A Galeria de Pintura do Rei D. Luís tem patente ao público uma exposição subordinada ao tema Artistas Viajantes e o Brasil no século XIX, uma iniciativa conjunta do Instituto Português de Museus e do Instituto Português do Património Arquitectónico constituída por um acervo de cerca de 122 obras pertencentes à Coleção Brasiliana / Fundação Estudar, sediada em S. Paulo, no Brasil.
A exposição, composta por um conjunto de pinturas, aguarelas, desenhos e gravuras datadas, na sua maioria, do século XIX, compõe uma visão do país a partir de três grandes temas: o Rio de Janeiro e a corte, o registo dos viajantes e a paisagem brasileira.
O olhar atento de artistas/viajantes e cientistas/naturalistas, curiosos e investigadores, impregnado pelo espírito aventureiro e a mentalidade romântica tão peculiar à época, deixou uma quantidade considerável de publicações e imagens. Estas “imagens” testemunham a vida da corte portuguesa no Brasil que ali se instalou em consequência das Invasões Francesas, a diversidade da cultura brasileira formada por portugueses, escravos africanos, nativos indígenas e mestiços e, por último, as imponentes paisagens de uma luxuriante vegetação.
Este imenso legado, hoje conhecido por “Brasiliana”, é uma contribuição inestimável para o estudo e conhecimento da história e da arte do Brasil.
Às obras provenientes da Coleção Brasiliana foram associadas peças provenientes dos acervos dos Palácios Nacionais e da Biblioteca da Ajuda, referentes à Família Real de Portugal e Imperial do Brasil.
No âmbito desta exposição, o Instituto Português do Património Arquitectónico e o Instituto Português de Museus organizam um Curso Livre a decorrer no dia 22 de Junho e que conta com a participação de especialistas da época em estudo. Os temas contemplados serão na área da História Cultural, Política e Social.
Curso Livre no âmbito da exposição
Artistas Viajantes e o Brasil no século XIX
10h30 “D. Pedro IV, um monarca entre dois mundos”
Prof. Doutor Eugénio dos Santos
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
11h30 “Gentes e Paisagem no Romantismo Brasileiro”
Prof. ª Doutora Vânia Chaves Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
12h30 ALMOÇO
14h30 “Corte e Nobrezas:
uma monarquia entre dois continentes”
Prof. Doutor Nuno Monteiro
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
15h30 “O Marquês de Fronteira:
um aristocrata no Cabralismo”
Prof. ª Doutora Fátima Bonifácio
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
16h30 Pausa para café
16h45 “Domingos António Sequeira:
um pintor dos exílios”
Prof.ª Doutora Raquel Henriques da Silva
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
da Universidade Nova de Lisboa
17h45 “Música ao tempo de D. João VI”
Prof. Doutor Rui Vieira Nery
Departamento de Artes da Universidade de Évora
18h45 Lançamento do livro O Diário da Viagem de D. Francisca de Bragança (1842-1843) – A «Bela Chica», pela Editora Alêtheia.
A obra será apresentada pelo Dr. José Alberto Ribeiro
Na ocasião do lançamento será servido um cocktail.
contactos:
Galeria de Pintura do Rei D. Luís, Palácio Nacional da Ajuda
1349-021 Lisboa
Telefones: 21 361 4340/44/46
Fax: 21 362 5641
galeria@ippar.pt
Almoço na esplanada do Restaurante Estufa Real (20€)
Jardim Botânico da Ajuda, Calçada da Ajuda
Inscrições prévias pelos telefones: 21 361 4340 / 21 361 4346
Nos liberi sumus; Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt... [Nós somos livres; nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram...]
quarta-feira, junho 14, 2006
sábado, junho 10, 2006
Anjos, Mensageiros e Protectores
Peregrinação Nacional das Crianças a Fátima recorda os anjos, mensageiros e protectores
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Teve início há minutos, no Santuário de Fátima, a celebração Eucarística da Peregrinação Nacional das Crianças, presidida pelo Administrador Apostólico da Diocese de Leiria-Fátima, D. Serafim Ferreira e Silva.
A peregrinação das crianças marca visualmente a diferença em relação a outras grandes celebrações. A presença de milhares de peregrinos a usarem camisolas, bonés e fitas de cores vivas, com mensagem que apelam à paz e a oração não é novidade no Santuário, contudo, a diferença, a 9 e 10 de Junho de cada ano, está em que nestes dias os peregrinos são crianças e jovens.
Desde ontem, dia 9 de Junho, que o Altar do Recinto está escondido por um painel gigante com o símbolo e o tema da peregrinação deste ano em que se celebra o 90.º aniversário da aparição do Anjo em Fátima – Não temais, sou o anjo da paz. A ilustração do painel, que mostra um anjo com as asas aberta sem sinal de protecção, é da autoria de Emília Nadal, artista e presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Na colunata do lado norte uma faixa horizontal branca inicia a oração que é terminada em outra faixa igual colocada na colunata sul “Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos”.
Duas outras faixas colocadas também em ambas as colunatas do Recinto do Santuário têm inscrito, no sentido vertical “Eu sou o anjo da guarda”, “O anjo de Portugal”.
Na noite de ontem, o Recinto do Santuário de Fátima mostrava esta particularidade da peregrinação das Crianças. Grandes grupos de meninos e meninas entraram no Santuário acompanhados pelos seus catequistas e educadores. Juntaram-se a eles outros grupos de crianças acompanhados de seus pais e também outros grupos de peregrinos adultos em peregrinação a Fátima.
Após a explicação do tema da peregrinação, as crianças foram convidadas a oferecer a flor que traziam para entregar Nossa Senhora em primeiro lugar ao amigo que se encontrava ao seu lado. Depois as flores foram recolhidas em açafates e levadas até junto da Imagem de Nossa Senhora, na Capelinha.
“Sabem que os anjos estão junto de Deus para colaborarem com Ele, cantam a sua glória, adoram-No, são seus mensageiros e guardam-nos a nós. Deus gosta tanto de nós que nos deu a cada um ano para nos guardar, para nos proteger, para nos guiar nos caminhos, para nos ajudar a ser felizes”, explicou o P. José Baptista, director do Serviço de Pastoral Litúrgica do Santuário.
Iniciada a oração do Rosário, foram recordados os momentos da vida da Sagrada família em que os anjos intervieram para anunciar a boa nova, como mensageiros de Deus. Dois ecrãs gigantes, colocados detrás da Capelinha das Aparições ilustravam cada momento de reflexão e de oração com imagens de anjos.
No final do terceiro mistério as crianças foram convidadas a seguir em procissão a Imagem da Virgem Peregrina de Nossa Senhora, que foi levada da Capelinha em direcção ao altar montado no Recinto, e a sentarem-se na escadaria.
A luz, símbolo de Cristo, marcou o momento seguinte. As crianças levantaram as velas acesas, o Santíssimo Sacramento foi trazido, descendo a escadaria, ladeado por archotes de luz levados por crianças, e uma luz forte incidiu sobre a custódia.
Assim que terminou a oração do Rosário, no Altar da peregrinação, um grupo de crianças do Colégio do Sagrado Coração de Maria apresentou uma encenação com a representação das três aparições do Anjo em Fátima a Francisco, Jacinta e Lúcia. Seguiu-se depois o tempo de adoração ao Santíssimo Sacramento, em ambiente de recolhimento, apenas com a repetição pela assembleia das orações.
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Leopoldina Simões
10/06/2006
Santuário de Fátima
Copyright© Agência Ecclesia
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Teve início há minutos, no Santuário de Fátima, a celebração Eucarística da Peregrinação Nacional das Crianças, presidida pelo Administrador Apostólico da Diocese de Leiria-Fátima, D. Serafim Ferreira e Silva.
A peregrinação das crianças marca visualmente a diferença em relação a outras grandes celebrações. A presença de milhares de peregrinos a usarem camisolas, bonés e fitas de cores vivas, com mensagem que apelam à paz e a oração não é novidade no Santuário, contudo, a diferença, a 9 e 10 de Junho de cada ano, está em que nestes dias os peregrinos são crianças e jovens.
Desde ontem, dia 9 de Junho, que o Altar do Recinto está escondido por um painel gigante com o símbolo e o tema da peregrinação deste ano em que se celebra o 90.º aniversário da aparição do Anjo em Fátima – Não temais, sou o anjo da paz. A ilustração do painel, que mostra um anjo com as asas aberta sem sinal de protecção, é da autoria de Emília Nadal, artista e presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Na colunata do lado norte uma faixa horizontal branca inicia a oração que é terminada em outra faixa igual colocada na colunata sul “Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos”.
Duas outras faixas colocadas também em ambas as colunatas do Recinto do Santuário têm inscrito, no sentido vertical “Eu sou o anjo da guarda”, “O anjo de Portugal”.
Na noite de ontem, o Recinto do Santuário de Fátima mostrava esta particularidade da peregrinação das Crianças. Grandes grupos de meninos e meninas entraram no Santuário acompanhados pelos seus catequistas e educadores. Juntaram-se a eles outros grupos de crianças acompanhados de seus pais e também outros grupos de peregrinos adultos em peregrinação a Fátima.
Após a explicação do tema da peregrinação, as crianças foram convidadas a oferecer a flor que traziam para entregar Nossa Senhora em primeiro lugar ao amigo que se encontrava ao seu lado. Depois as flores foram recolhidas em açafates e levadas até junto da Imagem de Nossa Senhora, na Capelinha.
“Sabem que os anjos estão junto de Deus para colaborarem com Ele, cantam a sua glória, adoram-No, são seus mensageiros e guardam-nos a nós. Deus gosta tanto de nós que nos deu a cada um ano para nos guardar, para nos proteger, para nos guiar nos caminhos, para nos ajudar a ser felizes”, explicou o P. José Baptista, director do Serviço de Pastoral Litúrgica do Santuário.
Iniciada a oração do Rosário, foram recordados os momentos da vida da Sagrada família em que os anjos intervieram para anunciar a boa nova, como mensageiros de Deus. Dois ecrãs gigantes, colocados detrás da Capelinha das Aparições ilustravam cada momento de reflexão e de oração com imagens de anjos.
No final do terceiro mistério as crianças foram convidadas a seguir em procissão a Imagem da Virgem Peregrina de Nossa Senhora, que foi levada da Capelinha em direcção ao altar montado no Recinto, e a sentarem-se na escadaria.
A luz, símbolo de Cristo, marcou o momento seguinte. As crianças levantaram as velas acesas, o Santíssimo Sacramento foi trazido, descendo a escadaria, ladeado por archotes de luz levados por crianças, e uma luz forte incidiu sobre a custódia.
Assim que terminou a oração do Rosário, no Altar da peregrinação, um grupo de crianças do Colégio do Sagrado Coração de Maria apresentou uma encenação com a representação das três aparições do Anjo em Fátima a Francisco, Jacinta e Lúcia. Seguiu-se depois o tempo de adoração ao Santíssimo Sacramento, em ambiente de recolhimento, apenas com a repetição pela assembleia das orações.
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Leopoldina Simões
10/06/2006
Santuário de Fátima
Copyright© Agência Ecclesia
domingo, junho 04, 2006
Os soldados de Portugal
Por António Sampaio e Paulo Rego, da Agência Lusa.
Díli, 04 Jun (Lusa) - Centenas de timorenses receberam hoje com gritos efusivos, bandeiras e cachecóis de Portugal os 120 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) que chegavam ao bairro Kuluhun, na entrada em Díli, capital de Timor-Leste, uma recepção que revela a confiança da população nos agentes portugueses.
Na ponte de Becora, jovens e velhos, os primeiros com bandeiras e gritos de Viva Portugal, os outros em palmas e animação, acolheram a coluna que partiu ao início da tarde de hoje de Baucau, 120 quilómetros a leste de Díli. À semelhança do que já tinha ocorrido na passagem por Manatuto e Metinaro, no caminho para a capital, também em Díli a população ladeava as ruas, saudando os militares.
Espantados, sem perceber o que se passava, seis soldados australianos, em patrulha na zona, param para ver a coluna passar e um deles, em dúvida, perguntou ao timorense mais próximo: "O que é isto?".
"São os soldados de Portugal", disse o jovem, em inglês.
Maria da Piedade, bebé ao colo, furou a multidão, e conseguiu aproximar-se o suficiente de um dos carros da coluna para entregar a um militar português um ramo de "bungha", uma flor rosa tradicional de Timor-Leste. E emocionada disse: "Estou muito alegre porque os soldados de Portugal estão agora em Díli. Agora vai haver paz".
De trás, mais flores caíam sobre as carrinhas da coluna, formada por viaturas da cooperação portuguesa, camiões de caixa aberta carregados com o equipamento da GNR e carros e motas de timorenses que se juntaram na entrada em Díli.
Díli, 04 Jun (Lusa) - Centenas de timorenses receberam hoje com gritos efusivos, bandeiras e cachecóis de Portugal os 120 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) que chegavam ao bairro Kuluhun, na entrada em Díli, capital de Timor-Leste, uma recepção que revela a confiança da população nos agentes portugueses.
Na ponte de Becora, jovens e velhos, os primeiros com bandeiras e gritos de Viva Portugal, os outros em palmas e animação, acolheram a coluna que partiu ao início da tarde de hoje de Baucau, 120 quilómetros a leste de Díli. À semelhança do que já tinha ocorrido na passagem por Manatuto e Metinaro, no caminho para a capital, também em Díli a população ladeava as ruas, saudando os militares.
Espantados, sem perceber o que se passava, seis soldados australianos, em patrulha na zona, param para ver a coluna passar e um deles, em dúvida, perguntou ao timorense mais próximo: "O que é isto?".
"São os soldados de Portugal", disse o jovem, em inglês.
Maria da Piedade, bebé ao colo, furou a multidão, e conseguiu aproximar-se o suficiente de um dos carros da coluna para entregar a um militar português um ramo de "bungha", uma flor rosa tradicional de Timor-Leste. E emocionada disse: "Estou muito alegre porque os soldados de Portugal estão agora em Díli. Agora vai haver paz".
De trás, mais flores caíam sobre as carrinhas da coluna, formada por viaturas da cooperação portuguesa, camiões de caixa aberta carregados com o equipamento da GNR e carros e motas de timorenses que se juntaram na entrada em Díli.
sábado, maio 27, 2006
sexta-feira, maio 26, 2006
205.º Aniversário da Ocupação de Olivença
Recordando ao representante do país vizinho a desonrosa ocupação de Olivença, o Grupo de Amigos de Olivença entregou em 20 de Maio, na Embaixada de Espanha em Lisboa, uma carta em que se afirma:
_______
Excelentíssimo Senhor
Embaixador do Reino de Espanha
No dia 20 de Maio de 1801, há exactamente 205 anos, os exércitos de Espanha, conluiada com a França napoleónica, invadiram Portugal e ocuparam a vila portuguesa de Olivença.
