 2738 0930 0024 2
SWIFT CODE: BBPIPTPL
N.B. Se não quiser ou não puder efectuar o seu pagamento num Multibanco/Caixa Automática/Banco e efectuar pagamentos por cheque deve acrescentar € 5.00 para despesas de processamento
Enviar por correio electrónico Ficha de Inscrição+ Comprovativo de pagamento, para lusofoniazores@sapo.pt
Na internet: http://LUSOFONIAZORES2006.com.sapo.pt
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III. COMISSÕES
COMISSÃO ORGANIZADORA
• Ricardo José Moniz da Silva, Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande
• Dra. Catarina Albergaria, Adjunta Para A Cultura E Assuntos Sociais, C.M. Ribeira Grande
• Dr. Mário Moura, Director da Casa da Cultura da C.M. Ribeira Grande
• Dr Chrys Chrystello (MA)
COMISSÃO CIENTÍFICA
• Professora Doutora Graça Castanho (Universidade Dos Açores)
• Professor Daniel De Sá
• Dr Sá Couto (Escola Secundária Gb Antero De Quental)
• Professor Doutor Luciano José Dos Santos Baptista Pereira (Vice-Presidente Do Conselho Directivo, Escola Superior De Educação De Setúbal, Instituto Politécnico De Setúbal)
• Dr Chrys Chrystello (MA)
• Dra. Helena Chrystello (Mestre) Escola EB1 Maia (S. Miguel, Açores)
• Dr. João Caravaca, Universidade Católica (Porto), Escola EB Nordeste (S. Miguel, Açores)
COMISSÃO EXECUTIVA
Presidente - Dr CHRYS CHRYSTELLO (MA)
Vogais
• Dra Catarina Albergaria, Adjunta Para A Cultura E Assuntos Sociais, Cm Ribeira Grande
• Professora Doutora Graça Castanho (Universidade Dos Açores)
• Dr Manuel Sá Couto (Escola Secundária Gb Antero De Quental)
• Dra. Helena Chrystello, (Mestre) Escola EB1 Maia (S. Miguel, Açores)
SECRETARIADO E APOIO LOGÍSTICO
PRESIDIDO POR HELENA CHRYSTELLO COM O APOIO DA DIVISÃO DE CULTURA DA CMRG e do DR. MÁRIO MOURA DA CASA DA CULTURA DA C.M. DA RIBEIRA GRANDE
IV. - INSTRUÇÕES PARA PUBLICAÇÃO
1. Importante: Deve enviar o trabalho completo a apresentar/publicar por correio electrónico (ou em disquete/CD) para o Comité Científico/Secretariado dentro das datas indicadas, no caso de pretender que seja incluído nas ACTAS/CD. Caso os trabalhos não sejam recebidos dentro das datas indicadas, o Comité não garante a sua publicação nas Actas/CD do Colóquio.
2. Formato: Microsoft Word (97, 2000, XP, ou MSWord 2003)
3. Tipo de letra (Font): ARIAL 9
4. Número de páginas: Máximo 10 páginas (espaçamento 1.5) incluindo notas de rodapé e de fim e gráficos.
5. Título: letras maiúsculas, tipo negrito; não centrar.
6. Autor(es): letras maiúsculas, incluir nome que quer ver utilizado,
7. Instituição Ensino/Trabalho: espaçamento simples entre o nome do autor e o da instituição; não centrar.
8. Sinopse: Deve seguir-se ao cabeçalho em itálico. Máximo de 300 palavras. Deve ser escrita em Português.
9. Subtítulos: letras negrito; não centrar. Use algarismos árabes com decimais.
10. Outras divisões: negrito; não centrar. Use algarismos árabes com decimais.
11. Citações e referências: autor, data de publicação, vírgula e número(s) de página(s): i.e. como Sager afirma (1998:70-71) ARIAL tamanho 8
Referências Bibliográficas:
• Livro: Melby, Alan K. (1995) The Possibility of Language, Amsterdam: John Benjamin's.
• Artigo sobre livros: Bessé, Bruno. (1997) ‘Terminological Definitions’. In Sue Ellen Wright and Gerhard Budin (eds.) Handbook of Terminology Management. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamin's Publishing Company.