Manifesta ofensa ao Direito das Gentes, assim foi entendido pelas Potências de então que, no Congresso de Viena de 1815, onde Espanha também teve assento, reconheceram absolutamente a justiça das reclamações de Portugal sobre Olivença.
Por isso ficou consignado no Tratado de Viena, seu Art.º 105.º.
«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S.
A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d'Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l'Europe a été le but constant de leurs arrangements, s'engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée; et les puissances reconnaissent, autant qu'il dépend de chacune d'elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».
Como melhor saberá Vossa Excelência, em 7 de Maio de 1817, há 189 anos, Espanha assinou o Tratado de Viena e reconheceu sem reservas os direitos de Portugal.
Decorridos dois séculos sobre a desonrosa ocupação de Olivença, o Estado que Vossa Excelência representa jamais respeitou o compromisso assumido perante a Comunidade Internacional. Do carácter honrado, altivo e nobre que Espanha diz ser o seu, não houve manifestação e, ao contrário, actuando com ostensivo desprezo pelo Direito e pela palavra dada, Espanha cobriu-se com o labéu da vilania.
Eis, singela, a «Questão de Olivença»: uma parcela de Portugal foi usurpada militarmente pelo Estado espanhol, há 205 anos, extorsão não reconhecida e ilegítima face ao Direito Internacional.
Não obedecendo ao Direito nem respeitando os seus compromissos, é Espanha, de que Vossa Excelência é Embaixador, que se desonra.
Quanto à ofensa que a ocupação de Olivença constitui para Portugal, compete aos Portugueses apreciá-la e julgá-la.
Da ofensa feita à Justiça e ao Direito, bem como da desonra trazida pela quebra da palavra dada, pertence a Espanha e a Vossa Excelência conhecer do seu significado.
Atentamente,
A Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença Lisboa, 20 de Maio de 2006.
Grupo dos Amigos de Olivença
_______
Excelentíssimo Senhor
Embaixador do Reino de Espanha
No dia 20 de Maio de 1801, há exactamente 205 anos, os exércitos de Espanha, conluiada com a França napoleónica, invadiram Portugal e ocuparam a vila portuguesa de Olivença.
Manifesta ofensa ao Direito das Gentes, assim foi entendido pelas Potências de então que, no Congresso de Viena de 1815, onde Espanha também teve assento, reconheceram absolutamente a justiça das reclamações de Portugal sobre Olivença.
Por isso ficou consignado no Tratado de Viena, seu Art.º 105.º.
«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S.
A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d'Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l'Europe a été le but constant de leurs arrangements, s'engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée; et les puissances reconnaissent, autant qu'il dépend de chacune d'elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».
Como melhor saberá Vossa Excelência, em 7 de Maio de 1817, há 189 anos, Espanha assinou o Tratado de Viena e reconheceu sem reservas os direitos de Portugal.
Decorridos dois séculos sobre a desonrosa ocupação de Olivença, o Estado que Vossa Excelência representa jamais respeitou o compromisso assumido perante a Comunidade Internacional. Do carácter honrado, altivo e nobre que Espanha diz ser o seu, não houve manifestação e, ao contrário, actuando com ostensivo desprezo pelo Direito e pela palavra dada, Espanha cobriu-se com o labéu da vilania.
Eis, singela, a «Questão de Olivença»: uma parcela de Portugal foi usurpada militarmente pelo Estado espanhol, há 205 anos, extorsão não reconhecida e ilegítima face ao Direito Internacional.
Não obedecendo ao Direito nem respeitando os seus compromissos, é Espanha, de que Vossa Excelência é Embaixador, que se desonra.
Quanto à ofensa que a ocupação de Olivença constitui para Portugal, compete aos Portugueses apreciá-la e julgá-la.
Da ofensa feita à Justiça e ao Direito, bem como da desonra trazida pela quebra da palavra dada, pertence a Espanha e a Vossa Excelência conhecer do seu significado.
Atentamente,
A Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença Lisboa, 20 de Maio de 2006.
Grupo dos Amigos de Olivença
domingo, maio 21, 2006
Os Fidalgos da Casa Mourisca
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Na minha tenra juventude as férias grandes eram enormes e davam para tudo, desde as corridas de bicicleta pela Estrada da Serra fora, quando dum lado e do outro só havia searas altas pintalgadas de papoilas, até à patinagem de manhã cedo no rink do Sporting de Tomar, umas partidas de ténis no parque, com o rio Nabão a passar ali ao lado, e belas passeatas no barco Folha de Couve, comprado pela rapaziada com o lucro de um jornal com o mesmo nome, o único que vi dar dinheiro. Os pais entravam com uns trocos para o stencil, o papel e a impressão ficavam de borla depois de uma grande canção do bandido entoada pela redacção adolescente ao contínuo da Legião Portuguesa. O homem ficou certo de estar a lidar com meninos de coro e nós, mal o jornaleco ficava pronto, íamos vendê-lo aos pais, aos avós, aos tios, aos professores, a quem gostava de ler o que os estudantes do Colégio de Nun´Álvares tinham para dizer sempre na troça e na piada. O barco foi baptizado e os padrinhos fui eu mesma e o Domingos Mascarenhas Arouca, de Moçambique, futuro presidente da FUMO, o partido político que se opunha à FRETLIN, mas isso muitos anos depois de ser advogado e professor, de ter estado preso em Peniche e depois em Caxias, onde o foram ver várias vezes Francisco Sá Carneiro e Francisco Balsemão, então deputados pela ala liberal no parlamento da ditadura. Ficaram-lhes caras essas visitas, politicamente falando, porque os donos do regime lhes chamaram o que Maomé nunca chamou ao toucinho. As malhas que o Império tece... Como andará lá por Moçambique o meu compadre Arouca?
Sobre estas actividades estivais ponham-se os piqueniques, os bailaricos (nesse tempo nem cheiro havia de discotecas), os amigos que vinham de Lisboa passar as férias connosco, as noites de luar nas eiras da beira do rio, deitados em montes de trigo, a olhar os alcatruzes das noras que pareciam despejar prata, a comer pêssegos perfumados.
Mas a parte de leão ia para a leitura. Foi o que valeu à minha geração. A literatura portuguesa passada a pente fino, as traduções que se devoravam, as estantes da memória a encherem-se. E as primeiras prosas que se escreviam, às escondidas, envergonhadamente. Quando deitámos corpo e entrámos em Marcel Proust, demos em chamar desdenhosamente “o português suave” ao Júlio Dinis. Uns atrevidos. No entanto, aquela prosa bucólica e inocente ficou-nos colada para sempre à memória.
Por isso hoje me lembro dos Fidalgos da Casa Mourisca. Uma família fidalga falida, as terras cobertas de hipotecas e quase ao abandono por falta de dinheiro para pagar ao pessoal, o padre Januário que administava aquela encrenca de cabeça, os proprietários de costa ao alto, a prima condessa de Lisboa que na sua visita foi obsequiada com o requinte de uma baixela emprestada, e todo aquele faz de conta português que eu penso vir desde o Egas Moniz, o que por causa do trapalhão do amo apareceu ao rei de Castela descalcinho, de corda ao pescoço, com a filharada à volta na mesma andaina. Quem nos tira o teatro tira-nos tudo.
Estou a lembrar-me deles hoje, porque vem aí o 10 de Junho e estamos em tempo de vacas magras, de contenção de despesas, de cortes brutais mas necessários. Quem é que há-de meter na cabeça do cidadão médio que não há dinheiro para festas e não é vergonha nenhuma ser assim, porque os países são como as famílias, têm altos e baixos. Não ter não é vergonha. Vergonha é não ser. Não ser, por exemplo, capaz de humildemente arregaçar as mangas pela Pátria, dar a cara à luta, guardar festanças para tempos de fartura. Preferem empenhar as pratas que restam para fazer ver que somos um país de bem instalados... que amontoam dívidas à banca e, não tarda nada, perdem casas e carros. Vergonha é ser oposição que não colabora com o governo naquilo que é para bem da Nação, não ser capaz de pôr ponto final à partidarite viciosa.
Países com petróleo, com gás, ouro, diamantes, ferro, alta tecnologia e agricultura de grandes superfícies, países com povos educados e preparados, parecem bem modestos se comparados com Portugal, tal a sua frugalidade. Preferimos este novo-riquismo ridículo. Já estamos abaixo dos Fidalgos da Casa Mourisca. Nem há “português suave” que nos descreva.
por Fernanda Leitão
Na minha tenra juventude as férias grandes eram enormes e davam para tudo, desde as corridas de bicicleta pela Estrada da Serra fora, quando dum lado e do outro só havia searas altas pintalgadas de papoilas, até à patinagem de manhã cedo no rink do Sporting de Tomar, umas partidas de ténis no parque, com o rio Nabão a passar ali ao lado, e belas passeatas no barco Folha de Couve, comprado pela rapaziada com o lucro de um jornal com o mesmo nome, o único que vi dar dinheiro. Os pais entravam com uns trocos para o stencil, o papel e a impressão ficavam de borla depois de uma grande canção do bandido entoada pela redacção adolescente ao contínuo da Legião Portuguesa. O homem ficou certo de estar a lidar com meninos de coro e nós, mal o jornaleco ficava pronto, íamos vendê-lo aos pais, aos avós, aos tios, aos professores, a quem gostava de ler o que os estudantes do Colégio de Nun´Álvares tinham para dizer sempre na troça e na piada. O barco foi baptizado e os padrinhos fui eu mesma e o Domingos Mascarenhas Arouca, de Moçambique, futuro presidente da FUMO, o partido político que se opunha à FRETLIN, mas isso muitos anos depois de ser advogado e professor, de ter estado preso em Peniche e depois em Caxias, onde o foram ver várias vezes Francisco Sá Carneiro e Francisco Balsemão, então deputados pela ala liberal no parlamento da ditadura. Ficaram-lhes caras essas visitas, politicamente falando, porque os donos do regime lhes chamaram o que Maomé nunca chamou ao toucinho. As malhas que o Império tece... Como andará lá por Moçambique o meu compadre Arouca?
Sobre estas actividades estivais ponham-se os piqueniques, os bailaricos (nesse tempo nem cheiro havia de discotecas), os amigos que vinham de Lisboa passar as férias connosco, as noites de luar nas eiras da beira do rio, deitados em montes de trigo, a olhar os alcatruzes das noras que pareciam despejar prata, a comer pêssegos perfumados.
Mas a parte de leão ia para a leitura. Foi o que valeu à minha geração. A literatura portuguesa passada a pente fino, as traduções que se devoravam, as estantes da memória a encherem-se. E as primeiras prosas que se escreviam, às escondidas, envergonhadamente. Quando deitámos corpo e entrámos em Marcel Proust, demos em chamar desdenhosamente “o português suave” ao Júlio Dinis. Uns atrevidos. No entanto, aquela prosa bucólica e inocente ficou-nos colada para sempre à memória.
Por isso hoje me lembro dos Fidalgos da Casa Mourisca. Uma família fidalga falida, as terras cobertas de hipotecas e quase ao abandono por falta de dinheiro para pagar ao pessoal, o padre Januário que administava aquela encrenca de cabeça, os proprietários de costa ao alto, a prima condessa de Lisboa que na sua visita foi obsequiada com o requinte de uma baixela emprestada, e todo aquele faz de conta português que eu penso vir desde o Egas Moniz, o que por causa do trapalhão do amo apareceu ao rei de Castela descalcinho, de corda ao pescoço, com a filharada à volta na mesma andaina. Quem nos tira o teatro tira-nos tudo.
Estou a lembrar-me deles hoje, porque vem aí o 10 de Junho e estamos em tempo de vacas magras, de contenção de despesas, de cortes brutais mas necessários. Quem é que há-de meter na cabeça do cidadão médio que não há dinheiro para festas e não é vergonha nenhuma ser assim, porque os países são como as famílias, têm altos e baixos. Não ter não é vergonha. Vergonha é não ser. Não ser, por exemplo, capaz de humildemente arregaçar as mangas pela Pátria, dar a cara à luta, guardar festanças para tempos de fartura. Preferem empenhar as pratas que restam para fazer ver que somos um país de bem instalados... que amontoam dívidas à banca e, não tarda nada, perdem casas e carros. Vergonha é ser oposição que não colabora com o governo naquilo que é para bem da Nação, não ser capaz de pôr ponto final à partidarite viciosa.
Países com petróleo, com gás, ouro, diamantes, ferro, alta tecnologia e agricultura de grandes superfícies, países com povos educados e preparados, parecem bem modestos se comparados com Portugal, tal a sua frugalidade. Preferimos este novo-riquismo ridículo. Já estamos abaixo dos Fidalgos da Casa Mourisca. Nem há “português suave” que nos descreva.
quarta-feira, abril 19, 2006
OLHA BEM PARA ISTO, ROSA!
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
Há muitos anos atrás, passei uma Páscoa com a Rosa Ramalho no seu pequeno lugarejo perto de São Martinho de Galegos, a um tiro de Barcelos. Cumpria, honradamente, uma promessa que a barrista me tinha arrancado a ferros, porque esse era um tempo de juventude, de jornais, de viagens, de agenda cheia. Ficámos amigas, já nem sei desde quando, e a verdade é que morríamos uma pela outra.
Dias fascinantes aqueles, com o Minho a explodir em verdes tenros e flores, o céu azul, o sol esplendoroso. O que nós vadiámos por aquele Minho, com a Rosa sempre a parar para abraçar pessoas, de todas as camadas sociais, que lhe queriam bem, metidas em mercados e igrejinhas lindas de morrer, abancadas em lugares risonhos onde nos serviam cabrito assado com grelos salteados, ou papas de serrabulho, ou bacalhaus de antologia, tudo regado a verde tinto bebido por malgas de loiça. Porque a Rosa se me tinha queixado que andava em baixo, com “uma gastura no estâmado que tu nem queiras saber”, e eu levei-a ao médico que diagnosticou cansaço e receitou descanso, passeata, e “coma-lhe e beba-lhe, Tia Rosa”. Para encurtar razões, aviámos a receita.
Num dia em que regressámos da passeata, havia uma encomenda à espera da Rosa: pessoa de bom estatuto, em Viana do Castelo, pedia por tudo que lhe fizesse uma Última Ceia para levar de oferta no estrangeiro. Essas ceias feitas pela Rosa eram rectangulares, em barro verde, constando de uma mesa comprida, Jesus ao meio e os discípulos distribuídos à esquerda e à direita. À frente de Nosso Senhor, um prato com um peixe, um pão e um cálice. À frente dos outros, um pãozinho muito redondinho. A artista, que era pequenina, sentou-se num banquinho, frente a uma banca de trabalho, e ali ficou a modelar figura por figura, sempre a cantarolar. Eu, muda, extasiada, comovida, porque, para mim, o acto da criação artística é um momento em que se tocam os dedos de Deus e do artista. Mas quando a Rosa deu por terminado o trabalho, reparei que havia um discípulo sem pãozinho. Solícita, e estúpida, chamei a atenção da Rosa. E ela, a cravar em mim aqueles belos olhos negros cheios de força, espantou-se: “Tu julgas-me capaz de pôr pão ao filho da p. do Judas?”. Fiquei transida de admiração perante aquele desamor fundo como uma raíz, igualzinho ao de outro minhoto e querido amigo, o escritor Tomás de Figueiredo, de quem o David Mourão Ferreira às vezes me dizia “ah, que ódio aquele, tão saudável”. Agora parece que se diz tão assumido...
E não é que, nesta Páscoa de 2006, tem sido uma badalação mediática à escala planetária por causa de uns papiros datados de 400 anos após a morte de Cristo na cruz, segundo os quais Judas teria sido um sujeito óptimo e até parceiro de Jesus nisso de ajeitar factos às profecias? Tem sido uma algazarra, mesmo antes de se saber, de ciência certa, se vale a pena perder tempo com o achado.
Nunca pensei que o Judas tivesse tantos amigos dispostos a, mais uma vez, atacarem a Igreja. Olha bem para isto, Rosa!
por Fernanda Leitão
Há muitos anos atrás, passei uma Páscoa com a Rosa Ramalho no seu pequeno lugarejo perto de São Martinho de Galegos, a um tiro de Barcelos. Cumpria, honradamente, uma promessa que a barrista me tinha arrancado a ferros, porque esse era um tempo de juventude, de jornais, de viagens, de agenda cheia. Ficámos amigas, já nem sei desde quando, e a verdade é que morríamos uma pela outra.
Dias fascinantes aqueles, com o Minho a explodir em verdes tenros e flores, o céu azul, o sol esplendoroso. O que nós vadiámos por aquele Minho, com a Rosa sempre a parar para abraçar pessoas, de todas as camadas sociais, que lhe queriam bem, metidas em mercados e igrejinhas lindas de morrer, abancadas em lugares risonhos onde nos serviam cabrito assado com grelos salteados, ou papas de serrabulho, ou bacalhaus de antologia, tudo regado a verde tinto bebido por malgas de loiça. Porque a Rosa se me tinha queixado que andava em baixo, com “uma gastura no estâmado que tu nem queiras saber”, e eu levei-a ao médico que diagnosticou cansaço e receitou descanso, passeata, e “coma-lhe e beba-lhe, Tia Rosa”. Para encurtar razões, aviámos a receita.
Num dia em que regressámos da passeata, havia uma encomenda à espera da Rosa: pessoa de bom estatuto, em Viana do Castelo, pedia por tudo que lhe fizesse uma Última Ceia para levar de oferta no estrangeiro. Essas ceias feitas pela Rosa eram rectangulares, em barro verde, constando de uma mesa comprida, Jesus ao meio e os discípulos distribuídos à esquerda e à direita. À frente de Nosso Senhor, um prato com um peixe, um pão e um cálice. À frente dos outros, um pãozinho muito redondinho. A artista, que era pequenina, sentou-se num banquinho, frente a uma banca de trabalho, e ali ficou a modelar figura por figura, sempre a cantarolar. Eu, muda, extasiada, comovida, porque, para mim, o acto da criação artística é um momento em que se tocam os dedos de Deus e do artista. Mas quando a Rosa deu por terminado o trabalho, reparei que havia um discípulo sem pãozinho. Solícita, e estúpida, chamei a atenção da Rosa. E ela, a cravar em mim aqueles belos olhos negros cheios de força, espantou-se: “Tu julgas-me capaz de pôr pão ao filho da p. do Judas?”. Fiquei transida de admiração perante aquele desamor fundo como uma raíz, igualzinho ao de outro minhoto e querido amigo, o escritor Tomás de Figueiredo, de quem o David Mourão Ferreira às vezes me dizia “ah, que ódio aquele, tão saudável”. Agora parece que se diz tão assumido...
E não é que, nesta Páscoa de 2006, tem sido uma badalação mediática à escala planetária por causa de uns papiros datados de 400 anos após a morte de Cristo na cruz, segundo os quais Judas teria sido um sujeito óptimo e até parceiro de Jesus nisso de ajeitar factos às profecias? Tem sido uma algazarra, mesmo antes de se saber, de ciência certa, se vale a pena perder tempo com o achado.
Nunca pensei que o Judas tivesse tantos amigos dispostos a, mais uma vez, atacarem a Igreja. Olha bem para isto, Rosa!
domingo, abril 02, 2006
«Temos Rei: Dom Duarte de Bragança»
A revista Magazine publica no seu último número (nº 5, Abril de 2006) uma Grande Entrevista sob o título de capa "Temos Rei: Dom Duarte de Bragança".
No interior, o destaque vai para a seguinte frase de S. A. R.: "É preciso uma revolução cultural", mas Dom Duarte aborda também outros temas: vantagens de ter um rei no século XXI, a preparação dos príncipes, elementos do seu percurso biográfico -nascimento na embaixada portuguesa na Suiça, visitas clandestinas a Portugal, a sua passagem pelo Colégio Militar e pela Força Aérea, uma conversa com Salazar, a sua expulsão de Angola no tempo de Marcello Caetano, etc., etc. A não perder.
Está em linha, no lugar habitual...
Magazine Grande Informação, Abril 2006, pp. 16-27.
No interior, o destaque vai para a seguinte frase de S. A. R.: "É preciso uma revolução cultural", mas Dom Duarte aborda também outros temas: vantagens de ter um rei no século XXI, a preparação dos príncipes, elementos do seu percurso biográfico -nascimento na embaixada portuguesa na Suiça, visitas clandestinas a Portugal, a sua passagem pelo Colégio Militar e pela Força Aérea, uma conversa com Salazar, a sua expulsão de Angola no tempo de Marcello Caetano, etc., etc. A não perder.
Está em linha, no lugar habitual...
Magazine Grande Informação, Abril 2006, pp. 16-27.
sábado, abril 01, 2006
Aquilo que Jesus não é
por C. S. Lewis
Deus deu à espécie humana aquilo que eu chamo bons sonhos: quero dizer, histórias piegas espalhadas pelas religiões pagãs acerca de um deus que morre e regressa à vida e, pela sua morte, de algum modo, dá vida nova ao homem. Ele também escolheu um povo particular e gastou vários séculos a martelar nas suas cabeças o tipo de Deus que Ele era - que Ele era Um e que Ele se preocupava com a boa conduta. Essa gente eram os Judeus e o Velho Testamento dá-nos conta do processo da martelada.
É aí que entra o verdadeiro choque. Entre estes Judeus, de repente há um homem que começa a falar como se Ele fosse Deus. Ele diz que perdoa os pecados. Ele diz que Ele existiu sempre. Ele diz que vem para julgar o mundo no fim dos tempos. Aqui tenhamos isto claro. Entre os Panteístas, como os Indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus, ou um com Deus: isto não será nada estranho. Mas este homem, que era Judeu, não podia querer dizer que era esse tipo de Deus. Deus na língua daquela gente, significava o Ser fora do mundo que tinha feito o mundo e que era infinitamente diferente de qualquer outra coisa. E quando se percebe isto, pode-se ver como o que aquele homem dizia era, simplesmente, a coisa mais chocante alguma vez sussurrada por lábios humanos.
Uma parte da pretensão tende a passar ao nosso lado despercebida porque a ouvimos tantas vezes que já não sabemos de que se trata. Estou a falar da pretensão de perdoar os pecados: quaisquer pecados. A não ser que quem diz isto seja Deus, isto é tão prepóstero como cómico. Todos podemos compreender como um homem perdoa as ofensas contra si próprio. Pisas-me o dedo do pé e eu desculpo-te, roubas-me o dinheiro e eu desculpo-te.
Mas o que pensar de um homem, que não foi roubado ou pisado, que anunciou que te perdoou por ter pisado os dedos do pé de outro homem e roubado o dinheiro de outro homem? Fatuidade asinina é a descrição mais moderada que daríamos a esta conduta. Contudo, isto é o que Jesus fez. Ele disse às pessoas que os seus pecados estavam perdoados sem nunca ter esperado para consultar todas as outras pessoas a quem aqueles pecados tinham sem dúvida prejudicado. Ele comportava-se deliberadamente como se Ele fosse a principal parte interessada, a pessoa mais gravemente ofendida com todas as ofensas. Isto só faz sentido se Ele for realmente o Deus cujas leis são quebradas e cujo amor é ferido com cada pecado. Na boca de quem quer que não seja Deus estas palavras implicariam o que eu só consigo classificar como tontice e presunção nunca antes rivalizadas por qualquer personagem na história.
Porém (e isto é a coisa estranha e significativa) mesmo os Seus inimigos quando liam as Escrituras, não ficavam usualmente com a impressão de tontice e presunção. Ainda menos ficarão os leitores sem preconceito. Cristo diz que Ele é humilde e doce e nós acreditamo-lO, não reparando, que se Ele fosse meramente um homem, humildade e doçura são das últimas características que poderíamos atribuir a algumas das Suas palavras.
Estou a tentar aqui evitar que alguém diga a coisa realmente idiota que as pessoas dizem muitas vezes d'Ele: 'Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre de moral, mas não aceito a Sua pretensão de ser Deus.' Esta é a coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse meramente homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. Seria ou um lunático - ao nível de um homem que diz que é um ovo escalfado - ou então seria o Diabo do Inferno.
Temos que fazer a nossa escolha. Ou este homem era, e é, o Filho de Deus ou então é um louco ou qualquer coisa pior. Pode-se ignorá-lo como um louco, pode-se cuspir-Lhe e matá-Lo como um demónio; ou pode-se cair a Seus pés e chamar-Lhe Deus e Senhor. Mas deixemo-nos de vir com disparates condescendentes acerca d'Ele ser um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa saída. Ele não fez tenções disso.
Deus deu à espécie humana aquilo que eu chamo bons sonhos: quero dizer, histórias piegas espalhadas pelas religiões pagãs acerca de um deus que morre e regressa à vida e, pela sua morte, de algum modo, dá vida nova ao homem. Ele também escolheu um povo particular e gastou vários séculos a martelar nas suas cabeças o tipo de Deus que Ele era - que Ele era Um e que Ele se preocupava com a boa conduta. Essa gente eram os Judeus e o Velho Testamento dá-nos conta do processo da martelada.
É aí que entra o verdadeiro choque. Entre estes Judeus, de repente há um homem que começa a falar como se Ele fosse Deus. Ele diz que perdoa os pecados. Ele diz que Ele existiu sempre. Ele diz que vem para julgar o mundo no fim dos tempos. Aqui tenhamos isto claro. Entre os Panteístas, como os Indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus, ou um com Deus: isto não será nada estranho. Mas este homem, que era Judeu, não podia querer dizer que era esse tipo de Deus. Deus na língua daquela gente, significava o Ser fora do mundo que tinha feito o mundo e que era infinitamente diferente de qualquer outra coisa. E quando se percebe isto, pode-se ver como o que aquele homem dizia era, simplesmente, a coisa mais chocante alguma vez sussurrada por lábios humanos.
Uma parte da pretensão tende a passar ao nosso lado despercebida porque a ouvimos tantas vezes que já não sabemos de que se trata. Estou a falar da pretensão de perdoar os pecados: quaisquer pecados. A não ser que quem diz isto seja Deus, isto é tão prepóstero como cómico. Todos podemos compreender como um homem perdoa as ofensas contra si próprio. Pisas-me o dedo do pé e eu desculpo-te, roubas-me o dinheiro e eu desculpo-te.
Mas o que pensar de um homem, que não foi roubado ou pisado, que anunciou que te perdoou por ter pisado os dedos do pé de outro homem e roubado o dinheiro de outro homem? Fatuidade asinina é a descrição mais moderada que daríamos a esta conduta. Contudo, isto é o que Jesus fez. Ele disse às pessoas que os seus pecados estavam perdoados sem nunca ter esperado para consultar todas as outras pessoas a quem aqueles pecados tinham sem dúvida prejudicado. Ele comportava-se deliberadamente como se Ele fosse a principal parte interessada, a pessoa mais gravemente ofendida com todas as ofensas. Isto só faz sentido se Ele for realmente o Deus cujas leis são quebradas e cujo amor é ferido com cada pecado. Na boca de quem quer que não seja Deus estas palavras implicariam o que eu só consigo classificar como tontice e presunção nunca antes rivalizadas por qualquer personagem na história.
Porém (e isto é a coisa estranha e significativa) mesmo os Seus inimigos quando liam as Escrituras, não ficavam usualmente com a impressão de tontice e presunção. Ainda menos ficarão os leitores sem preconceito. Cristo diz que Ele é humilde e doce e nós acreditamo-lO, não reparando, que se Ele fosse meramente um homem, humildade e doçura são das últimas características que poderíamos atribuir a algumas das Suas palavras.
Estou a tentar aqui evitar que alguém diga a coisa realmente idiota que as pessoas dizem muitas vezes d'Ele: 'Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre de moral, mas não aceito a Sua pretensão de ser Deus.' Esta é a coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse meramente homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. Seria ou um lunático - ao nível de um homem que diz que é um ovo escalfado - ou então seria o Diabo do Inferno.
Temos que fazer a nossa escolha. Ou este homem era, e é, o Filho de Deus ou então é um louco ou qualquer coisa pior. Pode-se ignorá-lo como um louco, pode-se cuspir-Lhe e matá-Lo como um demónio; ou pode-se cair a Seus pés e chamar-Lhe Deus e Senhor. Mas deixemo-nos de vir com disparates condescendentes acerca d'Ele ser um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa saída. Ele não fez tenções disso.
quinta-feira, março 23, 2006
23 de Março de 2006 - 10º Aniversário do Príncipe D. Afonso de Santa Maria
A Família Dinástica
por Mário Saraiva
Com a vinda a nós do Príncipe D. Afonso de Santa Maria, um inédito, resplendente e fixo clarão jubilosamente iluminou de confiante esperança quantos a aguardavam com fremente ansiedade e fé inabalável.
A multidão imensa, compacta, que no baptizado envolvia a Sé de Braga, estrondeante de entusiasmo, bradando "vivas", agitando bandeiras — flâmulas altas da Restauração — deram a imagem do sentir unânime e do querer do povo português. Digamos que, na ardência vibrante dos clamores, transparecia a vontade democrática dos portugueses.
Deixando para trás um espaço penoso de inquietação e de apreensiva expectativa, o nosso Príncipe veio dissipar as sombras dramáticas de dúvida e de incerteza que nos apoquentavam. Por enquanto no mínimo, eis que se completou a Família Real, sem a qual não teria todo o sentido o pensamento monárquico.
Li, algures num ilustre escritor (Augusto de Castro) que todavia não figura como monárquico, o eloquente comentário: — « O grande privilégio do princípio dinástico, essência da monarquia, é atribuir a uma família, na dignidade como nas grandes provas nacionais, a síntese e os atributos da suprema representação política que a História lhe confere.