• Artigos de jornal/revista: Corbeil, Jean-Claude (1991) "Terminologie et banques de données d'information scientifique et technique" in Meta Vol. 36-1, 128-134.
• Internet: Pym, A (1999) ‘Training Translators and European Unification: A Model of the Market’ in ‘Translation Theory and practice' - seminars organised by the Translation Service of the EC. Disponível em http://europa.eu.int/comm/translation/theory/gambier.htm
Notas: incluídas no fim do texto.
Gráficos e tabelas: numeradas consecutivamente. Deve ser feita menção ao seu título no texto.
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V. ACTIVIDADES PARALELAS:
1. ARTES (Coordenação da Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Ribeira Grande)
MOSTRA de AUTORES AÇORIANOS: DE LIVROS, ARTESANATO E MÚSICA
2. COMPONENTE LÚDICA (Coordenação da Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Ribeira Grande)
Roteiro turístico da Ribeira Grande (S. Miguel, Açores). Visita a locais de relevo: as fábricas de chá, as praias e os montes, caldeiras da Ribeira Grande
VI: HORÁRIO DAS SESSÕES
DIA 5 MAIO 2006 (6ª Fª) TEMA 1. TRADIÇÕES E EXPATRIADOS
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
10.00 CERIMÓNIA OFICIAL DE ABERTURA DOS TRABALHOS com a presença do Presidente da Câmara Municipal Da Ribeira Grande e entidades convidadas
Sessão 1
10.30 Orador 1
11.15 Orador 2
12.00 Orador 3
12.45 DEBATE
13.15 PAUSA PARA ALMOÇO
15.30 VIAGEM turística na ilha de S. Miguel
19.30 FIM DAS ACTIVIDADES LÚDICAS
DIA 6 MAIO 2006 (SÁBADO) TEMA 2. AÇORIANOS NO MUNDO
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
Sessão 2
10.15 Orador 4
11.00 Orador 5
11.45 Orador 6
12.15 DEBATE
12.45 PAUSA PARA ALMOÇO
15.30 VIAGEM turística na ilha de S. Miguel
19.30 FIM DAS ACTIVIDADES LÚDICAS
DIA 7 MAIO 2006 (DOMINGO) TEMA 2. AÇORIANOS NO MUNDO
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
Sessão 3
10.00 Orador 7
10.45 Orador 8
11.15 Orador 9
12.00 DEBATE
12.30 PAUSA PARA ALMOÇO
Sessão 4
15.00 Orador 10
15.45 Orador 11
16.15 Orador 12
17.00 DEBATE FINAL.
18.00 Encerramento das sessões com a presença do Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande e entidades convidadas
contacto. [lusofoniazores@sapo.pt ]
TODOS OS CONTACTOS relativos aos ENCONTROS DEVEM SER DIRIGIDOS A
ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA,
Presidente da Comissão Executiva
J. CHRYS CHRYSTELLO
Telefone: (351) 296 446940
Telemóvel: (+ 351) 91 9287816 / 91 6755675
E-fax (E-mail fax): + (00) 1 630 563 1902
E-mail: lusofoniazores@sapo.pt
Página da internet: http://LUSOFONIAZORES2006.com.sapo.pt
Local do colóquio: Centro Cultural Salão-Teatro Ribeira-grandense – 5-7 Maio 2006
AÇORES: a insularidade e o isolamento, factores de preservação da língua portuguesa no mundo
I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA 2006 com o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande
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Centro Cultural Salão-Teatro Ribeira-grandense - Ribeira Grande, S. Miguel, Açores integrado nas celebraçoes do 6 aniversário da re-inauguração do Salão-Teatro
Quando em 2001 preparamos o início dos COLÓQUIOS ANUAIS da LUSOFONIA - sob a égide do nosso patrono EMBAIXADOR PROFESSOR DOUTOR JOSÉ AUGUSTO SEABRA - queríamos provar que era possível descentralizar a realização destes eventos e que era possível realizá-los sem sermos subsídio-dependentes. O ponto de partida foi a descentralização da discussão da língua portuguesa e as problemáticas da língua portuguesa no mundo. De 2002 em diante os Colóquios realizaram-se em Bragança, ainda na base da descentralização, mas sobretudo devido à insularidade em termos culturais. Portugal, como toda a gente sabe, é um país macrocéfalo; existe Lisboa e o resto continua a ser paisagem. É muito raro os locais do interior, os locais mais remotos como Bragança, poderem ter acesso a debates de considerável importância sobre o futuro da língua. Estes colóquios são a única coisa que se tem feito concreta e regularmente em Portugal nos últimos cinco anos sobre esta temática. Os Colóquios são independentes de quaisquer forças políticas ou institucionais e asseguram essa sua “independência” através das inscrições dos participantes contando com o apoio, ao nível logístico, da autarquia que fez a sua aposta cultural na divulgação e realização deste importante evento anual.