A História e a fidelidade à sua missão.»
Em rigorosa verdade doutrinária o Rei é o chefe de Estado pela circunstancia de ser chefe da Família Dinástica. Isso o distancia do Presidente vitalício. Muito para além do Estado, existe a Nação com prerrogativas próprias, uma das quais é, necessariamente, a existência de uma chefia nacional. Não a pode exercer um Presidente, pela natureza partidária que a eleição incute.
Só pela sucessão dinástica se concebe o carácter nacional do poder. A diferença de representação entre o Rei e o Presidente está aí, cheia de consequências. Confronta-se entre o Presidente, indivíduo institucionalmente celibatário (pois que a sua família nada significa oficialmente) e a Dinastia cuja história é comum à Nação.
A distinção é evidente a qualquer mediana inteligência, como são visíveis as vantagens nacionais da Realeza. Mencioná-las seria desfiar um sem número de alegações, que perante a escabrosa e péssima política em que se afunda esta 3ª República, vão dia a dia adquirindo mais ingente importância. Num ponto, apenas, desejamos parar. Com um Presidente a República conta com um indivíduo apenas, improvisado em funções, partidário e sem significativos relacionamentos internacionais. Com a Dinastia, a República conta uma Família, toda ela especializada no ofício (Rei - Rainha, Príncipe, Infantes) e relacionados por laços de sangue com outras famílias reinantes. Num e noutro caso bem se vê que as possibilidades de servir a Pátria são incomparáveis. E todavia o superior préstimo da Família Real sai mais económico ao País.
De facto no continente europeu todas as Casas Reais se sustentam com votações orçamentais inferiores à votação atribuída à Presidência da República portuguesa.
No ponto de vista económico tenha-se ainda presente que as eleições periódicas à chefia do Estado tornam-se encargos muito pesados para o país que, por ser pobre, não pode dar-se ao luxo de gastar superfluamente em obediência a idealismos retrógrados.
Não seja esquecido que a regra da hereditariedade monárquica — digamo-lo sempre! — foi uma opção histórica em face dos prejuízos eleitoralistas verificados nas repúblicas primitivas. Da primeira fase de Presidências vitalícias, e dadas as perturbações, por vezes graves, da disputa à sucessão electiva passou-se à sucessão hereditária nas primeiras repúblicas.
A hereditariedade monárquica teve, assim, na origem republicana por emenda ao comprovado e nefasto erro dos repetidos actos eleitorais. Aliás a teoria votista de escolher entre todos os cidadãos "o melhor" é uma fantasia que já não ilude ninguém.
Concebe-se a eleição de "chefe" em nacionalidades em formação, ou em decadência. Não se concebe em nações antigas de uma forte expressão histórica, que cumpre respeitar. Está aí, clarividentemente, o lugar da Família Dinástica.
M. S.
[ Mário Saraiva ]
(In Consciência Nacional, nº 190, 25º Ano, Jun/Jul 1996, pp. 1-2.)
por Mário Saraiva
Com a vinda a nós do Príncipe D. Afonso de Santa Maria, um inédito, resplendente e fixo clarão jubilosamente iluminou de confiante esperança quantos a aguardavam com fremente ansiedade e fé inabalável.
A multidão imensa, compacta, que no baptizado envolvia a Sé de Braga, estrondeante de entusiasmo, bradando "vivas", agitando bandeiras — flâmulas altas da Restauração — deram a imagem do sentir unânime e do querer do povo português. Digamos que, na ardência vibrante dos clamores, transparecia a vontade democrática dos portugueses.
Deixando para trás um espaço penoso de inquietação e de apreensiva expectativa, o nosso Príncipe veio dissipar as sombras dramáticas de dúvida e de incerteza que nos apoquentavam. Por enquanto no mínimo, eis que se completou a Família Real, sem a qual não teria todo o sentido o pensamento monárquico.
Li, algures num ilustre escritor (Augusto de Castro) que todavia não figura como monárquico, o eloquente comentário: — « O grande privilégio do princípio dinástico, essência da monarquia, é atribuir a uma família, na dignidade como nas grandes provas nacionais, a síntese e os atributos da suprema representação política que a História lhe confere.
A História e a fidelidade à sua missão.»
Em rigorosa verdade doutrinária o Rei é o chefe de Estado pela circunstancia de ser chefe da Família Dinástica. Isso o distancia do Presidente vitalício. Muito para além do Estado, existe a Nação com prerrogativas próprias, uma das quais é, necessariamente, a existência de uma chefia nacional. Não a pode exercer um Presidente, pela natureza partidária que a eleição incute.
Só pela sucessão dinástica se concebe o carácter nacional do poder. A diferença de representação entre o Rei e o Presidente está aí, cheia de consequências. Confronta-se entre o Presidente, indivíduo institucionalmente celibatário (pois que a sua família nada significa oficialmente) e a Dinastia cuja história é comum à Nação.
A distinção é evidente a qualquer mediana inteligência, como são visíveis as vantagens nacionais da Realeza. Mencioná-las seria desfiar um sem número de alegações, que perante a escabrosa e péssima política em que se afunda esta 3ª República, vão dia a dia adquirindo mais ingente importância. Num ponto, apenas, desejamos parar. Com um Presidente a República conta com um indivíduo apenas, improvisado em funções, partidário e sem significativos relacionamentos internacionais. Com a Dinastia, a República conta uma Família, toda ela especializada no ofício (Rei - Rainha, Príncipe, Infantes) e relacionados por laços de sangue com outras famílias reinantes. Num e noutro caso bem se vê que as possibilidades de servir a Pátria são incomparáveis. E todavia o superior préstimo da Família Real sai mais económico ao País.
De facto no continente europeu todas as Casas Reais se sustentam com votações orçamentais inferiores à votação atribuída à Presidência da República portuguesa.
No ponto de vista económico tenha-se ainda presente que as eleições periódicas à chefia do Estado tornam-se encargos muito pesados para o país que, por ser pobre, não pode dar-se ao luxo de gastar superfluamente em obediência a idealismos retrógrados.
Não seja esquecido que a regra da hereditariedade monárquica — digamo-lo sempre! — foi uma opção histórica em face dos prejuízos eleitoralistas verificados nas repúblicas primitivas. Da primeira fase de Presidências vitalícias, e dadas as perturbações, por vezes graves, da disputa à sucessão electiva passou-se à sucessão hereditária nas primeiras repúblicas.
A hereditariedade monárquica teve, assim, na origem republicana por emenda ao comprovado e nefasto erro dos repetidos actos eleitorais. Aliás a teoria votista de escolher entre todos os cidadãos "o melhor" é uma fantasia que já não ilude ninguém.
Concebe-se a eleição de "chefe" em nacionalidades em formação, ou em decadência. Não se concebe em nações antigas de uma forte expressão histórica, que cumpre respeitar. Está aí, clarividentemente, o lugar da Família Dinástica.
M. S.
[ Mário Saraiva ]
(In Consciência Nacional, nº 190, 25º Ano, Jun/Jul 1996, pp. 1-2.)
segunda-feira, março 20, 2006
São Francisco de Paula
São Francisco de Paula (27 de Março de 1416 - 2 de Abril de 1507) nasceu em Paola, na Calábria, Itália, e faleceu em Plessis-les-Tours.
Foi franciscano, fundador da Ordem dos Mínimos. Luís XI chamou-o para junto do seu leito de morte.
Eis um excerto de uma das cartas dirigidas por São Francisco de Paula a Simão Ximenes, português, de 1445 a 1462:
"Vossa santa geração será maravilhosa sobre a Terra, entre a qual virá um de vossos descendentes, que será como o sol entre as estrelas. (...) Reformará a Igreja de Deus. (...) Fará o domínio do mundo temporal e espiritual, e regerá a Igreja de Deus. (...) ...se vai aproximando a hora, em que a Divina Majestade visitará o mundo com a "Nova Religião dos Santos Crucíferos"... (...)... purificará a Humanidade, convertendo todos à lei de Deus; será fundador do reino universal de Deus na terra ou da Nova Religião, em que todos adorarão o Verdadeiro Deus. (...)
Na última carta, referindo-se ao Imperador universal, que vaticina será português, diz que será "fundador de uma religião como nunca houve."
In No Claro-Escuro das Profecias, de Ferreira Gomes.
A Comunidade de Paola, na Calábria, está a preparar a celebração do V Centenário da sua morte:
http://www.sanfrancescodipaola.calabria.it/
FRANCESCO D'ALESSIO:
(S.Francesco), nacque il 27 marzo 1416 e mori a Tour (Francia) il 2 aprile 1507. Visse vita eremitica praticamente sino alla morte. Ritiratosi a 14 anni in una grotta a nord di Paola, in prossimità del torrente Isca, ne uscì all'età di 19 per riunire i primi seguaci. Nella zona dei luoghi di penitenza costruì il primo convento dove la gente si recava da ogni parte per ricevere da lui il miracolo e per sentirne la parola di conforto. Fondatore dell'Ordine dei Minimi, caratterizzò la propria Famiglia religiosa con l'osservanza del voto quaresimale, secondo cui i frati non avrebbero dovuto mangiare la carne e i suoi derivati. L'uomo di Dio fu un gigante di spiritualità che riuscì a trasmettere anche nella Regola dettata per i suoi confratelli. Sostenitore e difensore dei deboli e degli oppressi, costituì un ostacolo di fatto al potere regio del tempo incarnato da Ferrante 1 D'Aragona. Essendo giunta la sua fama di miracolatore sino in Francia, il Re Luigi XI, sofferente e superstizioso, lo volle presso di sé, tramite il Papa Sisto IV, per ottenere la guarigione; cosa che il Frate non operò, perché si limitò ad assistere il Monarca a morire cristianamente. Francesco rimase, comunque, in Francia anche dopo la morte del Re e divenne, pur vivendo da eremita fuori dalla Corte, il consigliere della Dinastia reale. Il suo Ordine si diffuse quasi in tutta Europa, ed in particolare, in Italia, Francia, Germania e Spagna.
http://www.comune.paola.cs.it/master.php?pagina=illustri&illustri=lista&header=citta&menu_sx=citta&smenu=storia
Foi franciscano, fundador da Ordem dos Mínimos. Luís XI chamou-o para junto do seu leito de morte.
Eis um excerto de uma das cartas dirigidas por São Francisco de Paula a Simão Ximenes, português, de 1445 a 1462:
"Vossa santa geração será maravilhosa sobre a Terra, entre a qual virá um de vossos descendentes, que será como o sol entre as estrelas. (...) Reformará a Igreja de Deus. (...) Fará o domínio do mundo temporal e espiritual, e regerá a Igreja de Deus. (...) ...se vai aproximando a hora, em que a Divina Majestade visitará o mundo com a "Nova Religião dos Santos Crucíferos"... (...)... purificará a Humanidade, convertendo todos à lei de Deus; será fundador do reino universal de Deus na terra ou da Nova Religião, em que todos adorarão o Verdadeiro Deus. (...)
Na última carta, referindo-se ao Imperador universal, que vaticina será português, diz que será "fundador de uma religião como nunca houve."
In No Claro-Escuro das Profecias, de Ferreira Gomes.
A Comunidade de Paola, na Calábria, está a preparar a celebração do V Centenário da sua morte:
http://www.sanfrancescodipaola.calabria.it/
FRANCESCO D'ALESSIO:
(S.Francesco), nacque il 27 marzo 1416 e mori a Tour (Francia) il 2 aprile 1507. Visse vita eremitica praticamente sino alla morte. Ritiratosi a 14 anni in una grotta a nord di Paola, in prossimità del torrente Isca, ne uscì all'età di 19 per riunire i primi seguaci. Nella zona dei luoghi di penitenza costruì il primo convento dove la gente si recava da ogni parte per ricevere da lui il miracolo e per sentirne la parola di conforto. Fondatore dell'Ordine dei Minimi, caratterizzò la propria Famiglia religiosa con l'osservanza del voto quaresimale, secondo cui i frati non avrebbero dovuto mangiare la carne e i suoi derivati. L'uomo di Dio fu un gigante di spiritualità che riuscì a trasmettere anche nella Regola dettata per i suoi confratelli. Sostenitore e difensore dei deboli e degli oppressi, costituì un ostacolo di fatto al potere regio del tempo incarnato da Ferrante 1 D'Aragona. Essendo giunta la sua fama di miracolatore sino in Francia, il Re Luigi XI, sofferente e superstizioso, lo volle presso di sé, tramite il Papa Sisto IV, per ottenere la guarigione; cosa che il Frate non operò, perché si limitò ad assistere il Monarca a morire cristianamente. Francesco rimase, comunque, in Francia anche dopo la morte del Re e divenne, pur vivendo da eremita fuori dalla Corte, il consigliere della Dinastia reale. Il suo Ordine si diffuse quasi in tutta Europa, ed in particolare, in Italia, Francia, Germania e Spagna.
http://www.comune.paola.cs.it/master.php?pagina=illustri&illustri=lista&header=citta&menu_sx=citta&smenu=storia
quarta-feira, março 15, 2006
I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA
5-7 Maio 2006
AÇORES: a insularidade e o isolamento, factores de preservação da língua portuguesa no mundo
I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA 2006 com o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande
________________________________________
Centro Cultural Salão-Teatro Ribeira-grandense - Ribeira Grande, S. Miguel, Açores integrado nas celebraçoes do 6 aniversário da re-inauguração do Salão-Teatro
Quando em 2001 preparamos o início dos COLÓQUIOS ANUAIS da LUSOFONIA - sob a égide do nosso patrono EMBAIXADOR PROFESSOR DOUTOR JOSÉ AUGUSTO SEABRA - queríamos provar que era possível descentralizar a realização destes eventos e que era possível realizá-los sem sermos subsídio-dependentes. O ponto de partida foi a descentralização da discussão da língua portuguesa e as problemáticas da língua portuguesa no mundo. De 2002 em diante os Colóquios realizaram-se em Bragança, ainda na base da descentralização, mas sobretudo devido à insularidade em termos culturais. Portugal, como toda a gente sabe, é um país macrocéfalo; existe Lisboa e o resto continua a ser paisagem. É muito raro os locais do interior, os locais mais remotos como Bragança, poderem ter acesso a debates de considerável importância sobre o futuro da língua. Estes colóquios são a única coisa que se tem feito concreta e regularmente em Portugal nos últimos cinco anos sobre esta temática. Os Colóquios são independentes de quaisquer forças políticas ou institucionais e asseguram essa sua “independência” através das inscrições dos participantes contando com o apoio, ao nível logístico, da autarquia que fez a sua aposta cultural na divulgação e realização deste importante evento anual.
Agora vamos tentar criar um ponto de encontro anual para debater os problemas típicos da identidade açoriana no contexto da Lusofonia. Pretendemos trazer a este fórum escritores expatriados nas Américas e no Resto do Mundo para conjuntamente com os que vivem nestas nove ilhas possam falar da identidade açoriana, da sua escrita, das suas lendas e tradições. Iremos aprender e estudar a influência que os factores da insularidade e do isolamento tiveram na preservação do carácter açoriano nos quatro cantos do mundo. Iremos descobrir que factores exógenos e endógenos permeiam essa açorianidade lusófona.
A intenção destes encontros visa proporcionar um local permanente de debate de ideias e de experiências entre os açorianos residentes, os açorianos expatriados e todos aqueles que dedicam a sua pesquisa e investigação à literatura, à linguística e à história dos Açores. O desconhecimento a nível do Continente da realidade insular combate-se levando a cabo iniciativas como esta. Estes Encontros visam igualmente divulgar o nome dos Açores e a sua presença no seio de uma Lusofonia alargada com mais de duzentos milhões de lusofalante, deste modo aproximando povos e culturas no seio da grande nação dos lusofalantes, independentemente da sua nacionalidade ou ponto de residência, unidos pelo falarmos todos uma mesma língua.
Por outro lado, a componente lúdica destes Colóquios pretende induzir uma confraternização cordial, aberta, franca e informal entre oradores e participantes presenciais, em que do convívio sairão reforçados os elos entre as pessoas, que se poderão manter a nível pessoal e profissional. Os participantes poderão trocar impressões, falar de projectos, partilhar ideias e metodologias, fazer conhecer as suas vivências e pontos de vista, mesmo fora do ambiente mais formal dos Encontros.
Quanto ao futuro da língua portuguesa no mundo, peça chave da linha multicultural da nossa visão duma Lusofonia alargada e abrangente, não hesito em afirmar que “de momento está salvaguardado através do seu enriquecimento pelas línguas autóctones e pelos crioulos, que têm o português como língua de partida. Enquanto a maior parte das línguas tende a desaparecer visto que não há influências novas, o português revela nalguns locais do mundo uma vitalidade fora do normal. A miscigenação com os crioulos e com os idiomas locais vai permitir o desenvolvimento desses crioulos e a preservação do português”. Por isso “não devemos ter medo do futuro do português no mundo porque ele vai continuar a ser falado, e a crescer nos restantes países”.
________________________________________
I: TEMAS
Para 2006 o tema central destes I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA é: a insularidade e o isolamento factores de preservação da língua portuguesa no mundo
Tema 1: Tradições açorianas
Tema 2: Açorianos no mundo
2.1. Identidade açoriana, uma matriz de insularidade
2.2. Escrita açoriana. Tendências e projecção
2.3. O carácter açoriano nos quatro cantos do mundo. Factores exógenos e endógenos que permeiam essa açorianidade lusófona
Tema 3: Outros Temas (ex.º Tradução / Contos Infantis/ Ensino, etc.)
______________________________________
II: PRAZOS DE INSCRIÇÃO E PAGAMENTO
1. INSCRIÇÕES - DATAS LIMITES
2.1. Data limite de envio de propostas de trabalho a apresentar 30 Março 2006
2.2. Comunicação de aceitação de oradores: 15 Abril 2006
2.3. Data limite de recepção de trabalhos finais pronto para publicação 30 Abril 2006
2. PAGAMENTO:
2.1. ORADORES COM COMUNICAÇÃO, dentro dos prazos € 20.00
2.2. ORADORES COM COMUNICAÇÃO, fora dos prazos € 30.00
2.3. PRESENCIAIS MADRUGADORES (PARTICIPANTES sem comunicação) Pagamento até 15 ABRIL 2006 € 15.00
2.4. PRESENCIAIS RETARDATÁRIOS (PARTICIPANTES sem comunicação) Pagamento após 15 ABRIL 2006: € 20.00
2.5. Estudantes da Universidade dos Açores (com comprovativo) € 10.00
3. PAGAMENTO POR DEPÓSITO DIRECTO:
Nome da conta: COLÓQUIO ANUAL DA LUSOFONIA
BANCO: Banco BPI (Agência do Monte dos Burgos, Porto, Portugal)
Endereço Banco: Rua Monte dos Burgos 1111/1119; 4250-320 PORTO
Fax do Banco: (+351) 22 8315225
Telefone do Banco: (+351) 808200510
Conta de depósito n.º #9-2738093.000.002
# NIB 0010 0000 27380930002 42
# IBAN (International Bank Account Number): PT 50 0010 0000 2738 0930 0024 2
SWIFT CODE: BBPIPTPL
N.B. Se não quiser ou não puder efectuar o seu pagamento num Multibanco/Caixa Automática/Banco e efectuar pagamentos por cheque deve acrescentar € 5.00 para despesas de processamento
Enviar por correio electrónico Ficha de Inscrição+ Comprovativo de pagamento, para lusofoniazores@sapo.pt
Na internet: http://LUSOFONIAZORES2006.com.sapo.pt
________________________________________
III. COMISSÕES
COMISSÃO ORGANIZADORA
• Ricardo José Moniz da Silva, Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande
• Dra. Catarina Albergaria, Adjunta Para A Cultura E Assuntos Sociais, C.M. Ribeira Grande
• Dr. Mário Moura, Director da Casa da Cultura da C.M. Ribeira Grande
• Dr Chrys Chrystello (MA)
COMISSÃO CIENTÍFICA
• Professora Doutora Graça Castanho (Universidade Dos Açores)
• Professor Daniel De Sá
• Dr Sá Couto (Escola Secundária Gb Antero De Quental)
• Professor Doutor Luciano José Dos Santos Baptista Pereira (Vice-Presidente Do Conselho Directivo, Escola Superior De Educação De Setúbal, Instituto Politécnico De Setúbal)
• Dr Chrys Chrystello (MA)
• Dra. Helena Chrystello (Mestre) Escola EB1 Maia (S. Miguel, Açores)
• Dr. João Caravaca, Universidade Católica (Porto), Escola EB Nordeste (S. Miguel, Açores)
COMISSÃO EXECUTIVA
Presidente - Dr CHRYS CHRYSTELLO (MA)
Vogais
• Dra Catarina Albergaria, Adjunta Para A Cultura E Assuntos Sociais, Cm Ribeira Grande
• Professora Doutora Graça Castanho (Universidade Dos Açores)
• Dr Manuel Sá Couto (Escola Secundária Gb Antero De Quental)
• Dra. Helena Chrystello, (Mestre) Escola EB1 Maia (S. Miguel, Açores)
SECRETARIADO E APOIO LOGÍSTICO
PRESIDIDO POR HELENA CHRYSTELLO COM O APOIO DA DIVISÃO DE CULTURA DA CMRG e do DR. MÁRIO MOURA DA CASA DA CULTURA DA C.M. DA RIBEIRA GRANDE
IV. - INSTRUÇÕES PARA PUBLICAÇÃO
1. Importante: Deve enviar o trabalho completo a apresentar/publicar por correio electrónico (ou em disquete/CD) para o Comité Científico/Secretariado dentro das datas indicadas, no caso de pretender que seja incluído nas ACTAS/CD. Caso os trabalhos não sejam recebidos dentro das datas indicadas, o Comité não garante a sua publicação nas Actas/CD do Colóquio.
2. Formato: Microsoft Word (97, 2000, XP, ou MSWord 2003)
3. Tipo de letra (Font): ARIAL 9
4. Número de páginas: Máximo 10 páginas (espaçamento 1.5) incluindo notas de rodapé e de fim e gráficos.
5. Título: letras maiúsculas, tipo negrito; não centrar.
6. Autor(es): letras maiúsculas, incluir nome que quer ver utilizado,
7. Instituição Ensino/Trabalho: espaçamento simples entre o nome do autor e o da instituição; não centrar.
8. Sinopse: Deve seguir-se ao cabeçalho em itálico. Máximo de 300 palavras. Deve ser escrita em Português.
9. Subtítulos: letras negrito; não centrar. Use algarismos árabes com decimais.
10. Outras divisões: negrito; não centrar. Use algarismos árabes com decimais.
11. Citações e referências: autor, data de publicação, vírgula e número(s) de página(s): i.e. como Sager afirma (1998:70-71) ARIAL tamanho 8
Referências Bibliográficas:
• Livro: Melby, Alan K. (1995) The Possibility of Language, Amsterdam: John Benjamin's.
• Artigo sobre livros: Bessé, Bruno. (1997) ‘Terminological Definitions’. In Sue Ellen Wright and Gerhard Budin (eds.) Handbook of Terminology Management. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamin's Publishing Company.
• Artigos de jornal/revista: Corbeil, Jean-Claude (1991) "Terminologie et banques de données d'information scientifique et technique" in Meta Vol. 36-1, 128-134.
• Internet: Pym, A (1999) ‘Training Translators and European Unification: A Model of the Market’ in ‘Translation Theory and practice' - seminars organised by the Translation Service of the EC. Disponível em http://europa.eu.int/comm/translation/theory/gambier.htm
Notas: incluídas no fim do texto.
Gráficos e tabelas: numeradas consecutivamente. Deve ser feita menção ao seu título no texto.
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V. ACTIVIDADES PARALELAS:
1. ARTES (Coordenação da Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Ribeira Grande)
MOSTRA de AUTORES AÇORIANOS: DE LIVROS, ARTESANATO E MÚSICA
2. COMPONENTE LÚDICA (Coordenação da Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Ribeira Grande)
Roteiro turístico da Ribeira Grande (S. Miguel, Açores). Visita a locais de relevo: as fábricas de chá, as praias e os montes, caldeiras da Ribeira Grande
VI: HORÁRIO DAS SESSÕES
DIA 5 MAIO 2006 (6ª Fª) TEMA 1. TRADIÇÕES E EXPATRIADOS
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
10.00 CERIMÓNIA OFICIAL DE ABERTURA DOS TRABALHOS com a presença do Presidente da Câmara Municipal Da Ribeira Grande e entidades convidadas
Sessão 1
10.30 Orador 1
11.15 Orador 2
12.00 Orador 3
12.45 DEBATE
13.15 PAUSA PARA ALMOÇO
15.30 VIAGEM turística na ilha de S. Miguel
19.30 FIM DAS ACTIVIDADES LÚDICAS
DIA 6 MAIO 2006 (SÁBADO) TEMA 2. AÇORIANOS NO MUNDO
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
Sessão 2
10.15 Orador 4
11.00 Orador 5
11.45 Orador 6
12.15 DEBATE
12.45 PAUSA PARA ALMOÇO
15.30 VIAGEM turística na ilha de S. Miguel
19.30 FIM DAS ACTIVIDADES LÚDICAS
DIA 7 MAIO 2006 (DOMINGO) TEMA 2. AÇORIANOS NO MUNDO
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
Sessão 3
10.00 Orador 7
10.45 Orador 8
11.15 Orador 9
12.00 DEBATE
12.30 PAUSA PARA ALMOÇO
Sessão 4
15.00 Orador 10
15.45 Orador 11
16.15 Orador 12
17.00 DEBATE FINAL.
18.00 Encerramento das sessões com a presença do Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande e entidades convidadas
contacto. [lusofoniazores@sapo.pt ]
TODOS OS CONTACTOS relativos aos ENCONTROS DEVEM SER DIRIGIDOS A
ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA,
Presidente da Comissão Executiva
J. CHRYS CHRYSTELLO
Telefone: (351) 296 446940
Telemóvel: (+ 351) 91 9287816 / 91 6755675
E-fax (E-mail fax): + (00) 1 630 563 1902
E-mail: lusofoniazores@sapo.pt
Página da internet: http://LUSOFONIAZORES2006.com.sapo.pt
Local do colóquio: Centro Cultural Salão-Teatro Ribeira-grandense – 5-7 Maio 2006
AÇORES: a insularidade e o isolamento, factores de preservação da língua portuguesa no mundo
I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA 2006 com o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande
________________________________________
Centro Cultural Salão-Teatro Ribeira-grandense - Ribeira Grande, S. Miguel, Açores integrado nas celebraçoes do 6 aniversário da re-inauguração do Salão-Teatro
Quando em 2001 preparamos o início dos COLÓQUIOS ANUAIS da LUSOFONIA - sob a égide do nosso patrono EMBAIXADOR PROFESSOR DOUTOR JOSÉ AUGUSTO SEABRA - queríamos provar que era possível descentralizar a realização destes eventos e que era possível realizá-los sem sermos subsídio-dependentes. O ponto de partida foi a descentralização da discussão da língua portuguesa e as problemáticas da língua portuguesa no mundo. De 2002 em diante os Colóquios realizaram-se em Bragança, ainda na base da descentralização, mas sobretudo devido à insularidade em termos culturais. Portugal, como toda a gente sabe, é um país macrocéfalo; existe Lisboa e o resto continua a ser paisagem. É muito raro os locais do interior, os locais mais remotos como Bragança, poderem ter acesso a debates de considerável importância sobre o futuro da língua. Estes colóquios são a única coisa que se tem feito concreta e regularmente em Portugal nos últimos cinco anos sobre esta temática. Os Colóquios são independentes de quaisquer forças políticas ou institucionais e asseguram essa sua “independência” através das inscrições dos participantes contando com o apoio, ao nível logístico, da autarquia que fez a sua aposta cultural na divulgação e realização deste importante evento anual.
Agora vamos tentar criar um ponto de encontro anual para debater os problemas típicos da identidade açoriana no contexto da Lusofonia. Pretendemos trazer a este fórum escritores expatriados nas Américas e no Resto do Mundo para conjuntamente com os que vivem nestas nove ilhas possam falar da identidade açoriana, da sua escrita, das suas lendas e tradições. Iremos aprender e estudar a influência que os factores da insularidade e do isolamento tiveram na preservação do carácter açoriano nos quatro cantos do mundo. Iremos descobrir que factores exógenos e endógenos permeiam essa açorianidade lusófona.
A intenção destes encontros visa proporcionar um local permanente de debate de ideias e de experiências entre os açorianos residentes, os açorianos expatriados e todos aqueles que dedicam a sua pesquisa e investigação à literatura, à linguística e à história dos Açores. O desconhecimento a nível do Continente da realidade insular combate-se levando a cabo iniciativas como esta. Estes Encontros visam igualmente divulgar o nome dos Açores e a sua presença no seio de uma Lusofonia alargada com mais de duzentos milhões de lusofalante, deste modo aproximando povos e culturas no seio da grande nação dos lusofalantes, independentemente da sua nacionalidade ou ponto de residência, unidos pelo falarmos todos uma mesma língua.
Por outro lado, a componente lúdica destes Colóquios pretende induzir uma confraternização cordial, aberta, franca e informal entre oradores e participantes presenciais, em que do convívio sairão reforçados os elos entre as pessoas, que se poderão manter a nível pessoal e profissional. Os participantes poderão trocar impressões, falar de projectos, partilhar ideias e metodologias, fazer conhecer as suas vivências e pontos de vista, mesmo fora do ambiente mais formal dos Encontros.