Agora vamos tentar criar um ponto de encontro anual para debater os problemas típicos da identidade açoriana no contexto da Lusofonia. Pretendemos trazer a este fórum escritores expatriados nas Américas e no Resto do Mundo para conjuntamente com os que vivem nestas nove ilhas possam falar da identidade açoriana, da sua escrita, das suas lendas e tradições. Iremos aprender e estudar a influência que os factores da insularidade e do isolamento tiveram na preservação do carácter açoriano nos quatro cantos do mundo. Iremos descobrir que factores exógenos e endógenos permeiam essa açorianidade lusófona.
A intenção destes encontros visa proporcionar um local permanente de debate de ideias e de experiências entre os açorianos residentes, os açorianos expatriados e todos aqueles que dedicam a sua pesquisa e investigação à literatura, à linguística e à história dos Açores. O desconhecimento a nível do Continente da realidade insular combate-se levando a cabo iniciativas como esta. Estes Encontros visam igualmente divulgar o nome dos Açores e a sua presença no seio de uma Lusofonia alargada com mais de duzentos milhões de lusofalante, deste modo aproximando povos e culturas no seio da grande nação dos lusofalantes, independentemente da sua nacionalidade ou ponto de residência, unidos pelo falarmos todos uma mesma língua.
Por outro lado, a componente lúdica destes Colóquios pretende induzir uma confraternização cordial, aberta, franca e informal entre oradores e participantes presenciais, em que do convívio sairão reforçados os elos entre as pessoas, que se poderão manter a nível pessoal e profissional. Os participantes poderão trocar impressões, falar de projectos, partilhar ideias e metodologias, fazer conhecer as suas vivências e pontos de vista, mesmo fora do ambiente mais formal dos Encontros.
Quanto ao futuro da língua portuguesa no mundo, peça chave da linha multicultural da nossa visão duma Lusofonia alargada e abrangente, não hesito em afirmar que “de momento está salvaguardado através do seu enriquecimento pelas línguas autóctones e pelos crioulos, que têm o português como língua de partida. Enquanto a maior parte das línguas tende a desaparecer visto que não há influências novas, o português revela nalguns locais do mundo uma vitalidade fora do normal. A miscigenação com os crioulos e com os idiomas locais vai permitir o desenvolvimento desses crioulos e a preservação do português”. Por isso “não devemos ter medo do futuro do português no mundo porque ele vai continuar a ser falado, e a crescer nos restantes países”.
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I: TEMAS
Para 2006 o tema central destes I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA é: a insularidade e o isolamento factores de preservação da língua portuguesa no mundo
Tema 1: Tradições açorianas
Tema 2: Açorianos no mundo
2.1. Identidade açoriana, uma matriz de insularidade
2.2. Escrita açoriana. Tendências e projecção
2.3. O carácter açoriano nos quatro cantos do mundo. Factores exógenos e endógenos que permeiam essa açorianidade lusófona
Tema 3: Outros Temas (ex.º Tradução / Contos Infantis/ Ensino, etc.)