Quanto ao futuro da língua portuguesa no mundo, peça chave da linha multicultural da nossa visão duma Lusofonia alargada e abrangente, não hesito em afirmar que “de momento está salvaguardado através do seu enriquecimento pelas línguas autóctones e pelos crioulos, que têm o português como língua de partida. Enquanto a maior parte das línguas tende a desaparecer visto que não há influências novas, o português revela nalguns locais do mundo uma vitalidade fora do normal. A miscigenação com os crioulos e com os idiomas locais vai permitir o desenvolvimento desses crioulos e a preservação do português”. Por isso “não devemos ter medo do futuro do português no mundo porque ele vai continuar a ser falado, e a crescer nos restantes países”.
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I: TEMAS
Para 2006 o tema central destes I ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA é: a insularidade e o isolamento factores de preservação da língua portuguesa no mundo
Tema 1: Tradições açorianas
Tema 2: Açorianos no mundo
2.1. Identidade açoriana, uma matriz de insularidade
2.2. Escrita açoriana. Tendências e projecção
2.3. O carácter açoriano nos quatro cantos do mundo. Factores exógenos e endógenos que permeiam essa açorianidade lusófona
Tema 3: Outros Temas (ex.º Tradução / Contos Infantis/ Ensino, etc.)
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II: PRAZOS DE INSCRIÇÃO E PAGAMENTO
1. INSCRIÇÕES - DATAS LIMITES
2.1. Data limite de envio de propostas de trabalho a apresentar 30 Março 2006
2.2. Comunicação de aceitação de oradores: 15 Abril 2006
2.3. Data limite de recepção de trabalhos finais pronto para publicação 30 Abril 2006
2. PAGAMENTO:
2.1. ORADORES COM COMUNICAÇÃO, dentro dos prazos € 20.00
2.2. ORADORES COM COMUNICAÇÃO, fora dos prazos € 30.00
2.3. PRESENCIAIS MADRUGADORES (PARTICIPANTES sem comunicação) Pagamento até 15 ABRIL 2006 € 15.00
2.4. PRESENCIAIS RETARDATÁRIOS (PARTICIPANTES sem comunicação) Pagamento após 15 ABRIL 2006: € 20.00
2.5. Estudantes da Universidade dos Açores (com comprovativo) € 10.00
3. PAGAMENTO POR DEPÓSITO DIRECTO:
Nome da conta: COLÓQUIO ANUAL DA LUSOFONIA
BANCO: Banco BPI (Agência do Monte dos Burgos, Porto, Portugal)
Endereço Banco: Rua Monte dos Burgos 1111/1119; 4250-320 PORTO
Fax do Banco: (+351) 22 8315225
Telefone do Banco: (+351) 808200510
Conta de depósito n.º #9-2738093.000.002
# NIB 0010 0000 27380930002 42
# IBAN (International Bank Account Number): PT 50 0010 0000 2738 0930 0024 2
SWIFT CODE: BBPIPTPL
N.B. Se não quiser ou não puder efectuar o seu pagamento num Multibanco/Caixa Automática/Banco e efectuar pagamentos por cheque deve acrescentar € 5.00 para despesas de processamento
Enviar por correio electrónico Ficha de Inscrição+ Comprovativo de pagamento, para lusofoniazores@sapo.pt
Na internet: http://LUSOFONIAZORES2006.com.sapo.pt
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III. COMISSÕES
COMISSÃO ORGANIZADORA
• Ricardo José Moniz da Silva, Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande
• Dra. Catarina Albergaria, Adjunta Para A Cultura E Assuntos Sociais, C.M. Ribeira Grande
• Dr. Mário Moura, Director da Casa da Cultura da C.M. Ribeira Grande
• Dr Chrys Chrystello (MA)
COMISSÃO CIENTÍFICA
• Professora Doutora Graça Castanho (Universidade Dos Açores)
• Professor Daniel De Sá
• Dr Sá Couto (Escola Secundária Gb Antero De Quental)
• Professor Doutor Luciano José Dos Santos Baptista Pereira (Vice-Presidente Do Conselho Directivo, Escola Superior De Educação De Setúbal, Instituto Politécnico De Setúbal)
• Dr Chrys Chrystello (MA)
• Dra. Helena Chrystello (Mestre) Escola EB1 Maia (S. Miguel, Açores)
• Dr. João Caravaca, Universidade Católica (Porto), Escola EB Nordeste (S. Miguel, Açores)
COMISSÃO EXECUTIVA
Presidente - Dr CHRYS CHRYSTELLO (MA)
Vogais
• Dra Catarina Albergaria, Adjunta Para A Cultura E Assuntos Sociais, Cm Ribeira Grande
• Professora Doutora Graça Castanho (Universidade Dos Açores)
• Dr Manuel Sá Couto (Escola Secundária Gb Antero De Quental)
• Dra. Helena Chrystello, (Mestre) Escola EB1 Maia (S. Miguel, Açores)
SECRETARIADO E APOIO LOGÍSTICO
PRESIDIDO POR HELENA CHRYSTELLO COM O APOIO DA DIVISÃO DE CULTURA DA CMRG e do DR. MÁRIO MOURA DA CASA DA CULTURA DA C.M. DA RIBEIRA GRANDE
IV. - INSTRUÇÕES PARA PUBLICAÇÃO
1. Importante: Deve enviar o trabalho completo a apresentar/publicar por correio electrónico (ou em disquete/CD) para o Comité Científico/Secretariado dentro das datas indicadas, no caso de pretender que seja incluído nas ACTAS/CD. Caso os trabalhos não sejam recebidos dentro das datas indicadas, o Comité não garante a sua publicação nas Actas/CD do Colóquio.
2. Formato: Microsoft Word (97, 2000, XP, ou MSWord 2003)
3. Tipo de letra (Font): ARIAL 9
4. Número de páginas: Máximo 10 páginas (espaçamento 1.5) incluindo notas de rodapé e de fim e gráficos.
5. Título: letras maiúsculas, tipo negrito; não centrar.
6. Autor(es): letras maiúsculas, incluir nome que quer ver utilizado,
7. Instituição Ensino/Trabalho: espaçamento simples entre o nome do autor e o da instituição; não centrar.
8. Sinopse: Deve seguir-se ao cabeçalho em itálico. Máximo de 300 palavras. Deve ser escrita em Português.
9. Subtítulos: letras negrito; não centrar. Use algarismos árabes com decimais.
10. Outras divisões: negrito; não centrar. Use algarismos árabes com decimais.
11. Citações e referências: autor, data de publicação, vírgula e número(s) de página(s): i.e. como Sager afirma (1998:70-71) ARIAL tamanho 8
Referências Bibliográficas:
• Livro: Melby, Alan K. (1995) The Possibility of Language, Amsterdam: John Benjamin's.
• Artigo sobre livros: Bessé, Bruno. (1997) ‘Terminological Definitions’. In Sue Ellen Wright and Gerhard Budin (eds.) Handbook of Terminology Management. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamin's Publishing Company.
• Artigos de jornal/revista: Corbeil, Jean-Claude (1991) "Terminologie et banques de données d'information scientifique et technique" in Meta Vol. 36-1, 128-134.
• Internet: Pym, A (1999) ‘Training Translators and European Unification: A Model of the Market’ in ‘Translation Theory and practice' - seminars organised by the Translation Service of the EC. Disponível em http://europa.eu.int/comm/translation/theory/gambier.htm
Notas: incluídas no fim do texto.
Gráficos e tabelas: numeradas consecutivamente. Deve ser feita menção ao seu título no texto.
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V. ACTIVIDADES PARALELAS:
1. ARTES (Coordenação da Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Ribeira Grande)
MOSTRA de AUTORES AÇORIANOS: DE LIVROS, ARTESANATO E MÚSICA
2. COMPONENTE LÚDICA (Coordenação da Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Ribeira Grande)
Roteiro turístico da Ribeira Grande (S. Miguel, Açores). Visita a locais de relevo: as fábricas de chá, as praias e os montes, caldeiras da Ribeira Grande
VI: HORÁRIO DAS SESSÕES
DIA 5 MAIO 2006 (6ª Fª) TEMA 1. TRADIÇÕES E EXPATRIADOS
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
10.00 CERIMÓNIA OFICIAL DE ABERTURA DOS TRABALHOS com a presença do Presidente da Câmara Municipal Da Ribeira Grande e entidades convidadas
Sessão 1
10.30 Orador 1
11.15 Orador 2
12.00 Orador 3
12.45 DEBATE
13.15 PAUSA PARA ALMOÇO
15.30 VIAGEM turística na ilha de S. Miguel
19.30 FIM DAS ACTIVIDADES LÚDICAS
DIA 6 MAIO 2006 (SÁBADO) TEMA 2. AÇORIANOS NO MUNDO
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
Sessão 2
10.15 Orador 4
11.00 Orador 5
11.45 Orador 6
12.15 DEBATE
12.45 PAUSA PARA ALMOÇO
15.30 VIAGEM turística na ilha de S. Miguel
19.30 FIM DAS ACTIVIDADES LÚDICAS
DIA 7 MAIO 2006 (DOMINGO) TEMA 2. AÇORIANOS NO MUNDO
09.30 REGISTO DE PRESENÇAS
Sessão 3
10.00 Orador 7
10.45 Orador 8
11.15 Orador 9
12.00 DEBATE
12.30 PAUSA PARA ALMOÇO
Sessão 4
15.00 Orador 10
15.45 Orador 11
16.15 Orador 12
17.00 DEBATE FINAL.
18.00 Encerramento das sessões com a presença do Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande e entidades convidadas
contacto. [lusofoniazores@sapo.pt ]
TODOS OS CONTACTOS relativos aos ENCONTROS DEVEM SER DIRIGIDOS A
ENCONTROS AÇORIANOS DA LUSOFONIA,
Presidente da Comissão Executiva
J. CHRYS CHRYSTELLO
Telefone: (351) 296 446940
Telemóvel: (+ 351) 91 9287816 / 91 6755675
E-fax (E-mail fax): + (00) 1 630 563 1902
E-mail: lusofoniazores@sapo.pt
Página da internet: http://LUSOFONIAZORES2006.com.sapo.pt
Local do colóquio: Centro Cultural Salão-Teatro Ribeira-grandense – 5-7 Maio 2006
terça-feira, março 14, 2006
Religiões, guerra e paz
José Manuel Barroso
Jornalista
Duas notícias recentes dão nota da importante questão das religiões no mundo contemporâneo - algo que, afinal, é apenas uma transposição para a actualidade do que se passou ao longo da história da humanidade. A primeira notícia, mais antiga, refere o envolvimento dos serviços secretos da então União Soviética, o KGB, na tentativa de assassínio do Papa João Paulo II. Outra, de há dias, dá conta do apelo do Papa Bento XVI para que África seja uma prioridade para a Igreja Católica europeia. Se a isto juntarmos as questões referentes ao islamismo e ao mundo ocidental e cristão, tão na ordem do dia, constamos quanto a complexa teia feita de religião, sociedade e História se faz e refaz. E de quanto a força das religiões está presente, mesmo num mundo onde uma nova religião - a do laicismo (que não é igual a sociedade laica) e dos seus valores do "politicamente correcto" - tende a impor-se ao cristianismo, nas sociedades democráticas ocidentais.
Nada espanta na questão da falhada tentativa de matar João Paulo II através dos serviços secretos búlgaros, a mando do KGB. Na sua tradicional visão do mundo, baseada na relação de forças e de poder, os comunistas entenderam, como ninguém, quanto a eleição de um Papa polaco - o mais católico dos países do bloco comunista - representava um perigo real para o futuro do império soviético. A antena polaca do KGB descreveu, então, a Moscovo os perigos dessa eleição. E, depois da queda do Muro de Berlim, o Presidente soviético Gorbachev confirmou-o, ao afirmar que "tudo o que aconteceu nos países do Leste europeu, nestes últimos anos [anos 80], teria sido impossível sem a eleição deste Papa". O desaparecimento do homem que, mais do que qualquer outro, contribuiu para a queda do totalitarismo comunista era necessário, para os assassinos, porque ele era um líder religioso e porque essa religião, o catolicismo, era capaz de movimentar consciências e massas. Tal como hoje, massas e consciências são movimentadas pelos líderes radicais do islamismo, na luta contra os valores do Ocidente democrata e cristão.
O apelo de Bento XVI, quanto à importância de África para a Europa e para o Ocidente, inscreve-se nesta grande luta de religiões e de civilizações e não é novo, como raciocínio lógico e político. Lenine defendia que o cerco à Europa passava por África. O último grande czar comunista, Brejnev, entendeu-o bem, avançando para o domínio do Continente Negro nos anos 60 e 70. Quando perdeu a Guerra Fria para o Ocidente, a União Soviética perdeu também os territórios onde exercia já profunda influência - e, entre eles, os do ex-império português. Só isso, de resto, permitiu o rápido processo de reconciliação e de democratização na África do Sul.
Mas a grande verdade - independentemente da colonização e da missionação - é que a África próxima dos valores do Ocidente é a que resulta dos avanços do cristianismo (e, mais ainda, do catolicismo, que tem, sobre as restantes religiões de raiz cristã, a vantagem de se inscrever numa Igreja hierarquizada, força centrípeta e não centrífuga, em termos nacionais).
Ora a mensagem de Bento XVI tem tudo a ver com essa relação Ocidente-África e com a actual luta de civilizações, entre os valores do cristianismo e os do islamismo. O avanço do islamismo na África a sul do Sara é enorme. Apoiados por países islâmicos, os missionários da religião de Maomé instalam-se cada vez mais nas regiões urbanas e mais pobres das grandes urbes africanas, procurando novos adeptos e, decerto, novos guerreiros. Um dos exemplos mais recentes - e mais "nosso" - é o do que se vai passando em Angola e, nomeadamente, em Luanda, onde a preocupação, não publicamente confessada, das autoridades cresce, face ao avanço da doutrinação nos musseques da capital.
Independentemente do posicionamento de cada um perante a religião, é incontestável que a raiz dos valores essenciais das nossas sociedades tem a ver com o cristianismo. A luta da Europa pelos seus valores - o que não significa guerra de civilizações, mas não impede choque de civilizações - é vital para a manutenção desses valores. Incluindo os da sociedade laica, só presentes nas sociedades de raiz cristã. A arquitectura cultural, social, jurídica e política do nosso mundo baseia-se neste legado.
Missionar África, no sentido moderno do termo, o qual inclui mais do que mera difusão de religiões, é um objectivo tão actual hoje como o foi ontem. Bento XVI tem razão. Sem isso, a Europa será cercada. Não pelo leninismo, mas pelo fundamentalismo islâmico. Bento XVI, como João Paulo II, vê mais longe. Quer queiramos quer não, a religião e a Igreja continuam a ser muito mais importantes do que se pensa.
In Diário de Notícias, 14 de Março de 2006
http://dn.sapo.pt/2006/03/14/opiniao/religioes_guerra_e_paz.html
Jornalista
Duas notícias recentes dão nota da importante questão das religiões no mundo contemporâneo - algo que, afinal, é apenas uma transposição para a actualidade do que se passou ao longo da história da humanidade. A primeira notícia, mais antiga, refere o envolvimento dos serviços secretos da então União Soviética, o KGB, na tentativa de assassínio do Papa João Paulo II. Outra, de há dias, dá conta do apelo do Papa Bento XVI para que África seja uma prioridade para a Igreja Católica europeia. Se a isto juntarmos as questões referentes ao islamismo e ao mundo ocidental e cristão, tão na ordem do dia, constamos quanto a complexa teia feita de religião, sociedade e História se faz e refaz. E de quanto a força das religiões está presente, mesmo num mundo onde uma nova religião - a do laicismo (que não é igual a sociedade laica) e dos seus valores do "politicamente correcto" - tende a impor-se ao cristianismo, nas sociedades democráticas ocidentais.
Nada espanta na questão da falhada tentativa de matar João Paulo II através dos serviços secretos búlgaros, a mando do KGB. Na sua tradicional visão do mundo, baseada na relação de forças e de poder, os comunistas entenderam, como ninguém, quanto a eleição de um Papa polaco - o mais católico dos países do bloco comunista - representava um perigo real para o futuro do império soviético. A antena polaca do KGB descreveu, então, a Moscovo os perigos dessa eleição. E, depois da queda do Muro de Berlim, o Presidente soviético Gorbachev confirmou-o, ao afirmar que "tudo o que aconteceu nos países do Leste europeu, nestes últimos anos [anos 80], teria sido impossível sem a eleição deste Papa". O desaparecimento do homem que, mais do que qualquer outro, contribuiu para a queda do totalitarismo comunista era necessário, para os assassinos, porque ele era um líder religioso e porque essa religião, o catolicismo, era capaz de movimentar consciências e massas. Tal como hoje, massas e consciências são movimentadas pelos líderes radicais do islamismo, na luta contra os valores do Ocidente democrata e cristão.
O apelo de Bento XVI, quanto à importância de África para a Europa e para o Ocidente, inscreve-se nesta grande luta de religiões e de civilizações e não é novo, como raciocínio lógico e político. Lenine defendia que o cerco à Europa passava por África. O último grande czar comunista, Brejnev, entendeu-o bem, avançando para o domínio do Continente Negro nos anos 60 e 70. Quando perdeu a Guerra Fria para o Ocidente, a União Soviética perdeu também os territórios onde exercia já profunda influência - e, entre eles, os do ex-império português. Só isso, de resto, permitiu o rápido processo de reconciliação e de democratização na África do Sul.
Mas a grande verdade - independentemente da colonização e da missionação - é que a África próxima dos valores do Ocidente é a que resulta dos avanços do cristianismo (e, mais ainda, do catolicismo, que tem, sobre as restantes religiões de raiz cristã, a vantagem de se inscrever numa Igreja hierarquizada, força centrípeta e não centrífuga, em termos nacionais).
Ora a mensagem de Bento XVI tem tudo a ver com essa relação Ocidente-África e com a actual luta de civilizações, entre os valores do cristianismo e os do islamismo. O avanço do islamismo na África a sul do Sara é enorme. Apoiados por países islâmicos, os missionários da religião de Maomé instalam-se cada vez mais nas regiões urbanas e mais pobres das grandes urbes africanas, procurando novos adeptos e, decerto, novos guerreiros. Um dos exemplos mais recentes - e mais "nosso" - é o do que se vai passando em Angola e, nomeadamente, em Luanda, onde a preocupação, não publicamente confessada, das autoridades cresce, face ao avanço da doutrinação nos musseques da capital.
Independentemente do posicionamento de cada um perante a religião, é incontestável que a raiz dos valores essenciais das nossas sociedades tem a ver com o cristianismo. A luta da Europa pelos seus valores - o que não significa guerra de civilizações, mas não impede choque de civilizações - é vital para a manutenção desses valores. Incluindo os da sociedade laica, só presentes nas sociedades de raiz cristã. A arquitectura cultural, social, jurídica e política do nosso mundo baseia-se neste legado.
Missionar África, no sentido moderno do termo, o qual inclui mais do que mera difusão de religiões, é um objectivo tão actual hoje como o foi ontem. Bento XVI tem razão. Sem isso, a Europa será cercada. Não pelo leninismo, mas pelo fundamentalismo islâmico. Bento XVI, como João Paulo II, vê mais longe. Quer queiramos quer não, a religião e a Igreja continuam a ser muito mais importantes do que se pensa.
In Diário de Notícias, 14 de Março de 2006
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segunda-feira, março 06, 2006
O respeito pelo sagrado
é algo que a cultura não pode pôr em questão
Patriarca de Lisboa, na homilia de Quarta-feira de Cinzas
.
"A Quaresma é, para a Igreja, um tempo de verdade e de graça"
Homilia de Quarta-Feira de Cinzas
Sé Patriarcal, 1 de Março de 2006
1. Iniciamos, hoje, mais uma Quaresma, a primeira depois daqueles dias tão belos e tão repletos de um novo entusiasmo, que foi o Congresso para a Nova Evangelização. Para mim, como cristão e como vosso Bispo, este é um tempo de esperança e de temor. A esperança de que seja um tempo de renovação espiritual para a nossa Igreja diocesana, tempo de conversão e de fidelidade, tornando-a mais profundamente Povo do Senhor. Mas o receio de que seja apenas mais uma Quaresma, que corre veloz com a velocidade do tempo, sem pararmos para confrontar toda a nossa vida com Deus e com a Páscoa do Seu Filho Jesus Cristo. Receio que a Páscoa nos surpreenda na rotina da nossa vida. Que não tomemos a sério a advertência do Apóstolo Paulo: "Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação" (2Cor. 6,2).
Que significado tem a Quaresma no contexto da nossa sociedade contemporânea, onde muitos não acreditam em Deus, onde, mesmo muitos cristãos, não cultivam a fé como relação viva e confiante com Ele, onde a Sua Palavra não é luz que ilumina a vida, onde a Sua Lei não interpela a liberdade, onde a doutrina da Igreja é pura sugestão? A Quaresma é, para a Igreja, um momento de verdade, de se assumir como "resto fiel", Povo que o Senhor escolheu e conduz. É tempo para assumirmos corajosamente a nossa diferença, no mundo em que vivemos: diferença na fé, nas motivações e nos critérios. É tempo de penetrar no desígnio de Deus a nosso respeito, de percebermos que Ele tem uma vontade para o Seu Povo, onde revela os caminhos da vida e que nos fortalece, com o Seu Espírito, para os podermos percorrer. Tomemos consciência de que a Quaresma tem de ser, para nós, tempo de discernimento e de fidelidade.
2. A primeira interpelação da Quaresma é a de tomarmos Deus mais a sério. É o grito, em tom dramático, do Profeta Joel: "Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração, não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor vosso Deus" (Jl. 2,12-13). E São Paulo, em tom igualmente sério, escreve aos Coríntios: "Nós vos pedimos, em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus" (2Cor. 5,20). Se nós, os cristãos, não acolhemos estes apelos, quem os há-de ouvir?
Este é o maior problema espiritual, com consequências morais, da nossa cultura contemporânea: relativizou-se Deus. Está na moda fazer profissão de fé de agnosticismo; o homem, considerado como individuo e não como pessoa, necessariamente comprometido com uma comunidade, tornou-se o único critério de verdade e de discernimento ético; Deus deixou de ter lugar na história. Apesar do apregoado respeito pelas religiões e pela fé de quem acredita, alguns não hesitam em brincar com o sagrado; chegou-se mesmo a apregoar, em nome da liberdade, o direito à blasfémia. Fiquem sabendo que para nós que buscamos o rosto de Deus e procuramos viver a vida em diálogo com Ele, isso nos indigna e magoa, porque temos gravado no nosso coração aquele mandamento primordial: "não invocarás o Santo Nome de Deus em vão". Como afirmou um prestigiado colunista, que aliás se confessa descrente, com o sagrado não se brinca. O respeito pelo sagrado é algo que a cultura não pode pôr em questão, mesmo em nome da liberdade. A todos esses que sentem não acreditar em Deus, eu digo em nome do povo crente: a vossa dificuldade em acreditar em Deus, não toca na realidade insofismável de Deus. Nós respeitamos a vossa descrença, e não hesitamos em dar-vos as mãos em todas as lutas pelo bem e por causas justas. Mas respeitai a nossa fé, mesmo no exercício da vossa liberdade; sobretudo respeitai Deus em quem acreditamos.
Mas o grande desafio da Palavra da Eucaristia é dirigido a nós, os crentes: convertei-vos ao Senhor, nosso Deus, tomai Deus mais a sério, como o fez Jesus Cristo, que em solidariedade com toda a humanidade, obedeceu a Deus, Seu Pai, até à morte e morte na Cruz.
A primeira manifestação desse "tomar Deus a sério", é redescobrir a Sua Lei, a santa Lei de Deus. Ele tem uma vontade a nosso respeito, que é um desígnio de amor, que nos revela pela Sua Palavra. A Lei de Deus é revelação e chamamento e o exercício da nossa liberdade só pode ser uma obediência a essa Palavra. Esse caminho de obediência é difícil e exigente, mas é possível com a força do Seu amor. Só Deus torna possível a nossa fidelidade, vivendo a vida segundo a Sua vontade, percorrendo os caminhos do Seu desígnio.
Isto exige de nós, os cristãos, que completemos a lógica da natureza com a lógica da graça. Com que facilidade deixamos reduzir o nosso ideal de vida à ordem natural, contentando-nos com o que a natureza oferece. Os dons da Natureza são apenas o anúncio de uma plenitude definitiva, que é como uma segunda criação, um "nascer de novo", cujo horizonte de plenitude ultrapassa a felicidade que naturalmente podemos desejar e realizar. E esse novo horizonte de vida é-nos revelado por Deus, em Jesus Cristo, que o inaugurou na Sua Páscoa, tornando-se as "primícias" do homem futuro e do futuro do homem.
Este horizonte da graça não anula a natureza, antes a liberta do risco de ficar prisioneira da sua finitude e fragilidade e revela-lhe o esplendor da árvore de que ela é apenas a semente.
A Quaresma é um tempo em que somos chamados a viver ao ritmo da graça, recorrendo a todas as ajudas que, para isso, Deus nos dá, por Jesus Cristo, através da força sacramental da Igreja. Não tenhamos ilusões: muitas das fragilidades dos cristãos devem-se ao facto de reduzirem a sua vida à ordem da natureza, esquecendo que a rectidão natural, mesmo que se consiga, não é ainda a santidade.
3. Este naturalismo como perspectiva de vida é a principal causa e, porventura, expressão dos nossos pecados. É assim no amor, na busca da verdade que inspira os critérios morais e o sentido da vida; é assim num individualismo autista, que nos corta da densidade de corresponsabilidade com os outros; é assim na ganância e na indisponibilidade para a partilha; é assim na busca do rosto de Deus, glorificando-o com a nossa vida e experimentando a comunhão com Ele na oração.
A Quaresma contém uma forte interpelação à conversão, o que significa aceitar os nossos pecados e a confiança na misericórdia transformadora de Deus. Não tenhamos ilusões, irmãos: somos todos pecadores e talvez o nosso principal drama seja o já não identificarmos os nossos pecados, no concreto da nossa vida. E essa situação só mudará, se nos convertermos ao Deus Vivo e voltarmos a amar a Sua Lei. A conversão é uma experiência de realismo e de confiança: realismo de quem reconhece o seu pecado, confiança na infinita misericórdia de Deus: "Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete" (Jl. 2,13).
4. A caminhada da Quaresma não pode ser só individual. Os caminhos da conversão devem ser percorridos em Igreja e pela Igreja. A conversão do Seu Povo é o grande desejo de Deus, pois só isso não tornará inútil a morte de Jesus Cristo. A expressão comunitária tem de envolver e fortalecer a caminhada individual. Ouçamos o apelo do Profeta e demos-lhe concretização nos caminhos da Igreja: "Tocai a trombeta sagrada. Reuni o Povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças" (Jl. 2,15-16).
Tenho esperança que a Igreja de Lisboa, dinamizada para a missão, viva profundamente esta Quaresma, como caminho de conversão e de graça. Quero fazer esta caminhada convosco, rezo por vós.
† JOSÉ, Cardeal-Patriarca
Patriarca de Lisboa, na homilia de Quarta-feira de Cinzas
.
"A Quaresma é, para a Igreja, um tempo de verdade e de graça"
Homilia de Quarta-Feira de Cinzas
Sé Patriarcal, 1 de Março de 2006
1. Iniciamos, hoje, mais uma Quaresma, a primeira depois daqueles dias tão belos e tão repletos de um novo entusiasmo, que foi o Congresso para a Nova Evangelização. Para mim, como cristão e como vosso Bispo, este é um tempo de esperança e de temor. A esperança de que seja um tempo de renovação espiritual para a nossa Igreja diocesana, tempo de conversão e de fidelidade, tornando-a mais profundamente Povo do Senhor. Mas o receio de que seja apenas mais uma Quaresma, que corre veloz com a velocidade do tempo, sem pararmos para confrontar toda a nossa vida com Deus e com a Páscoa do Seu Filho Jesus Cristo. Receio que a Páscoa nos surpreenda na rotina da nossa vida. Que não tomemos a sério a advertência do Apóstolo Paulo: "Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação" (2Cor. 6,2).
Que significado tem a Quaresma no contexto da nossa sociedade contemporânea, onde muitos não acreditam em Deus, onde, mesmo muitos cristãos, não cultivam a fé como relação viva e confiante com Ele, onde a Sua Palavra não é luz que ilumina a vida, onde a Sua Lei não interpela a liberdade, onde a doutrina da Igreja é pura sugestão? A Quaresma é, para a Igreja, um momento de verdade, de se assumir como "resto fiel", Povo que o Senhor escolheu e conduz. É tempo para assumirmos corajosamente a nossa diferença, no mundo em que vivemos: diferença na fé, nas motivações e nos critérios. É tempo de penetrar no desígnio de Deus a nosso respeito, de percebermos que Ele tem uma vontade para o Seu Povo, onde revela os caminhos da vida e que nos fortalece, com o Seu Espírito, para os podermos percorrer. Tomemos consciência de que a Quaresma tem de ser, para nós, tempo de discernimento e de fidelidade.
2. A primeira interpelação da Quaresma é a de tomarmos Deus mais a sério. É o grito, em tom dramático, do Profeta Joel: "Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração, não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor vosso Deus" (Jl. 2,12-13). E São Paulo, em tom igualmente sério, escreve aos Coríntios: "Nós vos pedimos, em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus" (2Cor. 5,20). Se nós, os cristãos, não acolhemos estes apelos, quem os há-de ouvir?