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II: PRAZOS DE INSCRIÇÃO E PAGAMENTO
1. INSCRIÇÕES - DATAS LIMITES
2.1. Data limite de envio de propostas de trabalho a apresentar 30 Março 2006
2.2. Comunicação de aceitação de oradores: 15 Abril 2006
2.3. Data limite de recepção de trabalhos finais pronto para publicação 30 Abril 2006
2. PAGAMENTO:
2.1. ORADORES COM COMUNICAÇÃO, dentro dos prazos € 20.00
2.2. ORADORES COM COMUNICAÇÃO, fora dos prazos € 30.00
2.3. PRESENCIAIS MADRUGADORES (PARTICIPANTES sem comunicação) Pagamento até 15 ABRIL 2006 € 15.00
2.4. PRESENCIAIS RETARDATÁRIOS (PARTICIPANTES sem comunicação) Pagamento após 15 ABRIL 2006: € 20.00
2.5. Estudantes da Universidade dos Açores (com comprovativo) € 10.00
3. PAGAMENTO POR DEPÓSITO DIRECTO:
Nome da conta: COLÓQUIO ANUAL DA LUSOFONIA
BANCO: Banco BPI (Agência do Monte dos Burgos, Porto, Portugal)
Endereço Banco: Rua Monte dos Burgos 1111/1119; 4250-320 PORTO
Fax do Banco: (+351) 22 8315225
Telefone do Banco: (+351) 808200510
Conta de depósito n.º #9-2738093.000.002
# NIB 0010 0000 27380930002 42
# IBAN (International Bank Account Number): PT 50 0010 0000 2738 0930 0024 2
SWIFT CODE: BBPIPTPL
N.B. Se não quiser ou não puder efectuar o seu pagamento num Multibanco/Caixa Automática/Banco e efectuar pagamentos por cheque deve acrescentar € 5.00 para despesas de processamento
Enviar por correio electrónico Ficha de Inscrição+ Comprovativo de pagamento, para lusofoniazores@sapo.pt
Na internet: http://LUSOFONIAZORES2006.com.sapo.pt
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III. COMISSÕES
COMISSÃO ORGANIZADORA
• Ricardo José Moniz da Silva, Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande
• Dra. Catarina Albergaria, Adjunta Para A Cultura E Assuntos Sociais, C.M. Ribeira Grande
• Dr. Mário Moura, Director da Casa da Cultura da C.M. Ribeira Grande
• Dr Chrys Chrystello (MA)
COMISSÃO CIENTÍFICA
• Professora Doutora Graça Castanho (Universidade Dos Açores)
• Professor Daniel De Sá
• Dr Sá Couto (Escola Secundária Gb Antero De Quental)
• Professor Doutor Luciano José Dos Santos Baptista Pereira (Vice-Presidente Do Conselho Directivo, Escola Superior De Educação De Setúbal, Instituto Politécnico De Setúbal)
• Dr Chrys Chrystello (MA)
• Dra. Helena Chrystello (Mestre) Escola EB1 Maia (S. Miguel, Açores)
• Dr. João Caravaca, Universidade Católica (Porto), Escola EB Nordeste (S. Miguel, Açores)
COMISSÃO EXECUTIVA
Presidente - Dr CHRYS CHRYSTELLO (MA)
Vogais
• Dra Catarina Albergaria, Adjunta Para A Cultura E Assuntos Sociais, Cm Ribeira Grande
• Professora Doutora Graça Castanho (Universidade Dos Açores)
• Dr Manuel Sá Couto (Escola Secundária Gb Antero De Quental)
• Dra. Helena Chrystello, (Mestre) Escola EB1 Maia (S. Miguel, Açores)
SECRETARIADO E APOIO LOGÍSTICO
PRESIDIDO POR HELENA CHRYSTELLO COM O APOIO DA DIVISÃO DE CULTURA DA CMRG e do DR. MÁRIO MOURA DA CASA DA CULTURA DA C.M. DA RIBEIRA GRANDE
IV. - INSTRUÇÕES PARA PUBLICAÇÃO
1. Importante: Deve enviar o trabalho completo a apresentar/publicar por correio electrónico (ou em disquete/CD) para o Comité Científico/Secretariado dentro das datas indicadas, no caso de pretender que seja incluído nas ACTAS/CD. Caso os trabalhos não sejam recebidos dentro das datas indicadas, o Comité não garante a sua publicação nas Actas/CD do Colóquio.