Este é o maior problema espiritual, com consequências morais, da nossa cultura contemporânea: relativizou-se Deus. Está na moda fazer profissão de fé de agnosticismo; o homem, considerado como individuo e não como pessoa, necessariamente comprometido com uma comunidade, tornou-se o único critério de verdade e de discernimento ético; Deus deixou de ter lugar na história. Apesar do apregoado respeito pelas religiões e pela fé de quem acredita, alguns não hesitam em brincar com o sagrado; chegou-se mesmo a apregoar, em nome da liberdade, o direito à blasfémia. Fiquem sabendo que para nós que buscamos o rosto de Deus e procuramos viver a vida em diálogo com Ele, isso nos indigna e magoa, porque temos gravado no nosso coração aquele mandamento primordial: "não invocarás o Santo Nome de Deus em vão". Como afirmou um prestigiado colunista, que aliás se confessa descrente, com o sagrado não se brinca. O respeito pelo sagrado é algo que a cultura não pode pôr em questão, mesmo em nome da liberdade. A todos esses que sentem não acreditar em Deus, eu digo em nome do povo crente: a vossa dificuldade em acreditar em Deus, não toca na realidade insofismável de Deus. Nós respeitamos a vossa descrença, e não hesitamos em dar-vos as mãos em todas as lutas pelo bem e por causas justas. Mas respeitai a nossa fé, mesmo no exercício da vossa liberdade; sobretudo respeitai Deus em quem acreditamos.
Mas o grande desafio da Palavra da Eucaristia é dirigido a nós, os crentes: convertei-vos ao Senhor, nosso Deus, tomai Deus mais a sério, como o fez Jesus Cristo, que em solidariedade com toda a humanidade, obedeceu a Deus, Seu Pai, até à morte e morte na Cruz.
A primeira manifestação desse "tomar Deus a sério", é redescobrir a Sua Lei, a santa Lei de Deus. Ele tem uma vontade a nosso respeito, que é um desígnio de amor, que nos revela pela Sua Palavra. A Lei de Deus é revelação e chamamento e o exercício da nossa liberdade só pode ser uma obediência a essa Palavra. Esse caminho de obediência é difícil e exigente, mas é possível com a força do Seu amor. Só Deus torna possível a nossa fidelidade, vivendo a vida segundo a Sua vontade, percorrendo os caminhos do Seu desígnio.
Isto exige de nós, os cristãos, que completemos a lógica da natureza com a lógica da graça. Com que facilidade deixamos reduzir o nosso ideal de vida à ordem natural, contentando-nos com o que a natureza oferece. Os dons da Natureza são apenas o anúncio de uma plenitude definitiva, que é como uma segunda criação, um "nascer de novo", cujo horizonte de plenitude ultrapassa a felicidade que naturalmente podemos desejar e realizar. E esse novo horizonte de vida é-nos revelado por Deus, em Jesus Cristo, que o inaugurou na Sua Páscoa, tornando-se as "primícias" do homem futuro e do futuro do homem.
Este horizonte da graça não anula a natureza, antes a liberta do risco de ficar prisioneira da sua finitude e fragilidade e revela-lhe o esplendor da árvore de que ela é apenas a semente.
A Quaresma é um tempo em que somos chamados a viver ao ritmo da graça, recorrendo a todas as ajudas que, para isso, Deus nos dá, por Jesus Cristo, através da força sacramental da Igreja. Não tenhamos ilusões: muitas das fragilidades dos cristãos devem-se ao facto de reduzirem a sua vida à ordem da natureza, esquecendo que a rectidão natural, mesmo que se consiga, não é ainda a santidade.
3. Este naturalismo como perspectiva de vida é a principal causa e, porventura, expressão dos nossos pecados. É assim no amor, na busca da verdade que inspira os critérios morais e o sentido da vida; é assim num individualismo autista, que nos corta da densidade de corresponsabilidade com os outros; é assim na ganância e na indisponibilidade para a partilha; é assim na busca do rosto de Deus, glorificando-o com a nossa vida e experimentando a comunhão com Ele na oração.
A Quaresma contém uma forte interpelação à conversão, o que significa aceitar os nossos pecados e a confiança na misericórdia transformadora de Deus. Não tenhamos ilusões, irmãos: somos todos pecadores e talvez o nosso principal drama seja o já não identificarmos os nossos pecados, no concreto da nossa vida. E essa situação só mudará, se nos convertermos ao Deus Vivo e voltarmos a amar a Sua Lei. A conversão é uma experiência de realismo e de confiança: realismo de quem reconhece o seu pecado, confiança na infinita misericórdia de Deus: "Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete" (Jl. 2,13).
4. A caminhada da Quaresma não pode ser só individual. Os caminhos da conversão devem ser percorridos em Igreja e pela Igreja. A conversão do Seu Povo é o grande desejo de Deus, pois só isso não tornará inútil a morte de Jesus Cristo. A expressão comunitária tem de envolver e fortalecer a caminhada individual. Ouçamos o apelo do Profeta e demos-lhe concretização nos caminhos da Igreja: "Tocai a trombeta sagrada. Reuni o Povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças" (Jl. 2,15-16).
Tenho esperança que a Igreja de Lisboa, dinamizada para a missão, viva profundamente esta Quaresma, como caminho de conversão e de graça. Quero fazer esta caminhada convosco, rezo por vós.
† JOSÉ, Cardeal-Patriarca
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
QUE REGIME É ESTE?
CARTA DO CANADÁ
por Fernanda Leitão
No princípio foi um golpe militar que, em pouco tempo, ficou na posse de um grupo de políticos civis. Estes, despudorados e enlouquecidos pelo poder, instalaram uma ditadura dos partidos. Foi assim que o país entrou numa guerra mundial que ceifou milhares de jovens portugueses, que deixou estropiados e gaseados outros milhares. O pão escasseava na mesa do povo. O desemprego era em massa. Os governos instalavam-se e caíam num rodopio. Padres e religiosos foram presos, enxovalhados, expulsos. Os bens da Igreja eram transformados em negócios de meia dúzia (dali a pouco tempo os bolchevistas haviam de fazer o mesmo na Rússia). Os opositores eram mortos ou partiam para o degredo. Os barcos levavam milhares de homens para a emigração, já que camponeses e operários estavam reduzidos à miséria. A liberdade de expressão existia para insultos, calúnias e outras perfídias, por parte dos jornais seguidistas dos governos, ao passo que os independentes eram atacados à bomba. Havia revoltas e tiros todos os dias. A dívida pública era medonha. O descrédito internacional do país, era um facto. O ultramar, semi-abandonado, era inundado por “professores laicos”, de garantido servilismo ao regime, enquanto que eram expulsos os missionários e destruída a sua obra de muitas dezenas de anos.
Outro golpe militar destronou o anterior. Em pouco tempo, transformou-se numa ditadura civil de direita, ao gosto do que se passava na Itália, Alemanha e Espanha. Ditadura respaldada por forças armadas despromovidas por um pretorianismo funesto, por uma hierarquia católica de vistas curtas, por uma élite empresarial sem rasgo e avessa ao risco, por uma polícia política boçal e poderosa. Respaldada, até, a ditadura, por uma oposição que levou anos a escrever cartas e manifestos, ao mesmo tempo que tomava o poder na área da cultura, com o que fez uma ditadura paralela à governamental, uma oposição burguesa, instalada, na maior parte dos casos orquestrada pelos interesses internacionais. Por ausência de diálogo e de planificação progressista, os cofres públicos encheram-se, o ultramar tornou-se vulnerável, a economia era coutada de meia dúzia de famílias, no ensino era a paz podre, a guerra colonial aconteceu, a emigração em massa foi um facto. Quando a ditadura apanhou com um ramo de cravos pela cara, caíu de costas, desamparada, já que tinha contra si a esmagadora maioria da população.
Novo golpe militar tomou o poder para logo, por inépcia, dar origem a uma curta mas inesquecível ditadura pró-comunista. Inesquecível pela brutalidade, pela incompetência, pelo abuso, pelo desrespeito aos direitos do homem, pela sanha persecutória e até pela mais alarve falta de educação. Durou o tempo necessário e suficiente para se entregar o ultramar inteiro a grupos que garantissem, mano a mano, a fidelidade à então União Soviética e às multinacionais de rapina. Cerca de um milhão de pessoas, desmunidas de tudo, rumou ao exílio. Centenas de milhar de mortos empaparam de sangue as antigas colónias, trazendo para o terreno a fome crónica, as doenças já erradicadas, o tribalismo cego e desenfreado. Ao mesmo tempo, procedeu-se à nacionalização de tudo quando parecia aos novos senhores luzir de opulência. A emigração voltou a ser um facto. O ensino ficou de rastos, graças a aventureiros que dele fizeram trampolim político, um ano atrás do outro, até se chegar ao pormenor de tirar as cruzes das escolas, enquanto que, no tão falado império da Língua Portuguesa, se trabalhava em faz de conta, promovendo compinchas incompetentes, proporcionando a muitos reformas escandalosamente fraudulentas, espezinhando ou ignorando aqueles que, em silenciosa coragem, tudo faziam para salvar do naufrágio, nas comunidades, a língua de Camões.
De inépcia em inépcia, de compadrio em compadrio, o desemprego tornou-se crónico, a produtividade quase nula, a habitação uma agonia para quem tem os bancos à perna por dezenas de anos, a saúde um total descalabro. Ganhou-se em corrupção e roubalheira o que se perdeu em moral e dignidade colectivas. A emigração voltou a acelerar. O descrédito da coisa pública é completo, indo de alto a baixo na hierarquia do regime, para o que muito tem contribuído uma justiça que nem ao de leve incomoda os criminosos. A completa desmoralizção do povo é um facto, graças a uma política de constante circo, ampliada pelas facécias dos cómicos do regime, mancomunados com os fregueses das revistas do chamado jet set. Ninguém acredita em nada.
Que regime é este? É aquele que saíu inteirinho do crime cobarde cometido, na rua do Arsebal, nas pessoas do Rei e do Príncipe herdeiro. Aquele a que Eça de Queiroz chamava “balbúrdia sanguinolenta”, aquele que a essa dívida de sangue juntou as dívidas de todos os crimes posteriormente cometidos. É a República Portuguesa. Ou à portuguesa.
por Fernanda Leitão
No princípio foi um golpe militar que, em pouco tempo, ficou na posse de um grupo de políticos civis. Estes, despudorados e enlouquecidos pelo poder, instalaram uma ditadura dos partidos. Foi assim que o país entrou numa guerra mundial que ceifou milhares de jovens portugueses, que deixou estropiados e gaseados outros milhares. O pão escasseava na mesa do povo. O desemprego era em massa. Os governos instalavam-se e caíam num rodopio. Padres e religiosos foram presos, enxovalhados, expulsos. Os bens da Igreja eram transformados em negócios de meia dúzia (dali a pouco tempo os bolchevistas haviam de fazer o mesmo na Rússia). Os opositores eram mortos ou partiam para o degredo. Os barcos levavam milhares de homens para a emigração, já que camponeses e operários estavam reduzidos à miséria. A liberdade de expressão existia para insultos, calúnias e outras perfídias, por parte dos jornais seguidistas dos governos, ao passo que os independentes eram atacados à bomba. Havia revoltas e tiros todos os dias. A dívida pública era medonha. O descrédito internacional do país, era um facto. O ultramar, semi-abandonado, era inundado por “professores laicos”, de garantido servilismo ao regime, enquanto que eram expulsos os missionários e destruída a sua obra de muitas dezenas de anos.
Outro golpe militar destronou o anterior. Em pouco tempo, transformou-se numa ditadura civil de direita, ao gosto do que se passava na Itália, Alemanha e Espanha. Ditadura respaldada por forças armadas despromovidas por um pretorianismo funesto, por uma hierarquia católica de vistas curtas, por uma élite empresarial sem rasgo e avessa ao risco, por uma polícia política boçal e poderosa. Respaldada, até, a ditadura, por uma oposição que levou anos a escrever cartas e manifestos, ao mesmo tempo que tomava o poder na área da cultura, com o que fez uma ditadura paralela à governamental, uma oposição burguesa, instalada, na maior parte dos casos orquestrada pelos interesses internacionais. Por ausência de diálogo e de planificação progressista, os cofres públicos encheram-se, o ultramar tornou-se vulnerável, a economia era coutada de meia dúzia de famílias, no ensino era a paz podre, a guerra colonial aconteceu, a emigração em massa foi um facto. Quando a ditadura apanhou com um ramo de cravos pela cara, caíu de costas, desamparada, já que tinha contra si a esmagadora maioria da população.
Novo golpe militar tomou o poder para logo, por inépcia, dar origem a uma curta mas inesquecível ditadura pró-comunista. Inesquecível pela brutalidade, pela incompetência, pelo abuso, pelo desrespeito aos direitos do homem, pela sanha persecutória e até pela mais alarve falta de educação. Durou o tempo necessário e suficiente para se entregar o ultramar inteiro a grupos que garantissem, mano a mano, a fidelidade à então União Soviética e às multinacionais de rapina. Cerca de um milhão de pessoas, desmunidas de tudo, rumou ao exílio. Centenas de milhar de mortos empaparam de sangue as antigas colónias, trazendo para o terreno a fome crónica, as doenças já erradicadas, o tribalismo cego e desenfreado. Ao mesmo tempo, procedeu-se à nacionalização de tudo quando parecia aos novos senhores luzir de opulência. A emigração voltou a ser um facto. O ensino ficou de rastos, graças a aventureiros que dele fizeram trampolim político, um ano atrás do outro, até se chegar ao pormenor de tirar as cruzes das escolas, enquanto que, no tão falado império da Língua Portuguesa, se trabalhava em faz de conta, promovendo compinchas incompetentes, proporcionando a muitos reformas escandalosamente fraudulentas, espezinhando ou ignorando aqueles que, em silenciosa coragem, tudo faziam para salvar do naufrágio, nas comunidades, a língua de Camões.
De inépcia em inépcia, de compadrio em compadrio, o desemprego tornou-se crónico, a produtividade quase nula, a habitação uma agonia para quem tem os bancos à perna por dezenas de anos, a saúde um total descalabro. Ganhou-se em corrupção e roubalheira o que se perdeu em moral e dignidade colectivas. A emigração voltou a acelerar. O descrédito da coisa pública é completo, indo de alto a baixo na hierarquia do regime, para o que muito tem contribuído uma justiça que nem ao de leve incomoda os criminosos. A completa desmoralizção do povo é um facto, graças a uma política de constante circo, ampliada pelas facécias dos cómicos do regime, mancomunados com os fregueses das revistas do chamado jet set. Ninguém acredita em nada.
Que regime é este? É aquele que saíu inteirinho do crime cobarde cometido, na rua do Arsebal, nas pessoas do Rei e do Príncipe herdeiro. Aquele a que Eça de Queiroz chamava “balbúrdia sanguinolenta”, aquele que a essa dívida de sangue juntou as dívidas de todos os crimes posteriormente cometidos. É a República Portuguesa. Ou à portuguesa.
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