2. Formato: Microsoft Word (97, 2000, XP, ou MSWord 2003)
3. Tipo de letra (Font): ARIAL 9
4. Número de páginas: Máximo 10 páginas (espaçamento 1.5) incluindo notas de rodapé e de fim e gráficos.
5. Título: letras maiúsculas, tipo negrito; não centrar.
6. Autor(es): letras maiúsculas, incluir nome que quer ver utilizado,
7. Instituição Ensino/Trabalho: espaçamento simples entre o nome do autor e o da instituição; não centrar.
8. Sinopse: Deve seguir-se ao cabeçalho em itálico. Máximo de 300 palavras. Deve ser escrita em Português.
9. Subtítulos: letras negrito; não centrar. Use algarismos árabes com decimais.
10. Outras divisões: negrito; não centrar. Use algarismos árabes com decimais.
11. Citações e referências: autor, data de publicação, vírgula e número(s) de página(s): i.e. como Sager afirma (1998:70-71) ARIAL tamanho 8
Referências Bibliográficas:
• Livro: Melby, Alan K. (1995) The Possibility of Language, Amsterdam: John Benjamin's.
• Artigo sobre livros: Bessé, Bruno. (1997) ‘Terminological Definitions’. In Sue Ellen Wright and Gerhard Budin (eds.) Handbook of Terminology Management. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamin's Publishing Company.
• Artigos de jornal/revista: Corbeil, Jean-Claude (1991) "Terminologie et banques de données d'information scientifique et technique" in Meta Vol. 36-1, 128-134.
• Internet: Pym, A (1999) ‘Training Translators and European Unification: A Model of the Market’ in ‘Translation Theory and practice' - seminars organised by the Translation Service of the EC. Disponível em http://europa.eu.int/comm/translation/theory/gambier.htm
Notas: incluídas no fim do texto.
Gráficos e tabelas: numeradas consecutivamente. Deve ser feita menção ao seu título no texto.
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V. ACTIVIDADES PARALELAS:
1. ARTES (Coordenação da Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Ribeira Grande)
MOSTRA de AUTORES AÇORIANOS: DE LIVROS, ARTESANATO E MÚSICA
2. COMPONENTE LÚDICA (Coordenação da Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Ribeira Grande)
Roteiro turístico da Ribeira Grande (S. Miguel, Açores). Visita a locais de relevo: as fábricas de chá, as praias e os montes, caldeiras da Ribeira Grande
VI: HORÁRIO DAS SESSÕES
DIA 5 MAIO 2006 (6ª Fª) TEMA 1. TRADIÇÕES E EXPATRIADOS
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
10.00 CERIMÓNIA OFICIAL DE ABERTURA DOS TRABALHOS com a presença do Presidente da Câmara Municipal Da Ribeira Grande e entidades convidadas
Sessão 1
10.30 Orador 1
11.15 Orador 2
12.00 Orador 3
12.45 DEBATE
13.15 PAUSA PARA ALMOÇO
15.30 VIAGEM turística na ilha de S. Miguel
19.30 FIM DAS ACTIVIDADES LÚDICAS
DIA 6 MAIO 2006 (SÁBADO) TEMA 2. AÇORIANOS NO MUNDO
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
Sessão 2
10.15 Orador 4
11.00 Orador 5
11.45 Orador 6
12.15 DEBATE
12.45 PAUSA PARA ALMOÇO
15.30 VIAGEM turística na ilha de S. Miguel
19.30 FIM DAS ACTIVIDADES LÚDICAS
DIA 7 MAIO 2006 (DOMINGO) TEMA 2. AÇORIANOS NO MUNDO
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
Sessão 3
10.00 Orador 7
10.45 Orador 8
11.15 Orador 9
12.00 DEBATE
12.30 PAUSA PARA ALMOÇO
Sessão 4
15.00 Orador 10
15.45 Orador 11
16.15 Orador 12
17.00 DEBATE FINAL.
18.00 Encerramento das sessões com a presença do Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande e entidades convidadas
contacto. [lusofoniazores@sapo.pt ]
TODOS OS CONTACTOS relativos aos ENCONTROS DEVEM SER DIRIGIDOS A
ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA,
Presidente da Comissão Executiva
J. CHRYS CHRYSTELLO
Telefone: (351) 296 446940
Telemóvel: (+ 351) 91 9287816 / 91 6755675
E-fax (E-mail fax): + (00) 1 630 563 1902
E-mail: lusofoniazores@sapo.pt
Página da internet: http://LUSOFONIAZORES2006.com.sapo.pt
Local do colóquio: Centro Cultural Salão-Teatro Ribeira-grandense – 5-7 Maio 2006
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